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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Tarô O Método da Cruz Celta

Tarô O Método da Cruz Celta


 Rogério Novo 
 
    Vamos, antes de tudo, tentar deixar claro o que seja uma Cruz Celta: ela não é qualquer cruz com adornos de nós. As cruzes Celtas são, de fato, muito anteriores ao Cristianismo. Elas são cruzes encaixadas ou ladeadas por um círculo. A cruz pode simbolizar os quatro quadrantes da natureza ou os quatro elementos (terra, ar, fogo e água). O círculo é o símbolo da eternidade e a trilha do sol no céu. Após a introdução do Cristianismo, se tornou freqüente ver a cruz colocada sobre uma base, o que alongou sua haste vertical.   In http://
www.teuministerio.com.br/BRSPORNDECCCCC/CruzCelta.dsp&lsid=D6BB6341-82A3-4B26-8C65D0A6128F5C68
 
 
Cruz celta
Cruz celta originária
www.radioescola.multiply.com
 
Cruz celta
Após o cristianismo
www.libreopinion.com
 
 
    Em http://castelodeasgard.blogspot.com/2009/04/cruz-celta.html, temos a seguinte explicação: “Apesar de muitas vezes ser confundido com um símbolo da Cristandade, a Cruz Celta é muito anterior, com algumas representações datadas de 5000 a.C. As suas origens são desconhecidas mas é de consenso geral que se trata de um símbolo solar, cujas semelhanças com a Suástica e com o Ankh egípcio não podem deixar de ser notadas. Tal como estes, apresenta o eixo horizontal, Feminino, receptivo, Yin e o eixo vertical, Masculino, criativo, Yang, representando tanto o Eixo do Mundo, como os Quatro Elementos e a Chave da Vida.”
    Da mesma forma, temos em Sinais e símbolos – origem, história e significado, editado pela H. F. Ullmann, pág. 39: “Apesar de actualmente ser essencialmente associada ao cristianismo, a cruz céltica data dos tempos pagãos quando era um símbolo da fertilidade e da vida – a cruz significa a potência masculina e o círculo o poder feminino”.
    Fica nítida a inexistência da linha vertical lateral que consta do diagrama do método utilizado no Tarô.
    Uma autora, para “justificar” sua existência, alegou que o lado esquerdo do diagrama corresponderia a um pavilhão (bandeira),  e a linha à direita seria o mastro que o sustenta. Assim em Pollack, Rachel; 78 graus de sabedoria, parte II; Nova Fronteira; pág.143: “Através dos anos este padrão provou ser o mais popular. O nome Cruz tem origem na sua forma, uma cruz de braços iguais (uma carta em cada lado do centro), com quatro cartas alinhadas como um ‘Mastro’ ao lado dela.”.
    Notemos, por necessidade simbólica, que em qualquer figuração da Cruz Celta, o círculo nunca está circunscrevendo a cruz, pelo contrário ele une os quatro braços da cruz. E isso é de suma importância para podermos determinar a forma de leitura das Casas 3, 4, 5 e 6, se em forma de cruz ou de círculo.
    Simbologicamente sabemos que o círculo representa a totalidade, excluindo a possibilidade da existência de qualquer coisa fora dele.
    Neste sentido, repetimos Chevalier e Gheerbrant, op.cit., verbete “círculo”: “... desde a mais remota Antiguidade, o círculo tem servido para indicar a totalidade, a perfeição...”, “... o círculo, portanto, simboliza um limite mágico infranqueável...” (g.a.), “... concentrado em si mesmo, sem princípio nem fim, realizado, perfeito, o círculo é o signo absoluto...” (g.a.), “Jung mostrou que o símbolo do círculo é uma imagem arquetípica da totalidade da psique, o símbolo do self...” (g.a.).
    Como pudemos observar no símbolo sagrado Cruz Celta, os braços da cruz extrapolam o círculo que os une.
    Por conclusão simbólica, não podemos admitir que a leitura das Casas 3, 4, 5 e 6 seja feita circularmente, pois o significado totalizante do símbolo “círculo”, por si só, excluiria a possibilidade de se ler as demais casas, que estariam fora do contexto simbólico. Ao se fechar o círculo com a Casa 6, não faria o menor sentido “dar prosseguimento à leitura”!
O método de jogo Cruz Celta
    Como foi por esse método que comecei, ele será o “bode expiatório” desse estudo. Eu o aprendi pelo livro Tarô mitológico, no qual é apresentado da seguinte forma (que é, fundamentalmente, a forma básica com a qual é apresentado em vários livros e booklets):
    
Esquema de tiragem pela "Cruz Celta"
O esquema de tiragem pela Cruz Celta
Ilustração de Leca Novo
 

    A significação das casas é apresentada da seguinte forma:
    “Casa 1: denominada de Significadora, é a carta que irá refletir a situação, interna ou externa, na qual o consulente se encontra naquele momento;
    Casa 2 (cruzando a Casa 1): chamada de Carta Cruzada, descreve a situação, interna ou externa, que gera o conflito e a obstrução do presente imediato, “cruzando” o caminho do consulente, indicando a natureza aparente de seu problema. Não é necessariamente negativa em si, mas simplesmente representa a situação que está gerando o conflito e atrapalhando o andamento do assunto levantado pelo consulente. De certo modo, esta carta impede a Significadora de se expressar completamente, provocando o bloqueio da vida;
    Casa 3: é a Carta da Cabeça. Sua aparência visual é bastante simples - uma vez que está sobre a Significadora - e descreve o clima e a situação que pairam sobre o presente imediato. Ela reflete o que está na superfície e imediatamente aparente na vida do consulente;    
    Casa 4: é a Base da Questão e descreve a situação interna ou externa, o impulso, o instinto ou o desejo, enfim, o motivo real por trás da superfície aparente da situação refletida na Carta da Cabeça. O que está na base é, na verdade, o que está na raiz da psique, e muitas vezes esta carta surpreende o consulente, que pode não ter se dado conta da motivação inconsciente que precisa ser trazida à luz da razão. Esta carta freqüentemente servirá para contradizer a razão aparente de nosso dilema;
    Casa 5: são as Influências do Passado, e descreve uma situação interna ou externa que já ocorreu na vida do consulente. Foi uma situação muito importante, mas que neste momento perdeu sua validade, e, justamente por isso a pessoa precisa abrir mão daquilo que a carta representa antes da integração efetiva dos novos aspectos de sua vida futura;
    Casa 6: Influências do Futuro, descreve uma situação interna ou externa prestes a se manifestar na vida do consulente, descreve as forças em ação no futuro imediato da pessoa;
    Casa 7: chamada de Posição Atual, representa, de certo modo, a extensão da Significadora, descrevendo a atitude do consulente dentro das circunstâncias que o cercam. Esta carta, assim como a Significadora, reflete um conjunto de posturas internas e quase sempre representa os potenciais a serem desenvolvidos ou mesmo revelados;
    Casa 8: denominada por Fatores Ambientais, descreve a imagem que os outros - amigos e família - fazem do consulente. Esta carta quase sempre implica o tipo de reação que a pessoa deve esperar dos outros com relação à sua situação. Freqüentemente o consulente está atravessando uma fase na qual não conta com a compreensão dos amigos e nem com a receptividade desejada dos familiares, e esta carta conta o porquê, uma vez que esta é a imagem que o mundo tem dele, podendo contradizer o que ele sente, da mesma forma que reflete com honestidade sua própria situação;
    Casa 9: chamada de Esperanças e Temores, pois tanto os desejos como as ansiedades se apresentam numa única carta, já que todas elas têm significado duplo;
    Casa 10: Resultado Final. Esta carta não serve para descrever uma situação permanente ou definitiva, mas a conseqüência natural da situação que o consulente atravessa no momento, abrangendo, no máximo, um período de seis meses.”
    É importante ressaltar que o método é ensinado utilizando-se o sistema fast-food americano, utilizando todas as 78 cartas “misturadas”, o que não impediu, é claro, sua propagação com o uso apenas dos arcanos maiores, já que “decorar o significado dos 56 arcanos menores é muito difícil”.
    Esse mesmo método aparece em vários livros, apresentando variações, apesar de ser apresentado como o método das dez cartas, desde a quantidade de cartas - chegando até 13 cartas -, como a disposição das mesmas - alterando a “distribuição” das casas -, e até o significado atribuído a cada casa.
    Embora na essência todas as variações tenham a mesma forma geométrica, o sistema de leitura (nominação das casas e direção da leitura) varia de tal forma que o ritmo de interpretação acaba sendo prejudicado. Nei Naiff classifica o ritmo desse método como de cruz.
    E caso queiramos fazer uma análise mais profunda de cada método, especulando sobre as combinações das casas dentro do método, poderemos fazer desdobramentos dos ritmos, que poderão nos deixar confusos se não atentarmos ao conjunto da obra.
    Como vimos, a inversão das casas 5 e 6, alterando o eixo horizontal, causa, sim, confusão, pois coloca a carta do passado à direita e a casa do futuro à esquerda, quando o natural seria lê-las inversamente. Não obstante, é importante ressaltar que, apesar dessa inversão na distribuição das cartas no leito do método, elas continuam a ser lidas, segundo as instruções do livro, no sentido apropriado, isto é, primeiro o passado e depois o futuro.
    O que poderia chamar a atenção é a disposição das casas 3 e 4. Simbologicamente temos que o eixo vertical é ascencional. Ao se dispor a carta da Casa 3 no topo desse eixo e a carta da Casa 4 em sua base, e lendo-as nessa seqüência, estar-se-á interrompendo o Ritmo de Leitura. E, mais grave, esse eixo, da forma como vem sendo exposto, fica em total afronta ao eixo lateral, das Casas 7 a 10, criando um conflito visual geométrico!
    Sobre a questão ascendente, acho muito importante verificarmos uma idéia “equivocada” que temos do sentido de “mergulho na alma”.
    Quando pensamos nesse mergulho, realmente a impressão que temos é de irmos para “baixo”, ou para dentro como se diz.
    Ocorre que, pelas lições trazidas a nós por Jung, o “consciente” é um ponto que está “dentro” (ou no “limiar”) do “inconsciente”, formando o que ele denominou de si-mesmo (Selbst) (in O eu e o inconsciente – 274), que por sua vez é outro ponto que está “dentro” do “inconsciente coletivo”.
    Visto dessa forma, como a vejo, o trajeto da busca, do mergulho n'alma, é, ao contrário do que parece, um pulo para o “exterior”, ou seja ele é ascendente!
    Quer dizer que, ao buscarmos “no fundo de nós mesmos”, na verdade não há uma viagem “para dentro” como acreditamos, mas um salto “para fora” do nosso consciente a fim de alcançarmos o nosso inconsciente, e posteriormente, o inconsciente coletivo! E isso torna a “viagem” ascendente!
    Em seu Dicionário de símbolos, Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, confirmam essa teoria. No verbete     “Cruz”, temos que: “... A cruz tem, ainda, o valor de símbolo ascencional. (g.a.) ... O eixo vertical dessa cruz une a terra (morada dos homens, e na sua expressão ctoniana, das almas mortas) ao Céu Superior, morada do Deus supremo.” Já no verbete “Pilar”, temos: “... Não se pode viver sem um eixo vertical que assegure a abertura para o transcendente ...” (g.a.)
    Outro ponto que, a meu ver, merece análise, é o de qual eixo deveria ser lido primeiro, qual deles é mais importante: se o eixo horizontal, que trata do passado e do futuro imediatos, ou o eixo vertical, que trata de como a questão se apresenta, interna e externamente, ao consulente. Acredito agora, após rever meus conceitos, que a leitura do eixo vertical deva preceder ao eixo horizontal.
    O que me leva a essa tese é o fato de que a Casa 1, representando a situação presente, com a Casa 2 (obstaculizando/favorecendo) essa situação, teríamos o eixo vertical (consciente/inconsciente – conhecido/desconhecido) lido a seguir, posicionando como o consulente está lidando com a situação. Já o eixo horizontal (passado/futuro) focaria o motivo de a situação se apresentar assim e as perspectivas imediatas para essa situação, tornando mais claro, a situação da Casa 1.
    Isso nos daria um desenho central da Cruz Celta da seguinte forma:

 
Cruz central da tiragem pela "Cruz Celta"
Redistribuição do desenho central da Cruz Celta
Ilustração de Leca Novo
    
    Já a linha vertical à direita, não necessitaria sofrer modificações.
    Acredito que o Ritmo de Leitura poderia fluir melhor nessa configuração, principalmente porque, dessa forma, a casa 6 estaria se conectando ao eixo vertical lateral, tal como “o pavilhão se prenderia ao mastro”!
    Eis algumas considerações:
    1ª) Com relação à leitura do eixo horizontal, uma observação que não pode ser relegada é a de que, de acordo com a Geometria Sagrada, o Gêometra, ao iniciar uma construção, primeiramente cravava, ao nascer do sol, seu cajado no solo (verticalmente), para descobrir o eixo horizontal leste-oeste, que definiria o sentido da construção.
    Acredita-se, também, que o primeiro eixo a existir tenha sido o vertical, quando o homem descobriu que poderia se orientar, e seguir viagem, realizando o mesmo processo acima.
    2ª) Sobre a nominação das casas.
Como estou analisando, e pesquisando, sobre a forma pela qual conheci a Cruz Celta, resolvi alterar o significado das casas, da seguinte forma:
    Acredito que a Casa 1 possa ser vista como a própria essência da consulta, a questão em si.
    Já a Casa 2, não consigo vê-la exclusivamente como negativa, pois seria até incoerente pretender determinar que qualquer carta que caia ali tenha que ser entendida pelo seu aspecto negativo, principalmente porque já vimos que nenhuma carta do Tarô tem atributo exclusivamente positivo ou negativo. Acredito que esta Casa deva ser interpretada como uma "advertência", pretendendo indicar qual a atitude que o consulente deveria tomar para dar força à Casa 1.
    3ª) Vamos ver o eixo vertical.
    Acredito que a nominação deveria ser invertida à sua proposição, com a Casa 3 (sul) como o que está consciente/conhecido, e a Casa 4 (norte) como o que está inconsciente/desconhecido.
Em todas as fontes que procurei, o eixo vertical é ascensional, liga o “material” (o que é sabido; o consciente) ao “divino” (o que não é sabido; o inconsciente).
    Tomemos como exemplo uma questão sobre relacionamento. O que o consulente conhece é o que está na Casa 3, uma Estrela, por exemplo. Ele tem a consciência de esperar um novo amor, está aberto a essa possibilidade, anseia por ele!
    E se tivermos na Casa 4 uma Força, teremos que o consulente desconhece que tem capacidade para superar a amargura que vem carregando.
    Disso resultaria que nesse eixo teríamos:
    Casa 3, abaixo das centrais, representando a base da questão, o que já se conhece (ou tem consciência) sobre o assunto.
    Casa 4, acima das centrais, representando o que não se conhece (ou não se tem consciência) sobre o assunto.
    4ª) com relação à temporalidade a ser atribuída ao passado e ao futuro recentes (casas 5 e 6 na nova concepção) eu tenho um certo receio em predeterminá-los. Acredito que esse recente deva ser visto em relação à questão analisada, e, portanto, ele poderá ter uma alteração significativa.
    Para dar continuidade à questão já posta acima, sobre como fluirá o relacionamento amoroso: poderíamos ter na Casa 5 (passado recente) uma Torre. Como se trata de uma relação amorosa, estaria a indicar uma ruptura num relacionamento amoroso que o consulente vivenciava, causada por “terceiros”, com muita dor, um verdadeiro “desastre”! Ora, isso poderia ser o resultado de um divórcio, que machucou profundamente o consulente, e que, embora tenha ocorrido há cerca de 6 meses, bloqueou o consulente para novos relacionamentos amorosos. Então, recente, no caso, refere-se à situação em questão. Só que, para o consulente, isso é o mais recente possível!
    Para complicar mais um pouquinho, poderemos ter na Casa 6 (futuro recente), um Carro, que, pelos seus atributos de realização rápida, estaria a indicar que esse novo relacionamento fluirá mais rápido do que o consulente possa imaginar, talvez em vias de se consolidar imediatamente! E isso poderia ser em bem menos de um mês!
    De qualquer forma, ficaria assim:
- a Casa 5, colocada à esquerda das centrais, representaria o passado recente.
- e a Casa 6, colocada á direita das centrais, representaria o futuro recente.
    5ª) já a observação mais interessante, e que acabaria por adequar todo o sistema às necessidades do consulente, me foi dada pela taróloga Marcia de Freitas, em uma de nossas intermináveis discussões, prática corroborada pela taróloga Vera Chrystina Santos. Ambas alegaram que, ao abrir o jogo à mesa, o faziam com as cartas voltadas para o consulente, pois o jogo “seria” dele.
    Devo confessar que essa forma de dispor as cartas me pareceu extremamente pertinente, não só pela lógica dela em si, como, ao assim fazer, as Casas 4 (inconsciente/desconhecido) e 10 (resultado final), ficariam “longe” – como deveriam ficar – do consulente, como demonstra a figura abaixo.
 
O Tarólogo e o Consulente
Redistribuição do desenho central da Cruz Celta
Ilustração de Leca Novo
    
    Como já havia dito, referindo-me à “evolução” dos eixos no sentido embaixo-em cima, acho que as casas 7 a 10, por já estarem conformadas ao eixo, não necessitam alterações. É claro que posso estar enganado e mudar de opinião depois, mas acho pouco provável, pois isso confrontaria as idéias já postas.
    E seria essa a minha proposta de configuração para a Cruz Celta, que estaria conformando a sua construção de acordo com os preceitos da Geometria Sagrada, e com o ritmo de leitura condizente com as premissas explicitadas.

Belo Horizonte, 30 de maio de 2.009

Contato com o autor:
Rogério Novo - rabnovo@yahoo.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores


quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Tarô A Cruz Celta e o Petit Lenormand: possibilidades de interpretação

 Tarô A Cruz Celta e o Petit Lenormand: possibilidades de interpretação


Fabrício Prado
O baralho Petit Lenormand tem ganhado destaque no meio cartomântico graças à competência de diversos profissionais que têm se dedicado no desenvolvimento interpretativo desse conjunto de imagens que no passado serviu de entretenimento como jogo de tabuleiro.
Tive contato com cartomantes experientes que enfatizaram a eficácia das cartas Lenormand, também chamadas no Brasil de baralho cigano, através da interpretação destas pelo método da Mesa Real, que é descrito de forma simples nos folhetos explicativos que acompanham o baralho e que atualmente tem sido brilhantemente explorado em seus detalhes, na medida em que a riqueza das imagens desse oráculo nos é desvelada.
A proposta de hoje é fazer uso da interpretação do Petit Lenormand pela tiragem da Cruz Celta, divulgada na grande maioria dos livros traduzidos do inglês, e ferramenta de trabalho eficaz no repertório de diversos oraculistas. O objetivo é demonstrar a riqueza do método e do oráculo, abrindo possibilidades para novos estudos, interpretações e desenvolvimento do pensar cartomântico.
Escolhi utilizar a Cruz Celta tal como é descrita por Nei Naiff no livro Tarô, oráculo e métodos, editora Best Seller, págs. 122 a 127, por estar habituado a seu uso e também por concluir que sua estrutura permite a utilização de diferentes sistemas oraculares baseados em cartas. Contudo, é possível que os exemplos aqui demonstrados possam ser perfeitamente utilizados nas demais versões desse método. A disposição das cartas segue a ordem numérica no diagrama abaixo, a explicação das casas será dada juntamente com os exemplos de leitura.
Modelo da técnica de tiragem Cruz Celta
As cartas utilizadas na montagem dos exemplos são impressas pela editora AGMüller, Neuhausen, Suíça.
Exemplo 1
Homem casado, 35 anos, deseja uma análise a respeito de seus problemas de desenvolvimento profissional, devido a implantação de um novo sistema de software. Escolheu as seguintes cartas para a leitura da Cruz Celta:
Exemplo 1 de tiragem Cruz Celta com o baralho Lenormand - Cigano
Casa 1: como tudo começou? Ratos (desgaste) – as dificuldades profissionais tiveram início com situações de grande desgaste, tanto mental quanto emocional; por mais que o cliente se empenhasse em desenvolver seu trabalho, não conseguia obter os resultados esperados no prazo estipulado por seus superiores.
Casa 2: qual o motivo da pergunta? Âncora (estabilidade) – esta carta mostra que profissionalmente o cliente está em sua “zona de conforto”, tem receio de inovar ou dificuldade em acompanhar a evolução tecnológica (um novo software de trabalho por exemplo) que pode estar ocorrendo em seu atual emprego. Por isso a sensação de exaustão e de falta de energia reveladas na casa 1.
Casa 3: o que o cliente sabe da questão? Raposa (astúcia) – o cliente sabe que necessita usar de estratégia e camaradagem com seus colegas de trabalho, se desejar manter seu posto no atual trabalho.
Casa 4: o que o cliente não sabe sobre a questão? Buquê (presentes) – o cliente ignora que receberá uma oferta para treinamento no referido sistema de software, que dará a ele chance de dominar de forma plena sua nova plataforma de trabalho.
Casa 5: como estava a questão há seis meses antes da consulta? Pássaros (agitação) – no passado recente houve muito burburinho e murmúrio a respeito da implantação do novo sistema, ocasionando agitação e ansiedade no cliente e em seu ambiente de trabalho.
Casa 6: como ficará a situação nos seis meses após a consulta? Trevo (sorte) – no futuro próximo o cliente desfrutará de pequenas alegrias em seu local de trabalho; podemos deduzir aqui que o cliente assimilará com certa facilidade as informações obtidas no treinamento que a carta Buquê na casa 4 revela.
Casa 7: qual o estado mental e emocional do cliente diante da questão? Nuvens (confusão)– o cliente se encontra com grande aflição e angústia, pois nesse momento não consegue enxergar uma saída positiva para seu problema e teme ser desligado da empresa.
Casa 8: como se desenvolverá nos próximos meses? Cegonha (mudanças) – novidades apontam no caminho do cliente; as cartas das casas 4 e 6 revelam uma pequena abertura de caminhos, e nesta casa vemos que boas novas surgirão no trabalho do cliente.
Casa 9: qual a maior dificuldade a se resolver para solucionar a questão? Navio (novos caminhos) – o consulente possui dificuldade de expandir seus conhecimentos, quer deixar tudo como está e não possui no momento energia para adaptar-se à sua nova realidade profissional. Se conectarmos essa casa com a casa 7, vemos que o cliente necessita de suporte terapêutico.
Casa 10: qual o futuro da questão após os seis meses da casa 6? Chicote (domínio, controle) – o jogo revela que entre seis meses (casa 6) a um ano (casa 10) o cliente retomará o controle de sua situação profissional, dominando por completo a nova estrutura da organização em que trabalha.
Observação: neste exemplo temos a predominância de imagens com naipes de paus e espadas, revelando a dificuldade do cliente em resolver sua questão ou assimilar as orientações que o oráculo está lhe dando; se houvesse na casa 7 uma imagem com naipe de copas ou ouros, talvez fosse possível administrar tudo com menos animosidade.
Exemplo 2
Homem casado, 42 anos, quer saber como melhorar sua vida conjugal. Escolheu as seguintes cartas:
Exemplo 2 de tiragem Cruz Celta com o baralho Lenormand - Cigano
Casa 1: Foice (corte, agressão) – a situação conjugal do cliente se encontra problemática;é possível que estejam ocorrendo agressões verbais e até mesmo físicas. Manter a calmaé fundamental se deseja manter a relação.
Casa 2: Cachorro (fidelidade) – o cliente deseja a orientação pois tem apreço por sua parceira, é dedicado ao relacionamento e quer preservar seu relacionamento. Quer mais companheirismo e cumplicidade na relação.
Casa 3: Navio (inovação) – o cliente sabe que para melhorar sua relação é necessário dar movimento ao seu casamento, com passeios, viagens, e buscar novas maneiras de conquistar sua amada. Talvez sua companheira queira uma vida mais produtiva do que a estafante rotina doméstica.
Casa 4: Casa (segurança) – o cliente não percebe que seu estilo “caseiro” de preservar a relação pode estar causando os fortes atritos revelados pela casa 1.
Casa 5: Homem (o cliente) – esta carta está afirmando que está nas mãos do cliente resolver de forma positiva a questão analisada. Qual a atitude dele no passado que foi determinante para as circunstâncias atuais? Tiramos mais uma carta: Urso (possessividade) – eis o motivo que conduziu às dificuldades que o cliente aponta. Seu caráter dominador, que não aceita ser questionado ou contrariado, acreditando-se no dever de ser o único provedor na relação, não deixando a esposa fazer uso da autonomia que a ela pertence por direito.
Casa 6: Chave (soluções) – esta carta mostra que nos próximos seis meses o cliente encontrará oportunidades de resgatar a harmonia da relação; a situação de conflito se amenizará.
Casa 7: Cavaleiro (velocidade, ação) – o cliente possui um temperamento mental e emocional intenso, necessita estar sempre em movimento, e isso pode desgastar sua relação com a esposa. A prática de esportes poderia ajudá-lo a relaxar e consequentemente parar de pressionar sua parceira.
Casa 8: Árvore (maturidade, bem-estar): esta carta revela que a vida conjugal do cliente se desenvolverá de forma harmônica; as situações reveladas nas casas anteriores serão resolvidas com consciência.
Casa 9: Trevo (pequenas alegrias) – o maior obstáculo à felicidade conjugal do cliente é sua dificuldade em desfrutar as pequenas coisas que a vida a dois proporciona e que trazem satisfação: ver um filme juntos, ajudar em uma tarefa doméstica, colocar os filhos para dormir... Valorizar os pequenos prazeres pode trazer grande satisfação e alegria.
Casa 10: Anel (união) – temos nesta carta a confirmação de que além dos seis meses da casa 6 a relação se consolidará, os laços afetivos se fortalecerão. Os obstáculos serão solucionados.
Observação: neste exemplo temos a predominância das cartas de ouros e copas, indicando de forma geral que a questão analisada se resolverá a contento.
Exemplo 3
Mulher solteira, 55 anos, quer saber sobre a melhora de seu quadro de saúde. Em seu jogo saíram as seguintes cartas:
Exemplo 3 de tiragem Cruz Celta com o baralho Lenormand - Cigano
Casa 1: Cruz (dores, provações) – o quadro de saúde da cliente tem trazido a ela pesar e sofrimento, além de tornar difícil o desenvolvimento de quaisquer projetos.
Casa 2: Buquê (felicidades, bem-estar) – está consultando o oráculo pois deseja o retorno da alegria de viver, já que seu estado atual não permite desfrutar das alegrias da vida. Pode também estar procurando nas cartas uma orientação divina, pois a casa 1 mostra que os recursos da matéria estão sendo usados no seu limite.
Casa 3: Torre (grande edifício, isolamento) – a cliente sabe que seu quadro de saúde requer repouso total e afastamento da vida e dos entes queridos, e que o tempo é no momento o melhor remédio para seu caso.
Casa 4: Livro (informação sigilosa) – vemos por esta carta que a cliente não sabe da real situação de seu quadro de saúde, o que pode justificar as aflições reveladas na casa 1. Tiramos mais uma carta para sabermos o que está em sigilo. Temos a carta Âncora (estabilidade, segurança) – revelando que o quadro de saúde da cliente está se estabilizando, há expectativa positiva de melhoras.
Casa 5: Serpente (mentiras, perdas) – esta carta revela que há seis meses antes da consulta, houve equívocos no diagnóstico do quadro de saúde da cliente, trazendo a ela sérios prejuízos.
Casa 6: Mulher (a própria cliente) – esta carta aparece no jogo para revelar que a cliente tem poder de transformação em seu quadro de saúde nos próximos seis meses posterioresà consulta. Mas qual seu poder? Tiramos mais uma carta. Temos a carta Sol (energia vital, sucesso), revelando que no futuro a cliente encontrará o tratamento adequado e sua saúde retornará. É possível que faça uso de tratamentos naturais, já que as cartas anteriores têm imagens forjadas pelo homem, podendo representar tratamentos convencionais.
Casa 7: Pássaros (fadiga, aborrecimento, tensão) – esta carta revela a impaciência e agitaçãoíntimas na qual a cliente se encontra, sendo necessário ressaltar a necessidade de repouso revelada na Casa 3.
Casa 8: Caixão (encerramento, fim natural) – esta carta sintetiza as informações das casas 1 a 6, indicando que a cliente se libertará do que certamente tem sido um fardo. Nesse pontoé importante perceber que estamos analisando a melhora do quadro de saúde (pois se encontra debilitado); desse modo, a carta Caixão coloca fim nesta situação (o quadro ruim desaparece e a saúde retorna).
Casa 9: Foice (perigos, acidentes) – o maior obstáculo para a cliente em relação a seu quadro de saúde é sua dificuldade em respeitar suas limitações; enquanto continuar tendo um comportamento abusivo, mais difícil será recuperar-se.
Casa 10: Chave (êxito, oportunidades) – esta carta mostra que até um ano após a consulta, a cliente será bem-sucedida na melhora de seu quadro de saúde.
Neste exemplo, vemos que a jogada se inicia com cartas negativas (paus e espadas), mas a sequência de cartas positivas (ouros e copas) indica de imediato um bom desfecho para a situação. A cliente então deve observar as orientações do oráculo e delas fazer bom uso.
Exemplo 4
Falemos agora sobre as questões espirituais e o Petit Lenormand. Até o momento foi utilizado o estilo europeu de leitura, mas sabemos que no Brasil existe uma associação entre determinadas cartas e os orixás dos cultos afro-brasileiros. Podemos utilizar isso na leitura da cartomancia? Sim! Naturalmente devemos respeitar os limites do oráculo, pois os orixás têm seu instrumento para dialogar conosco, o jogo de búzios.
Vamos então ao exemplo. Homem solteiro, 37 anos, deseja uma análise de seu caminho espiritual.
Exemplo 4 de tiragem Cruz Celta com o baralho Lenormand - Cigano
Casa 1: Nuvens (orixá Iansã) – revela que o caminho espiritual do cliente se encontra com sérias tribulações; tudo está nebuloso e o cliente não sabe como agir para alcançar seu bem-estar nessa área. Há informações que no momento ele desconhece e que podem causar revolta.
Casa 2: Caixão (desencarnado, obsessor, egum) – o cliente questiona sobre sua vida espiritual por sentir-se incomodado com vultos, pesadelos, e é acometido de mal-estar repentino, causando também prejuízos em sua vida material.
Casa 3: Cavaleiro (orixá Exu): o cliente sabe que possui grande sensibilidade e facilidade de conexão com as energias extrafísicas, e que necessita educar-se para não ser dominado por elas.
Casa 4: Caminhos (orixá Ogum) – o cliente desconhece que, apesar de conduzir nesse momento sua vida espiritual com displicência, está recebendo grande ajuda dos mestres espirituais. Está faltando ao cliente fazer a parte que a ele compete.
Casa 5: Criança (orixá Ibeji) – esta carta mostra que há seis meses antes da consulta, o cliente tinha uma visão pueril desse aspecto da sua vida. Contudo, começou a receber sinais de que suas faculdades mediúnicas estavam se aflorando.
Casa 6: Jardim (orixá Ossãim) – esta carta indica que nos próximos seis meses, e cliente vai se conectar com a natureza e desenvolver sua espiritualidade através do estudo das ervas e da fitoterapia.
Casa 7: Ratos (larvas astrais) – esta carta mostra que nesse momento o cliente se encontra espiritualmente fragilizado, sendo vampirizado, envolto em energias negativas. Deve procurar imediatamente auxílio espiritual e também psicológico.
Casa 8: Urso (orixá Obá) – esta carta indica que o caminho espiritual do cliente apresentará contratempos e dificuldades, podendo ser alvo de ciúmes e endividamento. Muitos não compreenderão sua mudança, devendo então afastar-se dos que tentarem desviá-lo de seu caminho.
Casa 9: Cachorro (anjo da guarda) – o maior obstáculo à harmonia espiritual do cliente é sua dificuldade em conectar-se com seus protetores. Enquanto adotar uma atitude negligente e não ouvir as mensagens que seu anjo guardião lhe transmite, continuará a ter problemas.
Casa 10: Buquê (orixá Nanã) – esta carta revela que em até um ano, se o cliente se dedicar aos estudos revelados na casa 6, poderá alcançar maturidade espiritual e domínio de seus dons.
A predominância de naipes de espadas e paus poderia indicar que haverá fortes obstáculos no caminho do cliente, mesmo que ao final a situação tome uma direção positiva. Deve então, ficar atento e busca ajuda espiritual o quanto antes.
O baralho Lenormand possui muito mais recursos a serem explorados, que possibilitam uma excelente leitura dos caminhos do cliente. Por hora, deixo esses exemplos para reflexão dos leitores. Esse artigo é somente um pouco que aprendi sobre essas cartas.
Fabrício Prado é tarólogo e terapeuta floral
Consultas via Skype: www.vivenciasdotaro.blogspot.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores

Tarô Técnica com 9 cartas: "oitavas superiores"

 Tarô Técnica com 9 cartas: "oitavas superiores"


Por
Stephan Milanez
    
    Em momentos difíceis da vida, quando não encontro respostas para assuntos de grande importância, eu recorro ao tarô, uma ferramenta muito especial e muito importante que utilizo como um meio definitivo para as questões da vida. Uma forma de auxiliar a encontrar soluções, pois o tarô não é uma ferramenta que define uma sentença e sim mostra uma abertura para caminhos que nossos olhos não estão enxergando e o nosso coração não está sentindo.
    Quando criança eu adquiri de um primo um velho jogo de cartas, num tamanho reduzido de aproximadamente 4 cm por 2,5 cm, mas que para uma criança de oito anos foi algo fascinante. Eram cartas de baralho de um jogo de tarô Waite. Foi aí que me despertou para esta fascinante arte. Com o passar dos anos e alguns estudos autodidatas, passei a ler o tarô de forma profissional, mesmo muito jovem.  Hoje não coloco mais as cartas profissionalmente, isso já há muitos anos.
    O Tarô é uma ferramenta que estimula e muito a intuição, e dou graças a isso, porque a intuição já me tirou de grandes situações. Através deste processo em anos eu desenvolvi uma técnica própria de leitura, simples, direta e muito eficaz, porém nunca compartilhei com ninguém. Hoje percebi que esta técnica não teria a menor importância se não compartilhada, pois algo que não é compartilhado se perde no tempo e cai no esquecimento e sendo assim, ela se torna inútil.
    
Esclarecimento
    Gostaria de dar um breve esclarecimento que acredito ser importante: para aplicar esta técnica não há necessidade de nenhuma mudança nos métodos que cada um utiliza. As cartas devem ser sorteadas da forma costumeira, ou seja, aleatória ou em seqüência, considerando ou não as cartas invertidas. Isso não mudará o resultado da leitura. Mas os arcanos maiores e menores devem ser embaralhados juntos.
    Costumo utilizar o tarô de Waite, que é o que mais me adaptei. Também utilizo o egípcio de Kier e o Mitológico, aqui vou exemplificar com o Tarô de Waite.
    Não costumo executar nenhum ritual antes, porém me fixo bastante na questão da leitura e igualmente na estrutura do jogo, pois cada carta retirada ocupara um local de grande importância na leitura.
    Este método é simples, mas bem eficaz, o que o torna muito dinâmico. Utiliza uma abordagem definida e o mais importante é que coloca os meios que atuam entre as situações, o complemento, que auxilia, que explica ou corrobora com as circunstancias do consulente. A tiragem é semelhante a muitas outras, mas tem um diferencial que a torna particularmente dinâmica. Vamos ao método.
    
O método direto das "oitavas superiores"
    Após definir a pergunta deve-se retirar as cartas, uma a uma ou as cinco primeiras que formarão uma linha horizontal:
    Cada carta tem um significado pré-estabelecido:
1 – a pessoa ou consulente: como ela se encontra no momento presente, emocional, psicológica, física e espiritualmente.
2 – o momento, a situação presente.
3 – o que atrapalha, as interferências presente.
4 – o que auxilia, a ajuda imediata.
5 – A definição, o que acontecerá ou o conselho final.
     Esta 1ª tiragem será interpretada de forma bastante precisa. Somente após a leitura destas cinco primeiras cartas, será sorteada uma segunda parte. Serão retiradas mais quatro cartas, uma a uma ou todas de uma vez. Estas devem ficar sempre entre duas cartas obtidas na primeira tiragem. Assim, a primeira carta retirada na segunda seqüência deve ficar entre a 1ª e a 2ª carta retiradas na primeira seqüência.
    As cartas desta segunda seqüência definirão os conselhos, as atitudes e as razões do que a pessoa está passando neste momento. É esse o diferencial que eu havia comentado antes: esta leitura define as razões do que está se passando atualmente, de forma conselheira e direta.
    As quatro últimas cartas são um complemento da 5ª, elas darão esclarecimento sobre a definição:
6 – A raiz, o que levou o consulente a situação, ao momento presente.
7 – A ligação entre o momento ao que atrapalha.
8 – A quem recorrer ou ao que recorrer, mostra a ligação entre as interferências e o auxílio, ou seja, o que está entre as duas situações, aquele que pode ajudar ou atrapalhar, esta carta é mais uma questão relacionada a um conselho do que propriamente dito um objeto, pode indicar a quem recorrer ou afastar, para que a situação da 4ª carta seja realizada.
9 – liga o auxílio a definição; mostra os caminhos, onde devemos mudar, expressa de forma clara as esperanças e os temores. Eu diria mais, esta carta não terá conotação negativa ou positiva, porque ela é um caminho e o caminho sim, pode ser negativo ou positivo e como ela representa a ligação para a definição o contexto “conselho” novamente aparece, indicando o caminho que devemos ou não tomar, para que a definição seja alcançada.
    Vamos imaginar que a 5ª carta não seja uma definição boa para a situação, a pessoa deve escolher o seu próprio destino, por isso a 9ª carta mostra os caminhos, indicando claramente qual deve ou não seguir, para que a definição seja alcançada ou afastada.
    
Um exemplo prático
    Vou dar um simples exemplo de consulta, sem detalhar a fundo as interpretações.
    Certa vez uma pessoa me procurou e solicitou uma leitura. Eu relutei até ela me convencer que era um fato importante, pois como já mencionei não faço mais leituras profissionais. Ela me explicou que seu casamento estava passando por uma crise, foi quando chegou a um momento de pressão, onde o casal estava quase se separando. Eles resolveram mudar e dar mais “estimulo” ao casamento e ela estava feliz, mas com medo de que fosse somente o momento. Como não conseguia enxergar o seu futuro, no sentido literal, não como vidência, estava preocupada e não conseguia respostas. Foi por isso me procurou.
    As cartas saíram da seguinte forma:

    1ª – a pessoa: 10 de Copas. Ficou clara a felicidade que ela descreveu pelo seu marido e ela terem decidido recomeçar
    2ª – a situação presente: A Morte (13) – o fato das mudanças estarem ocorrendo por decisão do próprio casal, mas também indicava que o casamento poderia estar no fim. Eu prefiro uma outra explicação, com a morte vem o renascimento, então a minha interpretação partiu para o recomeço do casamento.
    3ª – o que atrapalha: 9 de Ouros. Quando saiu esta carta eu lhe perguntei os motivos da crise no casamento, pois a situação da terceira carta era meio contraditória e eu podia me equivocar. Ela explicou que a crise começou porque seu marido estava trabalhando demais e sobrava pouco tempo para ficarem juntos. Imediatamente tudo fez sentido, eu lhe disse que o trabalho do marido estava gerando frutos, frutos de um longo tempo de trabalho que após um longo tempo de “vacas magras”  finalmente havia mudado. Ao seu espanto, ela confirmou que passaram muitas dificuldades nos últimos dois anos e que agora a vida estava mudando, que já podiam comprar moveis e coisas para a sua casa, que estavam trocando o velho pelo novo. Novamente surge uma luz para a segunda carta.
    Eu costumo conversar muito com as pessoas que me procuram numa consulta, pois sou humano e sujeito a erros, acredito que isto auxilia na interpretação.
    Pode parecer um pouco contraditório, mas se a vida financeira está mudando e tomando um rumo melhor, porque então a crise? Ela mesma respondeu, o marido estava trabalhando demais.
    4ª – o que auxilia: 4 de Copas. Sabendo das mudanças da sua vida, da vontade de acabar com a crise no casamento, o que auxiliava na verdade era a vontade de mudar, mas ao mesmo tempo que tinha vontade de mudar, tanto de vida, como de situação ou de compreensão, porque ela sabia que o marido estava trabalhando demais para melhorar a vida do casal e dar uma segurança a mais para os filhos e para ela; ela estava em duvida se este era realmente o melhor caminho. Queria mas desconfiava.
    5ª – a definição: 4 de Paus. A definição era clara como água que realmente a vida iria mudar, iria rumar para a reconstrução do lar e do seu casamento, uma boa definição ao meu ponto de vista.
    Ela ficou contente, mas não paramos por aí, vamos ao complemento.
    6ª carta: O Carro (7). Representava a raiz da sua crise fora exatamente o que ela havia dito, foi a realização de seu marido, do próprio crescimento econômico, o que levou ela a sentir como se estivesse perdendo o seu marido, mas em conversa, ela disse que isto era o que ela sentia, porque sabia que ele fazia isso para a família. O Conselho desta carta indicava para ela não sentir isso e confiar na mudança e no esforço do marido para a realização, afinal, eles passaram por situações difíceis e era claro que o marido não desejava mais passar pelos mesmos transtornos de dois anos.
    7ª carta: 2 de espadas. Representava a ligação entre a situação e o que atrapalhava, indicava aqui que existia uma certa discórdia entre o casal. Ele tentava mostrar que fazia aquilo para melhorar e ela não compreendia, ou porque não queria, ou porque o marido não explicava de forma correta. Eu acredito que um pouco dos dois causava a discórdia. Esta distorção afastava dela a visão que a mudança proposta pelo marido era o que estava levando aos frutos de suas vidas.
    Usando de um pouco de psicologia barata, eu diria que a própria visão da mudança ou a própria mudança era o que a assustava e os levou para crise.
    8ª carta: Rainha de Copas. Indicava aqui a quem recorrer. No momento mais difícil da crise, ela foi procurar a sua mãe, que segundo ela, lhe deu fortes conselhos, puxões de orelha e a fez decidir recuperar o casamento, que a fez enxergar os seus erros.
    Quero lembrar aqui que no caso desta interpretação, o marido fica em segundo plano, porque ele não era o objeto principal e sim ela, pois o motivo da consulta era a escolha do caminho a seguir que ela não encontrava respostas.
    9ª carta: 9 de Espadas. Formava a ligação final, a “definição da definição”. Lembre-se que aqui esta carta não terá uma conotação negativa ou positiva, mas expressa uma indicação de qual caminho seguir. Aqui indicava que o medo, a angustia e as preocupações que assombrava a sua vida, o motivo de sua crise, que estes fatores eram os motivos que poderiam levar ao fim do casamento e não chegar na definição, que nada mais era que o lar reestabilizado e feliz.
    A conclusão foi a indicação para que ela se tranqüilizasse, esquecesse os medos e as preocupações que tanto causavam sofrimento e dor.
    Veja como é impressionante: o resultado de tudo estava ligado ao medo. O medo cegou e os levou a entrar em crise. Não conseguiam ver a realidade.
    Hoje, só para uma breve elucidação, eles estão casados, felizes, com a vida financeira estável e até um novo membro da família eles resolveram encomendar.
    Eu chamei este método de leitura como “oitavas superiores” porque ele sempre mostrará uma forma de resolver os problemas e levar a vida para um degrau acima, ou seja, para uma oitava superior.

Contato com o autor
Stephan Milanez 
www.alphalumen.com.br (Portal Alpha Lumen)

Tarô Método dos Relacionamentos

https://estudoumbandaespiritismoecandomble.blogspot.com/


Alexsander Lepletier
 
Foi há mais ou menos 9 anos, quando trabalhava na Feira Esotérica Anjos e Cia, em Portugal, que eu e Maria del Mar, uma amiga querida, estudávamos novas formas de abordagem da questão afetiva nas consultas por acharmos os métodos disponíveis insuficientes e incompletos para a complexidade das questões colocadas a nós pelos consulentes e a intensidade com a qual esse campo da vida é vivido.
Queríamos algo abrangente, que descrevesse de forma detalhada as relações afetivas e que fosse versátil, podendo ser usado para analisar qualquer tipo de relação: desde uma amizade até uma sociedade e mesmo a sua relação com seu pior inimigo!
A distribuição das sete cartas
na técnica dos "Relacionamentos"
ou "Templo de Afrodite"
Ilustrações do Autor
 
Depois de estudarmos vários métodos decidimos que o que melhor serviria de base para a construção do que pretendíamos era o dos Relacionamentos, de Hajo Banzhaf, em seu "Manual do Tarô", devido à forma de disposição das cartas e ao significado de suas casas, pois representam duas pessoas interagindo.
Mar desenvolveu a sua variante e eu a minha desse método também conhecido por "Templo de Afrodite". O primeiro ponto que percebi deficiente foi a falta de uma casa que descrevesse a atitude de um para o outro, como tratavam o parceiro, a sua forma de expressão e contato, o que exteriorizavam, pois antes do sexo acontecer vive-se isso. Mesmo o sexo rápido, casual, experimenta uma troca de olhares e alguma forma de comunicação, podendo ser até ser gestual, que dá o sinal verde ou vermelho para que as coisas aconteçam ou não. E mesmo o sexo em si, apesar de se um dos pilares de uma relação, não descreve a convivência do casal. Podemos ter um sexo maravilhoso com nosso parceiro, amá-lo profundamente, mas não convivermos bem com ele.
Pensando dessa forma substituí a casa que representa o sexo pela casa que descreve a Atitude que se tem com o parceiro. Assim teremos base para avaliar com profundidade cada parte analisada como veremos na descrição completa do método mais a frente.
Outra inovação foi redefinir a carta da Síntese pelo “Presente”, que mantém o seu sentido de síntese, mas ganha um caráter temporal indicando a qualidade da interação do casal no momento. Para construir uma linha temporal, estendendo a visão da relação para as suas origens e o seu futuro, acrescentei as casas de “Passado” e “Futuro”. Assim podemos observar a evolução temporal da relação.
Ao lado de cada agrupamento que representa as pessoas envolvidas, acrescentei uma carta que representa os “fatores externos” para entendermos como as situações da vida de cada um interferem na relação.
Assim temos um método que traz uma análise completa de ambas as partes isoladamente e sua interação; como são afetados pelo meio e seu desenvolvimento temporal.
Como podem ver, podemos analisar qualquer tipo de relação de forma detalhada e profunda.
Mas... e o SEXO?
 
O "Método dos Relacionamentos" reelaborado
Bem, se estivermos falando de envolvimento afetivo, onde há contato íntimo ou a promessa de, colocamos a carta que no Templo de Afrodite significa o Sexo ao lado da casa Atitude por serem essas a via de contato. Ela não foi descartada, somente é usada quando necessário.
Então o Templo de Afrodite evoluiu...
Vejamos agora uma descrição mais detalhada e ilustrada do Método dos Relacionamentos seguida de um exemplo.
Método dos Relacionamento, de Alexsander Lepletier
Casas 1 e 2: Elas descrevem o aspecto Mental mostrando como cada um vê a relação, como cada um vê o outro, o que tencionam e planejam, o que percebem.
Casas 3 e 4: Descrevem os Sentimentos. O que cada um sente pelo outro, seu nível intensidade e abertura, a capacidade de entrega, o prazer e como o outro o preenche. No caso de se estar analisando uma sociedade a Casa 4 vai mostrar o grau de satisfação e entrosamento com o sócio. Se é prazeroso trabalhar com ele, o nível de realização pessoal em relação ao negócio (ou qualquer outro tipo de acordo) e as motivações. No caso das amizades e relacionamentos pessoais ou parentais, mantêm-se os significados acima.
Casas 5 e 6: Aqui temos as casas da Atitude, ou seja, como eu lido com meu parceiro? Como eu o trato? Como me expresso? Como chego até ele e o toco? Como me coloco na relação?
Esta ultima casa é Yang extrovertida, que se expressa, e as duas anteriores são Yin, introvertidas, somente percebidas indiretamente. As casas de Atitude são a via de escoamento e expressão dos conteúdos casas anteriores, que fazem parte do interior de cada um e não percebidos diretamente.
Exemplos para as casas dos Sentimentos e Atitude
O exemplo do método foi contruído com base no chamado método europeu, técnica que utiliza um arcano maior e um menor em conjunto, para cada casa. Nesse caso teremos 2 arcanos por casa. Quem utiliza o método americano, onde todos os 78 arcanos são misturados, ou que estiver utilizando qualquer outro oráculo como, por exemplo: runas, baralho cigano, cartomancia etc., pode utilizar somente uma carta (ou runa, etc.) por casa. Caso haja necessidade, pode-se colocar cartas adicionais para detalhamento.
 
      Exemplo 1
 
      Exemplo 2
 
        Exemplo 3
 
Se tivermos uma Lua com o Cinco de Copas na casa dos Sentimentos, como no exemplo 1, e um Mago com Três de Copas nas casas de Atitude, então podemos perceber que apesar de toda essa eloquência e alegria que geram conversas agradáveis, elogios e propostas, convites para coisas boas e divertidas, existe uma mágoa reprimida, uma forte decepção e algo intenso que a pessoa quer mascarar com esses comportamentos contrários sempre gerando momentos de descontração para fugir desse sofrimento através de uma atitude escapista e, dependendo do quadro geral, até falsa.
Eu considero essas, as casas mais importantes do jogo por serem a via de troca e por onde a relação se realiza e realmente acontece. Um bloqueio grande aqui compromete todo o resto. Veja nos outros dois exemplos como elas podem afetar a qualidade da relação:
No exemplo 2, uma consulente com o Sol e o Dois de Copas no Sentimento e a Morte com o Dois de Espadas na Atitude. De que adianta todo esse amor se ela não o expressa, o esconde, age de forma fria e ríspida, bloqueando-se e afastando de forma dolorosa o parceiro? Isso torna impossível a concretização da relação ou a vivência plena e satisfatória dela, comprometendo sua continuidade, caso exista.
E, de forma inversa, no exemplo 3, outra consulente com o Louco e o Quatro de Espadas no Sentimento e a Imperatriz e o Dez de Copas na Atitude. Um coração ausente de sentimentos e capacidade de formar vínculos agindo de forma afetuosa, alegre, receptiva e provedora, criando um clima de amor e integração perfeito para algo mais sério. A atitude é incoerente com o os desejos, o que tende a criar muitos problemas futuros.
Bem essas são apenas análises parciais apresentadas para podermos perceber a importância e o funcionamento da casa.
Casas 7 e 8: Fatores Externos. Elas descrevem como a vida de cada indivíduo e tudo que ela contém afeta a relação. O que cada um traz consigo e como isso influenciará o seu comportamento individual e afetará o desenvolvimento e a vivência da união.
Casa 9: Passado. A síntese da relação num passado próximo ou a sua origem. De onde eles vêm.
Casa 10: Presente. A síntese da relação hoje. Como ela está? Como é vivida? Qual o produto da interação dos parceiros e de seus fatores externos?
Casa 11: Futuro. Quais as perspectivas da relação nos próximos meses (ou o tempo que for convencionado). Para onde vão.
Casas 12 e 13: Sexo. O tesão pelo parceiro, a atitude no sexo, o nível de abertura e satisfação física. Como se tocam intimamente.
Essas duas últimas casas, por certo, só devem ser utilizadas em análises relaçõesem que sejam convenientes e oportunas.
Um exemplo: análise da Relação de André e Lívia
Antes, vamos responder a uma pergunta que todos fazem: Por onde começar a leitura?
Bem, eu começo, a maioria das vezes, pelo presente e então passo para a análise do consulente e a seguir, o parceiro. Depois vejo o passado e então o futuro, mas isso não é uma regra. Começamos qualquer leitura a partir de onde estiver mais claro e nos chamar mais atenção. Umas vezes será o presente, outras os fatores externos do consulente, outra o passado. O que importa é a leitura fluir, por isso, fique a vontade!
Comecemos, então, pelo presente que é representado pelo arcano 12, o Pendurado e o Cavaleiro de ouros. O cavaleiro de ouros se movimenta firme e decidido rumando em direção ao seu objetivo sem aceitar a derrota ou mudar a sua rota, porém o Pendurado faz com que ele ande em círculos sem sair do lugar, desgastando-se gradualmente, perdendo energia e tempo. O que se apresenta é uma relação onde existe uma intenção de (re?)conquista, que, já inicialmente se mostra frustrada por vários motivos. Nada flui, nada muda mesmo que se tente trabalhar para isso. A presença do Cavaleiro mostra que existe movimento, mas parece que não há liga. Tenta-se alimentar e preservar algo que não tem perspectivas de crescimento.
Uma vez feita a análise da síntese da relação no momento presente, vamos entender como cada parte colabora para isso.
André, com a Morte na casa da mente, tem uma percepção clara da situação e vislumbra a possibilidade de separação ou de fracasso e o afastamento de Lívia, que entende estar fechada, meio que com o pé atrás, ainda se recuperando de alguma decepção ou crise como mostra no nove de paus que faz par com o arcano 13.
Os seus sentimentos se revelam no arcano seis, Os Enamorados, indicando sentimentos românticos por Lívia, mas alguma indecisão pois o arcano não consegue exprimir-se totalmente por estar conjunto a uma carta do naipe de espadas. Estando numa casa em que fala de sentimentos e afetos, assuntos que fazem parte de sua natureza exalta-se e ganham força só que o naipe de Espadas que é impessoal e frio, interfere desequilibrando ambiente e tornado esses sentimentos intensos, egoístas. Agora, os Enamorados, apesar de ser um Arcano de intenso afeto, ele ainda não é suficiente para gerar um amor maduro e a transitoriedade do cavaleiro, que não se fixa associada a qualidade unilateral e conflitante de espadas mostram que isso pode ser uma empolgação passageira, apesar de estar mexendo muito com ele.
Na síntese temos o Cavaleiro de Ouros e no sentimento do consulente o de Espadas, então vemos que os movimentos em relação a conquista, partem dele.
Ele age entregando-se totalmente, tentando agradar a parceira de todas as formas (o Mundo) e inserindo-se entre seus amigos, sempre com um ar alegre e animado sendo simpático e divertido tentado passar a imagem de é alguém querido até pelos amigos dela (três de copas). Leva-a para programas com o pessoal mais chegado e é a alegria em pessoa.
Agora, como a sua vida, o que está para além da relação, afeta o seu desenvolvimento? O Diabo pode ser indicativo de que existe uma outra pessoa que o deseja e não o quer perder. Estando associado o Rei de Espadas a ele, é alguém bem esperto e que sabe jogar, tendo capacidade de boicotar a relação dele com Lígia de maneira muito inteligente.
É interessantíssimo observar a relação dos sentimentos de André com os fatores externos. Por quê? Temos 4 arcanos que se relacionam fortemente o que sugere que essas casas estão fortemente ligadas.
Os Enamorados se conectam com o Diabo, numerologicamente, sendo constituintes de uma constelação 6 – 15, pois, reduzindo-se 15 através da soma de seus algarismos, teremos 6. A Dúvida e a Tentação. Como o Rei de Espadas personifica a energia do Diabo, sabemos que é uma pessoa e que eles mantêm uma ligação forte. Isso se reforça se entendermos que cavaleiro é o General do Rei, está a seu comando. O Diabo, força transcendental, e o Rei como autoridade máxima, fazem a influência dessa terceira pessoa sobre André ser poderosa, mesmo o naipe de espadas indicar que, possivelmente, não haja uma relação de compromisso em termos afetivos.
E ela?
Imperatriz com 2 de Espadas... Lívia vê André como um cara bonito e amável mas entende que, mesmo assim, algo nele não a agrada e que compromete o desenvolvimento da relação. Que existe uma barreira e um impasse. Possivelmente se veja numa disputa por André com outra mulher.
O Papa e a Rainha de Espadas configuram-se para representar os sentimentos de Lívia. O Arcano 5 não é chegado a paixões ardentes e mostra um sentimentos brando, tranquilo e fraternal indicando que Lívia não está apaixonada por André mas que nutre um carinho muito grande pelo consulente, inclusive, importando-se com ele. A Rainha de Espadas só reforça a falta de amor romântico e desejos mais intensos e profundos e, uma Rainha no Jogo de uma mulher ganha força e, mais ainda, numa casa de sentimento mostrando que esse arcano encontra-se potencializado. As qualidades nobres desses Arcanos a impediriam de começar uma relação de “amante” e acabam por fazer com que ela se autoproteja e foque sua atenção e esforços em si mesma. O papa e a Imperatriz mostram que ela se importa com ele, mas a predominância de espadas e a consciência das dificuldades fazem com que Lívia não se entregue e exija as coisas à sua maneira. Temos aqui uma pessoa muito exigente consigo mesma, mas ainda assim afetuosa.
E como ela administra tudo isso dentro de si? Como ela age com ele?
Louco e o 4 de paus. Bem, ela não alimenta nenhuma chance de compromisso e se coloca bem independente e desapegada. Trata-o bem e mostrando que está muito bem na sua condição atual. Não é bruta nem alimenta falsas esperanças e deixa isso bem claro. Ela se coloca livre e independente para ele estando pronta para partira qualquer hora. Ela mostra que não está nem aí para ele.
Fatores externos: O Julgamento e o Pajem de Espadas.
Trazendo a tona o que estava escondido. Alguém na vida de Lívia alerta-lhe sobre a situação de André. O Julgamento, o grande renovador, nos desperta, faz-nos ver com clareza e de maneira mais ampla aparecendo na leitura de Lívia para indicar que a ela são feitas revelações para que possa evitar situações danosas. O pajem de espadas, o mensageiro e também o espião pode distorcer um pouco os fatos mas a sua conjugação com o Arcano 20 impede-o de inventar e mentir, apenas distorcendo algumas coisas através de um discurso pouco elaborado e infantil.
Mais uma análise interessante se faz aqui. No sentimento de Lívia, temos o Papa e nos fatores externos, o Julgamento. Imagens que se afinam por tema. Ambos mensageiros e pontos de conexão com o divino, representantes da religião e da pureza. Nos sentimentos está a Rainha, nos fatores o Pajem. O pajem personifica alguém e aqui a Rainha, a mãe, tem mais força sobre o pajem, sue filho, mostrando uma ligação de ambos onde a consulente ocupa uma posição de mais privilegiada e o controle na relação.
As cartas em seqüência ligam as casa envolvidas, então o Papa se liga aos Enamorados, unindo os sentimentos de ambos mostrando que um vínculo forte os une, apesar da vivência afetiva ser dificultada e impedida de acontecer.
A linha central do Jogo apresenta, coincidentemente, toda corte de Espadas que mostra a dificuldade da relação se manter (Espadas) e a interferência de várias pessoas do mesmo grupo ou ambiente comum nessa relação.
Já a presença do par “mundano”, Diabo-Enamorados no consulente e Papa-Julgamento na parceira, mostra um conflito moral e de interesses em que o consulente ainda se mostra imaturo e despreparado para algo mais sério, bem como mal resolvido, e a parceira mais amadurecida, sabendo melhor o que quer e almejando estabilidade e compromisso.
Sexualmente apresentam certa incompatibilidade pois André vem como o Mago com o dez de Espadas, altamente sedutor, com uma lábia perfeita, boa pegadas, um beijo maravilhoso. O Arcano1é altamente hábil com as mãos e boca proporcionando preliminares maravilhosos, porém o rápido arcano um se liga ao rápido Dez de Espadas unindo o começo ao fim em pouco tempo. Ora, se ele não tem ejaculação precoce chegará ao orgasmo com muita rapidez, terminando antes do fim.
Já Lígia vem como a Temperança e o Dez de Ouros, sexo para ela tem de ser com muita calma, sentimento, estímulo corporal prolongado e intenso. Se não houver química e paciência, não acontece. Ela demora a se excitar e tem dificuldades de experimentar formas mais exóticas e diferentes de sexo, preferindo as posições tradicionais em lugar seguro e confortável.
O passado da relação mostra que eles já devem ter passado por uma tentativa frustrada de aproximação ou mesmo uma grande ruptura de algo que parecia promissor, com planos feitos e até investimentos na relação como indica a Torre e o Nove de Ouros.
O que reserva o futuro para os dois?
Papisa com a Rainha de Copas mostra que esse contato vai esfriar e que ambos irão se fechar em copas até que estejam maduros para poder reviver esse amor.
Espero que tenham gostado e que o método apresentado lhes seja útil.
Ele pode ser aplicado às:
 
 
  
fevereiro.11
Contato com o autor:
Alexsander Lepletierwww.lenormando.blogspot.com
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores

Tarô Os Animais do Inconsciente

 Tarô Os Animais do Inconsciente


André Francioli Mardouro
 
Tenho utilizado um método de Alejandro Jodorowsky de modo frequente, vivendo momentos de grande intensidade junto a meus consulentes.
A técnica compreende a eleição de um animal para iniciar-se a consulta. Após evocar o animal o consulente participa da criação, junto com o tarólogo, do próprio esquema de lançamento, buscando figurar com as cartas a forma do animal.
Serpente - Piton - símbolo do Inconsciente
A serpente e o inconsciente
 
Esta forma de lançamento introduz um outro nível no jogo, que é a imagem do próprio animal evocado, e cujas qualidades devem ser consideradas na leitura, proporcionando um exercício criativo que confere outra dinâmica de relações.
O mais interessante aqui é que cada animal passa a ser entendido também como símbolo, expressão da própria situação do consulente naquele momento, seja em  relação a questões específicas ou a uma idéia de "situação geral".
A seguir descrevo dois destes lançamentos realizados, ambos originários do animal "cobra", porém muito diferentes entre si.
Exemplo I
No primeiro caso foram utilizadas 7 cartas. A primeira correspondia à cabeça, ligada às questões mentais e intelectuais, e foi dedicada ao naipe de espadas; a segunda, logo em seguida e no local correspondente ao coração, às questões sentimentais e ao  naipe de copas; a terceira casa, no estômago da cobra, foi dedicada ao naipe ouros e a questões financeiras e de saúde; a quarta, última antes da parte final da cauda, ligada ao naipe de paus e ao universo criativo e sexual. Como logo a seguir compreendemos que a cobra deveria ser venenosa, contemplando um princípio de dualidade.
Sua cauda então afinaria repentinamente ao final do corpo, definindo a quinta casa que apontaria para aquilo que se deixa para trás, ou o passado recente. A sexta e a sétima carta foram dipostas à frente da carta da cabeça, representando as presas, e sendo o veneno tanto mortal quanto a fonte de seu próprio antídoto estabeleceu-se que elas representariam um aspecto negativo e outro positivo relativos ao futuro próximo, ou seja, um alerta para o bem e para o mal, circunstâncias vindouras boas e ruins, obstáculos e apontamentos favoráveis, etc. Definido o esquema passou-se a tiragem das cartas pelo consulente - a princípio apenas os arcanos maiores, dispostos nas mesa a partir da ordem preestabelecida:
Lançamento Animais do Inconsciente - 1
Exemplo I: A tiragem inicial
Ilustração do Autor
De um modo muito resumido o jogo aqui revelou, com o Arcano X na casa 1, que o consulente passava por uma grande agitação mental, pois acabara de iniciar uma nova jornada (Arcano 0 na casa 5), deixando para trás uma vida profissional um pouco caótica (trabalhava como freelancer) para ingressar em um trabalho fixo, com boas perspectivas criativas e financeiras. A etapa seguinte compreendeu a escolha dos arcanos menores, buscando elucidar alguns pontos, e a seguinte composição foi formada:
Lançamento Animais do Inconsciente - 2
Exemplo I: O complementos dos Arcanos Menores
Ilustração do Autor
O que chamou logo a atenção é que a figura indicava agora uma cobra mais gorda, pesada, como que em processo de digestão. Sua agitação mental estava relacionada a esta “digestão” de alguns impasses relacionados ao campo afetivo, sexual e financeiro. Ainda resumindo, os apontamentos futuros foram ficando claros: viver o novo quadro profissional – por mais que às vezes a adaptação ao novo modo de trabalho seja difícil e até sofrida – buscando concentrar-se e equilibrar-se e eliminando a agitação mental (Arcano XII na casa VI); por outro lado, evitar transformações muito repentinas e radicais, não é o momento – o período é de paciência e estabilidade, condições que garantem uma “digestão” mais  bem sucedida das mudanças, sem precipitações e mal-estares.
Exemplo II
O segundo lançamento feito a partir do animal “cobra” realizou-se de modo absolutamente diverso. A cobra no caso tinha cor – era negra – e habitava sonhos frequentes do consulente. Tendo origem onírica, possuía olhos amarelos e grandes presas, além de uma cruz gravada na testa, evocando assim uma imagem extremamente forte para o início do jogo. O corpo da serpente, no sonho, aparecia sempre armado em bote, e a cabeça inclinada para frente sugeria ao mesmo tempo força, reverência e humildade (nas palavras do consulente) – um verdadeiro animal de poder.
O mais difícil foi descobrir como representar os elementos distintivos desta cobra: para além do corpo arqueado, a cruz na fronte, os olhos amarelos e as enormes presas. A estrutura do animal compreendeu 5 cartas, com posições cujas funções foram definidas após resolvermos a representação da cruz na testa com duas cartas cruzadas logo acima da carta da cabeça e que nos revelariam a essência, ou os segredos desta cobra; depois, foram mais duas cartas cruzadas para os olhos, que por serem amarelos foram associados ao naipe de ouros, entendido aqui no sentido alquímico – espírito e matéria a um só tempo; por fim resolvemos as enormes presas com outras duas cartas cruzadas, figurando como na primeira cobra um apontamento positivo e outro negativo.
Vale sublinhar que este tipo de solução só é possível pelo entendimento básico de que estamos diante de um esquema, o que permite um bom nível de abstração na forma da representação dos diversos animais. Assim houve uma significativa variação em relação à cobra do jogo anterior: a carta relativa a cabeça, abaixo da “cruz na testa”, foi associada ao plano mental/naipe de espadas; a carta seguinte aos sentimentos/naipe de copas; a próxima às questões sexuais e criativas/paus; a penúltima ao passado e a derradeira entendemos como uma carta de alerta, contabilizando 11 cartas ao total, que escolhidas foram abertas de acordo com a seguinte disposição:
Lançamento Animais do Inconsciente - 3
Exemplo II: Uma serpente com o corpo armado
Ilustração do Autor

O diálogo estabelecido com o consulente a partir desta tiragem foi sem dúvida muito interessante. Os arcanos XVIII e XII na cruz da testa revelaram todo o potencial mágico, de transformação, deste animal onírico. Em sorteio adicional agregou-se ao jogo o Ás de Ouros como síntese desta cruz na testa, o que para nós confirmou a potencialidade alquímica desta força. Tirou-se também o Sete de Espadas na casa 7 (alerta) e o Oito de Copas na casa 11 (síntese da polaridade entre negativo e positivo), configurando assim a forma final do jogo:

Lançamento Animais do Inconsciente - 4
Exemplo II: Uma serpente com o corpo armado e o complementos dos Arcanos Menores
Ilustração do Autor
Apenas para ilustrar, o consulente vivia uma espécie de obssessão com uma outra pessoa, uma relação que viria de outras encarnações, algo como um amor imemorial e espiritualmente interdito. Como busco conduzir o atendimento por uma perspectiva terapêutica e de autoconhecimento, encaminhei a leitura a partir do alerta da casa 7, com o Diabo e o Sete de Espadas indicando o perigo de deixar-se aterrar pelo lado negativo desta negra serpente: a narrativa reencarnacionista (real ou não, não sabemos, pois trata-se de um mistério) apresentava-se como fonte de enorme perturbação emocional (Papisa), da qual o consulente buscava se libertar racionalmente (daí a Estrela no plano mental).
Dito isto, o foco do encaminhamento foi: viver o presente desta vida! Nada de colocar as perturbações na conta de “vidas passadas”. Resolver-se no aqui e no agora! A própria idéia de alquimia compreende uma transubstanciação que se faz pelo cruzamento entre espiritualidade e ciência, misticismo e razão, autoconhecimento e equilíbrio mental: é necessário afastar-se desta idéia de “amor imemorial” (8 de Copas), advindo de vertiginosas reencarnações sucessivas (A Roda Fortuna) e abandonar o obsessor a partir da própria força da magia (O Mago), entendida como potencialidade de transmutação existencial presente no próprio consulente.
Uma tiragem densa, meio louca, iluminada e sombreada pela força da imagem evocada, cobrindo o jogo de uma atmosfera mágica e proporcionando uma experiência intensa e intrigante. É certo que jamais teria chegado a estas formulações de leitura sem a disposição do consulente em revelar este segredo íntimo, associado à imagem da cobra negra. A técnica de Alejandro Jodorowsky estabelece um desafio colaborativo e propõe uma relação criativa durante o atendimento, não só na definição do jogo, mas no encontro de cada caminho de individuação.
Contato com o autor:
André Francioli Mardouro www.diariotarot.blogspot.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores