domingo, 8 de maio de 2022

Significado do simbolismo do galo na umbanda e demais crenças.

 Significado do simbolismo do galo na umbanda e demais crenças.


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Simbolicamente, o galo é muito rico por sua postura, é considerado um símbolo do orgulho, altivez e coragem. Por ser o anunciador do nascer do sol, é relacionado com o tempo precisão de horários, com bons augúrios, bondade, segurança, vigilância, moralidade e a consciência (símbolos relacionados também com o do sol). E por libertam-se do mundo terreno ao voar, são mensageiros entre o céu e a terra, símbolos de proteção, inteligência, sabedoria e fazem referência ao divino.
No contexto religioso, o galo geralmente é relacionado a cultos solares, considerado um ser celestial e ligado à ressurreição, poder espiritual e o anunciar da chegada da luz, após um período de trevas, com seu canto. Em crenças populares ele espanta demônios e espíritos malignos e é um vigia, tanto no sentido concreto quanto no moral, sobretudo na supervisão dos desvios éticos.
Entretanto, como todo símbolo, também tem seus aspectos negativos. No budismo, o galo está na roda da existência e é um dos três venenos (junto com o porco/javali e a serpente), simbolizando o apego, a cobiça e a sede. Em algumas regiões da Europa, é ligado à cólera, soberba e à explosão de um desejo desmedido.
O Galo nas diferentes culturas
Os japoneses atribuem ao galo a virtude da coragem, tendo um festival dedicado a ele: o Tori-no-Ichi (dia do galo), deus Otori-sama (“galo divino”), que é celebrado por três dias no mês de Novembro.O canto do galo é associado aos deuses e ao nascer do Sol, pois, mitologicamente, fez sair Amaterasu, deusa do Sol, da caverna onde se escondia,1314 sendo por isso que, em grandes templos xintoístas, como no de Ise, são criados galos, sagrados, em liberdade.
Ainda para a cultura japonesa, uma homofonia duvidosa de Tori (酉, “galo”) e Torii (鳥居, literalmente: “morada do pássaro”, os tradicionais portais sagrados) fez com que muitos considerassem que os templos xintoístas tinham, originalmente, uma a função de servir também como poleiros para galos.
No hiduísmo indiano, o galo é ainda o atributo de Skanda, que personifica a energia solar. No Vietnã, um símbolo representando um galo é colocado na efígie das portas para afastar energias malignas e o pé de galo cozido representa um microcosmo, sendo usado em adivinhações.
Na China, o carácter chinês para galo/galinha鸡 (鷄/雞) (mandarim, jī; cantonês, kai) é homófono a dois outros caracteres: 绩 (績/勣) sucesso, feito heroico; 跻 (躋) ascender, atingir uma posição. Por seu aspecto também é considerado um símbolo das “cinco virtudes”: as virtudes civis, pela sua crista lhe confere um aspecto mandarínico; as virtudes militares, devido às suas esporas; a coragem, por sua postura; a bondade, por dividir sua comida com as galinhas; a confiança, pela segurança com que anuncia o nascer do dia.
Na mitologia chinesa também recebe o significados de seriedade (pois nunca falha na marcação das horas) e de força masculina.É tradicionalmente associado ao conceito de Yang (calor, luz e à vida do universo) e o seu canto à realização e a fama. A palavra chinesa “crista de galo” (guan) é homófona de “guan” que significa oficial, sendo que ofertar um galo com uma crista vistosa representa o desejo de que o seu destinatário possa ser recompensado com um posto oficial.
Ainda na tradição chinesa, o Galo tem a função, por excelência, de espantar demônios e seu canto ao nascer do sol tem o efeito de afugentar os demônios que não gostam da luz. Muitas vezes são colocadas figuras deste nas portas das casas para proteger contra o fogo; é colocado um galo branco em caixões para tirar os demônios do caminho que o falecido irá percorrer; durante as cerimônias de casamento as noivas comem pedaços de açúcar branco em forma de galo para se protegerem contra influências negativas.
Para a tradição cigana, o Galo está presente como anunciador do dia e da luz. É ele quem diz: “eu sou aquele que canta o raiar de um novo dia, de uma nova vida e de uma nova esperança” numa clara alusão ao Sol como deus da origem da vida.
No ocidente o galo constantemente é associado ao sagrado. Na tradição helénica, o galo associa-se a deuses e deusas solares/lunares: Zeus, Apolo, Leto, e Artemis.Era também símbolo de Alectrion, o sentinela que avisava a chegada do sol, e por isso também um símbolo do tempo.
Os Versos de ouro de Pitágoras o consideram consagrado ao Sol, à Lua e um ser que deveria ser alimentado e não imolado. Mas, apesar disso, um galo era sacrificado ritualmente a Asclépio (Esculápio), filho de Apolo, e deus da medicina. Sócrates inclusive fala pouco antes de morrer, a Críton, para sacrificar um galo de acordo com esta tradição, o que dá ao animal um papel de psicopompo, daquele que iria anunciar e conduzir uma alma ao outro mundo, onde esta “abriria os olhos a uma nova luz”. Isso consiste em exercer uma função análoga à de Asclépio, o que opera os renascimentos celestes, e também motivo pelo qual atribuiam poderes curativos ao galo.
Pelo mesmo motivo era também o emblema de Átis, o deus solar, morto e ressuscitado. Por seu papel de psicopompo, também era atribuído a Hermes, o mensageiro, que percorre os três níveis do cosmo, dos Infernos ao Céu.
Eram igualmente sacrificado, com o cão e o cavalo (todos por seus papéis de psicopompos), nos ritos funerários dos antigos germanos. Por ocasião das cerimônias de purificação e de expulsão dos espíritos realizados após uma, morte certos povos altaicos usavam o galo para representar o defunto.
Nas tradições nórdicas, é um símbolo de vigilância guerreira, observando o horizonte dos mais altos galhos do freixo Yggdrasil a fim de avisar os deuses quando seus inimigos forem atacá-los. Mas o freixo, a árvore cósmica, é também a origem da vida, ou seja, aquele que vela do alto desta é um protetor e guardião da vida, simbolismo que remete também ao galo colocado em cima de uma flecha no alto de construções.
Os índios pueblos contam que as galinhas e galos eram criaturas do deus Sol, aos quais ele avisa com um sininho para que cantem quatro vezes antes do dia, com o objetivo de acordar as pessoas. Esse exemplo denota uma função quinária do galo, que canta quatro vezes e depois o dia nasce no quinto tempo, que é o tempo do centro e o da manifestação.
Na África, segundo uma lenda dos peúles, o galo está ligado ao segredo: um galo numa gaiola significa o segredo guardado em silêncio; um galo no pátio (metamorfoseado em carneiro) um segredo divulgado aos próximos e íntimos; um galo na rua (metamorfoseado em touro) um segredo divulgado e público; um galo nos campos (metamorfoseado em incêndio) um segredo comunicado ao inimigo e causa de ruína. Para os azandés, por ele “prever” o nascer do Sol (ver a luz do dia no interior dele mesmo) este era ligado à feitiçaria. Também é associado a ritos de Iniciação de vodu e a passagem de uma vida a outra, sendo que, quando de cor negra, tem característica de ritos de morte, e de cor vermelha, de ritos de iniciação.
Na mitologia Yoruba (herdada nas tradições de Candomblé e Umbanda), da região que agora é a Nigéria, o Galo surge como um colaborador do deus Olurum (ou Olodumare, deus criador do mundo, da luz e da vida) e Obatala, sendo que quando Olurum envia Obatala para cuidar do caos inicial, este leva com ele um Galo, um ferro e uma semente de palmeira. Chegando à terra, colocou o metal sobre o planeta e o Galo sobre o metal, o qual, com suas garras, encrava o metal e cria o solo onde Obatala plantou a semente a partir da qual foi criada a vegetação no planeta.
Os sírios, egípcios e gregos, devido à plumagem avermelhada e a crista vermelha intenso, o associam ao simbolismo Solar e do fogo. O chamavam também de “o nobre matutino do Sol”.
As tradições populares contam que um papa ordenou que fossem colocados no teto de igrejas e relógios de locais de culto uma figura de galo para que todos se lembrassem e não repetissem o erro de Pedro, descrito no novo Testamento, de negar Jesus três vezes antes do galo cantar. Em algumas aldeias portuguesas e espanholas era costume levar o galo para a igreja, para que ele cantasse durante a missa como sinal de boas colheitas, por associação com o canto do galo que anunciou, à meia noite, o nascimento de Jesus.
Na tradição cigana o Galo está também presente, sendo considerado sagrado para muitos e o anunciador de um novo dia, uma nova vida e da esperança, numa alusão ao Sol como deus e origem da vida.
Também não é difícil associar o Galo à bravura e à tenacidade na luta, tanto por ter as brigas de galo grande popularidade em várias lugares do mundo, quanto pela existência de alguns deuses e seres mitológicos, relacionados à guerra, com características de galo, como, por exemplo, o deus egípcio Abraxas (ou Abrasax), que tinha uma cabeça de galo, um corpo de homem e duas serpentes nas pernas.
O galo foi adotado por diversos povos e nações como sinônimo de grandes e nobres causas, sendo a França um caso especial disso. Este é um símbolo histórico para o povo francês desde que César teria designado o território, que é agora a França, por Gallia (galo em latim) em virtude de os rebeldes gauleses usarem o símbolo do galo como brasões nos seus escudos militares.
O símbolo do Galo esteve na Revolução Francesa e nas lojas franco maçônicas, na Monarquia de Julho (1830-1848) e na Segunda República (1848-1851) francesas. Somente em 1830, o Galo Gaulês foi substituído pela Flor de Lis como emblema nacional, mas era obrigatório o Galo Gaulês figurar nas fardas e nas bandeiras da Guarda Nacional.O Galo deixou de ser símbolo nacional no II Império de Napoleão III (1852-1870) mas regressou na III República (1873-1940) e chegou a estar atrás das moedas de ouro de 20 francos cunhadas a partir de 1899. Desde 1848, o Galo aparece na cota de armas da República Francesa.41Durante a I Grande Guerra (1914-1918) este foi tido como o símbolo da coragem e da determinação francesa de lutar até à morte no campo de batalha, sendo por isso habitual os monumentos aos mortos caídos em combate serem adornados com estatuária representando um Galo.
Galo na religião
O galo é um símbolo arquetípico que aparece nas tradições religiosas dos mais diferentes povos da terra como uma espécie de criatura celestial e devota que anuncia a ressurreição solar, sendo que boa parte dos simbolismo do galo tem inspiração nos cultos solares da Antiguidade. Seu canto é ligado com a renovação espiritual que as escolas esotéricas desenvolveram em suas doutrinas e as religiões oficiais adotaram em seus cultos como elementos rituais.
A mitologia xintoísta, solar por excelência, acreditava que se devia ao galo o fato do Sol brilhar no reino de Yamato (o antigo Japão), pois se o galo não cantasse o Sol não nasceria. Seu canto também está associado à chamada para a oração.
No Talmud judaico o galo é considerado o mestre da delicadeza por introduzir o Sol com o seu canto.
No Islã, o galo é especialmente venerado. Segundo o Profeta, o galo branco é seu amigo e o inimigo do inimigo de Deus, sendo seu canto um convite à oração e sinal da presença do anjo. Deus teria um galo cuja crista ficava embaixo de seu trono, os pés assentados na terra inferior e as asas no ar, sendo que quando passam dois terços da noite ele bate as asas e diz: “Louvor ao rei santíssimo, digno de exaltação e de santidade”, momento em que todos os animais se agitam e todos os galos cantam.
Para os primeiros cristãos, representava o amanhecer de uma nova era e a ressurreição de Cristo no dia do Juízo final. Quando realizavam exercícios entrando em catacumbas para conectar-se com seu interior, diziam somente o canto do galo poderia tirá-los daquele transe e fazê-los voltar ao exterior, saindo das trevas. Iconograficamente, era utilizado em seus rituais matinais que ocorriam na “hora do cantar do Galo”, ao amanhecer, onde agradeciam a Deus pela Luz Divina.
Em passagens bíblicas é mencionado em algumas oportunidades, especialmente na já comentada parte em que “Pedro negará três vezes antes que o Galo cante”, a qual os antigos cristãos usavam como metáfora com um outro significado: similar à Lenda de Hiram que negou três vezes dar a palavra sagrada, Pedro devia guardar o segredo daquela sociedade e seus conhecimentos concedidos pelo Cristo antes de sua morte.
Diz-se que a única vez que o galo cantou à meia-noite foi na noite do nascimento de Jesus, o verdadeiro Deus Sol que vence as trevas, o que o levou a ser adotado como anunciador de boas novas. E por isso a missa estabelecida no século VI em homenagem ao nascimento de Jesus foi popularmente denominada como a “Missa do Galo” . Inclusive, esta teria sido sobreposta e herdado muito das festividades mitraicas do solstício, que eram comuns entre os romanos da época, e homenageavam o nascimento de Mitra no qual, igualmente, um galo teria cantado.
Outras tradições e o galo
Nas tradições esotéricas, o galo é o símbolo da vigilância e da mente sempre desperta.Seu canto teria a função de despertar da noite escura e da ignorância para abrir os olhos à luz e à sabedoria; os que não são capazes de ouví-lo se perdem na ignorância e escuridão. Este também é um alerta que se deve sempre estar vigilante e não se desconectar da realidade, mesmo sonhando, para continuamente buscar o equilíbrio perfeito entre o consciente e o inconsciente, o real e o falso.
Na alquimia, representa as três purificações pelas quais o homem (ou a matéria) deve passar antes de alcançar a sabedoria, a ressurreição de seu Cristo interno. Era também relacionado com o momento da passagem do Enxofre ao Mercúrio, ou seja, é o “êxito do Mercúrio”, o Mercúrio filosófico no qual a “alma da obra” despertava”, possibilitando sua transmutação.
De modo similar, representava também o momento da transformação do iniciado, seu renascimento para a vida divina e/ou sua transformação psíquica, depois deste se submeter à um ritual de iniciação.
Em tradições da Maçonaria tem um significado similar, mas revestido de um sentido interno e pessoal: representa a verdadeira busca do trabalho interno e da luz, em luta constante com nosso interior escuro, e a constante vigilância necessária para isso. Ele está presente simbolicamente nos rituais de iniciação e no despertar físico e espiritual diário.
O galo é muitas vezes comparado à serpente. Exemplo disso ocorre na mitologia grega, onde ambos são atribuídos a Asclépio e intimamente relacionados com Hermes (note o caduceu) sendo ligados à evolução interior e integração da matéria e do espírito em harmonia.
O galo é também símbolo da publicidade e propaganda por ser, como um profissional da área, um anunciante do sol e despertar a atenção para um novo dia.
Histórias tradicionais com galo:
O Galo de Barcelos:
Conta tal lenda que fora cometido um crime na cidade de Barcelos, em Portugal, não se tendo contudo encontrado o culpado, o que preocupava e inquietava os habitantes barcelenses.
Um dia apareceu um galego, sobre o qual recaíram as suspeitas, sem qualquer razão plausível. As autoridades prenderam-no sem provas e o homem clamava a sua inocência, dizendo que se dirigia a Santiago de Compostela em cumprimento de uma promessa, pois era um devoto do santo, assim como de São Paulo e de Nossa Senhora. O certo é que o cidadão da Galiza, mesmo sem provas, foi condenado à morte por enforcamento. Quando estava a ser levado para o local da pena capital pediu, em nome da justiça, para ser presente ao juiz que o condenara. A autorização foi-lhe concedida e levaram-no à residência do magistrado, que se encontrava em pleno banquete com alguns amigos. Na presença do juiz voltou a clamar a sua inocência e, perante a incredulidade do juiz e dos amigos, apontou para um galo assado que se encontrava na mesa e exclamou: “É tão certo estar inocente, como é certo esse galo cantar quando me enforcarem”.
Tal declaração provocou o riso dos presentes, mas a verdade é que ninguém tocou no galo que ficou inteiro no prato. E o que parecia impossível aconteceu. No momento em que o peregrino galego estava prestes a ser pendurado pelo pescoço, o galo levantou-se do prato e cantou. O juiz correu ao local do enforcamento mas, para sua decepção, vê o peregrino de corda ao pescoço, já pendurado. Porém, o nó estava lasso e, por sorte ou por providência divina, a corda não chegou a estrangulá-lo. Foi libertado de imediato e mandado em paz.
Alguns anos mais tarde o peregrino volta a Barcelos e manda erigir um monumento (o tal cruzeiro) em homenagem à Virgem e a São Tiago.
A Crista vermelha do Galo:
A minoria étnica chinesa Miao conta como o galo adquiriu a sua crista vermelha:
Há muitos e muitos anos, quando o mundo acabara de ser criado, a Terra vivia debaixo de seis sóis e não de apenas um. Uma Primavera, após os camponeses terem preparado os seus campos já semeados, a água das chuvas não veio e os seis sóis queimaram tudo. Então o povo dirigiu-se ao imperador Yao que reinava na China e pediu-lhe ajuda. ‘Como fazer para resolver tal situação?’, questionou o imperador. Um seu conselheiro sugeriu-lhe que se tentasse acertar nos sóis e matá-los.
O Imperador chamou então os seus melhores arqueiros e determinou que apontassem para os sóis. Os arqueiros lançaram as flechas em direção aos sóis mas as flechas ficaram bem longe dos alvos.
Resolveu então solicitar ajuda ao príncipe Ho Yi de uma tribo vizinha, dado que era famoso na sua mestria de arqueiro. Ho Yi acedeu, apontou o arco, mas disse ao imperador: ‘Lamentavelmente eles estão longe demais para os poder alcançar’. De repente, olhando para o lago existente no palácio do Imperador e vendo os seis sóis nele refletidos, exclamou: ‘Mas se os temos aqui tão perto porque não alvejá-los aqui?’ E um a um, certeiramente, foi alvejando os sóis e, um a um, foram desaparecendo. Porém, o sexto, prevenindo-se, fugiu para detrás da montanha mais próxima. Os camponeses jubilaram e foram dormir descansados. No dia seguinte, porém, acordaram numa imensa escuridão pois o sexto sol, de tanto medo de ser morto, mantinha-se escondido.
Tudo foi tentado pelos camponeses: primeiro, um tigre rugindo, rugindo para o fazer sair detrás da montanha para outro local; depois, a tática inversa, uma vaca mugindo de forma apaziguadora e dócil para o acalmar e mostrar-se. Mas o Sol recusava-se a aparecer. Então um camponês trouxe um galo que cantou. E ouve-se a voz do Sol dizendo: ‘Ó que maravilhosa voz!’ E espreitando sobre a montanha fez-se, de novo, luz.
O sol, como prêmio ao belo cantor, deu-lhe uma coroa vermelha. E desde aí o galo, orgulhoso da sua coroa, canta pela aurora acordando o sol.
Treinamento do Galo:
Um conto taoista de Zhuangzi 庄子 (莊子), do séc. IV a.C.
Ji Xingzi era um treinador de galos de luta do Rei Xuan (周宣王) e estava a treinar um belo galo de combate. O rei ia-lhe perguntando como é que estava o galo, em termos de desempenho para a luta. “Ainda não está!”, respondia o treinador. “Está cheio de fogo. Está pronto para entrar numa luta com qualquer galo. É vaidoso e confiante na sua própria força.” Dez dias passaram e o rei pergunta-lhe de novo o mesmo. E ele responde: “Ainda não! Empertiga-se quando ouve o cantar de outro galo”.
Dez dias mais e o rei voltou a perguntar-lhe pelo galo de luta. “Ainda não! Ainda tem aquele olhar furioso e agita as penas”. Outros dez dias passados e o treinador informou o rei: “Agora está quase pronto. Quando outro galo cantar, os seus olhos não irão pestanejar, ficará imóvel como um galo de madeira. É um lutador maduro. Os outros galos olharão para ele e pôr-se-ão todos em fuga”.
Expressões populares
Galo cego: indivíduo que desconfia de tudo e de todos.
Galo de briga: indivíduo muito agressivo, afeito a rixas.
Cantar de galo: considerar-se vitorioso; dar ordens, impor a própria vontade sem admitir contestações.
Cozinhar o galo: fingir que está trabalhando; fazer cera, fazer hora, matar o tempo.
Ficar para galo de São Roque: ficar para titia, ficar solteirona.
Galo das trevas: candelabro triangular com 13 velas que vão sendo apagadas enquanto se cantam as diferentes partes das matinas ou ofícios da Semana Santa.
Ouvir o galo cantar sem saber onde: ter noção vaga de alguma coisa, desconhecendo sua procedência ou seu significado.
Outro galo cantaria: seria diferente; seria outro caso, para melhor.
Salgar o galo: tomar, pela primeira vez no dia, qualquer bebida alcoólica.