terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Preto velho Pai Jeremias

 Preto velho Pai Jeremias



Com a implantação de fazendas de gado e cultura em solo Brasileiro, muitas vezes, ou quase sempre, sacerdotes do culto Africano chegavam trazidos como escravos pelos navios de contrabandistas, que ganhavam a vida destruindo a de outros , vindos de tão longe e com a missão dada por Oxalá de divulgar sua Religião, engrandecendo outras terras com sua sabedoria e bondade. Entre estes chegava então um jovem que estava predestinado a ensinar amor e sabedoria. ;inda menino foi introduzido no trabalho árduo e sem trégua ; por sua bondade e sabedoria logo cativou a todos, até mesmo seus senhores, que percebendo sua condição de tratar com animais feridos ou doentes, solicitavam sempre seus serviços, logo estando este, que seria um sacerdote em sua terra , curando e tratando pessoas a pedido de seus senhores. Era ele então tratado diferente em meio a tanta crueldade.Todos eram socorridos por Pai Preto como era chamado pelos brancos.

A fama de pai Preto correu longe em solo brasileiro, tanto que chegou sem tardar ao conhecimento dos missionários vindos para catequizar os povos da nova terra . Pai Preto tinha então 85 anos, já velho e quase não mais conseguia andar, o que não impedia de continuar com suas curas e benzeduras. Mas chegou a ordem e a orientação: Pai Preto era "feiticeiro e deveria morrer como todos de sua época.

Os seus antigos senhores não tiveram coragem de cumprir a missão, e então combinaram de esconder Pai Preto, e este ficaria assim até à morte, cuidando é claro dos interesses de seus senhores. Mas Pai Preto que nunca soube dizer não ou se intimidar por qualquer perigo, não se deteve e continuou com suas mirongas , suas rezas e sua caridade sem fim. Logo a noticia correu , seria um fantasma ou quem sabe ele teria ressuscitado para desafiar quem mandava?

Nova ordem chegou: então o "feiticeiro deveria ser desenterrado e sua cabeça arrancada do corpo e enterrada em outro local. Somente assim o "mal" deixaria de existir. Aqueles que tentaram esconder Pai Preto, agora com medo, decidiram matá-lo e cumprir o que lhes foi ordenado, tendo assim, aos 86 anos, Pai Preto deixado o plano físico para trabalhar com suas mirongas em planos mais elevados. Hoje, nós que aprendemos a amar a Umbanda com toda sua sabedoria, aprendemos sempre um pouco com aqueles que deixaram esta grande lição de vida e humildade. Pai Preto é hoje para nós pai Jeremias do Cruzeiro, que ao lado de Omulu traz a cura para os sofredores dos dois planos. Pai Jeremias recebeu de Oxossi o direito de trabalhar em sua vibração, o que para nós só é motivo de mais felicidade, pois como raizeiro e conhecedor das matas, levou para o plano espiritual este conhecimento para a bênção dos filhos da terra.

Salve Pai Jeremias
Salve todos os Pretos Velhos

Fonte: Frat. Esp. Mons. Horta

Pai Jeremias do Cruzeiro: O Sábio que Curava com Raízes e Rezava com Estrelas

Nas entranhas do Brasil colonial, onde o chicote cortava almas e o suor regava campos que não pertenciam a quem os cultivava, chegou um menino de olhos serenos e mãos que curavam antes mesmo de aprender a falar. Seu nome verdadeiro foi esquecido pelo tempo — mas sua missão ecoa até hoje nos terreiros, nas matas e nos corações aflitos: Pai Jeremias do Cruzeiro, o Preto-Velho que transformou dor em caridade e escravidão em santidade.

A Chegada: Um Filho de Oxalá nas Trevas da Carreira

No ano de 1738, um navio negreiro atracou clandestinamente na costa de Ilhéus, Bahia. Entre os corpos amontoados no porão, quase sem ar, estava um garoto de uns dez anos, nascido nas margens do rio Ogun (na atual Nigéria). Filho de Yewá D’Oshun, sacerdotisa de Oxalá, e de Babá Femi, curandeiro da floresta sagrada, fora consagrado ainda no ventre à missão de levar a luz de Oxalá além das águas turbulentas.

Seu povo chamava-o de Adéyẹmí — “a coroa me honra”. Mas no Brasil, onde nomes eram apagados como folhas ao vento, tornou-se apenas “Jeremias”, dado por um padre que lia a Bíblia enquanto os escravos desembarcavam.

Vendido a uma fazenda de gado no interior da Bahia, logo demonstrou dom incomum: entendia o gemido dos bois feridos, acalmava cavalos assustados e, com folhas colhidas ao luar, curava febres que os senhores julgavam mortais. Não usava magia — usava sabedoria ancestral, herdada dos ancestrais e guiada por Oxalá, o pai de todos os orixás.

O Amor que Nunca Teve Nome

Jeremias jamais se casou, mas amou profundamente — não com paixão carnal, mas com compaixão universal. Dizem que, certa vez, salvou uma jovem escrava grávida de ser chicoteada até a morte. Escondeu-a na mata por semanas, alimentando-a com mingau de milho e banhos de manjericão. Quando ela deu à luz, chamou o menino de “Filho de Jeremias” — não por sangue, mas por graça.

Esse gesto, entre tantos, fez com que até os feitores o respeitassem. Não era visto como escravo, mas como “pai” — aquele que cuida, ensina, protege. Os brancos o chamavam de “Pai Preto”, com um misto de temor e admiração.

A Perseguição: Quando a Fé Vira Ameaça

Com o avanço da Igreja Católica na colônia, missionários passaram a ver as práticas africanas como “obra do demônio”. Em 1823, já com 85 anos, Jeremias caminhava com dificuldade, apoiado num cajado de angico, mas continuava rezando, benzendo e preparando mirongas — remédios espirituais feitos de ervas, fé e palavras sagradas.

Sua fama chegou aos ouvidos do Padre Inácio de Monsaraz, um jesuíta rigoroso enviado para “purificar” a região. Ao saber que “um velho negro curava com encantamentos”, declarou:

“Esse feiticeiro é instrumento do maligno. Sua alma deve ser extinta, e seu corpo separado, para que seu espírito não volte.”

Seus antigos senhores — agora velhos também — tentaram escondê-lo numa cabana nos fundos da fazenda. Mas Jeremias, fiel à sua missão, não se calou. Continuou atendendo quem batia à sua porta, fosse branco, negro, índio ou mestiço.

Quando a ordem veio pela segunda vez — “cortem-lhe a cabeça e enterrem-na longe do corpo” — os senhores, tomados pelo medo, cumpriram. Assim, aos 86 anos, Jeremias partiu deste plano com um último suspiro de oração:

“Oxalá… que minha morte seja semente. Que minhas raízes curem além da terra. Axé…”

A Ascensão: Do Cruzeiro à Linha da Cura

No plano espiritual, sua alma foi recebida por Omolu, o orixá da cura, da transformação e da misericórdia. Impressionado com sua humildade e serviço incondicional, Omolu o consagrou como Pai Jeremias do Cruzeiro — pois foi sob um cruzeiro solitário, onde costumava rezar, que seu corpo foi enterrado em segredo.

Mas Oxóssi, Senhor das Matas e guardião do conhecimento vegetal, também reconheceu nele um filho. Por isso, Pai Jeremias atua na Linha de Oxóssi, embora sua essência vibre com a misericórdia de Omolu e a paz de Oxalá.

Hoje, ele é um dos mais amados Pretos-Velhos da Umbanda: fuma cachimbo para limpar energias, oferece conselhos com doçura, e suas mirongas curam não só o corpo, mas a alma.

Como Trabalha Pai Jeremias do Cruzeiro?

  • Cura doenças crônicas e espirituais: especialmente aquelas ligadas à tristeza, solidão e abandono.
  • Prepara mirongas: remédios espirituais com ervas, água, mel e oração.
  • Protege idosos e crianças: é pai amoroso dos mais vulneráveis.
  • Dissolve obsessões: com fumaça de cachimbo e palavras de consolo.
  • Ensina humildade: sua maior lição é que servir é a mais alta forma de poder.

Sua presença é sentida como um cheiro de fumo doce misturado a alecrim, e um calor suave nos ombros — como se alguém colocasse uma mão protetora sobre você.


Como Montar o Altar de Pai Jeremias do Cruzeiro

Local ideal:

Canto tranquilo, preferencialmente voltado para o sul (direção de Omolu) ou centro da casa (equilíbrio).

Elementos essenciais:

  • Imagem: um Preto-Velho sentado, fumando cachimbo, com bengala e chapéu de palha.
  • Velas: branca (Oxalá), marrom (terra, ancestralidade) ou verde (Oxóssi).
  • Cachimbo de barro (mesmo que simbólico, nunca plástico).
  • Taça com água fresca (trocar diariamente).
  • Ervas: arruda, guiné, alecrim, manjericão, folha-de-costa, boldo.
  • Oferecimento: café coado forte (sem açúcar), rapadura, pão caseiro, mel de engenho.
  • Objetos: bengala de madeira, chapéu de palha, cestinha com grãos (feijão, milho).

Importante: nunca ofereça álcool nem carne. Pai Jeremias bebe café da manhã com Deus — simples, puro, humilde.


Oferendas e Mirongas para Situações Específicas

1. Para cura de doença prolongada ou depressão espiritual

  • Dia: segunda-feira (dia de Omolu).
  • Mironga:
    • 1 xícara de café coado
    • 1 colher de mel
    • 3 folhas de boldo
    • 1 vela branca
  • Ritual: coloque tudo no altar. Peça:

    “Pai Jeremias do Cruzeiro, tu que curavas com as mãos e o coração, cura agora minha alma cansada. Leva embora esta tristeza que me prende, esta dor que não passa. Que tua mironga me dê forças para seguir. Axé!”

Ofereça o café à terra após 24h.

2. Para proteção de idoso ou criança doente

  • Dia: sexta-feira (dia de Oxalá).
  • Oferenda:
    • 1 vela branca
    • Pão caseiro com mel
    • Água de coco
  • Ritual: deixe no altar com uma foto da pessoa. Reze:

    “Pai Jeremias, vela por quem não pode se defender. Guarda este(a) filho(a) com teu cachimbo de bênção. Que Omolu envolva em seu manto sagrado. Axé!”

Enterre o pão em jardim após 7 dias.

3. Para dissolver obsessão ou pensamentos negativos

  • Dia: qualquer dia, mas melhor na lua minguante.
  • Ritual com cachimbo simbólico:
    Acenda um incenso de alecrim ou use um cachimbo com fumo natural (se possível). Enquanto a fumaça sobe, diga:

    “Pai Jeremias, sopra tua fumaça santa sobre mim. Leva embora toda energia pesada, todo pensamento que não é meu. Que tua paz encha meu peito. Axé!”

Visualize a fumaça limpando seu campo energético.


Oração Simples para Invocar Pai Jeremias

“Salve Pai Jeremias do Cruzeiro,
Velho sábio das matas e dos corações!
Tu que curavas sem cobrar,
Que rezavas sem ser visto,
Que amavas sem pedir nada em troca…
Hoje eu te chamo com fé e humildade.
Cura minhas dores,
Ilumina meus caminhos,
E ensina-me a servir como tu serviste.
Axé, meu pai!
Axé, meu guia!
Axé, eternamente!”


A Lição de Pai Jeremias

Ele não lutou com armas — lutou com bondade.
Não acumulou riquezas — acumulou graças.
Não buscou glória — buscou alívio para o próximo.

Por isso, quando você sentir o peso do mundo, lembre-se: há um velho sábio sentado sob um cruzeiro, fumando seu cachimbo, esperando apenas que você peça ajuda com o coração aberto.


#paijeremias #pretovelho #umbanda #omolu #oxossi #oxala #curaespiritual #mirongas #terreiro #filhodesanto #espiritualidadeafrobrasileira #sabedoriamilenar #proteçãoancestral #axé #devocao #rituaisdepaz #entidadesdeluz #salveospretosvelhos

https://web.facebook.com/share/g/1CVKjC4Ktw/