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quinta-feira, 4 de junho de 2026

CIGANA DO OURO – LETÍCIA

 

CIGANA DO OURO – LETÍCIA


CIGANA DO OURO – LETÍCIA

Uma presença luminosa, alegre e cheia de energia: assim se apresenta a Cigana do Ouro, conhecida também como Letícia. Sua essência é feita de positividade, sorrisos fáceis e uma luz que encanta a todos que a procuram, mas sua personalidade carrega também firmeza, sabedoria e uma marca profunda de superação. Ela gosta de pessoas sinceras, honestas e de coração aberto; com elas, é generosa, atenciosa e entrega todo o seu conhecimento. Porém, não tolera desrespeito, mentiras ou falsidade — quando esses limites são ultrapassados, sua doçura dá lugar a uma postura firme e até agressiva, pois ela conhece muito bem o valor da dignidade e não permite que ninguém a subestime ou a ofenda.
Seus instrumentos de trabalho refletem quem ela é: punhais dourados que simbolizam proteção e poder, pedras coloridas que representam a riqueza da vida e a diversidade dos caminhos, o baralho que usa para desvendar destinos e guiar seus consulentes, e essências que carregam sua energia para limpar, atrair e fortalecer. Toda a sua sabedoria vem de uma história de vida intensa, repleta de perdas, lutas e vitórias — e é justamente essa experiência que ela coloca a serviço de quem busca sua ajuda, transformando o que viveu em luz para os outros.

Sua História

Letícia não nasceu na tranquilidade, mas sim na adversidade. Sua mãe pertencia a um bando de ciganos, mas foi excluída e expulsa quando engravidou de um homem que não era cigano. Sem destino, sem amigos e sem proteção, ela começou a vender o pouco que conseguira levar consigo ao ser afastada, e depois passou a trabalhar em casas alheias, trocando seu esforço apenas por um prato de comida e um lugar para dormir.
O pai de Letícia, antes de falecer, deixou um testamento que garantiu à filha metade de todos os seus bens e fortuna. Na época, ela tinha cerca de 14 anos, e foi sua mãe quem administrou tudo, garantindo que elas tivessem um pouco de segurança. Mas o destino reservava novas provações: aos 17 anos, Letícia ficou órfã, e seu padrasto, movido pela ganância, roubou tudo o que elas tinham e fugiu para um lugar desconhecido, deixando-a novamente sem nada, sem família e sem recursos.
Comovidos com a dor e a solidão da jovem, um casal de empregados antigos da família se compadeceu e ofereceu-lhe moradia e carinho. Letícia passou então a viver com eles, e juntos foram trabalhar em um garimpo, buscando na terra o sustento que lhes faltava.
Numa madrugada de lua cheia, ela teve um sonho que mudaria todo o seu caminho: seu pai apareceu e pediu que ela fosse até o garimpo, levando sua peneira, e procurasse em um aluvião próximo ao pé de um tamarindeiro — árvore cujo fruto era o seu preferido. Ao acordar, ela não hesitou. Seguiu a orientação do sonho, e depois de algumas horas de trabalho, encontrou duas belas pepitas de ouro.
Esperta, sagaz e com um faro natural para os negócios, ela soube transformar aquele achado em muito mais do que riqueza material. Usou o lucro das pepitas para negociar com outros garimpeiros, criou suas próprias rotas de comércio, expandiu seus negócios e se tornou uma das maiores comerciantes de ouro de sua região. Seu nome ficou marcado na história como lenda, símbolo de inteligência, força e capacidade de construir fortuna mesmo depois de ter perdido tudo.

Oferenda para Prosperidade

Para atrair a abundância, a prosperidade e a proteção da Cigana do Ouro, essa é uma oferenda especial, criada com elementos que ela ama e que representam sua trajetória e sua energia:
  1. Escolha um lugar sob uma árvore frondosa — de preferência um tamarindeiro, sua árvore querida.
  2. Estenda no chão um pano de cor dourada.
  3. Pegue um papel branco e escreva a palavra PROSPERIDADE sete vezes, usando caneta azul. Coloque esse papel sobre o pano.
  4. Cubra o papel com folhas frescas de hortelã e polvilhe tudo com açúcar cristal, para adoçar os caminhos e atrair coisas boas.
  5. Sobre tudo isso, coloque um espelho redondo. Pingue sobre ele algumas gotas do seu perfume preferido — aquele que você usa no dia a dia ou que mais gosta.
  6. Prepare um buquê com flores sempre-vivas, margaridas, rosas ou quaisquer flores de cor amarela. Faça um laço bonito com uma fita de cetim azul e coloque-o ao lado do espelho.
  7. Ao redor do arranjo, despeje um copo de licor de tamarindo ou de pêssego — sabores que agradam muito à Cigana.
  8. Reze um Pai Nosso e ofereça todo o trabalho à Cigana Letícia. Não é necessário acender velas nessa etapa.
Guarde o restante do licor na garrafa e leve-o para sua casa. Todas as quintas-feiras ou domingos, faça o seguinte ritual complementar:
  • Coloque um pouco desse licor em um cálice de vidro.
  • Escreva seu nome em um pedaço de papel, e logo abaixo, a palavra PROSPERIDADE (exemplo: Maria – PROSPERIDADE), e coloque o papel ao lado do cálice.
  • Acenda uma vela amarela e uma vela azul.
  • Reze um Pai Nosso e ofereça tudo ao seu Anjo da Guarda, que caminha sempre ao seu lado e auxilia na realização de tudo o que é bom.
Letícia caminha ao lado de quem tem coragem, de quem não se deixa vencer pelas perdas e de quem sabe valorizar a sinceridade. Ela traz prosperidade, mas também ensina: a maior riqueza é a dignidade que a gente constrói, passo a passo, ao longo da vida.


terça-feira, 15 de setembro de 2020

A CIGANA QUE VIVE EM TODA MULHER

A CIGANA QUE VIVE EM TODA MULHER

Quem é a dona do jogo? Quem é que dá as cartas, embaralha, corta e dispõe sobre a mesa os segredos de nossas vidas?
É a Cigana, um espírito de luz, que nos a traz a beleza do arco-íris com a sua saia colorida.
Com o bater do seu pandeiro, lembra que precisamos de ritmo e pulso para vibrar nossa energia.
Com seu baralho precioso nos adverte acerca dos perigos escondidos.
Em troca de moedas, enriquece nossas mentes com recursos inesgotáveis que nos tornam vencedores.
Antes de tudo, a Cigana é uma mulher também e, como toda a espécie feminina é uma rosa que desabrocha espalhando seu perfume e sua beleza por onde passa.
Toda mulher tem, ainda que não revelado, exteriormente, uma alma Cigana, pois conhece profundamente todos os mistérios que o destino lhe reserva.
Sua adaptabilidade e versatilidade fazem seu primeiro ensaio ainda na adolescência, quando ela aprende que o seu corpo se modifica.
A partir daí, ela já pode ser a geradora de um novo ser que evoluirá espiritualmente na Terra.
A Cigana tem na fertilidade o seu valor reconhecido como mulher.
Não existem acampamentos ciganos sem burburinho de crianças.
Seu feitiço, sedução e magnetismo feminino vão aumentando com a chegada à vida adulta.
Nesta fase áurea a Cigana desperta-lhe a consciência de que tudo que um homem faz, tem como objetivo principal, a mulher.
No fundo, o que move o ser masculino é percorrer estradas e caminhos para conquistar a figura feminina.
A dona do ouro, da prata e das pedras preciosas também é a mais rica das criaturas porque nasceu mulher.
A Cigana tem a alma livre, porque como toda fêmea só se prende quando quer.
A mensagem do Baralho Cigano Lenormand está sintetizada na Carta 29 que apresenta em seu arquétipo a figura feminina que predomina no jogo da vida.
Sua posição no jogo, identifica onde mora a nossa percepção, a nossa intuição e a força motriz que movimenta e alimenta nosso presente para edificar nosso futuro.
A Cigana aparece em nosso jogo para dar a direção das estrelas e a força para cumprir nosso destino.

sábado, 12 de setembro de 2020

A CIGANA CONXITA

A CIGANA CONXITA

É uma linda cidade, a cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolivia.
Conxita estava no acampamento cigano. Quando se aproximou dele uma moça bonita, de olhos doces e voz suave, Conxita foi a ela e perguntou o que uma moça tão bonita estava fazendo ali. A moça respondeu:
_ Deixei minha terra e vim viajando para tentar a vida e ganhar dinheiro, para sustentar minha família.
Logo veio a amizade entre elas. Conxita disse para a moça:
_Pode ficar conosco, pois você não tem ninguém, nem dinheiro para viajar.
Cinco minuto depois, Conxita , que olhava a moça, disse:
_ Você parece minha irmã.
A moça perguntou onde estava onde  estava sua irmã . Conxita respondeu:
_ Ela abandonou o acampamento e foi atrás de um rapaz por quem estava apaixonada, e nunca mais soubemos do seu paradeiro. Você, querida parece muito com ela. Minha irmã quando nos deixou, tinha 17 anos. Hoje, ela estaria com 37 anos.
A moça espantou-se:
_ Que coincidência, Conxita! Minha mãe tem 37 anos e eu sou a copia dela. É estranho, mas na minha família só se fala nos parentes do meu pai. Nunca soubemos dos parentes da minha mãe.
Conxita mudou o assunto
_Vamos para a barraca, a tsara. Ali você ficará e de manhã levantaremos o acampamento.
Deixando a moça na barraca, Conxita, que se sentia estranha, foi falar com Bóris:
_ Boris temos uma moça no acampamento.
Boris respondeu:
_ Isso não pode acontecer, pois você sabe que não devemos deixar estranhos em nossa barracas nem no acampamento
Mas Conxita falou:
_ Essa moça se parece muito com Lilliaq. Tenho certeza de que é filha de minha irmã.
Bóris perguntou:  Tens certeza do que esta falando?
E Conxita disse:
_ Tenho. Ela é nossa sobrinha Boris.
_ Vamos esperar, Conxita. Amanhã levantaremos o acampamento e iremos para Cochabamba. Lá falaremos sobre isso. De manhã, os ciganos levantaram acampamento e a moça foi com eles. Depois de muitas noites e dias, chegaram a Cachambamba, armaram as tsaras e acenderam as fogueiras, pois já era noite. Boris chamou Conxita, Rochiel, Killiq e a moça para conversar, e aproveitaram para fazer-lhe perguntas. A primeira foi Conxita.
_ Querida como é seu nome?
_ Eu me chamo Sara Rodrigues.
_ Quem lhe deu este nome? Foi seu pai ou sua mãe?
_ Foi minha mãe, pois ela é devota de Santa Sara.
_ Querida como é o nome do seu pai?
Ricardo Rodrigues.
_ E de sua mãe?
_ Saramim Rodrigues. Por isso é que ela é devota a Santa Sara: pelo seu nome.
O segundo a fazer perguntas foi Rochiel.
_ Sua mãe tem na orelha direita uma bolinha como se fosse um brinco?
A moça espantou-se:
_ O senhor conhece minha mãe? Não é possível, ela está muito longe daqui!
_ Sua mãe gosta de sentar em cima das pernas?
_ Sim ela tem essa mania.
_ Você tem irmãos?
_ Sim, somos seis.
_ Qual o nome dos seus irmãos?
_ Eu sou a mais velha, Sara; o segundo é Ricardo, a terceira é Conxita. Foi por isso que me apeguei em você, Conxita, pois tem o nome da minha irmã. O quarto e quinto são gêmeos, Killiaq e Lilliaq; são nomes estranhos. Uma vez. Perguntei a minha mãe por que esses nomes, e ela me disse que, quando estava grávida deles, sonhou com um bando de ciganos; um rapaz dizia ser seu irmão seu irmão gêmeo e queria que ela colocasse o nome dele no menino e o dela na menina, e dizia que seu nome era Lilliaq e que o dele era Killiaq. E quando meus irmãos nasceram, ela colocou esses nomes. A sexta é Elizabette, que minha mãe dizia ser a deusa do Sol, mas nunca me explicou o porque dessa palavras.
O terceiro a perguntar foi Killiaq.
_ Não sei o que vou perguntar, pois estou emocionado com as suas respostas- Respirou, olhou a moça e perguntou:
_ Querida onde esta sua família?
_ Minha família esta no Brasil.
_ Seu pai é bom para sua mãe?_ E nesta hora seus olhos encheram de lagrimas que rolaram pela face.
_ Meu pai adorava minha mãe e foi muito bom para ela. Foi pena que não teve muita sorte no trabalho e não pode dar a minha mãe o conforto que ela merecia. Na hora de sua morte, ele falou: “ Saramim, queria ser um homem rico para cobri-la de presentes, pois você o merecia. Você é a mulher mais forte deste mundo, pois, por amor a mim, deixou tudo de lado. Eu a amo e sempre irei amá-la.” Foi quando ele morreu em seus braços.
Nesta hora, os ciganos choraram e abraçaram a moça.
Bóris pergutou-lhe:
_ Querida por que você veio para cá? Foi por estar sem emprego, foi por que?
_ Foi para tentar ganhar dinheiro e dar conforto a minha família, por causa das palavras de meu pai na hora da sua morte. Foi isso que me fez tomar esta atitude.
Todos os ciganos resolveram ajudá-la. Ela tornou-se uma cigana de fato, viajando para ali e para cá, fazendo previsões, lendo as mãos, pois ela tinha este dom desde menina; já na escola, previa as coisas para os coleguinhas; e não foi difícil aprender os hábitos e a doutrina dos ciganos. Depois de três anos, ela chamou Conxita e disse:
_ Irei para o Brasil, levar algo para minha mãe e meus irmãos. Conxita já decidi, vou trazer minha família para cá.
Então Conxita disse:
_ Agora é hora de nós duas conversarmos, querida Sara. Você é filha de minha irmã Lilliaq, que deixou o acampamento com o seu pai Ricardo Rodrigues. Sou sua tia; Boris, Richiel, e Killiaq são seus tios e sua mãe é gêmea de Killiaq. Quando você chegar a casa, vá com calma, para não ter problemas com sua mãe.
Sara voltou para o Brasil. Chegando a casa, contou tudo para a mãe, que caiu em prantos dizendo:
_ Não é possível que o destino tenha nos colocado de novo junto com meu povo! Será que eles ma perdoaram por ter abandonado minha doutrina e minhas raízes por amor, minha filha?
_ Sim, mãe; você é cigana e eles estão de braços abertos para recebê-la. Vim buscá-la, vou levá-la para junto dos seus irmãos, pois somos uma família cigana.
_ Ricardo não vai querer ir, já tem 21 anos e quer seguir seu caminho. Conxita está casada e já tem uma filhinha, não pode deixar o Brasil. Killiaq e Lilliaq estão com 19 anos e Elizabette tem 18 anos.
_ Mãe o que quer dizer Elizabette?
_ É a rainha do Sol, a deusa do Sol e do fogo, é o segundo nome de Salamandra, a rainha do fogo vivo.
Assim, partimos, eu, minha mãe e meus três irmãos.
Chegando ao acampamento, fomos recebidos com muito amor e carinho pela nossa família cigana. Conxita e minha mãe ficaram abraçadas por mais de cinco minutos e o Sol mandou seu raio de luz sobre a cabeças das ciganas. O cigano killiaq aprocimou-se de Saramim e disse:
_ Eu a perdôo por ter-me deixado. Somos filhos do vento e ele sempre traz o que levou.
Desde então, ficaram muito felizes.
Killiaq, passou a ajudar os tios a tomar conta da tribo; Sara se casou logo ficou grávida. Logo a seguir, Lilliaq ficou noiva, casando-se em breve; e. muito tempo depois, Elizabette se tornou a cigana mais famosa da Europa, sendo conhecida pelo o nome de Madame Lilliaq de Devison.
( está é uma historia verdadeira)
7
Extraído do livro: Mistérios do povo Cigano,
Autoras; Ana da Cigana Nastasha
               Edileuza da Cigana Nazira
Editora; Pallas Distribuidora Ltda.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

A HISTORIA DA POMBA GIRA CIGANA CLAUDIA

A HISTORIA DA POMBA GIRA CIGANA CLAUDIA


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

A HISTÓRIA DA CIGANA SARA MENINA

A História da Cigana Sara Menina.

Foi numa noite de luar que a vi,
noite bela de céu estrelado,
sem pensar parei perto de ti,
com sua dança me deixou encantado.

    Menina Cigana ou Cigana Menina,
a ti peço para ler a minha mão,
ela a mim chegou e apenas sorria,
Cigana tão linda me dê proteção.

    No Céu estrelado a Lua a Brilhar,
na minha mão a sua mão tão pequenina,
encanta com fascínio a quem dela se aproximar,
Bela Cigana linda rainha Sara Menina.

    A linda Ciganinha Sara Menina, tem sua história encarnada em
várias regiões do Brasil., pois seu povo nômade por estar sempre a
viajar sem paradeiro, tinha a felicidade de conhecer várias e várias
regiões por todo o mundo.

    Essa Ciganinha era muito sorridente, tinha o dom da quiromancia
(arte de ver o futuro das pessoas pelas linhas da palma da mão), tinha
o frescor das flores, a leveza dos ventos no qual fazia dessa Cigana
uma dançarina sem igual. De pouca idade e com uma face digna de uma
princesa, a Cigana Sara Menina chamava a atenção em todos lugares que
estava, e tanto Ciganos ou Gadjos ficavam encantados com tanta beleza
daquela Cigana de olhar infantil.

    Logo que entrou na adolescência, a jovem Sara foi apresentada como
a mais nova futura noiva de algum Cigano, que deveriam ser levados
pelos pais até o pai da Ciganinha, a vontade de desposá-la, tendo que
para isso demonstrar as suas riquezas, pois aquele que mais tivesse
bens, seria o escolhido para ser o futuro noivo da menina.

    Mas na mente da menina Sara, não era justo essa colocação sobre a
vida dela. Ela tinha sonhos, vários sonhos, e entre esses sonhos, o de
se casar por amor, o de poder escolher a pessoa que iria acompanhá-la
pelo resto da vida, fora que ela se achava extremamente nova na idade
para ter um compromisso desses.

    Sara também tinha outros sonhos, o de ser tão respeitada como sua
Madrinha, uma Cigana de meia idade, que era a senhora das porções
mágicas, a que ajudava a todos, a que não era submetida as vontades
dos homens do clã, pois fazia o que desejava, na hora que desejava,
sem que o chefe de seu povo mostrasse insatisfação com isso.

    Sara queria ser independente assim como sua madrinha, e dessa
madrinha que aprendeu muitas e muitas lições sobre o mundo oculto e
espiritual dos Ciganos. E com isso ela percebeu que poderia mudar seu
destino, não que não se orgulhasse de sua mãe e de todas as outras
Ciganas, que realizavam um trabalho constante e duro que era feito nos
acampamentos, mas ela achava que poderia fazer muito mais, poderia
fazer a diferença, poderia ajudar muito mais com sua benevolência,
sua magia, seu carinho e seu amor para com todos os semelhantes,
sendo Ciganos ou Gadjos.

    Com acerto entre famílias, a Cigana Sara Menina teve seu
pretendente escolhido, era um jovem rapaz que tinha orgulho de seu
povo, e orgulho maior de suas tradições, entre elas a de fazer a
da esposa uma mulher submissa, que deveria seguir as ordens e a
vontade do marido, ser a guardiã dos filhos, e se submeter as ordens
não só do esposo mas também de toda a família dele.

    O pai de Sara gostou do acordo feito e ordenou que o entrelace
deveria ser feito dentro de 3 meses, e que todos deveriam se preparar
para a festa, que duraria ao menos 3 dias.

    Sara entristecida mas obediente aceitou sem mencionar a sua
verdadeira vontade, a vontade de ser livre, de ajudar a quem
necessitava, de fazer a caridade.

    Tudo aquilo ligado ao seu povo era muito pequeno para os sonhos da
menina, mas ela acreditava que não teria como fugir de seu destino.

    Certo dia Sara teve que ir ao encontro de uma velha Cigana, Cigana
essa que fazia as imantações, fazia os ensinamentos, fazia as regras
que uma jovem Cigana, que estava prometida em casamento a um Cigano,
deveria entender e fazer tudo conforme o ensinado e determinado.

    Entre essas lições, ela tinha que aprender a abordagem a pessoas
dos arraiais próximos, para que assim fosse demonstrado seu dom de
quiromancia, vidência, mostrar que estava preparada a falar do
passado, presente e futuro de alguém, ao troco de algumas moedas, ou
joias, sendo esses rendimentos levado ao esposo, como forma de
gratidão por ele a tê-la desposado.

    E assim foi feito pela menina Sara, sendo olhada de longe por sua
mestre de magias, ela se infiltrava no meio do povo, que demonstravam
um certo receio de chegar perto da pequena Cigana.

    Nesse momento ela sente alguém segurar em seu braço. com um leve
sobressalto ela olha fixamente em direção a pessoa que ainda estava a
segurando.

    Era um rapaz branco, de sorriso leve, olhos brilhantes, tinha suas
vestes surradas, e que logo foi lhe perguntando se ela poderia ver
seu futuro.

    A menina com um olhar desconfiado, mas um tanto encantada com o
rapaz, respondeu que sim, poderia mas queria algumas moedas em troca.

    Após o acordo feito ela pegando na mão do gadjo, começou a falar.

    "Você é um moço guerreiro, vive para e pela caridade. Tem no
sangue a vontade de justiça, e está aqui de passagem. Terá muitos
inimigos, mas terá muitos que vão guardar seu nome, seu rosto, seu
carinho e sua caridade até os últimos dias de vida. Não terá ouro nem
prata, mas terá a benção do Pai Maior em sua evolução espiritual. Sua
vida parece não ser longa, assim como longa também não será a vida de
sua companheira de jornada. Vejo sangue, muito sangue em seu caminho.
Desamor, injustiça, morte. Vejo crianças mutiladas, grandes crateras
tomadas por corpos inertes. Vejo você chorando. Vejo você abraçado a
uma moça, seu rosto não aparece. Ela parece chorar. Dois grupos estão
tentando eliminar vocês. Estão abraçados. Gritos, armas de fogo, armas
brancas. Vocês..."

    O rapaz atento pergunta: "Vocês?"

    Ela entristecida cerra os olhos, se cala, e diz: "Acho que estou
enganada. Desculpe, tome de volta suas moedas." E sai em disparada,
sem que o gadjo consiga a alcançar no meio da multidão.

    A menina Sara vai de encontro com sua mestre nas magias Ciganas,
em desespero pedindo para que voltassem ao acampamento. A mulher
Cigana a olha no fundo dos olhos e diz a pequena assustada que a vida
as vezes prega peças grandiosas, e que aquele momento tinha se criado
uma nova era para a pequena, daquele instante para frente muitas
coisas poderiam mudar, ela poderá conhecer novos horizontes e novos
caminhos, novas pessoas e novas caridades, novas alegrias e novas
tristezas, novos sentimentos, como o puro amor e a dor do ódio, poderá
entender e até ultrapassar a linha da vida com a da morte.

    Dizendo isso a Cigana que era a dona das magias pega na mão da
menina e a leva a passos largos para o acampamento, pedindo a ela que
rezasse, orasse e clamasse a Santa Sara Kali por proteção e luz na
hora de sua caminhada de aventuras e de dor extrema.

    A menina ainda sem entender muito bem todas aquelas palavras da
velha Cigana, fez o que lhe foi mandado. Contudo uma coisa ainda a
perturbava a mente entre uma oração e outra. E era a imagem do jovem
gadjo, a imagem de seu sorriso, a imagem de seu olhar.

    Sete dias se passaram, e numa tarde de primavera, Sol em alta, céu
azul cintilante, a jovem Sara foi aos pés da cachoeira se banhar, e no
caminho se depara com o gadjo, que tanto lhe chamou atenção.

    Ela se afasta um pouco das outras Ciganas, e por entre as árvores
para diante do rapaz.

    Após um pequeno diálogo, ela sente-se eufórica, feliz como nunca
havia se sentido antes. Sabia que era um sentimento que jamais
sentira, e sabia que era algo relacionado com a presença do gadjo.

    A partir desse dia os encontros se tornaram frequentes, dia após
dia a menina Sara conseguia escapar das vistas das Ciganas, do
acampamento e das correntes de seu clã para ir ao encontro do jovem
rapaz.

    Muitas eram as conversas, muitas eram as aventuras contadas pelo
rapaz. Ele era uma pessoa caridosa, tinha nas veias o sangue de um
guerreiro, que se importava com tudo e todos. E foi numa dessas
conversas que o jovem conto a menina sobre seu trabalho árduo de
libertar, acalentar, cuidar, proteger crianças órfãs judias e nômades,
que eram caçadas pelos atrozes homens da guerra.

    Sara se encantou com tudo isso, e decidiu que esse era o caminho
para demonstrar sua caridade. Desejava fortemente fazer parte desse
trabalho. Decidiu abandonar seu clã, suas tradições, seu pretendente,
sua vida cigana. Sentia no coração a chama da caridade. Seus olhos
brilhavam, seu coração pulsava rapidamente.

    Após uma longa conversa, os dois decidiram, partir para longe do
clã, em busca de auxiliar essas crianças. E assim foi feito.

    Durante algum tempo resgataram as crianças órfãs, levando-as para
esconderijos, dando-lhes alimentos, medicamentos, proteção e amor.

    Sara e o jovem gadjo, apaixonados, faziam juras de amor entre si.
E juntos planejavam novos resgates de crianças em campos de
extermínio, que eram usados pelos homens da guerra para assassinar
esses seres inocentes.

    Soldados nazistas que espalhavam um ódio sem limites, começaram a
perseguir o jovem casal, principalmente após saberem que era uma
Cigana que estava indo contra as ordens sangrentas dadas pelo primeiro
escalão da guerra.

    Muitas perseguições passaram a acontecer sobre o casal. Sara que
tinha a vidência Cigana, conseguia analisar e escapar de tantas e
tantas emboscadas. Mas com a mente voltada para tantas e tantas
covardias feitas pelos soldados nazistas, Sara se fixou somente a
esses atrozes, esquecendo-se de seu antigo prometido a entrelace.

    O jovem Cigano que antes tinha a menina Sara como prometida, não
poderia aceitar, pelas suas tradições, que sua futura esposa o
deixasse, que ela descumprisse o acordo firmado entre as famílias, que
ela fugisse do acampamento sem dizer nada. Ele estava desonrado, e só
teria um modo de voltar a ser respeitado dentro do clã. A morte de
Sara.

    Ele partiu em busca de limpar sua honra, principalmente após
descobrirem que a jovem tinha fugido com um gadjo. Ambos deveriam
morrer.

    Meses e meses se passaram, a guerra continuava, milhares de
crianças judias e nômades foram salvas pelas mãos do jovem casal. E o
Cigano que buscava pela justiça não desistia de encontrar a menina
Sara e seu amor proibido.

    Até que certo dia, em uma das milhares de fugas, Sara e o jovem
gadjo se encontraram encurralados pelos soldados do mal. Em uma
pequena clareira cercados por uma dezena deles, o casal não sabia o
que fazer. Vendo o ódio nos olhos dos soldados, Sara se lembrara das
palavras da velha Cigana no dia em que encontrou o jovem gadjo pela
primeira vez, lembrando-se também das suas próprias palavras ao ler as
linhas da mão do jovem que lhe trouxe tantos sentimentos lindos.

    Ela sente lágrimas rolarem em seus olhos. Sabia que o fim estava
próximo. Sabia que era o momento de se separar de seu amor, o momento
de não mais poder fazer a caridade para aquelas tão sofridas crianças.
Lembrou que ela mesma ainda era uma criança,.

    Olhou para o rosto sofrido de seu amado, escutou um estampido de
arma de fogo, viu o sangue do gadjo nascer do seu peito, viu o ultimo
sorriso tímido do rapaz para ela, viu seu corpo caindo inerte ao chão,
viu a morte chegando e levando a alma límpida do rapaz.

    Em sua volta soldados de armas em punho, gargalhavam a morte do
rapaz. Ela cai de joelhos, e no seu silêncio mental e entimo clama
por sua Amada Santa de devoção, a linda Santa Sara Kali, pedindo-lhe
que acolha o espírito de seu amado, que a proteja, e que sua dor dessa
perda sendo maior que a dor de seu próprio desencarne, ela pede
humildemente que a morte também a levasse, pois acreditaria que
nunca sentiria uma dor tão grande, como a dor de ver aquele jovem
rapaz com seu corpo ao chão banhado de sangue, o sangue do heroísmo e
da coragem de lutar em favor da caridade feita as pobres crianças
órfãs. As crianças que também deveriam ser eliminadas pelo terror da
guerra, se esse jovem gadjo não tivesse entregue sua própria vida para
tentar salvar, uma a uma desses pequenos seres que estavam morrendo,
sem ao menos entender o porque.

    A pequena Sara de cabeça baixa em suas orações, por um instante
ergue os olhos já esperando pela sua morte pelas mãos dos sangrentos
soldados, que já se preparavam para atacar a jovem, quando sem que
esperassem foram atacados por um grandioso grupo de Ciganos,
liderados pelo jovem Cigano que um dia a menina Sara fora prometida
por seu pai.

    Nesse ataque inesperado, muitos soldados desencarnaram, assim como
alguns Ciganos, mas como o número de Ciganos era maior, os soldados
nazistas bateram em retirada, tentando salvar a própria vida.

    O jovem Cigano chegando ao encontro de Sara, ergue-lhe as mãos
para auxiliar que ela se levantasse do chão empoeirado e com sangue a
todos os lados.

    Sara se encontrava ilesa, apesar da grande luta entre Ciganos e
Soldados, mesmo ela ao centro de todo acontecimento, ela não tinha
nenhum ferimento aparente, a não ser de seu coração dilacerado pela
perda de seu jovem gadjo.

    Os Ciganos rapidamente saíram do local em questão, pois era certo
que soldados retornariam para uma vingança sobre os seus atrozes
atacantes. Sara fora levada junto, mesmo desejando ficar, pois o corpo
de seu amado ainda se encontrava no local, que nesse momento estava
rodeado por curiosos e alguns aproveitadores, tentando pegar algo de
valor nos bolsos do jovem falecido, sem o menor constrangimento e o
menor respeito.

    Sara ao ver o que se passava, tentou se livrar das mãos dos
Ciganos que a puxavam fortemente para que ela acompanhasse o grupo. O
jovem Cigano, sem esboçar um só gesto facial, continuava seguindo a
frente de seu grupo, como que se as ações da menina Sara não lhe
chamasse atenção.

    Sara partiu chorando copiosamente, presa nas mãos de outros
Ciganos, como uma verdadeira prisioneira. E assim partiram em direção
do acampamento de seu povo.

    Ao chegar ao acampamento, o Cigano na qual a menina Sara era
prometida, manda reunir todos os clãs, que ali se encontravam para os
festejos do casamento de ambos.

    Os Ciganos se reuniram na clareira, onde estava uma grande
fogueira acesa, que na tradição daquele povo, era para iluminar o
futuro casal, para terem fartura, saúde e tudo mais que um jovem
casal Cigano buscava ao se entrelaçar matrimonialmente.

    Os pais e todos os familiares da menina Sara se encontravam em um
único canto do acampamento. Eles, ainda desonrados pela fuga de Sara
com um gadjo, não compreendiam o aceite do jovem Cigano, que mesmo
após a desonra, ainda fora buscar sua ex pretendida, e fazia todas as
honras que uma jovem Cigana receberia no dia de seu matrimônio.

    Mas algo estava incomodando, não só a Sara, mas a todos do
acampamento. O jovem noivo, diferentemente de outros Ciganos que
sorriam, dançavam, cantavam as músicas lindas ciganas, bebiam
festejando os noivos, ele apenas fixava seu olhar a Sara, sem dizer
uma palavra, sem esboçar um sorriso, demonstrando em seu olhar um ódio
grandioso por tudo que tinha ocorrido.

    Sara por sua vez, sem receio fixou o olhar nos olhos do rapaz, e
pausadamente diz com a voz um pouco rouca, ainda abafada pelo choro e
pela dor de perder seu amor.

    "Sei que seu ódio é maior que seu amor. Sei que toda essa festa é
para você demonstrar seu poder, e o poder de sua família diante de
nosso povo. Sei que essa noite irei ao encontro de meu amado. E sei
que esse amado não é você. Se você acha que me tirando a vida estará
me fazendo mal, está enganado, pois você não pode me tirar algo que já
não tenho mais. Minha vida se foi juntamente com a vida de meu herói,
herói que deu sua própria vida pela vida de crianças que ele nem
conhecia, coisa que você nunca faria. Pois você pode se considerar um
guerreiro Cigano, mas nunca chegará a ser um herói, pois só busca a
guerra, e a guerra apenas de seus interesses. Você nunca será um
herói, apenas um Cigano desonrado. Sei que vai me matar, não sei
quando, mas sei que vai. Vejo sangue, vejo ódio, vejo sua falsidade em
seus olhos. Mas estou em paz, pois vejo minha Santa Sara me
protegendo, me levando, me mostrando um caminho para que continue
minha caridade a meus semelhantes, coisa que seu egoísmo nunca o
deixará fazer."

    Ouvindo essas palavras o Cigano jovem, se levanta, vai até o
centro do acampamento, chama a atenção de todos, a música para, o povo
se silencia, a família de Sara se aproxima a pedido do rapaz.

    Ele com um tom de voz firme, mas um tanto irônico, começa seus
dizeres, que após alguns dias de buscas, cá estava ele pronto para seu
casamento com a jovem prometida. Pede para dois Ciganos trazerem a
menina Sara, que chega até junto do rapaz. Ele com os olhos vermelhos
de ódio, esboça um leve sorriso, dizendo: "Você Sara, está prometida a
mim, seu pai fez o acerto com o meu, não tem como fugir de seu
destino. Esteve distante por algum tempo, mas agora está aqui. Você é
minha, e eu determino o que será de seu futuro."

    Sara com um olhar serio mas sereno diz ao Cigano: "Meu destino
está nas suas mãos. Minha vida lhe pertence até o brilhar de sua
adaga pelo clarão da Lua e de sua covardia. Estou em suas mãos aqui,
mas logo estarei nas mãos e na proteção de Sara Kali, onde poderei
voltar a ser feliz fazendo o bem e sem precisar me esconder dos homens
da guerra e Ciganos do mal."

    O Cigano fecha o semblante, retira de seu bolso um anel de ouro,
tendo esse anel um detalhe de estar quebrado, que dentro das tradições
e crenças ciganas significa que o compromisso não existe mais. Mas
mesmo assim ele o coloca no dedo de Sara, enquanto todo povo não
compreende as verdadeiras intenções do Cigano.

    Ele abre um sorriso irônico, abraça a menina Sara, e nesse abraço
tira sua adaga da cintura e crava nas costas da Cigana sob o olhar
atônito de todos que ali se encontravam para acompanhar o casamento.

    Ele ainda abraçado ao corpo de Sara, diz em seu ouvido: "Esse é
meu presente para você, a minha prometida, estou livrando a ti de
passar o resto de sua vida com um homem que você não ama, que você não
admira, que você não vê como um herói. Meu presente para você é a
morte"

    Sara, sentindo seu sangue ser perdido, as forças sendo
exterminadas, a dor que percorria todo corpo, sussurra baixinho a seu
atroz assassino dizendo: "Agradeço seu presente, perdi a vida, mas
ganhei a luz em poder evoluir ajudando a quem necessita, ganhei a
felicidade de poder estar junto com minha amada Santa Sara, ganhei a
benção de poder tirar essa dor de não estar com quem realmente me
mostrou a verdadeira caridade, ganhei a liberdade de poder caminhar
sem ser escrava de um Cigano covarde que não sabe o significado da
palavra amor. Só posso dizer-te, muito obrigado."

    Ele retira a adaga das costas de Sara, e ela cai ao chão, inerte,
mas com um semblante calmo e sereno. Ele olha suas próprias mãos com o
sangue da jovem, se desespera, grita, se joga ao chão, abraça o corpo
da menina sem vida, e vendo que ela não responde seus apelos, se
levanta em um desespero extremo, vai para o centro da fogueira, salta
para dentro das chamas ardentes, e com a adaga na mão a insere em seu
próprio peito já em chamas.

    Seu corpo queimado desaparece em meio das chamas. Ciganos e
Ciganas sem saber o que fazer, apenas olham com um olhar atônito, os
familiares gritam pelo seu nome, mas o rapaz nesse momento já se
encontrava morto.

    A noite com o clarão da Lua, fica mais clara com um grande feixe
de luz, que saia das estrelas vindo ao encontro com o corpo da menina
Sara. Desse feixe os Ciganos boquiabertos, viram a imagem da Santa
padroeira daquele povo, e claro da jovem menina, essa imagem desce
até o local que Sara se encontrava, e diante de todos, a imagem de
Santa Sara Kali retorna levando pelas mãos o espírito da menina Sara,
uma espírito iluminado, que demonstrava sorrir, roupas claras, e em
sua mão esquerda o anel de ouro partido.

    O feixe de luz foi se desaparecendo, enquanto muitos Ciganos
caíam de joelhos em orações, outros choravam a partida da menina, e
outros rogavam proteção.

    Sara Menina a partir desse dia foi conduzida ao reino de Entidades
de Luz, e hoje trabalha em prol da caridade em terreiros de Umbanda,
trazendo ensinamentos, pedindo proteção as crianças, mostrando os
males da guerra, os males do ódio, os males que todos seres humanos
buscam com seus sentimentos mesquinhos e intolerantes, sendo esses
seres humanos de todas as raças, etnias, posição social, modo de
pensar, seja eles Ciganos ou Gadjos.

    Que a Cigana Sara Menina nos proteja, nos guarde e nos mostre como
podemos evoluir para um caminho de luz que nos leve aos braços do Pai
Maior.

    Saravá a Cigana Sara Menina!

Opchá Povo Cigano!

Carlos de Ogum.