quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A Sagrada Falange dos Pretos Velhos: Guardiões da Sabedoria, da Cura e da Justiça na Umbanda

 A Sagrada Falange dos Pretos Velhos: Guardiões da Sabedoria, da Cura e da Justiça na Umbanda

A Sagrada Falange dos Pretos Velhos: Guardiões da Sabedoria, da Cura e da Justiça na Umbanda
📿 "Quando o fumo sobe em espiral, o tempo se curva. E é nesse silêncio sagrado que os Pretos Velhos chegam — com suas bengalas de sabedoria, seus cachimbos de cura e olhos que viram séculos."

Na vastidão luminosa da Umbanda, poucas falanges tocam o coração humano com tanta ternura, firmeza e profundidade quanto a Falange dos Pretos Velhos. São almas ancestrais, espíritos de velhos africanos e afrodescendentes que viveram sob o peso da escravidão, mas que, após a libertação do corpo físico, ascenderam como guias espirituais de imensa compaixão, justiça e sabedoria ancestral.

Esses seres veneráveis não são apenas “entidades” — são pontes entre o mundo material e o divino, mediadores entre as leis humanas e as leis cósmicas. Eles atuam com paciência infinita, ensinando através da dor transformada em lição, da humildade cultivada na adversidade e da fé mantida mesmo nas trevas.


🌍 As Sete Grandes Falanges dos Pretos Velhos

Cada grupo de Pretos Velhos está ligado a uma região ancestral africana, carregando consigo as vibrações, costumes, linguagens simbólicas e energias específicas daquele povo. Essas falanges não são divisões rígidas, mas correntes vibracionais distintas, cada uma com sua especialidade espiritual e campo de atuação dentro da Lei de Umbanda.

1. Falange da Costa – Rei Cambinda

Originária da costa ocidental da África, especialmente das regiões que hoje compreendem Gana, Togo e Benim, esta falange é guiada pelo majestoso Rei Cambinda. Seus filhos trazem a força da realeza ancestral, a disciplina dos antigos reinos e a sabedoria dos sacerdotes da terra. Atuam com grande ligação à justiça divina e ao equilíbrio kármico, muitas vezes trabalhando em conjunto com Xangô. São mestres em ensinar a responsabilidade pelas próprias escolhas.

2. Falange de Congo – Rei Congo

Sob a regência do poderoso Rei Congo, essa falange provém do antigo Reino do Congo (atual Angola, República Democrática do Congo e Congo-Brazzaville). São Pretos Velhos de postura real, voz grave e presença imponente. Trabalham intensamente na desobsessão espiritual, no corte de demandas antigas e na proteção contra energias negativas. Muitos atuam na linha de Iansã, com fogo sagrado que purifica e renova.

3. Falange de Angola – Pai Joaquim

Talvez a mais conhecida entre os umbandistas, a Falange de Angola é liderada por Pai Joaquim de Angola, um dos mais amados Pretos Velhos da Umbanda brasileira. Sua energia é profundamente ligada a Ogum, o Orixá da guerra justa, do trabalho e da tecnologia. Pai Joaquim abre caminhos com sua enxada simbólica, ensina a lutar com honra e jamais desistir. É o pai que acolhe o filho cansado, oferece seu cachimbo e diz: “Filho, tudo passa… até a dor.”

4. Falange de Guiné – Pai Guiné

Vindos da região da Guiné (Costa da Guiné, incluindo países como Guiné-Conacri, Guiné-Bissau e Serra Leoa), os Pretos Velhos desta falange são guiados por Pai Guiné, um espírito de grande sensibilidade e intuição. Atuam com forte ligação às energias telúricas, à cura emocional e à proteção familiar. São excelentes conselheiros em momentos de indecisão e transição.

5. Falange de Moçambique – Pai Gerônimo

Provenientes do sul da África, especialmente Moçambique, esses Pretos Velhos são conduzidos por Pai Gerônimo, um guia de profunda serenidade e sabedoria medicinal. Sua falange tem forte afinidade com Omolu/Obaluayê, atuando na cura de doenças físicas e espirituais, especialmente aquelas ligadas ao sofrimento coletivo e às epidemias kármicas. São mestres da transmutação da dor em luz.

6. Falange de Luanda – Povo Oriente – Pai José

Embora "Luanda" seja uma cidade angolana, nesta classificação espiritual, a Falange de Luanda está associada ao Povo Oriente, sob a orientação de Pai José. Aqui, "Oriente" não se refere ao Extremo Oriente asiático, mas sim a uma dimensão espiritual elevada — uma Aruanda interna. Esses Pretos Velhos atuam na linha de Oxalá, irradiando paz, pureza e misericórdia. São os que acolhem as almas em desespero e as envolvem em um manto de luz branca.

7. Falange de Bengala – Povo do Espaço – Pai Tomé

Uma das falanges mais misteriosas e cósmicas, a Falange de Bengala é liderada por Pai Tomé e vinculada ao Povo do Espaço. Apesar do nome "Bengala", não há relação direta com a Índia; trata-se de uma designação simbólica usada na época da escravidão para identificar africanos de regiões distantes ou desconhecidas. Esses Pretos Velhos trazem conhecimentos interdimensionais, atuando na limpeza de obsessões complexas, na abertura de portais energéticos e na ligação com as hierarquias superiores da espiritualidade. São guardiões do equilíbrio entre o visível e o invisível.


🕊️ Os Codinomes Sagrados: A Linguagem Simbólica dos Pretos Velhos

Durante a escravidão, os africanos eram frequentemente nomeados conforme sua origem geográfica. Na espiritualidade, essa prática foi transmutada em símbolos vibracionais que indicam a linha de atuação e a afinidade orixálica de cada Preto Velho:

  • Congo → Ligação com Iansã: fogo, movimento, transformação.
    Ex: Pai Francisco do Congo
  • Aruanda → Ligação com Oxalá: paz, pureza, redenção.
    (Aruanda = "céu" na língua banto)
    Ex: Pai Francisco de Aruanda
  • D’Angola → Ligação com Ogum: coragem, trabalho, justiça.
    Ex: Pai Francisco D’Angola
  • Das Matas → Ligação com Oxóssi: caça espiritual, intuição, floresta sagrada.
    Ex: Pai Francisco das Matas
  • Da Calunga / do Cemitério / das Almas → Ligação com Omolu/Obaluayê: cura, morte simbólica, renascimento.
    Ex: Pai Francisco da Calunga

Outras variações incluem: da Serra, da Bahia, do Rio, do Engenho, do Quilombo, do Mar, cada uma revelando um aspecto específico da jornada terrena e espiritual desses guias.

Vale lembrar: muitos se apresentam como Tio, Tia, Vó, Vô, Mãe ou Pai, mas todos pertencem à mesma irmandade sagrada — a dos Pretos Velhos. A forma de tratamento reflete a intimidade que estabelecem com seus filhos de fé, nunca diminuindo sua grandeza espiritual.


💫 A Missão dos Pretos Velhos na Terra

Os Pretos Velhos não vêm para realizar milagres instantâneos. Eles vêm para ensinar.
Ensinar que a dor pode ser mestra.
Que a humildade é força.
Que a paciência é revolução.
Que o perdão liberta — primeiro a quem perdoa.

Eles trabalham nos terreiros, nas encruzilhadas, nos cemitérios, nas matas, mas também nos corações. Acendem velas onde há escuridão interior. Oferecem café amargo para quem precisa despertar. E, com um sorriso suave sob a barba branca, sussurram:

“Filho, senta aqui… vamos conversar.”

Nesse diálogo silencioso entre alma e guia, nasce a cura verdadeira.


🌿 Em Respeito e Devoção

Trabalhar com os Pretos Velhos exige respeito, simplicidade e sinceridade. Não se enganam com palavras vazias nem com oferendas feitas por obrigação. Valorizam o gesto humilde, a palavra verdadeira e o coração aberto. Por isso, ao se aproximar deles, vá com fé — mas, sobretudo, com humildade.

Porque, no fim, os Pretos Velhos não querem devotos...
Querem filhos conscientes, capazes de transformar a própria dor em luz para iluminar outros caminhos.


🪔 Axé, Saravá e Salve os Pretos Velhos!