domingo, 18 de dezembro de 2022

Texto da autoria de Rafael de Nuzzi Dias, parte integrante da dissertação Correntes ancestrais: os pretos-velhos do Rosário apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Mestre em Ciências na área de Psicologia.

 Texto da autoria de Rafael de Nuzzi Dias, parte integrante da dissertação Correntes ancestrais: os pretos-velhos do Rosário apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Mestre em Ciências na área de Psicologia.

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Cruzeiro das Almas Santuário Nacional da Umbanda - Jan/2011

Os Pretos Velhos e as Almas

[box type=”bio”] Texto da autoria de Rafael de Nuzzi Dias, parte integrante da dissertação Correntes ancestrais: os pretos-velhos do Rosário apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Mestre em Ciências na área de Psicologia.[/box]

Cruzeiro das Almas Santuário Nacional da Umbanda - Jan/2011
Cruzeiro das Almas – Jan/2011
Santuário Nacional da Umbanda

A casa (ou cruzeiro) das almas possui algumas peculiaridades interessantes. Em primeiro lugar é o único lugar do terreiro onde propositadamente não existe piso ou cimentado recobrindo o chão (uma mistura de terra batida e areia da praia). No seu interior o elemento que mais se destaca é uma cruz simples de madeira de aroeira feita pelo próprio Gérson, cravada no solo. Presa à cruz e pendendo dela, se encontra um rosário em cuja ponta destaca-se um crucifixo de metal. Posicionada do lado direito da cruz de aroeira, encontra-se uma quartinha de barro com água. Defronte à cruz encontra-se um cachimbo de madeira, a exemplo do rosário, parecido com os utilizados pelos pretos-velhos. Um pouco à frente do cachimbo (mais próximo da porta) existe um alguidar (pequeno pote) de barro, onde, segundo explicou-me Gérson*, é colocado o “denguê das almas”, basicamente uma mistura de farinha de acaçá (milho branco) e água onde as almas buscam energia e fortalecimento. Ao lado direito do alguidar, encontra-se uma vela branca, que Gérson repõe diariamente. Além disso, às vezes também é colocado nesse espaço um vaso de flores para “troca de energia”.

[box] *Agradecimento ao pai-de-santo Gérson, à madrinha Sônia, ao pai-pequeno Gersinho, e ao ministro Gílson, do Terreiro de Umbanda Pai José do Rosário, por terem me aceitado e acolhido como um filho, por terem me ensinado sobre o valor da umbanda e da família, e por terem colaborado com tanto carinho e esmero com os propósitos do trabalho.[/box]

Assim como acontece na tronqueira e no centro do congá, enterrado no chão da casa das almas existe também um “fundamento”, conjunto de elementos de “firmeza” e “força” do terreiro que foram colocados quando de sua fundação e que apenas Gérson sabe quais são e quais os seus significados.

Gérson explica que o cruzeiro das almas, assim como a tronqueira, é um espaço importante do terreiro, estando diretamente ligado ao culto dos pretos-velhos:

“a casa das almas é uma devoção da linha dos pretos-velhos, né; tanto que tudo que nós vamos fazer pra eles a gente faz na segunda-feira né, que é o dia das almas”.

Comenta ainda que a disposição da casa das almas tal como se apresenta não é a ideal, pois o certo seria que, em relação à entrada do terreiro, a casa das almas estivesse posicionada à direita, bem em frente à “casa dos exus” (tronqueira), esta corretamente posicionada à esquerda.

A casa e o culto das almas possuem significações múltiplas, todas intrinsecamente interligadas. Em primeiro lugar representam por excelência uma reverência aos mortos – e certamente também à morte, lembrança viva e tentativa de elaboração simbólica de nosso destino existencial misterioso e inextirpável – numa linha muito parecida àquela do culto às almas do purgatório, tradição importante do catolicismo popular. Mas não apenas de forma genérica, pois manifestam, sobretudo, respeito e reverência aos ancestrais, aos mortos “familiares” aos quais de alguma forma se está ligado pelo destino, pelo parentesco, pela identidade, por vínculos afetivos e por laços de solidariedade, amizade e amor.

No terreiro muitas vezes presenciei referências às almas explicitamente associadas a pessoas já falecidas que fizeram parte da história e da herança da comunidade, seja no sentido familiar profano (parentela ancestral), seja no espiritual (parentela-de-santo). Cabe destacar a esse respeito a figura de Chico, cuja alma é sempre saudada enfaticamente em meio aos habituais apelos e reverências dirigidas ao conjunto das almas.

Em segundo lugar, ligam-se genericamente aos pretos-velhos, entidades reconhecidamente pertencentes à linha das almas. Os pretos-velhos são considerados os espíritos responsáveis pelo acolhimento, recepção, preparação e encaminhamento das almas dos mortos, tanto daqueles que em vida foram cumpridores de suas missões na Terra, já bem direcionados nos caminhos da espiritualidade, quanto, sobretudo, daqueles seres perdidos e desgarrados do caminho correto da evolução espiritual, que acabam vagando desorientados pelos recantos obscuros e trevosos do plano espiritual. A esse respeito, Gérson (Ge) comenta:

[box] Ge: […] todos os espíritos que trabalham na umbanda são almas, mas os pretos-velhos são como que aqueles que conduzem, os condutores das almas; […] são os responsáveis pelo trato direto com essas energias, com espíritos recém-desencarnados, em recuperação. [/box]

“Ora, a umbanda é certamente um culto aos mortos na medida em que os espíritos (ou almas) nela cultuados e incorporados são reconhecidos como de indivíduos que um dia habitaram e viveram no (nosso) mundo material, tendo assim experimentado a morte. Mas se todos são mortos, o que faz com que os pretos-velhos sejam tomados como os mortos por excelência, diretamente associados que são às almas? Porque em relação ao preto-velho sua condição de morto é ressaltada, a ponto de tornar-se uma idiossincrasia dessa categoria espiritual? O que exatamente significa ser, na idiomática umbandista, o morto enquanto tal? A análise das associações estabelecidas pelos umbandistas parece apontar para duas formas potencialmente promissoras de responder a essas perguntas. Por um lado, os pretos-velhos parecem ser, por assim dizer, os mortos mais próximos da morte, simbólica e etnopsicologicamente; ou seja, a via privilegiada de elaboração, no nível da simbólica umbandista e da experiência subjetiva de seus adeptos, da questão da finitude como realidade inerente à experiência e ao destino humano. Por outro lado, não são “outros” mortos quaisquer, por mais sacralizados e reverenciados que os “outros” mortos possam ser; os pretos-velhos são “nossos” próprios mortos, ancestrais significativos de “nossa” realidade e história, no limite, mortos que são “nós mesmos” enquanto seres imersos na cultura, atravessados pela memória (coletiva) do Outro.”

Ao longo do meu trabalho de campo, dentre as várias associações entre preto-velho, ancestralidade (filiação), alma e morte que testemunhei, nenhuma foi mais contundente e significativa que um anúncio solene feito numa noite de gira de desenvolvimento no final de 2008. Antes do encerramento do culto Gilson pediu a atenção de todos para comunicar que, conforme Pai José do Rosário informara dias antes, a alma de sua bisavó Inocência (avó de Sônia), falecida há cerca de dez anos, havia sido admitida na Corrente das Treze Almas Santas e Sagradas para ser preparada pela espiritualidade para dentro de algum tempo passar a incorporar na umbanda como uma preta-velha (“Vó Inocência”, talvez). O anúncio provocou comoção geral (sobretudo nos descendentes de Inocência) e o ambiente no terreiro contagiou-se com uma mistura de alegria e fascinação.

Posteriormente, obtive informações sobre Inocência, conhecendo um pouco de sua história. Inocência era negra, baiana, católica fervorosa (embora respeitasse a umbanda) e faleceu em idade muito avançada. Foi filha de escravos, e só não se tornou escrava por ter nascido após a Lei do Ventre Livre (criada em 1871). Mesmo assim teve uma vida sofrida, vindo a pé do interior da Bahia junto com sua família em meio aos fluxos migratórios do início do século XX. Estabeleceu-se na cidade de Jardinópolis onde sua família sobreviveu trabalhando no campo, até que com o passar dos anos muitos vieram morar em Ribeirão Preto em busca de melhores condições de trabalho.

A narrativa da história de Inocência parece congregar muitos elementos que compõem o universo simbólico dos pretos-velhos: negritude, escravidão, sofrimento, luta pela sobrevivência, morte, ancestralidade, fervor religioso, velhice (“ela morreu bem velhinha”) e simplicidade. Trata-se de memória coletiva “viva” presentificando-se e sacralizando-se bem diante dos “olhos” e dos “corações” da comunidade, transbordando significados que interpelam marcas identitárias e biográficas “familiares” a todos no terreiro.

Ainda sobre Inocência, passado um ano do anúncio de sua entrada na Corrente das Treze Almas, notei surpreso que nunca mais havia ouvido ninguém comentar o assunto. Algumas semanas depois, em conversa com Gílson, indaguei sobre qual havia sido o sentimento dele e da família quando receberam a notícia. Gílson comentou que todos haviam ficado muito felizes, mas que para evitar polêmicas e uma eventual banalização do acontecimento, tratavam o assunto com discrição e resguardo. O receio era de que pessoas “maldosas” poderiam tomar a situação como uma expressão de vaidade da família: “Porque se você parar pra pensar bem, parece coisa de livro, né? Não parece coisa de novela? Pra quem está de fora e ouve essa história às vezes pode parecer um conto de fadas”. Gilson afirmou ainda acreditar que o fato de ter vivido uma existência próxima à escravidão deve ter tido um peso importante para que Inocência pudesse ascender ao plano espiritual tendo a oportunidade e o privilégio de tornar-se uma preta-velha da umbanda.

Em relação ao vínculo entre os pretos-velhos e as almas, cabe destacar também que quando realiza “envolvimentos” na casa das almas – série de procedimentos rituais que consistem basicamente em orações e na troca da água e do denguê – Gérson relata sentir uma forte presença do preto-velho Pai José do Rosário, sendo este o local do terreiro onde sua manifestação é mais forte e evidente.

Ressalta, porém, que a presença dos pretos-velhos também pode ser sentida em outros domínios, sendo elas as entidades que fazem a intermediação entre todas as linhas da umbanda. Gérson atribui essa prerrogativa à enorme experiência e conhecimento que essas entidades possuem, efeito de uma vida longa e sofrida. Tal afirmação parece coadunar-se com os sentidos de circularidade (NUNES-PEREIRA, 2006; M. D. SOUZA, 2006) e ação conciliatória (M. D. SOUZA, 2007) atribuídos aos pretos-velhos.

Finalmente, em terceiro lugar, o culto às almas liga-se especificamente no Terreiro Pai José do Rosário ao culto à Corrente das Treze Almas Santas e Sagradas. Segundo Gérson essa “corrente” é a comunidade espiritual (espécie de associação de espíritos afins) diretamente responsável pelo terreiro, sob a tutela do preto-velho Pai José do Rosário. Existem infindáveis “Correntes das Almas” no plano espiritual, cada qual responsável por comunidades religiosas determinadas no plano material. Além disso, segundo a cosmovisão do terreiro, elas são uma espécie de escolas formadoras de guias espirituais, onde almas de valor, depois de devidamente acolhidas e triadas pela espiritualidade, são levadas para receberem instrução e o aprendizado necessários para trabalharem na umbanda prestando a caridade.

Entretanto, essas almas não são preparadas para trabalharem em qualquer categoria de espíritos do panteão umbandista. As “Correntes das Almas” preparam espíritos que irão compor especificamente a linha dos pretos-velhos, linha que “auxilia a todas as outras”, responsável pela integração, comunicação e coesão de toda a espiritualidade umbandista.

Conforme afirma o Pai José do Rosário (P.J.R) em entrevista que contou com o auxílio de Gilson (G):

R: E essa questão das almas, né, o que são as almas exatamente?

P.J.R: Zin vai explicar pra vosmecê. Ixeste fio no plano espiritual a corrente das almas que vai zin prepará os esprito pra mor de vim resgatar nessa linha.

G: A linha das almas é a escola, é uma escola que prepara os espíritos para eles ingressarem na lei da umbanda; é onde eles aprendem… porque a umbanda, ela tem um número finito de espíritos, e ai um espírito ele pode se movimentar dentro desse número finito, ou ele pode chegar num ponto em que ele deixa de fazer parte desse número finito. É ai que tem um espírito da linha das almas preparado pra tomar o seu lugar.

P.J.R: Compreendeu fio. É escola que zin prepara o esprito fio, pra mor de zin curimbá na lei de pemba. É essa zin negaiada que zin curimba infinitamente nessa corrente. Zin pega zin curimba, zin leva pra corrente das arma e zin lá cada quar vai fazer o seu serviço. Pra cada zin curimba, zin um curimbador especifico.

G: A corrente das almas assiste os pretos-velhos.

P.J.R: Compreendeu fio, é a zin linha que dá a zin assistência à corrente dos nego. E por isso que a zin lua das arma é a segunda zin lua da zin semana…

G: O dia dos pretos-velhos é a segunda, que é a energia das almas, por causa disso, porque eles trabalham juntos. Dentro da linha das almas, genérico, grande, aí vai ter a corrente das treze almas, a corrente das sete almas, o grupo das almas trabalhadores assim de Jesus, de Maria, mas todas elas fazendo parte de uma imensa linha de almas.

R: No caso o Pai José, você é da linha das treze almas?

G: É, a corrente das treze almas faz parte da linha das almas, e é aqui na nossa casa, é ela que trabalha diretamente com os pretos-velhos aqui na nossa casa.

P.J.R: Zin ixeste fio uma infinidade de escola que prepara espíritos fio zin nas esfera espiritual, compreendeu fio? Tem muitas escola de São Francisco de Assis, tem a escola do Sagrado Coração, dependendo zin da opção de curimba do esprito, fio, quando vai pro zin plano espirituar é a escola que ele é levado pra mor de se preparado.

G: Pai José tá dizendo que na espiritualidade existem várias escolas que preparam os espíritos pra certos trabalhos, tem a escola do Sagrado Coração, tem a escola de São Francisco de Assis, tem a linha das almas, e assim varias escolas que preparam os espíritos pros seus trabalhos, e a linha das almas é a escola que prepara os espíritos pra ingressar na umbanda.

P.J.R: Compreendeu fio? As esferas zin formada zin num muda a zin espiritualidade. Zin tá cá no plano espirituar nas esferas que o espírito se identifica pra facilitá gargá os degrar da evolução. Tem espírito que chega cá, se os curimbador da espiritualidade já cata ele e conduzi pra corrente das treze almas, ele não vai aceitá, num evolói e fica zin parado; e no plano espirituar não ixeste zin regressão, zin chegou zin já é feita a zin preparação e zin é encaminhado para cada escola que vai preparar aquele espírito pra mor de curimba.

G: Na espiritualidade não tem regressão, nada na espiritualidade vai para trás, existe evolução e estagnação.

P.J.R: Zin é os dois estágios que exerce a espiritualidade, ou zin evolói ou zin estagna, para né fio, e zin fica zin muita, zin muita, zin muita, zin muita lua e dificulta o trabalho da espiritualidade. Então zin fio, pra mor de zin agilizar as curimba cada zin fio que chega cá zin vai ser zin preparado, tem a esfera que vai prepará esse espírito pra mor de determiná onde ele vai curimbá, compreendeu fio?

pretos-velhos_01-2011
Pretos Velhos – Jan/2011
Santuário Nacional da Umbanda

Nesse trecho pode-se perceber a emergência de alguns conteúdos tipicamente presentes nas enunciações dos pretos-velhos: a importância do trabalho (curimba) árduo e coletivamente compartilhado; a metáfora da subida, significante das privações, sofrimentos e sacrifícios necessários para se alcançar a elevação espiritual; e referências a Jesus Cristo, a Virgem Maria, e a santos católicos como associados (espécies de patronos) aos agrupamentos e atividades exercidas pelos pretos-velhos. Além disso, nota-se uma implícita referência aos pretos-velhos como grandes mentores, professores (vide a referência ao termo escola) e gerenciadores do panteão umbandista, enquanto figuras de experiência e sabedoria que conhecem os caminhos árduos (e sem atalhos) que levam à evolução espiritual.

A ligação com as almas sob esse ponto de vista torna-se evidente dentro do contexto da elaboração que a idiomática umbandista, tal como apropriada pelos membros do terreiro, faz acerca da questão da morte e do morto. Ao poderem transitar por todos os domínios, coordenando ações integradas e tornando a espiritualidade umbandista um sistema articulado, os pretos-velhos são responsáveis pela recepção dos recém-chegados ao “mundo dos mortos”, tendo que lidar frequentemente nessa função com os mais “perigosos” e “hostis” espíritos existentes: eguns, obsessores, exus “não batizados”, enfim, todo tipo de espírito trevoso ainda apegado ao sofrimento terreno e à dimensão telúrica do prazer e do gozo imediatos. Afinal, apenas os pretos-velhos congregam a sabedoria e a evolução dos espíritos “iluminados”, com a humildade e o poderio instrumental (mágico) necessários para frequentar e enfrentar os lugares e poderes marginais, e por vezes sombrios, da espiritualidade.

Os pretos-velhos transitam entre fronteiras, guardam os “limites” do mundo, medeiam passagens, assemelhando-se a “guardiões” empenhados em garantir a integridade das circunscrições simbólicas que definem “espaços” (possíveis) de sentido no interior do sistema umbandista. Entre as trevas e a luz, a “direita” e a “esquerda”, a vida e a morte, o passado e o presente, os pretos-velhos parecem atuar no sentido de amarrar realidades viventes; ao proteger as descontinuidades (significantes) que permitem o dizer, funcionando como operadores lógicos capazes de articular elos sobre hiâncias indizíveis, os pretos-velhos garantem a possibilidade e a eficácia de sempre renovados sentidos de continuidade narrativa.

Feitas essas considerações e prosseguindo com a contextualização do espaço “externo” do terreiro, cabe destacar que passando pela tronqueira e pela casa das almas, ainda à esquerda pode-se notar a presença de grande número de vasos contendo plantas e ervas que são utilizadas frequentemente nos trabalhos espirituais, dentre as quais se destacam: arruda, guiné, espada-de-são-jorge, boldo e melissa. Os pretos-velhos são as entidades a utilizarem essas ervas com mais frequência (sobretudo arruda e guiné), geralmente em trabalhos de cura e prescrições de chás e banhos para limpeza espiritual. Outras entidades que também se utilizam bastante das ervas, mas para manipulações (mágicas) bastante diferentes, são os pretos-velhos da mata (sobretudo guiné, à qual chamam de “erva fedida”).