quarta-feira, 13 de abril de 2022

𝐎𝐒 𝐂𝐑𝐔𝐙𝐄𝐈𝐑𝐎𝐒 𝐍𝐀 𝐕𝐈𝐒Ã𝐎 𝐃𝐀 𝐐𝐔𝐈𝐌𝐁𝐀𝐍𝐃𝐀 𝐁𝐑𝐀𝐒𝐈𝐋𝐄𝐈𝐑𝐀 O Cruzeiro possui muitas histórias e funcionalidades. A cruz, de maneira esotérica, é reconhecida como objeto que representa os quatro elementos e a conexão entre o plano material e o plano espiritual.

 𝐎𝐒 𝐂𝐑𝐔𝐙𝐄𝐈𝐑𝐎𝐒 𝐍𝐀 𝐕𝐈𝐒Ã𝐎 𝐃𝐀 𝐐𝐔𝐈𝐌𝐁𝐀𝐍𝐃𝐀 𝐁𝐑𝐀𝐒𝐈𝐋𝐄𝐈𝐑𝐀
O Cruzeiro possui muitas histórias e funcionalidades. A cruz, de maneira esotérica, é reconhecida como objeto que representa os quatro elementos e a conexão entre o plano material e o plano espiritual. 


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O Cruzeiro possui muitas histórias e funcionalidades. A cruz, de maneira esotérica, é reconhecida como objeto que representa os quatro elementos e a conexão entre o plano material e o plano espiritual. Todas essas funções foram absorvidas pelo vórtice da Quimbanda, porém a representação que tem o significado mais entrelaçado e que pode explicar as atuações do reino do Cruzeiro foi genuinamente desenvolvida durante o período de crescimento urbano no território brasileiro.

Nos primórdios da construção da 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢 𝘣𝘳𝘢𝘴𝘪𝘭𝘪𝘴, cruzeiros começaram a ser erguidos em estradas próximas às entradas de novas cidades que estavam em seu estágio inicial de construção, e é natural que hoje ainda encontremos um cruzeiro na entrada de uma cidade antiga, principalmente em cidades baianas e mineiras.

Esses cruzeiros acabaram se tornando poderosos vórtices de passagens espirituais, significando a linha tênue que corta a estrada (Reino das Almas) com uma nova cidade (portal/cruzeiro). Desta forma, no astral os espíritos entendiam e usavam os cruzeiros como uma referência de acesso, e assim, onde quer que estivesse um cruzeiro, existia um novo vórtice/ponto de energia que dava acesso a novos locais delimitados (cidades) repletos de diferentes Reinos e sub-Reinos.

A partir desta premissa, os Cruzeiros da Quimbanda começaram a ganhar significado e os homens começaram entender melhor suas funções. Não vou adentrar estreitamente no assunto, mas vale ressaltar que os cruzeiros erguidos na morada dos mortos (Kalunga) possuem a mesma função e serviram de base para a correlação e entendimento dos cruzeiros das estradas, vistos também como o limiar da vida e da morte e da relação dos vivos com os mortos. Neste ponto, associam-se também os cruzeiros de outros reinos, como o Reino da Mata e da Praia.

Os cruzeiros do Reino da Praia podem ser representados pelos grandes faróis costeiros: seu formato em cruz é caracterizado pela estrutura vertical que simboliza o plano material, e a luz, que é emanada pelo farol simboliza a linha horizontal e espiritual. Eram utilizados pelos navegadores como uma forma de, em meio ao mar aberto (Kalunga Grande/Mar das Almas), encontrar um local habitado e delimitado por terras (cidades/terra firme).

Dentro da Quimbanda, o cruzeiro é visto como uma estrutura/portal por onde espíritos, almas e energias transitam, bem como pedidos e súplicas podem ser atendidas e banimentos podem ser realizados. O Exu Rei e Pombagira Rainha do Cruzeiro juntamente com Exu Rei das Trevas e todo o povo do Cruzeiro, Almas e Kalunga são os sustentadores e guardiões destes pontos de forças, pois tais portais são sempre utilizados como atalhos para que os espíritos viagem de um local para outro com maior rapidez e fluidez.

Orações, sigilos e oferendas de frente para um cruzeiro podem conter códigos espirituais capazes de abrir portas totalmente novas, que jamais imaginaríamos que teríamos acesso. Segundo o Exu Rei da Kalunga, o Cruzeiro não é apenas uma porta, mas a possibilidade para inúmeros portais, cujo acesso depende unicamente das chaves/códigos que o adepto possui. Partindo desta premissa existe um código específico para cada porta que um cruzeiro pode abrir, e elas podem ser acessadas com chaves especificas quando se necessita de uma energia que uma dessas portas pode conferir.

𝐃𝐢𝐟𝐞𝐫𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐓𝐢𝐩𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐂𝐫𝐮𝐳𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬

𝟏) 𝐂𝐫𝐮𝐳𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬 𝐍𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐏ú𝐛𝐥𝐢𝐜𝐨𝐬
Os cruzeiros naturais são pontos de passagens formados pela natureza que são portas astrais poderosíssimas.

Um tipo de cruzeiro natural são os vulcões, também conhecidos como bocas infernais. Esses portais ígneos eram cultuados por povos antigos e suas preces eram voltadas às divindades para que estas não aplacassem a ira e o desgosto sobre a vida das tribos localizadas na mesma região.

Os vulcões tem uma estreita ligação com Vossa Santidade Maioral. Suas lavas são os fogos do Grande Dragão que consomem a sujeira física e espiritual. O Brasil, apesar de não possuir vulcões ativos, é repleto de pedras de origem vulcânica que podem ser ativadas para evocar as forças de Maioral e das armadas espirituais.

Outro tipo de cruzeiro natural são árvores, que se transformam em portais a partir do momento em que se tornam grandes e robustas ou pertencem a uma classe poderosíssima, tais como a figueira, mangueira, entre outras. Seus galhos formam diversas cruzes e teias por onde transpassam diversos espíritos. As árvores quando se tornam cruzeiros começam a ter uma estreita relação com Exu Morcego, e acabam servindo de interseção entre o Reino do Cruzeiro e o sub-Reino da Praça.

Os cruzeiros não naturais, mas públicos, são os cruzeiros que estão localizados nas estradas, nas matas, na praia e na Kalunga. Esses cruzeiros podem ser facilmente utilizados como uma via de acesso espiritual. Apesar de dentro da Kalunga possuir vários cruzeiros que estão fincados sobre as lombas dos Mortos, para uma solicitação espiritual são mais adequados os cruzeiros centrais (grandes cruzeiros) onde não possuem corpos embaixo e que possivelmente não possuem o nome do morto escrito ou gravado.

Um detalhe importante: quando um adepto necessita de um poderoso Cruzeiro, pode “comprar” espiritualmente uma cruz dentro destes reinos mencionados, porém ao comprar um Cruzeiro deverá confeccionar outro para colocar no lugar do que foi retirado. Como foi dito anteriormente, os cruzeiros são teias e portais espirituais: quando removidos, desestabilizam as conexões e pontes astrais. Sendo assim o adepto, ao substituir a cruz que foi retirada, restabelece o fluxo energético daquele reino.

𝟐) 𝐂𝐫𝐮𝐳𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐨
Os cruzeiros internos são os sete pontos de força que possuímos, e pode ser entendido e correlacionado aos sete chacras da tradição hindu. Cada cruzeiro interno possui sua função particular cujo próprio estado e essência norteia a vida das pessoas.

Esses cruzeiros internos constantemente são influenciados por forças externas e se modificam conforme a maneira que lidamos com o mundo. Esses vórtices internos podem tanto atrair bons fluxos energéticos, quanto fluxos nocivos.

Quando Exu incorpora em um adepto pode influenciar seus cruzeiros internos de tal maneira que traga uma sensação de alívio e desobstrução. Por outro lado, em uma possessão, os espíritos de baixa vibração acabam por se alimentar dessas energias e trazer transtornos energéticos à vida da pessoa.
Em diversas tradições existe o conceito de corpo aberto e corpo fechado. Quando uma pessoa está de corpo aberto, esotericamente significa que os cruzeiros internos dela estão suscetíveis a todo tipo de energia externa, e quando muitas vezes o escudo energético falha por ser constantemente atacado, os cruzeiros começam a atrair diversos tipos de energia do ambiente ao qual estão expostos.

Dessa forma, as portas internas de um adepto podem ser corrompidas e danificadas por energias nocivas acumuladas e maldições recebidas. Exemplo: um indivíduo chega em casa sentindo problemas de saúde e não entende o porquê de sua condição; entretanto, o fato dele se sentir mal pode ter sido ocasionado por ter consumido um alimento preparado por uma pessoa que estava bastante enfurecida e cheia de pensamentos nocivos. A pessoa, por meio de suas mãos e intenções, passou sua fúria /doença para aquele alimento de tal maneira que afetou a energia espiritual do indivíduo que o consumiu, danificando suas conexões internas e gerando um mal estar (resposta do corpo ao adoecimento espiritual).

Quando forças muito densas são absorvidas internamente, apenas fortes limpezas e trabalhos de cura interna podem libertar e purificar os cruzeiros de uma pessoa. Quando a vida de um ser humano está em completa estagnação pode ser que um ou mais de seus cruzeiros se solidificaram de tal maneira que o adepto sofreu severas alterações no seu estado de saúde e caminhos, nesses casos são necessários “choque-térmicos” com ervas, ou seja, um banho de ervas quentes e, logo em seguida, um banho de ervas frias, para assim desobstruir os canais energéticos do indivíduo e o libertar da estagnação/petrificação energética.

Os cruzeiros pessoais de uma pessoa dizem a respeito sobre a vida sexual, fertilidade, sobre seus anseios, sobre seus sentimentos, sobre sua capacidade oratória, seu intelecto, sua conexão espiritual, entre outras inúmeras funções. Ter uma destas funções comprometidas pode ser um problema que implica de maneira implícita até mesmo nos caminhos de uma pessoa. Segundo o Mestre Exu Bola Oito, existem momentos onde o problema de uma pessoa tem que ser observado sob aspectos diferentes. Por exemplo, o problema de um homem que não consegue bons negócios não necessariamente está conectado a sua condição material ou ao que se imagina serem caminhos fechados, mas pode ser decorrência de uma impotência sexual como a raiz deste mal, pois o homem com este problema pode se sentir infeliz e não possuir ânimo para gerar bons frutos onde quer que ele vá. E desta maneira a resolução do atrito está em enxergar e resolver este mal oculto.

Partindo deste ponto, os cruzeiros internos de uma pessoa reafirmam que muitas situações dependem do homem e a interação dele com si mesmo e o mundo, e o que muitas vezes se chama de caminhos fechados e uma vida obstruída são apenas reflexos daquilo que o interior emana.

Vemos as ações dos cruzeiros internos também através do sopro do indivíduo, pois se trata da reunião de todas as fagulhas que residem em seus portais, por isto muitas vezes quando se realiza um oráculo, solicita-se que o indivíduo sopre nos búzios, pois desta maneira está doando parte daquilo que carrega internamente, que quando visto sobre uma tábua consagrada, tornam-se diagnósticos de sua condição carnal, material e espiritual.

𝟑) 𝐅𝐢𝐫𝐦𝐞𝐳𝐚𝐬 𝐏𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐞 𝐄𝐱𝐮
As firmezas/firmações são as portas pessoais de relação entre o adepto e os mestres que estão em sua coroa. Estes vasos (corpos) cautelosamente analisados podem ser vistos como uma espécie de cruzeiro, pois é por onde possuímos um canal de comunicação direto e também por onde o Kiday é espiritualmente absorvido.

Uma das visualizações obtidas por meio de conexões espirituais nos revelaram que a firmação de Exu simboliza também um vulcão ativo (boca que tudo come), que a panela/vaso ao ser conectada ao solo cria raízes ígneas que se conectam à Primeira Encruzilhada de Fogo / Maioral (Magma). Então embaixo de cada Panela de Exu, tem uma porta de conexão com Maioral e sua essência infernal. Desta forma as firmações/panelas de Exu podem ser enxergadas como pequenos vulcões que necessitam de zelo e sacrifícios para permanecerem estabilizados. O Ítan “Exu, a boca que tudo come” pode ser interpretada também como a boca de Exu sendo um vulcão, que tudo dissolve, que tudo consome.

Em uma firmação pessoal são inseridos diversos elementos, utilizados por nossos mestres para manipular melhor determinadas energias e cargas densas do plano material, bem como favorecer nosso desenvolvimento. Estas firmações, por conterem diversos tipos de fetiches, suprem inúmeras necessidades.

Por exemplo, uma pessoa sem firmação de Exu dificilmente alcançará um estágio avançado de incorporação ou de amplitude material, haja vista que exu requer uma estrutura física (vaso) para atravessar esse plano com maior força e sorver melhor algum tipo de energia para manter um equilíbrio energético, se o adepto não possui nenhuma fonte de alimentação externa (firmação) além da própria energia chacral e física pode acabar sofrendo desgastes energéticos.

𝟒) 𝐅𝐢𝐫𝐦𝐞𝐳𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐂𝐫𝐮𝐳𝐞𝐢𝐫𝐨
As firmezas/firmações de cruzeiros no culto de Exu possuem uma representação similar ao descrito sobre cruzeiros em entradas de cidade, uma das funções desta firmação é proteger o espaço sagrado onde se possuem outras firmações e onde se exerce os trabalhos da Quimbanda. Porém o Cruzeiro, apesar de agir como Porteira, não se limita apenas a esta função (efeito bloqueador), mas também age como vórtice que traz banimento, riqueza, força e saúde. Também atua descarregando energias que são trazidas por adeptos e pessoas que acumularam cargas energéticas nocivas, bem como também leva a energia densa que é deixada após uma incorporação (bebida e fraqueza).

Nosso corpo não possui estruturas fortes o suficiente para todo tipo de energia externa, e necessita que cruzeiros externos atuem de maneira coletiva sobre muitas cargas que não suportamos. Por este motivo, tais cruzeiros passam a atuar sobre as energias de um ambiente, regulando as pressões sofridas pelos adeptos durante os seus desenvolvimentos.

Alegoricamente, é como se o Cruzeiro ativo estivesse exalando um perfume no ambiente que, ao ser respirado coletivamente, equilibrasse e conectasse as pessoas à frequência vibratória (energia do chão) de uma casa. Enquanto que os cruzeiros internos são portas espirituais que são alimentadas e desenvolvidas individualmente, as firmações de cruzeiros trabalham como vórtices que absorvem e descarregam energias em âmbito coletivo.

Cada cruzeiro possui um Exu ou Casal de Exu e Pombagira revelados pelo Exu Chefe da casa ou por meio de um oráculo. Estes mestres guardiões manipulam as energias de um espaço conforme seus títulos e seus campos de ações. As funções de um Cruzeiro podem variar de um determinado Templo para outro, mas as principais funções descritas permanecem diante a necessidade espiritual.

A grande diferença do Cruzeiro de Exu (firmação) e o cruzeiro em pontos de forças naturais é que nos cruzeiros naturais tanto os espíritos e qualquer classe de almas podem passar para encontrar alguma via de acesso (mundo) no astral, enquanto que os cruzeiros firmados possuem restrição altíssima de passagem, não deixando que os espíritos que não estão conectados com Vossa Santidade Maioral atravessem seus portais.

Um espírito que não é conectado de maneira equilibrada com as energias do culto apenas pode passar por um cruzeiro por dois motivos:

1º - A firmação de Cruzeiro não foi realizada de maneira correta, de tal maneira que astralmente há rachaduras que os espíritos nocivos puderam se beneficiar e passar;

2º - Quando o Exu guardião do Cruzeiro deseja revelar dentro do templo ritualístico um mal oculto que uma pessoa está sofrendo, seja por larvas astrais ou kiumbas.

A relação individual de cada adepto para com os mestres do Cruzeiro da casa pode facilitar seus desenvolvimentos, haja vista que os mestres do cruzeiro podem decidir intervir melhor na vida daqueles que tem relações mais estreitas e compromissos com a casa. Outra função do Cruzeiro é a de punir um adepto quando existem falhas comportamentais graves, muitas vezes desrespeitosas (faladas durante incorporação), fechando o cruzeiro e não permitindo que o Exu do adepto venha por meio da incorporação até que este adepto reveja suas falhas e se redima com os espíritos da casa. Quando uma incorporação ocorre mesmo com o fechamento do cruzeiro, não passa de apenas uma incorporação fantasiosa ou uma dupla personalidade criada pelo próprio indivíduo das quais as teias do cruzeiro irão se beneficiar.

Em suma, os cruzeiros possuem diversas funções além das descritas, e cada cruzeiro pode revelar uma porta nova de atuação, assim como chaves para outras portas desconhecidas, e isto apenas pode ser explorado por meio das relações espirituais entre adepto e espírito.

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