sexta-feira, 20 de maio de 2022

Navios Fantasmas

 

Navios Fantasmas

O Holandês Voador é o navio fantasma mais famoso do mundo e sua história nasceu de uma lenda comum a dois países: Holanda e Alemanha. Segundo a tradição, a embarcação navegava na região do Cabo das Tormentas [hoje, Cabo da boa Esperança, extremo sul da África], na época, um lugar considerado como o mais temível dos oceanos, habitado por monstros, um ponto além do qual nenhum marinheiro se arriscaria nos primeiros anos das Grandes Navegações [na chamada Idade Moderna]. Conta-se que o capitão do Holandês desafiou estas criaturas fantásticas tentando contornar o Cabo desencadeando a ira de violentas forças da natureza. Colhida pelo mau tempo enfeitiçado, a tripulação não resistiu à violência das ondas.

Todos pereceram e o Holandês, alquebrado e deserto, continuou vagando pelos oceanos assombrado pelos fantasmas, carregando a maldição de arrastar para naufrágio e morte todos os barcos e marinheiros que cruzam sua rota. Em outra versão, o navio ficou amaldiçoado porque o capitão perdeu sua alma em um jogo com o Diabo. Toda a tripulação teria morrido vítima de uma peste. A cada sete anos ele aparece em algum litoral e o capitão vai à terra; se ali conseguir seduzir uma donzela, a praga do Demo será retirada. O capitão parece não agradar muito às mulheres posto que o Holandês Voador continua legendário apavorando os marujos que temem avistar seu espectro, iluminado pela luz bruxuleante que emana dos espectros, surgindo do nada no meio de uma tempestade.

Marie Celeste foi construído na Nova Escócia [Canadá] em 1861 e chamava-se Amazon. Em 1869, foi re-batizado como Marie Celeste e com este nome entrou para o rol das lendas sobre navios-fantasma. A troca foi uma tentativa de mudar o “astral” do barco, que sofrera muitos infortúnios e teve muitos proprietários. Providência inútil. Ele parecia maldito desde o começo. Em sua última viagem, em novembro de 1872, partiu de Nova Iorque com um carregamento de metanol, oito tripulantes e dois passageiros. Seu destino era Gênova, Itália. Em dezembro daquele ano foi encontrado à deriva no arquipélago de Açores [território de Portugal], inteiro, com a carga intacta porém deserto. Parecia ter sido deliberadamente abandonado. Manchas de sangue foram encontradas na amurada e uma espada, também marcada com sangue estava escondida debaixo da cama do capitão. O que aconteceu no navio, ninguém soube jamais.

Constellation, o mais antigo navio da frota americana é uma fragata à vela, veloz nave de guerra. Foi construída entre 1794 e 1798 e equipada com 36 canhões. Depois de 63 anos de históricos serviços prestados à Marinha dos Estados Unidos, foi “encostada”. Durante alguns anos, reformada, serviu como navio-escola da Academia Naval de Annapolis [Maryland]. Enfim, desativada e abandonada começava a deteriorar quando, por iniciativa dos cidadãos de Baltimore [também em Maryland], foi restaurada e aberta à visitação pública, em 1968.

Logo, o zelador do navio começou a suspeitar de assombrações baseado em relatos de visitantes que testemunharam estranhas aparições. O caso chamou a atenção do pesquisador de fenômenos paranormais Hans Holzer que começou a investigar auxiliado pela medium Sybil Leek. As impressões da medium, devidamente gravadas e documentadas passaram à análise do pesquisador. Foi comprovado que as personagens das visões de Leek no Constellation tinham, de fato, existido. Eram quatro fantasmas e pertenciam a épocas diferentes.

O Capitão Thomas Thruxtum, que em 1799 comandou uma batalha naval contra o navio francês l’Imergent. Thruxtum descobriu um marujo, Neil Harvey, que devia estar de sentinela, escondido, com medo no meio da luta. Condenou-o à morte na boca do canhão nº 3, morte indigna, reservada aos traidores e covardes. O capitão e o condenados eram as duas assombrações mais antigas. Um jovem grumete era a terceira: fora assassinado por dois marinheiros, à bordo, em 1822. O fantasma mais recente era o dinamarquês Carl Hansen, que dedicou sua vida ao navio como vigia; morava na embarcação. Aposentado de sua função em 1963, jamais se acostumou com a vida longe do barco. Já velho, morreu sozinho num asilo, sem família, sem lar, sem amigos. Desencarnado, voltou a habitar o Constellation, única referência afetiva tinha neste mundo.

por Ligia Cabús