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domingo, 27 de novembro de 2022

Cacique Tartaruga

 

Cacique Tartaruga

Esse índio Kaimbé viveu às margens do encontro das duas águas. As águas da Mãe Sereia Iara encontravam o Grande Reino das Águas. Nesse encontro das águas, habitavam muitas criaturas sob a proteção de todos os Pais e de todas as Mães.
Cacique Tartaruga recebeu esse nome quando era um Nhu Turê ou Turerê (criança-menino), porque ele cuidava de Kukã (tartaruga). Quando elas emergiam das areias logo após a eclosão dos ovos, o indiozinho protetor das tartarugas corria para ajudá-las, na tarefa de chegar ao mar.
Quando adulto, Tartaruga assumiu a Chefia da Aldeia como Cacique. Ele recebeu uma missão do Pajé: preservar toda a vida contra a invasão do homem branco. O Pajé viu em sonho o que esse novo habitante faria à Grande Terra.
O homem que vinha do outro lado do Grande Reino das Águas, era feroz igual fera selvagem e devastador igual força das tempestades. Sua necessidade de destruir seria como a fome das formigas gigantes famintas. Ele faria mal a todos os filhos da Terra.
Cacique Tartaruga olhava todos os dias o Grande Reino das Águas com medo da grande fera que viria para destruir a Terra de seus Ancestrais. Ele pedia ao Pai Céu (Wamama) que afastasse esse invasor... Mas, Cacique Tartaruga sabia que se o destino avisa ele já cumpriu (Wanhimi ui eré)!
Passaram os anos e Cacique Tartaruga viu o dia em que o homem branco pisou na areia onde as tartarugas andaram... Ele sentiu a devastação entrar em seu espírito, porque um sopro forte do vento lhe sacudiu as forças.
Doeu seu corpo quando percebeu na voz desse ser o desprezo por sua gente. Eles olharam para sua Tribo como caçadores olham para a caça. Eles gesticularam porque sua linguagem era diferente.
Cacique Tartaruga tentou compreender o homem branco e pensou que podia mudar o destino. Foi gentil, ofereceu comida e agrados. Recebeu algumas coisas esquisitas como sinal de paz. Pensou que enganou o destino... Mas, o destino jamais pode ser enganado!
O que se seguiu depois, os livros de História nunca contaram... Alguns sabem a verdade e outros fingem desconhecer os acontecimentos. Os poucos índios da Tribo Kaimbé que ainda restam, tentam preservar um restinho de sua origem.