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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Igba obaluaye

Igba obaluaye

Candomblé

Princípios básicos



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Assentamento de Obaluaye - candomblé.
Igbá[1] Obaluayê ou assentamento de Obaluayê como é chamado popularmente pelo povo de santo, são construídos com dois recipientes de barro de formas arredondadas, na parte inferior um alguidá e na parte superior um cuscuzeiro, simbolizando o planeta Terra, em alusão ao seu nome, Oba (rei), Olu (senhor), Aye (mundo ou Planeta terra), "Beniste Orum Aye".

Confecção[editar | editar código-fonte]

Dentro do alguidá são dispostos vários apetrechos, dependendo da qualidade deste misterioso e complexo orixá. São encontrados vários tipos de búzios, pérola de agua doce e salgada, moedas antigas de prata, vários tipos de sementes como aridan e olho de boi, miniatura de xaxará e uma argamassa com variado tipo de folha sagrada, em especial uma planta chamada gervão, onde é fixado uma pena de ekodidé e o sagrado apetrcho mais importante de todos os orixas, o otá.
A parte superior é um cuscuzeiro de barro com sete orificios, onde são depositadas cuidadosamente as sete lanças chamadas de Ichã, ornado com grande quantidade de búzio (religião) e marfim. Não necessáriamente das presas do elefante, sabendo-se que toda a parte compacta e branca que constitui a maior parte dos dentes dos mamíferos são marfins.
Nota: Todos assentamentos "igba orixá", devem ser preparados e sacralizados em rituais próprios por Babalorixas ou Iyalorixas. Na preparação de qualquer assentamento de orixá os rituais da sasanhafolha sagrada e água sagrada são imprescindíveis.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Características de Médiuns com Omulú e Nanã Buruquê na Coroa

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    Como já dissemos em outros textos, na Umbanda sabemos que temos nossos Orixás de Coroa e que para sabermos quais são esses Orixás devemos buscar um jogo de Búzios com um jogador preparado e honesto; assim teremos a certeza sobre esse fato. Nada de adivinhações, nada de datas de nascimento e nada dessas invenções feitas por ai, apenas o tradicional e verdadeiro jogo de Búzios pode dar essa resposta.

    E como já foi dito também, nossa Coroa forma um triângulo; em cada vértice desse triângulo temos um Orixá e logicamente são três, sendo eles o Pai de Coroa, a Mãe de Coroa e o Terceiro Santo.

    Como já fizemos anteriormente, vamos nos apegar somente no Pai e Mãe de Coroa e vermos como os dois vibrando juntos podem formar ou mexer com a personalidade de um filho.

    Hoje pegaremos um médium com Omulú como Pai e Nanã Buruquê como Mãe; assim vamos buscar entender a Coroa desse filho tendo esses dois Orixás, frisando que não levaremos em conta o Terceiro Santo, pois se fôssemos levar tudo ficaria ainda mais complexo.

    Primeiro falaremos apenas das características dos filhos de Omulú

     Ao senhor da doença é relacionado um arquétipo psicológico derivado de sua postura na dança: se nela Omulú/Obaluaiê esconde dos espectadores suas chagas, não deixa de mostrar, pelos sofrimentos implícitos em sua postura, a desgraça que o abate. No comportamento do dia-a-dia, tal tendência se revela através de um caráter tipicamente masoquista.

     Arquetipicamente, lega a seus filhos tendências ao masoquismo e à auto punição, um austero código de conduta e possíveis problemas com os membros inferiores, em geral, ou pequenos outros defeitos físicos.

      A definição dos filhos de Omulú como pessoas é que eles são incapazes de se sentirem satisfeitos quando a vida corre tranquila para eles. Podem até atingir situações materiais e rejeitar, um belo dia, todas essas vantagens por causa de certos escrúpulos imaginários. São pessoas que, em certos casos, se sentem capazes de se consagrar ao bem-estar dos outros, fazendo completa abstração de seus próprios interesses e necessidades vitais.

     No Candomblé como na Umbanda, tal interpretação pode ser demais restritiva. A marca mais forte de Omulú/Obaluaiê não é a exibição de seu sofrimento, mas o convívio com ele. Ele se manifesta numa tendência auto-punitiva muito forte, que tanto pode revelar-se como uma grande capacidade de somatização de problemas psicológicos (isto é, a transformação de traumas emocionais em doenças físicas reais), como numa elaboração de rígidos conceitos morais que afastam seus filhos de santo do cotidiano, das outras pessoas em geral e principalmente dos prazeres. Sua insatisfação é básica, portanto, não se reservaria contra a vida, mas sim contra si próprio, uma vez que ele foi estigmatizado pela marca da doença, já em si uma punição.

     Em outra forma de extravasar seu arquétipo, um filho do Orixá menos negativista, pode apegar-se ao mundo material de forma sôfrega, como se todos estivessem perigosamente contra ele, como se todas as riquezas lhe fossem negadas, gerando um comportamento obsessivo em torno da necessidade de enriquecer e ascender socialmente. Mesmo assim, um certo toque do recolhimento e da auto-punição de Omulú/Obaluaiê serão visíveis em seus casamentos: não raro se apaixonam por figuras extrovertidas e sensuais.

    Os filhos de Omulú são solitários. Mesmo tendo um grande círculo de amizades, frequentando o mundo social, seu comportamento seria superficialmente aberto e intimamente fechado, mantendo um relacionamento superficial com o mundo e guardando sua intimidade para si próprio. O filho do Orixá oculta sua individualidade com uma máscara de austeridade, mantendo até uma aura de respeito e de imposição, de certo medo aos outros. Pela experiência inerente a um Orixá velho, são pessoas irônicas. Seus comentários porém não são prolixos e superficiais, mas secos e diretos, o que colabora para a imagem de terrível que forma de si próprio.

     Entretanto, podem ser humildes, simpáticos e caridosos. Assim é que na Umbanda este Orixá toma a personalidade da caridade na cura das doenças, sendo considerado o "Orixá da Saúde".

     O tipo psicológico dos filhos de Omulú é fechado, desajeitado, rústico, desprovido de elegância ou de charme. Pode ser um doente marcado pela varíola ou por alguma doença de pele e é frequentemente hipocondríaco. Tem considerável força de resistência e é capaz de prolongados esforços. Geralmente é um pessimista, com tendências autodestrutivas que o prejudicam na vida. Amargo, melancólico, torna-se solitário. Mas quando tem seus objetivos determinados, é combativo e obstinado em alcançar suas metas. Quando desiludido, reprime suas ambições, adotando uma vida de humildade, de pobreza voluntária, de mortificação.
     É lento, porém perseverante. Firme como uma rocha. Falta-lhe espontaneidade e capacidade de adaptação, e por isso não aceita mudanças. É vingativo, cruel e impiedoso quando ofendido ou humilhado.
     Essencialmente viril, por ser Orixá fundamentalmente masculino, falta-lhe um toque de sedução e sobra apenas um brutal solteirão. Fenômeno semelhante parece ocorrer no caso de Nanã: quanto mais poderosa e mais acentuada é a feminilidade, mais perigosa ela se torna e, paradoxalmente, perde a sedução.

    Agora falaremos das características dos filhos de Nanã Buruquê.

     Uma pessoa que tenha Nanã como Orixá de cabeça, pode levar em conta principalmente a figura da avó: carinhosa às vezes até em excesso, levando o conceito de mãe ao exagero, mas também ranzinza, preocupada com detalhes, com forte tendência a sair censurando os outros. Não tem muito senso de humor, o que a faz valorizar demais pequenos incidentes e transformar pequenos problemas em grandes dramas. Ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fosse muito mais velha do que sua própria existência. Por causa desse fator, o perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural. Nanã, através de seus filhos de santo, vive voltada para a comunidade, sempre tentando realizar as vontades e necessidades dos outros.
     Às vezes, porém, exige atenção e respeito que julga devido, mas não obtido dos que a cercam. Não consegue entender como as pessoas cometem certos enganos triviais, como optam por certas saídas que para um filho de Nanã são evidentemente inadequadas. É o tipo de pessoa que não consegue compreender direito as opiniões alheias, nem aceitar que nem todos pensem da mesma forma que ela.

     Suas reações bem equilibradas e a pertinência das decisões, mantém-nos sempre no caminho da sabedoria e da justiça.
     Todos esses dados indicam também serem os filhos de Nanã, um pouco mais conservadores que o restante da sociedade, desejarem a volta de situações do passado, modos de vida que já se foram. Querem um mundo previsível, estável ou até voltando para trás: são aqueles que reclamam das viagens espaciais, dos novos costumes, da nova moralidade, etc.

     Quanto a dados físicos, são pessoas que envelhecem rapidamente em alguns casos, aparentando mais idade do que realmente têm, com exceção as que tenham também Oxum ou Iansã na coroa.

     Os filhos de Nanã são calmos e benevolentes, agindo sempre com dignidade e gentileza. São pessoas lentas no exercício de seus afazeres, julgando haver tempo para tudo, como se o dia fosse durar uma eternidade. Muito afeiçoadas às crianças, educam-nas com ternura e excesso de mansidão, possuindo tendência a se comportar com a indulgência das avós. Suas reações bem equilibradas e a pertinência de suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça, com segurança e majestade.

     O tipo psicológico dos filhos de Nanã é introvertido e calmo. Seu temperamento é severo e austero. Rabugento, é mais temido do que amado. Não tem maiores atrativos e é muito afastado da sexualidade. Por medo de amar e de ser abandonado e sofrer, ele dedica sua vida ao trabalho, à vocação, à ambição social.


    E agora vamos resumir as características do filho que tem Omulú e Nanã Buruquê juntos como Pai e Mãe de Coroa.

    Como ambos os Orixás são ditos idosos, o filho que tenha esses dois na coroa, tem uma personalidade mais levada aos acontecimentos do passado.

    Tendem a ser ligados extremamente a família e cuidam de seus entes como se fosse uma leoa com seus filhotes.

    Seu humor é levado a ser até um pouco ranzinza, não gosta de lugares de multidão, de lugares com barulho excessivo, ou mesmo lugares que tenham uma dita alegria sem nexo.

    Se irrita facilmente e tem um ciúme excessivo de suas coisas do dia a dia, como casa, apetrechos, roupas, utensílios, ao ponto de ser radical sobre esse fato.

    Não tolera a arrogância, a traição, a fraqueza de personalidade, os dissabores de terceiros, a falsidade, a intolerância, o preconceito, enfim, tudo que possa levar um ser menosprezar o outro.

    Porém tem o defeito do menosprezo nele própria e o faz sem que ao menos perceba. A crítica é um grande dissabor dos filhos de Omulú e Nanã Buruquê, pois esses acreditam que criticando possam estar auxiliando a outra pessoa a crescer na caminhada da vida, porém ao fazer essas críticas se tornam extremamente intolerantes.

    Os filhos de Omulú e Nanã não tem um humor apurado, e por esse motivo muitas vezes não compreendem o que lhes foi dito, fazendo do fato um cavalo de batalha, sem nenhuma noção e sem nenhum nexo.

    Esses filhos tendem a envelhecer bem antes da hora, demonstrando um físico bem mais envelhecido do que a realidade da idade que tenha, frisando que esse fato só não se daria se o filho tivesse como terceiro Santo Oxossi, Ogum, Iansã ou Oxum, porém a idade mental ainda assim continuaria idosa, ou seja, teria pensamentos, gestos, ações de uma pessoa mais velha do que realmente seria da idade cronológica.

    Os filhos de Omulú e Nanã prezam pelo silêncio, amam a natureza, a rotina, a vida familiar, se sentem muito bem quando podem auxiliar terceiros, deseja ser útil de toda forma, tem preocupações elevadas com seus filhos, são bons amigos, confidentes, prestativos, são ótimos cozinheiros, excelentes cuidadores e oradores. Gostam de explicar tudo de uma forma no qual acreditam que não ficará dúvidas, podendo chegar ao ponto de se repetir demais, ou seja, um fato de pessoas idosas.

    Finalizando, as pessoas que tenham Omulú como pai e Nanã Buruquê como mãe, são pessoas muito boas para se conviver, isso se a pessoa na qual conviverá com eles, tenham pulso forte, honestidade, bom caráter, paciência e gosto pela vida familiar.


    Salve os filhos de Omulú e Nanã Buruquê!

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Carlos de Ogum

segunda-feira, 2 de abril de 2018

LENDA DE OBALUAÊ / OMOLU

Obalúwàiyé era originário de Empé (Tapa) e havia levado seus guerreiros em expedição aos quatro cantos da Terra. Uma ferida feita por suas flechas tornava as pessoas cegas, surdas ou mancas. Obaluayé chegou assim, ao Daomé, batendo e dizimendo seus inimigos, e pôs-se a massacrar e a destruir tudo o que encontrava à sua frente. Os daomeanos, porém, tendo consultado um Babalaô aprenderam como acalmar Obaluayé com oferenda de pipocas. O Òrìsà, tranqüilizado pelas atenções recebidas, mandou-os construir um palácio onde ele passaria a morar, não mais voltando ao país Empé. O Daomé prosperou e tudo se acalmou.

1Tendo Nanã seduzido Oxalá que era casado com Iemanjá, e dele tido um filho, este nasceu doente e malformado, pois ambos haviam desobedecido as Leis de Orunmilá.
Nanã vaidosa, não suportando a aparência de seu filho Obaluaê, abandonou-o à beira do mar para que quando a maré subisse o levasse ou não, de acordo com o que fosse seu destino. Ali ficou a criança, tendo sido mordida pelos animais das águas e da terra, atingido pelas chuvas e pelo sol, pelas doenças, até que Iemanjá teve pena dele e o recolheu, a fim de tratar de suas feridas. Mas Obaluaê, ficou cheio de cicatrizes, o que o obrigava a cobrir-se inteiramente com palhas. Assim cresceu Obaluaê, e um dia, caminhando pelo mundo, sentiu fome e pediu as pessoas de uma aldeia por onde passava que lhe dessem comida e água. Mas as pessoas, assustadas com o homem coberto de palha desde a cabeça, o expulsaram da aldeia e hão lhe deram nada.
Obaluaê triste e angustiado saiu do povoado e continuou pelos arredores, observando as pessoas. Neste tempo, os dias esquentaram, o sol queimou as plantações, as mulheres ficaram estéreis, as crianças cheias de varíola, os homens doentes. Acreditando que o desconhecido coberto de palha amaldiçoara o lugar, imploraram seu perdão e pediram que ele novamente pisasse na terra seca.
Ainda com fome e sede, Obaluaê atendeu ao pedido dos moradores do lugar e novamente entrou na aldeia, fazendo com que todo mal acabasse. Então homens o alimentaram e deram-lhe de beber, rendendo-lhe muitas homenagens.
Foi então que Obaluaê disse que jamais negassem alimento e água a quem quer que fosse, tivesse a aparência que tivesse, e seguiu caminho. 
Chegando a sua terra, encontrou uma imensa festa dos Orixás. Como não se sentia bem entrando numa festa coberto de palhas, ficou observando pelas frestas do terreiro, foi quando Iansã o encontrou e corajosamente o tocou, levantou-lhe as palhas, deixando todos verem um homem bonito e forte, cheio de energia e virilidade, já sem nenhuma marca pelo corpo, dançou com ele noite a dentro. A partir deste dia, Obaluaê e Iansã do Balé se associaram contra o poder do mal, das doenças e dos espíritos evitando que doenças, morte e desgraças aconteça aos homens.

2-

Xapanã era um guerreiro terrível que,seguido de suas tropas,
percorria o céu e os quatro cantos do mundo.
Ele massacrava sem piedade aqueles que se opunham à sua passagem.
Seus inimigos saíam dos combates mutilados ou morriam de peste.
assim,chegou Xapanã em território Mahi,no Daomé.
A terra dos mahis abrangia as cidades de Savalu e Dassa Zumê.

Quando souberam da chegada iminente de Xapanã,
os habitantes desta região,apavorados,consultaram um adivinho.
E assim ele falou:
"Ah! O grande guerreiro chegou de Empê!
Aquele que se tornará o senhor do país!
Aquele que tornará esta terra rica e próspera,chegou!
Se o povo não aceitá-lo,ele o destruirá!
É necessário que supliquem a Xapanã que vos poupe.
Façam-lhe muitas oferendas; todas as que ele goste:
inhame pilado,feijão,farinha de milho,azeite de dendê,picadinho de carne de bode
e muita,muita pipoca!
Será necessário,também,
que todos se curvem diante dele,
que o respeitem e o sirvam.
Desde que o povo o reconheça como pai,
Xapanã não o combaterá,mas protegerá a todos!"

Quando Xapanã chegou,conduzindo seus ferozes guerreiros,
os habitantes de Savalu e Dassa Zumê reverenciaram-no,
encostando suas testas no chão,e saudaram-no:

Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô!
"Respeito e submissão!"

Xapanã aceitou os presentes e as homenagens,dizendo:
"Está bem! Eu os pouparei!
Durante minhas viagens,desde Empê,minha terra natal,
sempre encontrei desconfiança e hostilidade.
Construam para mim um palácio.
É aqui que viverei à partir de agora!"

Xapanã instalou-se assim entre os mahis.
O país prosperou e enriqueceu,
e o grande guerreiro não voltou mais a Empê,
no território Tapá,também chamado Nupê.

Xapanã é considerado o deus da varíola e das doenças contagiosas.
Ele tem,também,o poder de curar.
As doenças contagiosas são,na realidade,
punições aplicadas àqueles que o ofenderam ou conduziram-se mal.
Seu verdadeiro nome,é perigoso demais pronunciar.
Por prudência,é preferível chamá-lo Obaluaê,O "Rei Senhor da Terra"
ou Omulu,o "Filho do Senhor".

3
 - OMOLU CURA TODOS DA PESTE E É CHAMADO OBALUAÊ
Quando Omolu era um menino de uns doze anos, saiu de casa e foi para o mundo para fazer a vida. De cidade em cidade, de vila em vila, ele ia oferecendo seus serviços, procurando emprego. Mas Omolu não conseguia nada. Ninguém lhe dava o que fazer, ninguém o empregava, e ele teve que pedir esmola. Mas ao menino ninguém dava nada, nem do que comer, nem do que beber. Tinha um cachorro que o acompanhava e só. Omolu e seu cachorro retiraram-se no mato e foram viver com as cobras. Omolu comia o que a mata dava: frutas, folhas e raízes. Mas os espinhos da floresta feriam o menino. As picadas de mosquitos cobriam-lhe o corpo. Omolu ficou coberto de chagas. Só o cachorro confortava Omolu, lambendo-lhe as feridas. Um dia, quando dormia, Omolu escutou uma voz:
_Estás pronto. Levanta e vai cuidar do povo.
Omolu viu que todas as feridas estavam cicatrizadas. Não tinha dores nem febre.Omolu juntou as cabacinhas, os atos, onde guardava água e remédios que aprendera a usar com a floresta, agradeceu a Olorum e partiu.
Naquele tempo uma peste infestava a Terra. Por todo lado estava morrendo gente, todas as aldeias enterravam seus mortos. Os pais de Omolu foram ao babalaô e ele disse que Omolu estava vivo e que ele traria a cura para a peste. Todo lugar aonde chegava, a fama precedia Omolu. Todos esperavam-no com festa, pois ele curava. Os que antes lhe negaram até mesmo água de beber agora imploravam por sua cura. Ele curava a todos, afastava a peste. Então dizia que se protegessem, levando na mão uma folha de dracena, o peregum, e pintando a cabeça com efum, ossum e uági, os pós branco, vermelho e azul usados nos rituais e encantamentos. Curava os doentes e com o xaxará varria a peste para fora da casa, para que a praga não pegasse outras pessoas da família. Limpava as casas e aldeias com a mágica vassoura de fibras de coqueiro, seu instrumento de cura, seu símbolo, seu cetro, o xaxará.
Quando chegou em casa, Omolu curou os pais e todos estavam felizes. Todos cantavam e louvavam o curandeiro e todos o chamaram de Obaluaê, todos davam vivas ao Senhor da Terra, Obaluaê.
4- OBALUAÊ TEM AS FERIDAS TRANSFORMADAS EM PIPOCA POR IANSÃ
Chegando de viagem à aldeia onde nascera. Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás.
Obaluaê não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência.
Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro.
Ogum, ao perceber a angústia do orixá, cobriu-o com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos.
Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele.
Iansã tudo acompanhava com o rabo de olho. Ela compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê estava animado.
Os orixás dançavam alegremente com suas equedes.
Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam suas pestilência. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão.
Obaluaê, o Deus da Doença, transformou-se num jovem, num jovem belo e encantador.
Obaluaê e Iansã tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espiritus, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homen


5- IANSÃ GANHA DE OMOLU O PODER DE REINAR SOBRE OS MORTOS
Houve uma festa e todos os Orixás estavam presentes. Menos Omolu que ficara do lado de fora. Ogum pergunta por que o irmão não vem e Nanã responde que é por vergonha de suas feridas causadas pelas doenças.
Ogum resolve ajudá-lo e o leva até a floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe cobre o corpo todo. O filá!
Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram o que Ogum fizera e continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos Iansã, altiva e corajosa, dança com ele e com eles o vento de Iansã que levanta a palha e para espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito algum.
Todos os Orixás presentes, ficam estupefatos com aquela beleza, principalmente Oxum,que se enche de inveja, mas agora é tarde, Omolu, não quer mais dançar com ninguém.
Em recompensa pelo gesto de Iansã, Omolu dá a ela o poder de também reinar sobre os mortos. Mas daquele dia em diante, Omolu declarou que somente dançaria sozinho!