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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Calunga - Trecho 45 "O vento soprou na Calunga, coveiro morria de frio, saiu de uma cova bem funda a mulher que lhe sorriu."

 Calunga - Trecho 45
"O vento soprou na Calunga, coveiro morria de frio, saiu de uma cova bem funda a mulher que lhe sorriu."


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"O vento soprou na Calunga, coveiro morria de frio, saiu de uma cova bem funda a mulher que lhe sorriu."

- Já foi vê-lo hoje João?
- Acabo de vir de lá. Ele está bem amparado Quitéria. Apesar de tudo, está bem amparado. Os filhos da terra só aprendem na dor. Quem esquece de si transborda dor. Ele se abandonou.
- Maria Padilha já havia dito que acabaria assim, mas ele é teimoso e não escuta ninguém. 7 Mortalhas está o tempo todo com ele também. Nós nunca o abandonaremos. É missão.

- Chame menina Maria Padilha pra mim Quitéria? Ela anda sumida e preciso conversar com ela. Preciso dela em minha próxima ida em terra. Vamos eu, você, menina Padilha e 7 Mortalhas.
- Eu sei onde ela está. Vou chamar sim. Menina Padilha tem trabalhado muito João.
- Fico feliz que ela tenha encontrado o caminho. Nunca é fácil, mas todos, seja aqui ou na terra, um dia encontram seu caminho. Se ajustam ao caminho mudando o jeito de caminhar.

- Não é bom chamar o Zé também?
- O Zé não sai de lá. Ele é quem está lá agora, equilibrando, dando jogo de cintura. Um bom Malandro nunca deixa ninguém só. Um bom Malandro nunca abandona os seus. Além disso, todo o povo está lá. Cada qual em seu momento, atuando sempre. Ele tem tido visões com a mata e o caboclo. Só não entendeu ainda onde tem de ir. Onde tem de voltar. Ou melhor, sabe mas não acredita. E se ele não acreditar nele ficará difícil a caminhada. É só ir e ver.

- O velho Pai Antônio sempre fala: o que é difícil fica fácil. Se ele parar um tempinho, respirar e mentalizar a espiritualidade vai ter todas as respostas que busca.
- Todas. Ele não acredita é na força que tem. Ele me viu caminhando, subi as escadas na frente dele. Só viu o vulto da minha capa e sentiu sua pele arrepiar. Mas dentro dele fica se perguntando se é verdade. Ele tem que aceitar a missão. Viver a vida, viver a espiritualidade, ajudar-se para ajudar.

- Quem deposita a esperança de sorrir no outro, quebra a cara e acaba chorando. Quando estive em terra, em minha última encarnação, tive uma grande decepção, sofri e morri amargurada, sozinha. Esperava o amor de um homem que queria ter todas as mulheres do mundo.
- Mas desta vez ele aprendeu a lição. Conheço meu menino. Ele está encolhido, ajeitando e juntando as coisas. Quando se levantar, vai assustar muita gente. Luz ele tem. Resta saber onde iluminar.

No mundo espiritual formam-se egrégoras de força e a sintonia de lá junta-se com a sintonia daqui. Nada é em vão, nada é por acaso. As regras são simples, aprende quem quer ou cai até aprender.