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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

SULTÃO DAS MATAS

 

 SULTÃO DAS MATAS


Nenhuma descrição de foto disponível.Aquele que comanda todos os animais.

"Eu nasci entre o Povo Maia, há mais de três mil anos...
Dominamos as Américas.
Éramos extremamente evoluídos.
Mas, vocês já sabem disso.
Nosso Reino era imensamente vasto, tão vasto, que seria impossível descrever seu tamanho e sua grandiosidade.
Desde cedo eu fui criado para ser um líder em nossa região.
Por isso, tive o privilégio de conhecer todo o Reino.
Meu pai era um Conselheiro do Chefe Supremo e eu o acompanhava sempre...
Com o tempo, pude me locomover sozinho por onde quisesse.
Para ser definido o líder de uma Casta, todos os meninos passavam por testes para verificar seus dons.
Como o nosso Povo era muito numeroso, éramos divididos em Castas - vocês poderiam chamar de 'Tribos'.
Em cada Casta, pelo menos um ou dois meninos eram escolhidos.
Quando tornei-me adulto, tive a liberdade de viajar para outras terras, então, pedi permissão e parti... Naquela época, os pais jamais interferiam na decisão de um filho com predestinação de liderança. Eles sabiam que os deuses comandavam tudo.
Nosso povo sempre acreditou em divindades superiores e em forças maiores.
Também sempre cultuamos as energias da Natureza e do Universo. Para nós, o perfeito equilíbrio entre o bem e o mal estava em honrar o que foi estabelecido.
Quando deixei minha Nação, olhei uma última vez para trás...
Todos vocês já fizeram isso, tenho certeza.
Então, segui em direção do Rio que divide as Nações.
Ao atravessar o Grande Rio eu entraria em território desconhecido.
Cheguei a uma planície onde haviam muitos animais de muitas espécies que vocês desconhecem, porque já estão extintos.
Aproveitei para descansar, caçar, me alimentar e conhecer a região...
Algumas onças da espécie jaguar aproximaram-se e eu emiti um sinal. A líder do bando veio até mim.
A partir de agora vocês conhecerão o meu dom e porquê fui escolhido líder...
Com a mão espalmada em sua direção e os olhos para o chão chamei-a. Ela respondeu... Ela agora me entendia.
Eu podia fazer isso com todos os animais da floresta: répteis, anfíbios, aves, mamíferos ou insetos...
Eu podia manipular as abelhas sem ser ferroado por elas; podia extrair o veneno das cobras sem ser picado; podia montar um cavalo selvagem, que ele me levaria onde eu quisesse; enfim, eu podia morar na selva e viver como quisesse... Mas, eu tinha um compromisso com meu povo e apenas um determinado tempo para ficar longe.
Prossegui minha jornada por mais três sóis e iniciei meu retorno.
Vi coisas diferentes pelo caminho e teria muitas histórias para contar ao meu povo.
No fim do primeiro sol, estava descansando em uma superfície acidentada de um planalto, quando fui surpreendido pela agitação dos animais, que queriam me avisar de alguma coisa...
De repente fui arrastado, estava capturado no meio de uma espécie de rede.
Tentei lutar e me soltar, mas não consegui...
Fui sendo arrastado pelo caminho.
Em um solavanco me ergueram e me colocaram em uma espécie de barco e partiram...
Quando retiram a rede e me jogaram ao chão eu estava em uma terra diferente.
Eles não falavam minha língua e eu não falava a língua deles.
Vestiam-se com peles.
Usavam chifres na cabeça e armas que pareciam machados.
Mais tarde eu descobri que eram Vikings...
Com o tempo percebi que eles queriam aprender meus costumes para conquistar nossas terras.
O mesmo dom que me manteve vivo durante minha jornada ainda fazia parte de mim.
Então, pensei em como poderia usá-lo para escapar dessa terra distante...

Já haviam se passado quatro sóis completos de minha permanência no meio dessa gente.
Eu os considerava como bárbaros capazes de qualquer coisa.
Imaginei que se chegassem até nossa terra seriam capazes de qualquer coisa.
Quando finalizou o quarto sol, eu coloquei meu plano em prática e iniciei minha fuga.
Consegui que roedores roessem minhas cordas. Um cavalo veio até mim...
Outro cavalo me trouxe água e comida.
E os demais animais criaram uma bagunça na Vila dos Bárbaros Vikings.
O cavalo que me serviu de montaria me levou até o mar...
Agradeci a ele e entrei no mar.
Nesse momento, os Vikings já deviam ter sentido minha falta e percebido a minha fuga.

Eu nunca tentei comandar os animais aquáticos, porque esse era um privilégio de poucos.
Seria minha primeira experiência, mas eu precisava tentar...
Fiz círculos na água com as duas mãos e emiti sinais sonoros com a boca e, em pouco tempo, dois golfinhos se aproximaram de mim.
Segurei em suas barbatanas e eles me conduziram até uma ilha.

Nessa ilha fiquei por uma ou duas luas até descansar, meus amigos golfinhos ficaram por perto.
Quando eu estava restabelecido, segui viagem...
Eu cheguei em minha Nação dez sóis depois de minha ausência.
Meu povo quase não acreditou no que viu...
Eu não percebi mas, quando entrei em minha cidade, me acompanhavam: dezenas de leopardos, muitas onças pintadas, várias suçuaranas e diversos outros animais.

Então, começaram a exclamar: Ele é um Sultão! Ele é um Sultão! Ele é um Sultão! Ele é um Sultão das Matas. E todos se ajoelharam...

Minha mãe correu e me abraçou e meu pai explicou:
“Meu filho, você é um Tepeyollotl! Você é o Governador das Matas".

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Sultão das matas

 

 Sultão das matas


Pode ser uma imagem de 1 pessoaCaboclo Vou lhes falar um pouco da historia do meu caboclo sultão das matas.

Foi ele quem me contou. Um certo dia ele estava na sua aldeia e chegou um colonizador e começou a fazer contato com ele. Esse colonizador tinha uma filha, que quando viu o sultão das matas, ficou logo apaixonada, mas o Sultão das Matas não correspondeu com o mesmo sentimento, pois sabia que eles faziam parte de um mundo diferente e aquele romance não seria possível.

Mas a moça bolou um plano para ficar com ele. Foi o seguinte: ela pegou uma galinha e matou e passou o sangue entre as pernas e ficou toda ensangüentada e falou para o pai dela que tinha sido o sultão das matas que tinha pegado ela a força. Ela achou que com esse plano maquiavélico o pai dela ia fazer os dois se casarem e que eles seriam felizes. Mas foi tudo ao contrario.

Quando o pai dela soube do suposto acontecido ficou muito bravo e chamou os seus soldados armados e capturou o Sultão das Matas e colocou amarrado em um tronco de madeira e colocou muita madeira em volta dele e tocou fogo nele vivo. Quando a mãe do caboclo, a cabocla Yara viu aquilo não agüentou ver tanta perversidade e injustiça e correu e agarrou-se ao Sultão das Matas e morreram os dois queimados na fogueira.

Depois disso ele foi doutrinado no mundo espiritual e perdoou seus agressores, mas passou a lutar sempre contra as mentiras e as maldades e a injustiça. Quem for verdadeiro sincero e honesto e justo, pode chamar por esse caboclo que ele esta sempre pronto a atende-lo

obs: essa é a história do meu Sultão das Matas em particular, que ele me contou. Mas podem haver outras e muitas historias de Sultão das Matas.

kizouuuuu sultão

Pedro dos Santos, de Irecê, Bahia