quarta-feira, 29 de junho de 2022

MARIA PADILHA DAS SETE ROSAS VERMELHAS

 MARIA PADILHA DAS SETE ROSAS VERMELHAS


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América é um pequeno povoado cravado no alto da serra grande, a famosa serra dos cocos. Como todo lugarejo serrano se destaca pela sua paisagem bucólica. Um clima de fresco para frio, o céu é um típico azul anil, salpicado de alvas nuvens e um verde em todos os tons reveste feito uma esplendida pintura a natureza serrana espalhando esperança por toda serrania.
Conhecida pela Lenda de Santa Feliciana, e por sua tradicional feira, onde o forte é a compra, troca e venda de animais, foi também, palco de uma linda história de amor.
Foi num såbado ensolarado que o lugarejo amanhecera tomado por um bando de ciganos que se dirigiam até aquele local com o intuito de fazer boas trocas e grandes negócios. Num minuto o bando montou sua tenda. Aquela espécie de circo colorido chamava a atenção de todos os habitantes da América. Depois da barraca montada e devidamente instalada, buscaram o rumo da feira.
Em pouco tempo a cidade ganhava nova paisagem. Ciganas com suas roupas multicores, davam um novo colorido aquela regiĂŁo, tingindo o ambiente com cores fortes e vivas. Com muita desenvoltura abordavam os serranos fazendo profecias na leitura de mĂŁos. Belos ciganos montados em seus cavalos encantavam as mocinhas sonhadoras que se animavam com tanta movimentação. Enquanto as ciganas circulavam lendo mĂŁos, os velhos e espertos ciganos munidos de farta experiĂȘncia faziam suas trocas na feira. O cigano Ribamar, um belo moreno de olhos verdes montado em seu enfeitado jumento parava na barraquinha de Rosa.
— Bota uma Serrana aĂ­!
Rosa estava de costas, quando se voltou, jå trazia a dose de cachaça na mão. Seu ouvido apurado lhe confirmava que aquela voz cantada era de um estranho. Quando os dois entreolharam-se, uma forte magia os contagiou, estavam embevecidos um com o outro. A magia por um momento os tirara do ar.
De um sĂł gole o cigano tomou a pinga, e Rosa que rubra ficara com aquele olhar penetrante, voltava a normalidade. Ali nascia um tĂ­pico caso de paixĂŁo a primeira vista. Rosa que era desimpedida iniciava com Ribamar, a contra gosto de sua famĂ­lia, uma linda histĂłria de amor. A fama dos ciganos, aquela vida nĂŽmade, e os comentĂĄrios no pequeno lugar, tudo isso foi motivo para que os pais de Rosa a trancassem a sete chaves proibindo o belo romance.
Nem Rosa nem o cigano Ribamar se conformavam com aquela proibição, e assim sendo deram um jeito de trocar recados e bilhetes. Mas tudo isso por pouco tempo, pois no sĂĄbado seguinte os ciganos levantariam acampamento. Ribamar nĂŁo poderia deixar o bando, mas nĂŁo queria deixar o seu amor e foi nesse emaranhado de pensamentos que ele resolveu que roubaria a Rosa da AmĂ©rica. Comprou, um lindo vestido vermelho, pulseiras e tiaras com medalhas dependuradas e uma rosa tambĂ©m vermelha para que sua amada , fantasiada de cigana fosse confundida com as outras ciganas do bando. Rosa lamentava deixar seus pais, mas nĂŁo suportaria viver sem o seu grande e Ășnico amor.
Concordou com a proposta de Ribamar, e enquanto seus pais trabalhavam na barraca, ela vestida de cigana subia da garupa do Giron , jumento montado por Ribamar, e mais tarde foram acompanhados pelo bando que comovido com a paixĂŁo dos jovens deu-lhes total apoio.
A América inteira sofreu com a fuga de sua Rosa. Os pais saudosos choravam por sua filha, e Rosa também não esquecera os seus entes queridos. Depois de um ano, num såbado de sol, dia de feira, ao longe se via um bando de ciganos, a exemplo de outros tempos invadindo o lugarejo. Na frente dois jumentos: um montado por Ribamar com uma criança no colo. No outro Rosa, vestida de vermelho, com uma rosa nos cabelos, e na mão uma bandeira branca pedindo paz.
Rosa era chamada pelos ciganos, Rosa vermelha, todos no bando gostavam dela. Dessa uniĂŁo nascera uma linda menina a qual deram o nome de Verbena. Rosa foi recebida com festa por todos, e perdoada por seus pais. O bando resolveu libertar Ribamar das leis ciganas para que ele enfim, pudesse ter uma vida mais sossegada e feliz ao lado da esposa que tanto se sacrificara por ele.
Contam que, desse tempo para cĂĄ, as mocinhas da AmĂ©rica quando querem conquistar suas paixĂ”es, colocam uma rosa vermelha nos cabelos, vestem um vestido tĂŁo vermelho quanto a rosa aparecendo assim, na frente do seu pretendente que ao encontrĂĄ-la nunca mais largarĂĄ do seu pĂ©. Dizem atĂ© que, jĂĄ criaram um grupo folclĂłrico que leva o nome de: “Rosa Vermelha da AmĂ©rica.”
Hoje Ă© conhecida como Maria Padilha das 7 Rosas Vermelhas.
Grande conhecedora das magias ciganas.