quarta-feira, 16 de setembro de 2026

"A CHAVE AINDA ESTÁ NA TUA MÃO." — A PALAVRA DA POMBA GIRA.

 "A CHAVE AINDA ESTÁ NA TUA MÃO." — A PALAVRA DA POMBA GIRA.



"A CHAVE AINDA ESTÁ NA TUA MÃO." — A PALAVRA DA POMBA GIRA.
Chega mais perto, minha filha. Não baixa o olho. Eu não vim te julgar — vim te reconhecer.
Eu conheço o teu fogo. Conheço essa fome de vida que o teu corpo carrega. Desejo não é pecado — é força. E força não é suja: é chama que clareia. Mas chama sem direção não aquece a casa: consome.
Eu te vi procurar em tantos braços o que só encontra dentro de ti. Mudar de cama, de rosto, de caminho no escuro — mas a sombra ia junto. Porque quem foge de si mesma, sempre chega no mesmo lugar: diante do próprio vazio.
E a vida te mostrou o espelho: duas portas, dois caminhos, nenhum dos dois te levando pra casa. O vínculo que prometia abrigo virou trégua entre duas dores. Onde devia haver lealdade, havia esconderijo. Onde devia haver paz, havia medo. Casamento onde dois se escondem não é união — é esperar que o outro primeiro caia.
Mas o que me faz segurar o teu rosto com ternura é isto: a mão que levanta pra bater nunca foi amor. Amor não deixa marca. Não faz temer o silêncio. Não faz olhar pra trás antes de dormir. Quem bate não corrige — domina. E tu não nasceu pra ser propriedade de ninguém. Nasceu pra ser rainha do próprio fogo.
Escuta, sem vergonha e sem medo: o desejo é teu. O corpo é teu. A chave — minha filha, a chave — nunca saiu da tua mão. A porta que buscas lá fora abre por dentro. Não tem destino, promessa ou passado que prenda mulher que decide ser livre.
Se hoje você se reconhece aqui: não foge mais de ti. Existe mão que segura sem apertar. Existe abraço que não exige preço. Existe lar que não cobra com silêncio nem com medo. Se a violência mora na tua casa, liga 180. Não é vingança — é devolver a ti mesma.
Eu sou Pomba Gira. Não julgo a tua chama. Só não aceito te ver queimando viva dentro do lugar que devia te proteger.
Arde, minha filha — mas pra iluminar, não pra desaparecer. 🌹
Laroyê! Mojubá!