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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

"QUEM VIVE NA LUZ DA LUA NÃO VÊ A COBRA NO CHÃO."

 "QUEM VIVE NA LUZ DA LUA NÃO VÊ A COBRA NO CHÃO."



"QUEM VIVE NA LUZ DA LUA NÃO VÊ A COBRA NO CHÃO."
— RECADO DO EXU —
Chega mais, minha filha. Deixa eu acender a luz pra ti.
Ela vive na luz da lua — suave, bonita, sonhadora — mas essa luz não mostra o chão: esconde ele. E no chão escondido, cresce o que ela finge não ver: a cobra. Veneno disfarçado de rotina, traição vestida de calma, peçonha chamada "nosso jeito". A luz da lua é tão doce que ela parou de enxergar o que rasteja perto dos pés.
Essa ilusão virou montanha. Tudo o que ela não enfrenta cresce. Cada veneno sem nome ganha força. Cada verdade sem olhar ganha altura. E hoje a montanha é tão grande que ela chama de "destino".
Dentro de casa, silêncio pesado: palavra engolida, conversa evitada, raiz aprisionada. Trancou-se em torre pensando se proteger — e a torre virou a própria prisão.
Lá fora, o jardim secou. Sorri, aparece, cumpre o papel — mas tudo é casca. Rega flor morta com medo de aceitar que o chão ficou vazio.
Então escuta o que eu te digo:
1️⃣ Desce da lua. Acende a luz real. Olha a cobra nos olhos. Nomeia o veneno. A traição não some se fingires que não existe — cresce. Verdade dita é antídoto.
2️⃣ Abre a porta da torre. Fala o que calaste. Silêncio não é paz — é cárcere. Raiz precisa de voz, não de muro.
3️⃣ Gira a chave. O que morreu merece cova, não adubo. Enterra sem culpa. E com a mesma mão que fecha, planta em terra nova: onde há gente verdadeira, caminho aberto e luz de sol.
A chave sempre esteve na tua mão. O que faltava não era caminho — era coragem de acender a luz.
Laroyê. Mojubá. 🔱