"TEM MULHER QUE CARREGA CAIXÃO NAS COSTAS E CHAMA ISSO DE AMOR."
"TEM MULHER QUE CARREGA CAIXÃO NAS COSTAS E CHAMA ISSO DE AMOR."
— RECADO DA POMBA GIRA —
Chega mais, minha filha. Larga esse peso um instante e me escuta.
Eu vejo você andando com a coluna curvada. Não é do trabalho. Não é da idade. É da cruz que você insiste em carregar — e que nunca foi tua. E sabe qual é o nome dessa cruz? Um homem. Alguém que já morreu por dentro da relação — mas você segue carregando como se ainda estivesse vivo. Não enterra, não solta, não deixa ir: só arrasta. E carregando caixão nas costas, minha filha, ninguém floresce.
Pra aguentar o peso, você criou a névoa. Não diz o que sente. Não pergunta o que precisa saber. Não lê os sinais que estão na tua frente há anos. Esconde dos outros — e de si mesma. E nessa névoa, confunde tudo: chama de paz o que é paralisia. Chama de paciência o que é medo. Chama de lealdade o que é corrente te prendendo no mesmo lugar.
Mas escuta quem enxerga no escuro:
Caixão é pra enterrar, não pra carregar. O que morreu merece cova, não mochila. E a verdade que você engole vira névoa — e a névoa que não limpa vira cárcere.
Hoje a tua madrinha te dá três ordens:
1️⃣ Enterra o que morreu. A relação que acabou, o homem que não caminha contigo, a promessa que nunca se cumpriu. Dá cova, dá adeus, segue. Carregar defunto não ressuscita ninguém — só mata você aos poucos.
2️⃣ Fala o que cala. A conversa que foges é justamente a que clareia o caminho. Verdade dita é luz. Verdade engolida é veneno. E o segredo que guardas de ti mesma é a corrente mais pesada que existe.
3️⃣ Ancora em ti. Paz não é ficar parada com medo do mar. Paz é saber que a âncora é tua — e que tu a levantas quando quiseres. Mulher ancorada em si mesma não teme tempestade: ela navega.
Tu não nasceste pra carregar o que morreu, minha filha. Nasceste pra florir. E ninguém floresce carregando caixão.
Larga. Enterra. Fala. Navega. O resto, o mar leva. 🌹
Laroyê! Mojubá!