sexta-feira, 1 de maio de 2026

DONA SETE GARGALHADAS : O RISO QUE CORTA ILUSÕES E A FIRMEZA QUE PROTEGE CAMINHOS

 

DONA SETE GARGALHADAS : O RISO QUE CORTA ILUSÕES E A FIRMEZA QUE PROTEGE CAMINHOS

DONA SETE GARGALHADAS 🍾🍸⚘: O RISO QUE CORTA ILUSÕES E A FIRMEZA QUE PROTEGE CAMINHOS

Há entidades na Umbanda que não chegam com o silêncio da contemplação, mas com o eco de uma risada que rompe o ar, quebra tensões e, ao mesmo tempo, exige postura. Dona Sete Gargalhadas é uma dessas forças. Vinda da falange de Maria Padilha, ela não é apenas uma Pomba Gira; é uma guardiã de fronteiras, uma senhora da verdade nua e crua, e uma das comandantes da Legião da “Encruzilhada do Espaço”, ao lado de Exu Sete Gargalhadas. Seu nome não é acaso: o riso é sua ferramenta, sua assinatura e, muitas vezes, seu instrumento de cura e limpeza espiritual.

A ENCRUZILHADA DO ESPAÇO E O COMANDO EM DUPLA

Quando se fala em “Encruzilhada do Espaço”, não se trata apenas de um ponto físico onde ruas se cruzam. É um eixo energético, um limiar dimensional onde as vibrações se encontram, se chocam e se reorganizam. É nesse território que Dona Sete Gargalhadas e Exu Sete Gargalhadas atuam em perfeita sinergia. Ele abre os caminhos materiais e espirituais; ela dissolve as ilusões, os apegos e as energias estagnadas que impedem a vida de fluir. Juntos, comandam uma legião de espíritos trabalhadores que atuam nas fronteiras do visível e do invisível, garantindo que as leis espirituais sejam respeitadas e que a caridade não se perca no meio do ego humano.

O RISO QUE CURA E A VOZ QUE NÃO POUPE

O riso de Dona Sete Gargalhadas não é futilidade. É vibração. É a frequência que quebra o peso, afasta a obsessão e devolve ao consulente a capacidade de enxergar além da própria dor. Ela ri mesmo quando seus pensamentos não são “simpáticos”, porque sabe que a verdade, às vezes, dói antes de curar. Mas não se engane: ela sabe exatamente quando ser séria. Quando a situação exige firmeza, o riso cede lugar à postura de quem conhece as leis do axé e não as transgride por comodismo.
Ela é de palavra. O que promete, cumpre. Mas sua ajuda não é indiscriminada. Cobra humildade. Exige gratidão. E, se perceber que o consulente ou o médium age com arrogância, falta de respeito ou ingratidão, ela não hesita: retira a mão, fecha o caminho e deixa que a própria lei do retorno faça seu trabalho. Não é crueldade; é justiça espiritual. Ela não serve a quem quer apenas usar a espiritualidade como atalho; serve a quem está disposto a crescer.

A SERIEDADE NO TERREIRO E A FALA SEM RODEIOS

Muitos médiuns relatam que Dona Sete Gargalhadas “se estressa” com facilidade. Mas o que chamam de estresse é, na verdade, um chamado à responsabilidade. Ela não tolera a transformação do terreiro em palco de vaidades, nem a falta de respeito durante os trabalhos. Exige postura, concentração e seriedade tanto dos médiuns quanto dos assistentes. Porque a Umbanda não é espetáculo; é serviço. E quem leva a espiritualidade na brincadeira, atrai para si o peso do próprio descuido.
Sua fala é direta. Escrachada, como dizem os filhos de fé. Não faz rodeios. Dá o recado exato, doa a quem doer. Mas por trás dessa bluntza existe um cuidado profundo. Ela não fala para ferir; fala para despertar. Para cortar a ilusão. Para que o consulente pare de se enganar e enfrente a própria vida com os olhos abertos e os pés no chão.

LINHAS DE OXÓSSI E IANSÃ, A MALANDRAGEM SAGRADA E O LUXO COMO VIBRAÇÃO

Dona Sete Gargalhadas trabalha nas linhas de Oxóssi e Iansã. De Oxóssi, herda a clareza mental, a capacidade de caçar soluções, a firmeza nos caminhos e a ligação com o sustento e a provisão. Não é por acaso que muitos de seus médiuns são filhos de Oxóssi: a entidade valoriza a disciplina, a observação e a estratégia espiritual. De Iansã, recebe os ventos que varrem a estagnação, a coragem para enfrentar tempestades e a capacidade de transformar o caos em movimento.
Como muitas da linhagem das Padilhas, gosta do luxo. Não como ostentação vazia, mas como expressão de abundância e autovalorização. Suas vestes, na maioria das vezes, são feitas de “pano da costa”, tecido tradicional que carrega história, ancestralidade e a elegância das mulheres que sabem de seu poder. Esse luxo é simbólico: é a reafirmação de que a espiritualidade não exige miséria para ser sagrada. Pelo contrário, a prosperidade bem direcionada é um instrumento de axé.
Sua afinidade com a “malandragem” também deve ser compreendida no sentido umbandista: não como desonestidade, mas como a esperteza sagrada de quem sabe navegar pelas adversidades com leveza, astúcia e sabedoria prática. É a capacidade de encontrar saídas onde outros só veem muros, de rir do próprio medo e de seguir em frente sem se deixar paralisar pela rigidez.

OFERENDAS, PREFERÊNCIAS E A DOÇURA QUE EQUILIBRA A FORÇA

Suas oferendas são geralmente realizadas em encruzilhadas de espaços abertos, onde o vento circula e as energias se dispersam ou se concentram conforme a necessidade. No entanto, como toda entidade sábia, ela pode adaptar o local conforme o pedido e a orientação do médium responsável. Gosta de bebidas doces, e em muitos casos solicita cachaça ou a tradicional “meladinha” (cachaça com mel), que simboliza a união entre a força da terra e a doçura do recomeço.
Cada item oferecido com fé não é um pagamento; é um alinhamento. O doce equilibra o amargo. A bebida eleva a vibração. O pano da costa veste a dignidade. E a encruzilhada aberta recebe a energia para ser transformada em caminho.

CONCLUSÃO: A LIÇÃO DO RISO QUE NÃO ENGANA

Honrar Dona Sete Gargalhadas é aprender que a espiritualidade não precisa ser pesada para ser séria. Que o riso pode ser ferramenta de cura. Que a verdade, mesmo quando corta, é o único remédio que não mascara a ferida. Que a humildade e a gratidão são as chaves que mantêm a porta da ajuda aberta. E que a malandragem, quando sagrada, é apenas a inteligência de quem sabe viver com leveza sem perder a firmeza.
Laroyê, Dona Sete Gargalhadas!
Que seu riso dissolva nossas ilusões.
Que sua palavra desperte nossa coragem.
Que sua presença nos ensine a caminhar com os pés no chão, o coração aberto e a alma leve.
Saravá Fraterno.
Axé!



TATA MULAMBO : DA COROA AO FARRAPO, DO ÓDIO À GRAÇA – A ALQUIMIA DE UMA RAINHA DAS SOMBRAS E DA LUZ

 

TATA MULAMBO : DA COROA AO FARRAPO, DO ÓDIO À GRAÇA – A ALQUIMIA DE UMA RAINHA DAS SOMBRAS E DA LUZ

TATA MULAMBO 🍾🍸⚘: DA COROA AO FARRAPO, DO ÓDIO À GRAÇA – A ALQUIMIA DE UMA RAINHA DAS SOMBRAS E DA LUZ

Há entidades na Umbanda que não chegam para confortar com palavras doces, mas para resgatar com presença firme. Tata Mulambo é uma delas. Seu nome evoca farrapos, mas sua energia revela rainhas. Sua trajetória é marcada por dor, abandono e vingança, mas sua missão atual é de cura, dignidade e reconstrução. Ela não é a história do que foi; é a prova viva do que pode renascer quando o espírito se entrega à lei do axé e à caridade.

A TRAJETÓRIA NA MATÉRIA: ENTRE O OURO E A SARÇA

A tradição conta que Tata Mulambo nasceu com coroa. Caminhou por salões onde o poder era medido em joias, vestida de seda, rodeada de reverência. Mas o amor, quando se rompe sem aviso, não deixa cicatrizes na pele; deixa abismos na alma. Desolada pela ausência do grande amor, entregou-se ao esquecimento. A bebida, as ruas, os farrapos, as noites que se arrastavam como sombras. As roupas reais rasgaram-se nas caminhadas solitárias. O ouro foi levado. As joias, trocadas por garrafas que prometiam paz e só entregavam mais sede. Um dia, o corpo não aguentou o peso da alma. Desencarnou entre a lama e o silêncio.
Na desorientação do além, o ódio gritou. Ela queria justiça, ou o que a mente ferida chamava de vingança. Encontrou aquele que, mesmo sem saber, era a raiz de sua queda. E na dor crua, cobrou um preço terrível: três vidas antes do desencarne, e depois, no plano espiritual, o homem, a esposa e o bebê de sete meses. A tradição não esconde isso. A Umbanda não romantiza a violência. Mas também não condena eternamente quem errou. Na espiritualidade de matriz africana, a lei não é de castigo; é de aprendizado. O que foi feito com ódio, hoje é transformado em serviço. O que foi vingança, hoje é proteção. O que foi ruína, hoje é resgate.

A ALQUIMIA ESPIRITUAL: DO CHARCO À COROA

Tata Mulambo não ficou presa no lodo de sua própria história. Atravessou-o. Sob a orientação da espiritualidade superior, foi chamada a trabalhar. Não como punição, mas como missão. Aprendeu que a verdadeira força não está em destruir, mas em reconstruir. Que a mulher que carrega farrapos não é fraca; é sobrevivente. E que quem conhece a escuridão pode guiar outros pela luz.
Hoje, quando se manifesta na gira, chega bela. Feminina. Amável. Deslumbrante. Sedutora, sim, mas com uma doçura que cura. Sua beleza não é vaidade; é reafirmação de dignidade. É a rainha que voltou, não para reinar sobre tronos de ouro, mas para coroar almas cansadas. Ela ensina que ninguém é lixo, por mais que o mundo tente rotular. Que a mulher descartada merece ser vista. Que o homem humilhado pode se erguer. Que a dor não precisa ser o fim da história.

SÍMBOLOS, PREFERÊNCIAS E A LINGUAGEM DA MATÉRIA

Gosta de bebidas suaves: vinhos doces, licores, cidra, champanhe, anis. Não por luxo vazio, mas porque a suavidade é o antídoto da amargura que um dia a consumiu. Cigarros e cigarrilhas de boa qualidade sobem como preces, levando ao alto o que a boca não diz. O luxo, o brilho, os colares, anéis, brincos, pulseiras não são ostentação. São símbolos de autoestima recuperada. São lembretes de que toda mulher, todo homem, toda alma que foi desprezada, merece ser cuidada, adornada, valorizada.
A falange dos Mulambos e Mulambas carrega essa mesma essência: resgatar quem foi descartado, devolver dignidade a quem foi esquecido, transformar a lama em joia. Ela não trabalha com o superficial; trabalha com o simbólico. Cada brinco depositado com fé é um pacto de autovalorização. Cada taça de champanhe é um brinde ao recomeço. Cada rosa é uma promessa de que o amor próprio ainda pode florescer.

O TRABALHO NA GIRA: CURA, PROTEÇÃO E RESSIGNIFICAÇÃO

Na gira, Tata Mulambo atua onde a autoestima foi quebrada, onde o amor foi trocado por humilhação, onde a miséria material e emocional se entrelaçam. Ela atende casos de abandono afetivo, dependência emocional, ciclos de autossabotagem, relacionamentos tóxicos e a dor silenciosa de quem se sente invisível. Seu trabalho é firme, mas acolhedor. Ela não julga; ela enxerga. E ao enxergar, transforma.
Muitos que a procuram saem da gira com os olhos úmidos, não de tristeza, mas de alívio. Porque ela não apenas ouve; ela entende. Não apenas orienta; ela resgata. E faz isso com a leveza de quem sabe que a dignidade não se compra; se reconquista. Passo a passo. Gota a gota. Brilho a brilho.

AS LINHAS DA UMBANDA E A REGÊNCIA ESPIRITUAL

Na organização espiritual da Umbanda, cada linha está sob a direção de um Orixá, e as entidades trabalham em falanges estruturadas, sempre voltadas à caridade e ao equilíbrio. Tata Mulambo atua na linha da esquerda, sob a vibração de Exu e Pomba Gira, frequentemente associada à regência de Oxum (pela cura afetiva, beleza interior e revalorização) e à força transformadora de Iansã (pelos ventos que levam a dor e trazem o recomeço).
Seu trabalho não é isolado. É sustentado pelo axé do terreiro, pela firmeza dos Orixás e pela corrente de luz que une médiuns, guias e consulentes. Na Umbanda, a espiritualidade não age no vácuo; age na comunidade, na entrega, no serviço. E é nesse espaço sagrado que Tata Mulambo encontra seu verdadeiro trono: não de ouro, mas de alma.

CONCLUSÃO: A LIÇÃO QUE PERMANECE NOS FARRAPO E NO BRILHO

Honrar Tata Mulambo é olhar para além dos farrapos da história e enxergar a coroa do espírito. É entender que a espiritualidade não apaga o passado; ela o transmuta. Que a dor não precisa definir o futuro. Que toda mulher, todo homem, toda alma que se sente descartada, pode ser chamada de volta à luz.
Laroyê, Tata Mulambo!
Que sua beleza cure o que foi ferido.
Que sua doçura adoce o que ficou amargo.
Que seus colares lembrem a todos que merecem brilhar.
Que sua jornada nos ensine que ninguém está perdido para sempre, quando o coração ainda pulsa em busca do axé.
Saravá Fraterno.
Axé!



CIGANA DA PRAIA : A DANÇA DAS ONDAS, A CURA DA SOLIDÃO E A LEVEZA DO MAR

 

CIGANA DA PRAIA : A DANÇA DAS ONDAS, A CURA DA SOLIDÃO E A LEVEZA DO MAR

CIGANA DA PRAIA 🍾🍸⚘: A DANÇA DAS ONDAS, A CURA DA SOLIDÃO E A LEVEZA DO MAR

Há entidades na Umbanda que não chegam com o peso da tempestade, mas com a brisa suave que antecede o amanhecer. A Cigana da Praia é uma delas. Leve, serena e profundamente acolhedora, ela carrega no sorriso a paz que muitos buscam e não encontram. Amada pelos filhos de fé, sua presença é um lembrete vivo de que o mar não apenas leva; ele também traz. Não apenas separa; ele também cura. E que, por trás de cada onda que quebra na areia, há uma força feminina pronta para recolher o que caiu e devolver ao espírito a vontade de caminhar.

A LINHA DE IEMANJÁ E A GUARDA DAS AREIAS

Sua atuação está firmemente ancorada na linha de Iemanjá, a Mãe das Águas Salgadas, regente do equilíbrio emocional, da maternidade espiritual e da cura das feridas que o tempo não apaga sozinha. Juntamente com Exu Maré, a Cigana da Praia compõe a guarda sagrada do litoral, aquele limiar onde a terra encontra o oceano, onde o humano toca o eterno e onde as energias se renovam a cada maré.
Enquanto Exu Maré atua nas correntezas, nos encontros e desencontros das águas, abrindo caminhos e removendo bloqueios materiais e espirituais, a Cigana da Praia tece a magia da renovação afetiva. Ela é a senhora das praias, a que conhece cada grão de areia, cada concha, cada espuma que o mar deixa para trás. Juntos, eles mantêm a vibração do litoral como espaço de cura, libertação e recomeço.

O TRABALHO NA MELANCOLIA, NA SOLIDÃO E NO RECOMEÇO

Seu nome é sinônimo de amparo para os corações partidos. A Cigana da Praia é especialmente prestigiada por seu trabalho nos casos de melancolia e solidão, principalmente aqueles desencadeados por separações, rupturas afetivas ou lutos emocionais. Ela não nega a dor; ela a acolhe. Com mãos leves e voz doce, ela recolhe a saudade que prende, o apego que sufoca, a memória que paralisa.
Seu trabalho é sutil, mas poderoso: leva embora o que já cumpriu seu ciclo e, no lugar, planta sementes de novos interesses, de olhares que se encontram, de convivências mais saudáveis e estáveis. Ela ensina, através de sua própria essência, que o amor não morre; apenas muda de maré. Que a solidão não é castigo, mas intervalo. E que quem se permite viver a perda com dignidade, está pronto para receber o próximo ciclo com os braços abertos e o coração renovado.

SÍMBOLOS, OFERENDAS E A MAGIA DAS ONDINAS

Suas oferendas são um reflexo direto de sua vibração: leveza, beleza, autocuidado e conexão com a natureza. Devem ser entregues preferencialmente na areia da praia, onde o pé descalço toca a terra e o ouvido escuta o chamado do oceano. Velas brancas ou azuis iluminam o caminho e purificam o campo energético. Água mineral, peras e maçãs representam a pureza e a doçura da vida que segue.
Ela ama o champanhe que borbulha como a alegria renovada, os cigarros que levam as preces ao alto, e as rosas que simbolizam o amor em sua forma mais plena e madura. Não podem faltar pentes, espelhos, batons e pulseiras. Esses itens não são vaidade superficial; são símbolos sagrados de autoestima, de reconhecimento do próprio valor e de preparação para novos encontros. Junto a ela trabalham as ondinas, entidades femininas das águas que cuidam da beleza interior, da cura da autoimagem e do resgate da dignidade afetiva. Cada objeto depositado com fé é um convite à cura.

A MANIFESTAÇÃO: ALEGRIA QUE DANÇA E MAGIA QUE CURA

Quando se manifesta na gira, a Cigana da Praia chega como um sopro de verão. Apresenta-se como uma mulher de beleza serena, vestida em azul e dourado, cores que refletem o céu sobre o mar e a luz do sol que aquece a pele. Dona de uma magia profunda e ancestral, sua incorporação é marcada por uma alegria contagiante. Ela dança sem parar, e nesse movimento não há apenas coreografia; há libertação. Cada giro solta uma amarra, cada passo afasta a sombra, cada sorriso devolve a esperança.
Sua voz é suave, seus conselhos são precisos, e sua energia é um verdadeiro banho de mar na alma cansada. Muitos que a recebem saem da gira com os olhos úmidos, não de tristeza, mas de alívio. Porque ela não apenas ouve; ela entende. Não apenas orienta; ela transforma. E faz isso com a leveza de quem sabe que a vida é feita de marés, e que toda ressaca, por mais forte que seja, sempre é seguida pela calmaria.

CONCLUSÃO: FLUIR COM AS MARÉS DA EXISTÊNCIA

Honrar a Cigana da Praia é aprender a fluir com as marés da vida. É entender que a separação não é fim, mas convite ao recomeço. Que a cura muitas vezes vem embalada em risos, em danças, em oferendas simples depositadas com fé na areia. Que sua magia nos ensine a cuidar de nós mesmos com o mesmo carinho com que ela cuida de quem a procura.
Laroyê, Cigana da Praia!
Saravá Iemanjá, Mãe das Águas.
Saravá Exu Maré, Guardião das Marés.
Que o azul e o dourado iluminem seus caminhos.
Que a dança cure o que calou, e que o mar leve o que já não serve mais.
Saravá Fraterno.
Axé!



EXU GIRAMUNDO : O SENHOR DOS CAMINHOS QUE PERCORREM O MUNDO

 

EXU GIRAMUNDO : O SENHOR DOS CAMINHOS QUE PERCORREM O MUNDO

EXU GIRAMUNDO 🎩: O SENHOR DOS CAMINHOS QUE PERCORREM O MUNDO

No vasto panteão das entidades de trabalho da Umbanda, poucos nomes carregam a mesma reverência e reconhecimento que Exu Gira Mundo. Sua fama entre os espiritualistas não é fruto de lendas vazias, mas do trabalho incansável que realiza nas encruzilhadas da vida material e espiritual. Antes de tudo, é fundamental esclarecer: Gira Mundo não é apenas uma entidade individual, mas uma falange completa de Exus que atuam sob essa vibração. Quando não estão nos terreiros ou executando demandas específicas, assumem o papel de fiscais das esferas espirituais, conduzindo e comandando outras entidades no encaminhamento dos eguns, para que encontrem a luz, a remissão e o recomeço.

O NOME E A MISSÃO: GIRAR ATÉ RESOLVER

O nome já diz tudo: ele “gira o mundo” até que o problema seja resolvido. Não é um trabalho de meia medida. É um Exu de rua, servidor de Ogum, o guerreiro que abre caminhos com a espada da justiça e a determinação do ferro. Mas “de rua” não significa falta de evolução; pelo contrário, significa presença onde a vida acontece, onde a luta é diária, onde as necessidades são urgentes. Sua atuação é marcada pela firmeza, pela estratégia e pela capacidade de transformar obstáculos em pontes. Ele não se afasta do chão; é no chão que ele atua, e é do chão que ele ergue quem caiu.

ÁREAS DE ATUAÇÃO: NEGÓCIOS, CAMINHOS E LIBERTAÇÃO

Gira Mundo é conhecido por suas expertises muito específicas e poderosas: negociações, questões financeiras, oportunidades, abertura de caminhos profissionais e, de forma notável, desobsessões profundas. Ele tem uma habilidade rara para conduzir espíritos perturbados, desequilibrados ou de baixa vibração, retirando-os da sombra e direcionando-os para a luz. Não é um trabalho de força bruta, mas de sabedoria, paciência e autoridade espiritual. Ele sabe que a verdadeira libertação nasce do entendimento, e por isso, muitas vezes, atua onde outros hesitam, quebrando amarras invisíveis e reorganizando campos energéticos estagnados.

CONDUTA NO TERREIRO: SÉRIEDADE, EXEMPLO E LEALDADE

Dentro do terreiro, Gira Mundo é exigente, mas justo. Ele não tolera espetáculos, nem a transformação do espaço sagrado em palco de vaidades. “O centro não é picadeiro de circo”, costuma lembrar. Valoriza a conduta séria, a postura ética e a responsabilidade dos médiuns com a vida e com os Orixás. Quer ser exemplo. É um chefe de falanges, o que significa que atingiu um alto grau de evolução espiritual, suficiente para comandar, orientar e ensinar outros Exus. E, acima de tudo, é um amigo leal. Não abandona jamais aqueles que lhe são caros, nem os que lhe oferecem respeito e fé verdadeira. Sua presença é sinônimo de compromisso.

A MANIFESTAÇÃO: POSTURA DE LORDE, VOZ QUE CURA

Quando se manifesta, traz consigo a postura de um lorde: ereto, articulado, com uma eloquência que conforta e instrui ao mesmo tempo. Muitos, ao ouvirem sua voz e presenciarem sua presença, especulam sobre uma possível passagem como membro da realeza em vidas passadas. Mas a espiritualidade nos ensina que sua verdadeira “vida” como Exu está enraizada na África ancestral, no tempo dos Orixás, onde aprendeu a servir com honra e a governar com sabedoria. Suas palavras são precisas, suas ideias claras, e muitas vezes, o simples ato de ouvir seus conselhos já traz alívio à alma do consulente. O trabalho que se segue é apenas o selo dessa cura.

PREFERÊNCIAS, SÍMBOLOS E A ESSÊNCIA DA QUALIDADE

Como toda entidade de guarda, Gira Mundo tem suas preferências, e elas refletem sua essência: qualidade, respeito e autenticidade. Seu otim preferido é o whisky; seus charutos são sempre dos melhores. Ele não aceita o ruim, o barato, o feito pela metade. Oferece e espera o bom e o melhor, mas sempre com um detalhe fundamental: que venha do coração. Não suporta avareza nem má educação. Para ele, a oferenda não é troca; é gesto de reconhecimento. Suas cores são o preto e o vermelho, símbolos clássicos da força e da proteção de Exu, e ele tem predileção pela capa, que carrega com a elegância de quem sabe o peso e a honra de sua missão.

A COMPANHEIRA DE JORNADA: POMBA GIRA MORGANA

Sua companheira de caminhada é a Pomba Gira Morgana, entidade pertencente à falange das Padilhas. Juntos, formam um par de equilíbrio e força: ele abre os caminhos e protege as encruzilhadas; ela cura as feridas, ilumina as escolhas e traz a sabedoria feminina para as decisões difíceis. Caminham lado a lado, completando-se na missão de servir, demonstrando que na espiritualidade, a parceria é tão sagrada quanto a individualidade.

CONCLUSÃO: A LIÇÃO QUE FICA NA CAPO E NO SILÊNCIO

Exu Gira Mundo não é apenas um nome nos pontos cantados ou nos assentamentos. É uma presença que atua, que corrige, que acolhe e que exige respeito. É o guardião que não descansa enquanto o equilíbrio não é restaurado. Que sua passagem por nossas vidas nos ensine a levar a espiritualidade com seriedade, a tratar o sagrado com reverência e a entender que a verdadeira força nasce da conduta, da lealdade e do amor ao trabalho bem feito.
Laroyê, Exu Gira Mundo!
Que sua capa nos cubra de proteção.
Que suas palavras nos guiem.
Que seus caminhos se abram com justiça, abundância e paz.
Saravá Fraterno.
Axé!