quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Erê Mariazinha da Beira do Rio: A Criança que o Rio Abraçou e Oxum Adotou

 

Erê Mariazinha da Beira do Rio: A Criança que o Rio Abraçou e Oxum Adotou


Erê Mariazinha da Beira do Rio: A Criança que o Rio Abraçou e Oxum Adotou

Nas margens de um rio bravo, onde as águas cantam histórias antigas e os juncos sussurram segredos, viveu uma menina de olhos curiosos e riso fácil. Seu nome era Mariazinha — não sobrenome, não título, apenas Mariazinha da Beira do Rio, como todos naquela pequena vila ribeirinha a chamavam. Era uma criança inquieta, cheia de vida, que corria descalça entre as pedras, colhia flores silvestres e falava com os peixes como se fossem seus irmãos.

Seus pais, humildes pescadores, amavam-na profundamente, mas tinham pouco tempo para cuidar dela. Sua irmã mais velha, Lúcia, via aquela menina como um fardo — barulhenta, bagunceira, sempre atrapalhando. “Por que você não some?”, costumava dizer, com raiva contida nos olhos.

E num dia quente de verão, quando o sol queimava a terra e o rio parecia mais vivo que nunca, Lúcia perdeu a paciência. Após uma das travessuras de Mariazinha — ter escondido suas roupas no fundo do poço —, empurrou-a com força na beira do rio. “Suma, então! Vai brincar com as águas!”, gritou, virando as costas.

Mas o rio não era brincadeira.

Mariazinha, com apenas sete anos, não sabia nadar. Seus braços se agitaram, sua boca abriu-se em busca de ar… e então, algo extraordinário aconteceu. As águas, em vez de engoli-la com frieza, envolveram-na com carinho. Ela viu o rio sorrir — sim, sorrir — com olhos dourados e cabelos de espuma. Sentiu-se acolhida, como se finalmente tivesse encontrado seu verdadeiro lar.

E foi ali, entre o mundo dos vivos e o reino das águas, que as Yabás — as mães divinas — foram chamadas.

A Escolha de Oxum

As águas vibraram, e as entidades femininas do plano espiritual se reuniram. Iemanjá, majestosa, observou com ternura. Nanã, sábia, ponderou o destino da alma. Mas foi Oxum, a orixá das águas doces, do amor, da beleza e da astúcia, quem se adiantou:

“Essa menina é minha. Cheia de graça, travessa, mas pura. Será minha filha no astral.”

Mariazinha, mesmo em espírito, não perdeu sua essência. Com voz de anjo e olhar travesso, pediu:

“Mãe Oxum… quero cordão dourado, pulseira de contas, espelho pra me ver bonita, flores perfumadas, doces de leite e perfume de jasmim!”

Oxum riu — um riso que fez as cachoeiras dançarem — e disse:

“Tudo isso terás, minha filha. E muito mais: serás guardiã das crianças perdidas, voz dos que não têm voz, luz nas margens escuras.”

Mas Oxum não perdoaria a injustiça.

Sabendo da crueldade de Lúcia, chamou Menina do Rio, uma Pombogira Erê ligada às águas turbulentas e à justiça imediata. “Ensina essa menina a respeitar a vida”, ordenou.

Naquela mesma semana, Lúcia voltou ao rio, talvez por remorso, talvez por curiosidade. Ao se aproximar da beira, sentiu uma mão gelada agarrar seu tornozelo. Foi puxada para dentro, sem chance de gritar. Nas profundezas, viu uma menina de vestido vermelho e olhos flamejantes — a Menina do Rio — que lhe sussurrou:

“Se não contar a verdade aos teus pais, eu te espero no astral… e lá, ninguém te salvará.”

Apavorada, Lúcia saiu cambaleando da água, tossindo, tremendo. Correu para casa e, aos prantos, confessou tudo.

Dias depois, mergulhadores encontraram o corpo de Mariazinha no fundo do rio. Intacto. Sereno. Sorrindo. Como se dormisse. A vila inteira chorou. Muitos disseram que ela era uma santa. Outros, que o rio a havia santificado.

Lúcia foi levada à prisão — não por maldade humana, mas por justiça divina. Passou anos encarcerada, dizem que sempre ouvindo o som de risadas infantis vindas do rio.

E Mariazinha?
Ela ascendeu.

Hoje, Erê Mariazinha da Beira do Rio trabalha na Linha das Crianças, sob a regência de Oxum, com influência de Iemanjá (nas águas profundas) e Pombogira Menina (na justiça rápida). Ela atua especialmente em causas ligadas a:

  • Crianças em sofrimento (abandono, violência, adoecimento);
  • Proteção de médiuns infantis ou sensíveis;
  • Desmanchar magias feitas com inveja de inocência;
  • Trazer alegria onde há tristeza crônica.

Seu ponto de força é qualquer margem de rio, lago ou fonte natural — especialmente ao entardecer, quando o sol beija a água.


Passo a Passo: Como Montar o Altar de Erê Mariazinha da Beira do Rio

Montar o altar de Mariazinha exige carinho, simplicidade e respeito pela infância sagrada. Nada de objetos caros ou artificiais. Tudo deve lembrar a pureza da beira do rio.

1. Escolha o Local

  • Um canto tranquilo da casa, longe de banheiros e cozinhas.
  • Pode ser uma mesa baixa (altura de criança) ou uma prateleza coberta com pano branco ou amarelo-claro.

2. Toalha e Base

  • Use pano branco (pureza) ou amarelo-dourado (ligação com Oxum).
  • Evite estampas ou tecidos sintéticos.

3. Imagem ou Representação

  • Uma estatueta de criança negra ou morena, com vestido simples (pode ser amarelo, branco ou com detalhes dourados).
  • Se não tiver estatueta, use uma imagem impressa de uma menina sorrindo, com flores no cabelo.
  • Nunca use bonecas de plástico industrializadas — prefira madeira, cerâmica ou papel reciclado.

4. Elementos Essenciais do Altar

Coloque, com amor, os seguintes itens:

  • Espelho pequeno de vidro (para ela se ver “bonita” — símbolo de autoestima e proteção contra inveja);
  • Cordão dourado ou de contas amarelas (7 ou 21 contas, ligação com Oxum);
  • Pulseira de miçangas amarelas ou douradas;
  • Vidrinho com água de rio ou cachoeira (se não tiver, use água mineral + 3 gotas de essência de jasmim);
  • Flores frescas: margaridas, cravinas amarelas ou lírios brancos;
  • Perfume suave: jasmim, flor de laranjeira ou mel de cana;
  • Doces tradicionais: pé-de-moleque, cocada branca, quindim, brigadeiro de colher;
  • Brinquedos simbólicos: um pião de madeira, uma bola de pano, um barquinho de papel;
  • Vela branca ou amarela-clara (acender sempre às quartas-feiras ou em luas crescentes).

5. Manutenção

  • Troque flores e doces toda semana.
  • Limpe o altar com água de cheiro de alfazema + arruda.
  • Nunca deixe o espelho virado para baixo — isso “entristece” a Erê.

Oferendas para Situações Específicas

1. Para proteger uma criança em perigo:

  • Ofereça cocada branca, leite com mel e uma flor de margarida.
  • Deixe na beira de um rio limpo (ou em vaso com terra e água, se não houver acesso).
  • Diga:

    “Mariazinha da Beira do Rio, cobre essa criança com teu sorriso. Que nenhuma sombra toque seu caminho.”

2. Para curar a tristeza de uma alma infantil (encarnada ou desencarnada):

  • Prepare um banho de flores: jasmim, alecrim-branco e folha-de-costa.
  • Deixe repousar sob a lua. Use para limpar o ambiente ou borrifar suavemente.
  • Acenda vela branca e chame:

    “Erê Mariazinha, traz de volta a alegria que foi roubada. Que o rio da vida volte a correr leve.”

3. Para justiça em casos de abuso infantil:

  • Ofereça água de coco, mel e um espelho pequeno na encruzilhada próxima a um rio.
  • Invoque:

    “Mariazinha, chama a Menina do Rio! Que a verdade venha à tona, e que a justiça das águas se faça.”


Uma Presença que Encanta e Protege

Nos terreiros, quando Erê Mariazinha incorpora, ri alto, corre pelo salão, pede doce e faz caretas. Mas basta alguém mencionar uma criança sofrendo que ela para, abaixa a cabeça e diz, com voz séria:

“Isso não pode… ninguém machuca os pequenos.”

Ela é inocência com poder, alegria com justiça, dor transformada em proteção.

Se você for à beira de um rio ao entardecer, e ouvir uma risada infantil vinda das águas…
Não tenha medo.
É só Mariazinha, brincando…
E vigiando.


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