"QUEM VIVE NA LUA NÃO VÊ A CONTA CHEGAR."
"QUEM VIVE NA LUA NÃO VÊ A CONTA CHEGAR."
— RECADO DA POMBA GIRA —
Chega mais, minha filha. Me olha nos olhos — se conseguir tirar eles da lua.
Tu vive no sonho. Constrói castelo na névoa e chama isso de esperança. Sente tanto, imagina tanto, deseja tanto — mas vê tão pouco do que tá na tua frente. E enquanto tu sonha, o fluxo da tua vida — dinheiro, amor, tempo — escorre pelos dedos como água. Porque quem não vê, não segura.
E pra esconder a névoa, tu aprendeu a enfeitar. Palavra bonita, promessa doce, sorriso comprometido. Tu promete o que não cumpre. Assina com a boca o que não sustenta com a mão. E chama isso de charme. Mas charme sem verdade, minha filha, tem nome: é vitrine.
E a tua conversa? Ah, a tua conversa… Leve feito passarinho: fofoca aqui, comentário ali, meio-verdade acolá. Tu acha que não pesa. Mas papo leve constrói montanha pesada: porta que fecha, confiança que quebra, briga que repete. E depois tu se chicoteia: sofre a mesma dor de novo, e de novo, e não entende por quê.
Eu te digo o porquê, minha filha: quem não encara a realidade, repete ela. Névoa que não se limpa vira muro. Promessa que não se cumpre vira dívida. Fofoca que se planta vira briga.
Então hoje a tua madrinha te dá três ordens:
1️⃣ Desce da lua. Sonhar é lindo — mas viver é no chão. Abre o olho pro que É, não pro que tu queria que fosse. Realidade não melhora por ser ignorada: ela cobra.
2️⃣ Alinha a boca com a mão. Promete só o que cumpre. Diz só o que sustenta. Palavra tem peso, minha filha — e quem fala demais, termina soterrada.
3️⃣ Limpa a tua conversa. Corta a fofoca, a meio-verdade, o comentário solto. Fala menos e fala verdadeiro. Porque toda palavra que tu planta cresce — e tu tem colhido chicote do que plantou leve.
A névoa se limpa no dia que tu decidir olhar. A montanha se abre no dia que a tua palavra tiver peso. E o chicote vira rosa no dia que tu parar de fugir do que é.
Desce da lua, minha filha. O chão é duro — mas é o único lugar onde flor cria raiz. 🌹
Laroyê! Mojubá!