quarta-feira, 23 de maio de 2018

O que é e como se utiliza o Adjá na Umbanda


            

    Certamente muitas pessoas que acompanham algum terreiro de Umbanda já puderam observar o uso do Adjá; e mesmo com a curiosidade elevada não se aprofundaram mais sobre esse objeto por acreditar ser apenas uma sinetinha que é utilizado para chamar a atenção dos médiuns no início dos trabalhos da casa.

    Pois bem, ele não serve apenas para essa função, e vamos tentar demonstrar a grande importância desse instrumento para a nossa Umbanda.

    O Adjá, também conhecido por Adjarin, ou Ajá, ou Aajá, é uma sineta de metal, muito utilizada pelos Zeladores da Umbanda em diversas ocasiões. Ele pode ser de uma, duas ou três sinetas, e o cabo pode ser do mesmo material das sinetas, podendo ser esse cabo de bronze, metal dourado ou prateado, ou também pode ser o cabo de madeira. Normalmente quando assim o é, se faz firmezas com fitas ou palha, conforme a recomendação do Mentor da casa. Esses firmamentos são feitos pelo próprio Mentor ou pelas Entidades referentes ao firmamento.

    Na Umbanda, como dissemos, o Adjá é utilizado em vários momentos, podendo ser usado no desenvolvimento mediúnico e espiritual dos filhos da casa, no preparo do amaci, na chegada de alguma Entidade de descarrego, como um Falangeiro de Omulú, por exemplo, no encaminhamento de algum espírito trevoso, ou quando a Entidade responsável pela Gira solicita a utilização do Adjá.

    O Adjá só pode ser usado pelo Zelador da casa, ou por alguém de extrema confiança do dirigente e mesmo assim com permissão do Mentor do terreiro.

    Esse divino instrumento tem uma magia extrema na espiritualidade, pode ser considerada a campainha desbloqueadora de campos mentais; retirando todas as cargas negativas quando necessário. Para alguns médiuns que tem a percepção de vidência, podem observar que ao ser tocado, o Adjá solta faíscas de campos mentais, ao ser tocado saem e pequenos raios de luz, pois ele é propagador de energias, e pode ser utilizado para abençoar os filhos, limpar a aura para a incorporação de uma Entidade mais árdua, e assim não forçar e retirar muita energia do médium, também é utilizado para a limpeza das energias do Gongá, as que são captadas nas limpezas de consulentes, assistência, e dos próprios médiuns que por vez ou outra trazem cargas negativas param dentro do terreiro, com pensamentos, ações e gestos de baixa espiritualidade.

    Normalmente o Adjá é feito de três tipos de material, latão, aço e cobre, mas isso não é uma regra.

    Quando é tocado o Adjá próximo a um médium em seu desenvolvimento mediúnico, as forças dos Orixás de Coroa, e a luz das Entidades de cabeça se aproximam com maior facilidade, fazendo assim que, se caso for um médium de incorporação, essa incorporação fique mais firme, e menos consciente, fazendo com que esse médium adormeça com mais facilidade o mental, deixando todos os pensamentos de lado e se conectando com maior força com o astral superior.

    O uso do Adjá também tem uma função importante quando se necessita decantar energias nocivas ao médium, e também em determinado local, pois o som das sinetas ao fabricarem a energia necessária, afasta todas essas cargas nocivas.

    Também se é utilizado o Adjá na maceração de ervas, assim como no amaci, isso para concentrar as energias dos Orixás, as forças da natureza, no trabalho a ser feito.

    Vamos aproveitar a oportunidade desse texto e anexar uma colaboração de um amigo do blog, que nos enviou algumas colocações do uso do Adjá no Candomblé.

    "No Candomblé o Adjá é muito importante, pois ele é o instrumento que aproxima os Orixás da Coroa dos médiuns.

    Ele pode ser de 1, 3, 5 ou 7 campainhas, e é firmado conforme o Orixá de cabeça do dirigente da casa, e é ele, o Guia de Cabeça do dirigente, quem determina quantas serão as sinetas.

    Também se tem um Adjá para cada Orixá no Candomblé, assim como tabela abaixo.
Pai Oxalá: Cor de Prata.
Mãe Oiá (Logunan): Cor de Prata.
Mãe Oxum: Cor de Cobre.
Pai Oxumaré: Cor de Cobre.
Pai Oxossi: Cor de Latão (amarelo).
Mãe Obá: Cor Branco.
Pai Xangô: Cor de Cobre.
Mãe Iansã: Cor Latão (dourado)
Pai Ogum: Cor de Prata.
Pai Obaluaiê: Cor de Prata.
Mãe Nanã Buruquê: Cor de Prata.
Mãe Iemanjá: Cor de Prata.
Pai Omulú: Cor de Prata.”

    Bem como observamos acima, no Candomblé temos diferenças nas regras entre a Umbanda no uso do Adjá, assim como a formação dele e as cores. Mas isso foi apenas para informar uma curiosidade, pois para nossa utilização dentro da Umbanda é válido as 3 sinetas, na cor prata e cabo podendo ser de madeira, com firmamento da Entidade Mentora ou a quem essa Entidade passar essa missão.

    Portanto independente das regras contidas, o que devemos colocar em prática acima de tudo é o respeito pela utilização desse instrumento sagrado dentro da Umbanda.

Saravá Umbanda de Luz!

Saravá o Adjá!


Carlos de Ogum