O Perdão de Iansã: Um Relato Emocionante sobre Fé, Preconceito e Amor Eterno
O Perdão de Iansã: Um Relato Emocionante sobre Fé, Preconceito e Amor Eterno
"O amor verdadeiro não conhece barreiras, nem mesmo as da morte. E a fé, quando genuína, sobrevive até mesmo às tentativas de destruição."
Muitas vezes, dentro de nossos próprios lares, travamos batalhas silenciosas entre a fé e o preconceito. Histórias de intolerância religiosa doméstica são mais comuns do que imaginamos, mas poucos relatos ilustram com tanta maestria o poder do arrependimento e a misericórdia dos Orixás quanto este conto dramático.
Baseado no relato dramatizado por Felipe Caprini, trazemos abaixo uma narrativa tocante sobre um pai, uma mãe e a força invencível de Iansã.
🥀 A Fé Resistente: A História de Sandra e Seu Marido
O Preconceito Dentro de Casa
A história começa com uma perda: a morte da mãe em 2011. Mas o verdadeiro drama se desenrola nos 32 anos de casamento que a antecederam. Enquanto ela era uma mulher forte, filha de Iansã, que já se preparava espiritualmente para sua partida, seu marido vivia preso a dogmas e preconceitos.
Ele era um homem duro, agressivo verbalmente e intolerante. Embora nunca tenha levantado a mão para a esposa, suas atitudes feriam profundamente a espiritualidade dela:
- Proibia o uso do carro para ir ao terreiro, obrigando-a a ir de ônibus.
- Negava dinheiro para as obrigações, forcing-a a pedir emprestado.
- Destruía símbolos de fé: Em um episódio marcante, ao descobrir que a estátua de Santa Bárbara (sincretismo de Iansã) era objeto de culto, ele a quebrou no chão, espalhando cacos pela cozinha.
A Resistência nas Rosas
Mesmo sem poder ter imagens dentro de casa, a fé de Sandra não se apagou. Ela criou um altar improvisado: um vaso de flores.
- Rosas vermelhas, amarelas e rosadas.
- Uma vela acesa ao lado.
- Preces silenciosas para sua Mãe Espiritual.
Anos depois, quando a filha adulta começou a ajudá-la, Sandra pôde voltar ao terreiro, trabalhar como costureira e ter seu próprio dinheiro. Mesmo doente, até o último momento, ela manteve sua conexão com a gira, incorporando Iansã com a força de um redemoinho.
💔 A Morte e o Despertar da Consciência
O Grito de Dor
Quando Sandra faleceu devido a complicações cirúrgicas, a máscara do marido se quebrou. Aquele homem sério e "duro" desmoronou.
- Quebrou tudo no corredor do hospital.
- Gritava o nome "Sandra" ensurdecedoramente.
- Tentou abrir o caixão no cemitério e teve que ser sedado.
O luto revelou o amor que ele sempre sentiu, mas nunca soube expressar, e o peso do remorso por tudo o que fez contra a fé dela.
A Descoberta na Sapateira
No dia seguinte ao enterro, ao organizar as coisas da esposa, o viúvo encontrou uma caixa de sapatos na sapateira. Não havia sapatos ali.
- Havia pétalas de rosas secas.
- Havia os cacos da estátua de Santa Bárbara quebrada anos atrás.
Ela guardou tudo. Cada pedaço da fé que ele tentou destruir, ela preservou com amor. Aquela descoberta foi o gatilho para a transformação dele.
🌹 A Redenção no Terreiro
A Estátua Remendada
Na quarta-feira seguinte, dia de gira, o viúvo pediu para ir ao terreiro levar as doações das roupas da esposa. Mas ele levou algo mais no banco de trás do carro, embrulhado em jornal.
Durante a gira, quando os atabaques chamaram Iansã, e uma médium incorporou a Orixá girando como um vendaval, o homem não se conteve.
- Pulou a correntinha de proteção.
- Ajoelhou-se diante da médium.
- Entregou o embrulho.
Dentro do jornal estava a estátua de Santa Bárbara. Ele havia passado a semana inteira colando cada caco, preenchendo com massa e pintando novamente. A estátua estava remendada, cicatrizada, mas inteira.
Entre lágrimas, ele implorava:
"Fala para ela me perdoar, por favor... Eu não sei viver sem ela..."
Iansã acolheu a estátua, colocou no Conga e beijou a testa do homem. O perdão havia sido concedido.
🕊️ O Último Suspiro e a Mensagem Final
O Encontro Espiritual
Após aquele dia, o pai definhou. O remorso e a saudade consumiram suas forças. Ele passava os dias agarrado a um vestido velho da esposa.
Na manhã de sua partida, ele contou à filha que tivera um sonho:
- Sandra apareceu no quarto e disse que o perdoava.
- No corredor, havia uma mulher negra, alta, vestida de vermelho.
- Sandra explicou: "Aquela é a minha mãe de verdade." (Referindo-se a Iansã, sua mãe espiritual).
A Partida
Ao finalizar o relato, um vento frio entrou pela janela. A caixa de sapatos com as pétalas secas se abriu e as rosas voaram pelo quarto. O pai fechou os olhos e sorri, partindo em paz.
A filha, que hoje frequenta o mesmo terreiro, diz ser filha de Iemanjá, mas nas giras de Iansã sente-se mexida. No ar, entre o perfume das flores e a energia do vento, ela sente o cheiro do perfume de sua mãe.
🔮 Lições Espirituais deste Relato
Este conto, embora dramatizado, traz verdades profundas sobre a espiritualidade de matriz africana:
- A Fé não se Quebra: Assim como os cacos foram guardados, a fé verdadeira sobrevive à oposição. Iansã é a guerreira que luta dentro de nós mesmo quando tudo parece perdido.
- O Perigo da Intolerância: O preconceito religioso dentro de casa gera karma e sofrimento. O pai sofreu em vida pela sua ignorância espiritual.
- Nunca é Tarde para o Perdão: Mesmo após a morte física, o espírito pode buscar reparação. O ato de colar a estátua simbolizou colar sua própria alma fragmentada.
- A Presença dos Guias: A morte não é o fim. O sonho e o vento no quarto confirmam que o amor e a proteção espiritual permanecem.
- Sincretismo como Resistência: Santa Bárbara foi a forma encontrada por muitos ancestrais para cultuar Iansã em tempos de perseguição. Quebrar a santa era quebrar a conexão, mas a energia (as rosas) permaneceu.
🙏 Homenagem e Reflexão
Que este relato sirva de alerta para aqueles que julgam a fé alheia e de consolo para aqueles que, como a mãe desta história, mantêm sua luz acesa mesmo na escuridão da incompreensão.
Iansã, a Senhora dos Ventos e das Tempestades, também é a mãe que acolhe, perdoa e transforma a dor em evolução.
Oiá Iansã!
Salve a memória dos que partiram.
Salve a fé que não se cala.
📝 Créditos e Autoria
⚠️ Nota Importante: Este artigo é uma compilação e análise baseada no relato dramatizado original.Autoria do Texto Original e Dramatização: Felipe Caprini Título Original: "Quando minha mãe morreu"Respeite a propriedade intelectual. Não copie ou reposte sem os devidos créditos.
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Que a paz de Oxalá e o vento de Iansã soprem sobre sua vida.