quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Vovó Cambinda

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Vovó Cambinda

De Aruanda, de Angola, das Almas, da Guiné… de todos os lugares!

Uma entidade que conversa bastante, com voz calma e mansa, caminha bem arcada e lentamente, apresenta-se em trajes humildes e
dá bronca como toda boa velha Iyabá – esta é Vó Cambinda de todas as nações! Gosta de puxar a orelha de seus filhos! Enxerga
muito pouco e obriga o médium a piscar várias vezes na consulta. Ri muito, faz seu fumego e gosta de contar “causos” do tempo
da escravidão. Conhece muita coisa da vida!
Vovó Cambinda trabalha em diversas falanges, com diversas denominações. Cada uma possui suas particularidades e suas
histórias, mas todas possuem, em comum, os trejeitos e as manias que definiram muito bem seu aspecto e sua apresentação nas
Tendas de Umbanda. Ela é especialista em solucionar problemas de ordem pessoal, com conselhos que caem como uma luva em seus
filhos! Ela é uma entidade que não deixou de ser “babá” de seus sinhozinhos e da molecada da senzala.
Cambinda representa esse apanhado de negras que trabalharam nas Casas de Engenho cuidando da gurizada e da comida que era
servida ao senhores feudais. Sábias, recatadas, zelosas, amororosas, pacenciosas e abnegadas. Sem mágoas em seu coração.
Sempre aconselharam o amor ao próximo.
Quem possui em sua Tenda uma “Vó Cambinda” zele dela com amor e respeito, porque ela trabalha com dedicação, mas é exigente
com seus filhos. Ela é “nega de uma palavra só e quando diz que não quer mais e não faz, nega véia não faz!” – palavras de
Vovó Cambinda.
“Cambinda mamãe ê, Cambinda mamãe a…
Cambinda mamãe ê, Cambinda mamãe a…
Segura essa filha que eu quero ver…
Filha de Umbanda não tem querer!”

Vovó Cambinda da Guiné fala aos Filhos de Umbanda

É com muita alegria no coração espiritual que nós, aqui de Aruanda, estamos observando o movimento de Umbanda crescer e se
fortalecer através da benção que Deus concedeu a todos que é a busca do conhecimento, o querer saber.
Maior alegria ainda sentimos, ao perceber que nossos filhos amados da Terra, já não colocam em nossas mãos a responsabilidade
integral pelos seus deslizes, fracassos, dores e provas. È bom saber que estão buscando o esclarecimento e já percebem que o
mal que por ventura lhes chega, ou é prova carmica, ou é fruto de sua própria irresponsabilidade e invigilância.
Vemos hoje a Umbanda crescendo e florescendo em tantos corações que queremos agradecer a todos os filhos de fé pelo seu
devotamento e empenho no sentido de trazer à Luz o real objetivo da Umbanda que brilha em Aruanda por todos os filhos de Deus
que habitam a Terra e outros mundos.
Hoje em dia, os filhos de Umbanda, já não são mais “cegos”, já não seguem orientações sem raciocinar e conhecer, mesmo porque
o conhecimento nesses tempos atuais é veloz e está à disposição de todo filho que queira e se interesse em aprender,
conhecer.
Esse desabrochar do conhecimento entre os filhos de Umbanda muito nos alegra e facilita o nosso trabalho. Temos hoje filhos
mais esclarecidos que muito colaboram conosco quando precisamos nos comunicar de maneira específica sobre assuntos da
modernidade. Nossa parceria vem se estreitando cada vez mais e, tempo chegará, no qual a telepatia dispensará a incorporação.
Aquele que tem facilidade de aprendizado, que busca o conhecimento, tem por dever orientar e esclarecer seu irmão menos
favorecido de todas as formas possíveis, porém, jamais excedendo seus limites pessoais. Digo isso filhos, porque temos visto
alguns trabalhadores de nossa Seara, tão afoitos e empenhados em sua missão espiritual, que estão se esquecendo de suas
tarefas materiais e de seu convívio social e familiar. A consequência disso será fatalmente o desequilíbrio de suas forças e
de sua vida que deve ser bem dosada em todos os seus aspectos para que seja realmente plena e satisfatória a experiência que
Deus a todos concede.

Sarava a todos os filhos de fé!

Sigam pelos caminhos da Luz! Distribuam a Luz do conhecimento que conquistarem entre seus irmãos com muita fé, com muito amor
e carinho para que os frutos dos seus esforços pessoais sejam doces!

Agora e para sempre,

Vovó Cambinda da Guiné

(psicografado por Annapon) em 23.02.2011

Um caso de amarração (conto de Vovó Cambinda da Guiné)

Era um dia comum de atendimento no terreiro onde Vovó e sua médium trabalhavam.
Entre um atendimento e outro, Vovó chamou seu Cambone para conversar, estabelecendo o seguinte diálogo:

- Meu filho, ouça bem! Daqui a alguns dias atenderemos uma pessoa que virá pedir à nega que faça um trabalho de amarração.
Fique atento e preste muita atenção! Quero que não julgue a pessoa, nem a mande embora, deixe que a nega cuide dela. O que
você vai fazer é só prestar atenção no atendimento sem julgar ou pensar mal da pessoa. Estamos entendidos?
- Sim Vó. – respondeu o Cambone ressabiado, porém, acrescentando: -
- Só queria dizer uma coisa Vó, se me permite.
- Pode falar.
- Nosso terreiro é proibido de realizar trabalhos assim. Até mesmo de atender pessoas que venham com tal pedido não é
permitido. Como faremos então? Isso pode me complicar com o chefe Vó.
- Não se preocupe filho. Eu mesma falarei com o chefe e sei que ele permitirá que eu atenda a pessoa. Não pense que a Vó vai
fazer a amarração filho, é claro que não. Você conhece a nega o suficiente para saber que não faço trabalhos assim. Quero
apenas que preste muita atenção no trabalho que a nega fará com a pessoa, só isso.
- Está bem Vó! Desculpe. Confio muito na senhora e sei que, se vai atender a pessoa é porque ela está muito necessitada.
- Isso mesmo filho. Você começou a entender o atendimento. Devemos sempre abrir nossos braços para atender os filhos de Deus
necessitados e em sofrimento sem julgar, sem pedir nada em troca, sem expulsa-los antes de pelo menos tentar ajudá-los a
caminhar pelos bons caminhos.

O Cambone entendeu o objetivo de Vovó Cambinda e sossegou seu coração.
O tempo passou sem que se apresentasse a mencionada pessoa para o atendimento, fato que muito aliviava o coração do Cambone
dedicado, porém, recado de Preta Velha é recado de Preta Velha e deve ser muito bem conservado na memória, mesmo porque o
tempo para eles, entidades, é diferente do nosso que corre aqui na Terra.
E o tempo seguiu passando e apagou, com sua ação, da memória do Cambone, o recado da Vovó. Foi justamente nesse período de
total esquecimento do Cambone que a tal pessoa apareceu em busca de atendimento.
Mais uma gira de Pretos Velhos se abria no terreiro. Os médiuns, felizes e bem dispostos, davam boas vindas aos Iluminados
Pretos com muita fé e amor no coração. O clima era de total harmonia e paz. Cumprido então, o ritual de abertura da gira,
começaram os atendimentos.
Vovó Cambinda trabalhava alegremente com sua médium a todos iluminando e abençoando com suas palavras caridosas e sábias até
que a tal pessoa apareceu, sentou-se em frente a ela e fez o pedido fatal: queria que Vovó fizesse um trabalho de amarração
em caráter urgente.
O Cambone de Vovó reagiu imediatamente, pois havia esquecido o recado dado há tempos.
Ela então, com todo o carinho e sabedoria de alma iluminada, chamou a atenção do Cambone dizendo:
- Meu filho não anda cuidando bem da memória, não é mesmo?
- Como assim Vovó? – perguntou surpreso o Cambone esquecido. –
- Meu filho permitiu que o tempo apagasse de sua memória um recado importante dessa nega!
Envergonhado o Cambone se desculpa com Vovó e com a consulente, porém, amedrontado pelas consequências que tal atendimento
traria, perguntou a Vovó se não seria melhor chamar o chefe para saber dele se a autorização para tal trabalho ainda se
encontrava de pé.
Vovó, sorrindo como sempre, aproveitou a deixa para aplicar em seu Cambone querido uma sábia lição:
- Meu filho! Palavra de chefe não perece e nem se apaga da memória. O tempo não interfere na ação do bem. Se ele nos
autorizou ontem é porque confiou e sabe que o trabalho a ser feito não marca nem hora nem dia para aparecer, ele simplesmente
nos convoca ao trabalho no momento certo, simples assim. Você, ao contrário, permitiu que o tempo fosse traiçoeiro com sua
memória, apagando dela uma advertência muito importante. Não permita mais meu filho que o tempo seja cruel com você, procure
não esquecer os bons conselhos e as advertências da espiritualidade amiga e comprometida com as causas do bem. Não se apegue
e nem se iluda com o tempo, mesmo porque ele tanto pode passar num piscar de olhos quanto pode durar a eternidade. Sempre
sábio em seus desígnios, é só Deus que sabe o tempo certo para que tudo aconteça dentro da mais perfeita ordem.
Mais ainda envergonhado, o Cambone se desculpa ainda uma vez, porém, dessa vez, procurou absorver a lição gravando-a
profundamente em sua memória e em seu coração.
Vovó seguiu o atendimento procurando, com toda a sua calma, aplacar a urgência daquele coração que viera até ela em busca de
um trabalho de amarração:
- Então a filha veio procurar Vovó para amarrar alguém a quem a filha quer muito, é assim?
- Sim. É isso. Preciso que esse trabalho seja feito hoje mesmo. Não aguento mais viver sem ele, a minha vida não faz sentido
e eu o quero para mim, quero e preciso dele ao meu lado… Estou disposta a pagar o preço que a senhora quiser contanto que o
faça voltar para mim e seguir vivendo comigo.
A essas alturas, o Cambone, que ouvia a conversa, começou a se sentir incomodado e mais uma vez Vovó interrompeu o
atendimento para lhe falar:
- Filho?
- Sim Vovó. Precisa de alguma coisa? – perguntou preocupado o Cambone. –
- Preciso sim meu filho! Preciso que se lembre daquele tal recado que te passei com detalhes e aquiete a sua mente, serenando
seu coração. Lembra do que disse Jesus um dia? Se não é capaz de lembrar-se do recado da nega, pense pelo menos nas palavras
de Nosso Mestre.
E mais um pedido de desculpas ecoou naquela conversa constrangedora.
- Filha? Está mesmo disposta a pagar o preço desse trabalho?
- Sim estou. É só dizer quanto e pago agora mesmo.
- Olhe que o preço pode ser alto!
- Não tem importância. Se for para tê-lo de volta, pago com gosto!
- Certo! Então vamos começar o trabalho agora mesmo. – disse sorrindo Vovó Cambinda enquanto manuseava algumas ervas. –
- Pegue esse tercinho aqui minha filha. É pequeno, porém, muito poderoso! Pegue.
A consulente segurou com força o pequeno terço e, ansiosa, aguardava as orientações da Vovó:
- Agora quero que se sente ali, na assistência onde estão as outras pessoas e reze esse tercinho com muita fé. Enquanto isso,
quero que converse com Deus, que é Pai de todos nós e nos ama sem condições, e fale com Ele sobre suas razões para querer
amarrar alguém, ou melhor, outro filho amado Dele, a você, mesmo que assim ele não deseje ou queira.
- A senhora está brincando? – perguntou irritada a consulente. –
- Não! Não é brincadeira não minha filha! Vá lá faça isso com muita fé e volte a falar comigo na semana que vem.
- Mas isso não é trabalho de amarração! Escute! Ouvi falar muito bem da senhora, pessoas me disseram que a senhora resolve
qualquer problema de qualquer ordem! Então? Por qual razão não quer me ajudar?
- Estou lhe ajudando minha filha! Eu trabalho assim. O que lhe disse faz parte do trabalho que farei porque você me pediu!
- Nunca vi trabalho de amarração feito assim, com reza e…
- E?
- E conversa com Deus! Se a senhora não quer fazer o trabalho fale logo e não me faça perder tempo.
- Me responda uma coisa minha filha. Se você conhece como se faz trabalho de amarração, porque não faz você mesma por sua
conta e risco ao invés de pedir a essa nega hein minha filha?
Silencio. O Cambone estava a ponto de explodir, porém, dessa vez, preferiu esperar e confiar na Vovó.
- Não sei fazer trabalho nenhum não senhora. Apenas sei o que algumas amigas me contaram sobre como normalmente são feitos
esses trabalhos.
- Então me diga mais uma coisa; o trabalho que suas amigas mandaram e pagaram para ser feito deu certo?
- Acho que sim, mas se elas disseram que mandaram fazer é porque deu certo, não é?
- Não sei. Isso quem deveria saber é você minha filha.
- Pois é, vou investigar, mas e agora? É prá fazer isso mesmo que a senhora me pediu? Tem certeza? Estou achando isso muito
estranho!
- Fazer ou não é você quem decide minha filha. Todos somos livres para escolher os nossos caminhos, mesmo que você esteja
querendo violar esse direito que esse moço em questão também tem.
- Eu acho que ele gosta de mim também, caso contrário eu não estaria aqui, pedindo esse trabalho para a senhora. Acontece que
ele está enfeitiçado, por isso pensa que não me quer e que já não gosta mais de mim. Entende?
- Não, eu não entendo minha filha. Como sabe que ele está enfeitiçado? Quem foi que te disse isso?
- Ninguém me disse nada, apenas deduzi isso porque ele mudou muito comigo de uma hora para a outra, assim, sem explicação,
ele passou a me evitar e ignorar. Isso só pode ser feitiço, concorda?
- Não filha, não concordo não. Ninguém precisa de feitiço para mudar de conduta, talvez, ele tenha mudado aos poucos e você
não percebeu, ou quem sabe tenha sido você mesma a afastá-lo.
- Como assim? Eu sempre fui muito carinhosa com ele, sempre fiz questão de estar presente quando por algum motivo ele
precisava de ajuda, sempre o cerquei de cuidados, fiz tudo o que pude por ele, portanto, isso que a senhora diz não faz
sentido para mim.
- Está certo minha filha. Então? Vamos continuar com nosso trabalho?
- Sim. Só me diga o preço, preciso reservar o dinheiro para poder pagar no final do trabalho e, tem mais, só farei o
pagamento caso fique satisfeita com o resultado, do contrário, nada de pagamento.
Nesse ponto da conversa o Cambone, já visivelmente contrariado, quase interviu, porém, foi barrado por um singelo, mas, firme
aceno de mão da Vovó.
- Não se preocupe com o pagamento minha filha, já alertei que o preço pode ser alto e já entendi que está mesmo disposta a
pagar, não se preocupe, vamos seguir adiante com nosso trabalho. Agora vá e faça o que recomendei, aliás, faça mais, até a
semana que vem, quando aqui você voltar, deve repetir as orações e a conversa com o Pai todos os dias. Pense em você, no
rapaz e aproveite para colocar sua conversa com Deus em dia, vai ser bom prá você. Na semana que vem nos veremos de novo e
vamos continuar a conversa.
- Está bem, mas continuo achando tudo isso estranho demais. Aliás, pode me dizer em quanto tempo obterei resultado?
- O resultado virá no tempo certo. Cuide dessa sua ansiedade fazendo o que lhe recomendei, vai ajudar muito.
A consulente se despediu da Vovó e do Cambone sem cortesia alguma, irritada, deixou o terreiro sem se sentar na assistência
como fora recomendado, saiu esbravejando e transtornada.
Diante de tal atitude, já esperada, o Cambone então decidiu perguntar a Vovó sobre o assunto:
- Vó? Viu como ela saiu? Ela não fez o que a senhora mandou e ainda saiu cuspindo fogo! Nossa Senhora!
- Não se espante com isso não meu filho! Se fossemos atender apenas as pessoas sãs, que nos compreendem e acatam nossos
conselhos e orientações, não seriamos os médicos das almas, mensageiros do Divino Amigo que a todos acolhe e cura!
- A senhora está certa! Sabe Vó, esse atendimento, muito embora esteja me deixando contrariado e nervoso, já me ensinou muito
sobre o trabalho lindo que vocês, os Pretos de Nossa Umbanda realizam!
- Você ainda não viu nada filho, isso é apenas refresco, mas não se preocupe, no tempo certo você ainda vai aprender muito
mais, fique tranquilo e confie nessa nega.
- Sempre confiarei! A senhora é linda demais de alma Vovó!
- Quem me dera filho! Tenho ainda muita lenha prá queimar no forno! – falou sorrindo Vovó de sua maneira branda, sábia e
peculiar. –
- E quanto à moça? Será que ela volta ou vai jogar o tercinho fora e procurar alguém que a engane e atenda seu desejo insano?
- Ela volta! Resolvi atende-la meu filho porque ela está doente e necessitada. Esse desejo dela é mera enganação que os maus
espíritos estão incutindo na mente dela. Ela pode não parecer, mas é boa pessoa. Sempre que pode, faz caridade espontânea,
além do que é médium nata, pronta pro trabalho de amor, só que ainda não sabe.
- Nossa Vó! É mesmo?
- Sim meu filho! Ela ainda será uma boa trabalhadora! Pode crer! E isso que ela nos pede agora, será de muita serventia para
quando ela tiver de dar testemunho de fé, exemplificando pela experiência própria a armadilha que é querer interferir na
vontade e nos caminhos das pessoas.
- Nossa Vó! Quanta coisa por detrás de um atendimento! A senhora realmente enxerga longe, com olhos espirituais e muito
sábios!
- As vidas que vivi me ensinaram meu filho! Só aprendemos errando e tomando consciência de nossos erros. Só aprendemos depois
que somos capazes de perdoar e amar a nós mesmos a tal ponto que o erro não mais nos assuste ou limite nas ações do bem que
temos por dever tomar.
- Entendo Vovó! Agradeço a Deus e à senhora pelas lições desse dia!
- E assim vamos aprendendo juntos meu filho! Cada dia é uma lição no conjunto da vida bendita!
- Sim! E como é Vovó! Sua benção!
- Deus o abençoe filho, proteja e guarde em Seu Amor!
- Assim Seja!
Os trabalhos daquele dia foram encerrados. Vovó seguiu, satisfeita, para sua morada de Luz. Sua médium, já refeita do longo
período de incorporação, mal podia crer em tudo o que ouvira naquele atendimento.
O Cambone de Vovó e a médium comentaram o caso entre eles, sem permitir que pessoas alheias tomassem parte da conversa.
Ambos estavam boquiabertos com a sabedoria e a paciência de Vovó Cambinda e muito curiosos pelo desenrolar do caso. A certeza
de que a moça procuraria outro lugar, a fim de satisfazer seu desejo, já não mais rondava o pensamento do casal de
trabalhadores, nem tampouco o preconceito ou o julgamento pela atitude da moça, eles haviam compreendido muito bem a lição
que levariam pelo resto de suas vidas.
Vovó Cambinda da Guiné nos relata, a partir desse ponto do texto, a conclusão desse caso:
Meus filhos amados e abençoados!
Cuidem de seus corações a fim de que seus desejos não se tornem os grandes vilões de suas vidas benditas!
Essa moça que atendemos com todo o amor e carinho com o qual a todos recebemos em nossa casa, sempre de portas e braços
abertos para acolher quem quer que seja, estava realmente muito necessitada e fascinada pelos espíritos que se negam em
buscar, temporariamente, o amor de Deus Nosso Pai que está sempre pronto a nos receber e perdoar desde que seu Amor
procuremos com sinceridade.
Médium que é, absorveu com facilidade a ação desses mesmos espíritos que nada mais queriam se não usá-la em seu próprio
proveito. Essa absorção de pensamentos e ações negativas acontece pela falta de vigilância e zelo de muitos médiuns que andam
por ai a beira de colapso nervoso.
Caso ela, a moça em questão, tivesse sido atendida por outro espírito encarnado descomprometido com o trabalho do bem,
estaria a essas horas em maiores e sérias dificuldades, servindo de escrava da maldade que ronda, infelizmente, esse planeta
tão lindo criado pelo Pai para o bem e progresso de todas as criaturas sobre ele viventes.
Foi pelo seu bom coração e obras, no entanto, que a Espiritualidade Superior a mim encaminhou essa filha. O objetivo era
resgatá-la pelo seu próprio merecimento e assim foi feito, estejam certos disso, assim com a Graça de Deus foi feito!
Vejam como foi:
Depois de sair contrariada e muito nervosa do terreiro, foi ao encontro das tais “amigas” que a haviam aconselhado a fazer o
tal trabalho de amarração. Constatou que, para algumas o trabalho não havia surtido efeito algum, só haviam perdido seu
precioso dinheiro ganho com suor; para uma delas o trabalho teria sido “satisfatório” não fosse a vida de frustrações e
brigas constantes que vivia com o “amado” amarrado chegando ao ponto de ter sido noticia nas páginas policiais que
constantemente relatam crimes de violência contra a mulher.
Diante disso, nossa protagonista, analisando agora mais friamente a questão, se lembrou de minhas palavras e do preço alto
que coloquei a ela claramente sem mencionar custo monetário.
Lembrou e sorriu. Foi para casa rezar e pensar. Conversou com Deus e, em poucos dias concluiu que seria muito ruim se ela um
dia soubesse que alguém tivesse tido a infeliz idéia de amarrá-la. Seu coração doeu profundamente, pois percebeu que não se
deve fazer aos outros aquilo que não se deseja para si mesmo.
Apesar de ainda sentir paixão pelo rapaz, decidiu depositar nas mãos de Deus o seu destino, na certeza que Ele daria o curso
correto aos sentimentos conturbados de seu coração.
Ela voltou a nos procurar no terreiro. Envergonhada pediu desculpas a mim, a médium e ao Cambone, depois pediu,
respeitosamente, conselhos para se sentir melhor com ela mesma e com a vida.
Cuidei dessa filha com muito amor, ela recebeu passes, limpeza energética e em pouco tempo já era outra pessoa, feliz,
equilibrada, amorosa. Hoje faz parte do corpo mediúnico da casa servindo com alegria e amor a Luz Divina que todos acolhe,
ama e respeita!
Saravá meus filhos!
Que a fé e o amor nunca vos faltem para que nessas virtudes amparados, vocês vivam em paz e abundancia!

Vovó Cambinda da Guiné

Pai Guiné

São muitas as lembranças da minha encarnação como escravo em uma fazenda de café no interior paulista. O som da chibata, os gritos dos feitores que saíam à caça dos escravos fugidos, as amas de leite obrigadas a amamentar os filhos da sinhá. Lembranças pungentes de muito sofrimento. Quando a princesa Izabel assinou a Lei Áurea, eu estava velho e muito doente.

A senzala era o único lugar onde o negro conseguia ser livre. Minha história de vida foi muito triste, mas aprendi muito. O sinhô era um homem muito refinado e não me tratava mal, mas a sinhá era uma mulher muito infeliz. Seu coração cheio de fel não sabia amar. Era temida e detestada. Por muito pouco mandava chicotear os escravos da senzala e o sinhô fazia todas suas vontades. Negrinhos eram afastados das suas mães, velhos escravos iam para o tronco e as escravas caseiras tremiam com as ordens da caprichosa sinhá. Eu não me queixava e jamais cultivei o ódio e a vingança. Alguns escravos odiavam os senhores com todas as forças até à morte. No plano espiritual, continuavam a perseguição perturbando os senhores com a força da magia negra e da vingança. Como é bom ser bom! Como é triste ser mau! Quantas lágrimas e sofrimentos os senhores plantaram através de suas atitudes. No entanto, todos caminharemos para a Eterna Felicidade! O caminho mais sublime é o Amor, mas alguns só evoluem através da Dor!

Eu era forte e jovem, mas quando meu grande amor foi vendido, capricho da sinhá, minha saúde nunca mais foi a mesma. Minha vida mudou bastante e o meu consolo eram as rezas. Jamais cultivei a revolta ou a vingança. Os Orixás me davam a paz e o consolo para suportar as provas daquela encarnação.

Pior que a escravidão os grilhões da maldade e do preconceito. Muito pior que nosso sofrimento era o peso dos pecados daqueles que oprimiam seus irmãos de cor. No dia 13 de maio, a alforria! No entanto, as lembranças marcaram minha vida para sempre. Foi minha encarnação mais proveitosa. Nessa vida de martírios, cultivei a renúncia e a humildade.

Quando desencarnei, meu grande amor estava à minha espera. A linda escrava que eu amei e foi vendida já estava no Plano Espiritual ansiosa pelo meu retorno. Somos todos irmãos! Somos todos iguais!

Muito tempo se passou e agora estou novamente na Terra. Não como espírito encarnado, mas como pai velho trabalhando nos terreiros de Umbanda. Minha vestimenta astral é a de preto velho. Escolhi essa missão para estar mais perto dos meus filhos de fé. Muitos precisam de libertação, da alforria da paz e da fé. Essa é a missão dos pretos velhos! Conselho, resignação, amor e paz! Limpar com a fumaça do cachimbo os miasmas do mal e da doença. Aceitei essa tarefa sublime por muito amar a Humanidade. Conheci o sofrimento, a humilhação e a pobreza.

Minha mensagem é de libertação! Filho de fé liberte-se dos grilhões do orgulho e do egoísmo. Se você está sofrendo, não desanime! Confie no Pai Oxalá que tudo vê e tudo sabe! Faça sua parte no aprimoramento espiritual e na reformulação das suas atitudes. Liberte-se das vibrações negativas do desânimo, da tristeza e do pessimismo. Ame a Terra! Colabore para que esse Planeta melhore cada vez mais e seja um grande Lar de Amor! Liberte-se do peso da angústia através do Amor! Perdoe seus inimigos, porque Oxalá é o exemplo de Perdão e Misericórdia!

A história de Pai Joaquim de Cambinda

Era o final do século XVII, costa oeste da África, em uma aldeia de Cambinda. Com apenas 5 anos de idade, Pai Joaquim assistiu a aldeia ser invadida pelos escravagistas, que mataram sem piedade todos aqueles que não 'seviam' para o comércio.
Juntamente com seus pais foi colocado com outros negros no porão de um navio, rumo ao Brasil.
Devido às péssimas condições deste porão, a falta de comida e água potável, muitos desencarnaram na viagem, entre eles, os pais de Pai Joaquim , que foram jogados ao mar, assim como todos aqueles que 'morriam' durante o trajeto.

Chegando ao Brasil, litoral da Bahia, Pai Joaquim foi vendido e levado a uma fazenda de cacau. Além de cacau, plantavam também café e cana de açúcar. Lá chegando, recebeu o nome de Joaquim, mas era chamado mesmo de 'neguinho'.

Embora muito criança ainda, trabalhava juntamente com os outros negros na lavoura, o dia inteiro. Não havia tempo nem vontade para brincadeiras. À noite, cansado da lida, deitava na senzala e deixava o pranto aliviar a saudade que sentia de sua aldeia, seus pais, seus amigos da África. O sono chegava e antes do sol surgir, já estava de pé para mais um dia como todos os outros.

Ainda em Cambinda, seu pai era o curandeiro da aldeia e desde cedo passou a ele o conhecimento que podia absorver sobre as ervas e seu poder de cura.

Na fazenda, continuou aprendendo com uma negra já velha, que usava as ervas para tratar os escravos.
Intuído por seus guias espirituais, com quem já tinha contato, seguiu pesquisando e descobrindo novas ervas e raízes e como utilizá-las para a saúde de todos.

Quando tinha já 12 anos, a filha mais nova do Sinhô adoeceu gravemente e não havia tempo para buscar um médico. Os brancos já tinham conhecimento de seu poder com as ervas e, embora relutantes, entregaram a Sinhazinha aos seus cuidados. Com o auxílio de seus amigos espirituais, Pai Joaquim restabeleceu a saúde da moça e ganhou a confiança do patrão, sendo sempre requisitado a partir de então, a cuidar da saúde da familia da Casa Grande.

Cresceu e tornou-se um negro forte e saudável, sendo escolhido então para ser um dos negros reprodutores da senzala, ajudando o Sinhô a aumentar seu contingente de escravos.
Como 'médico' e reprodutor, adquiriu alguns privilégios, como sair da senzala e morar em uma cabana, só para si. Porém, não tinha o direito de ter uma companheira.

Apaixonou-se por uma escrava de dentro, ama de leite dos filhos da Sinhá e que todos os dias ia ao ribeirão lavar a roupa. Era lá que se encontravam às escondidas, até que alguém os denunciou.
A partir de então, ela foi proibida de sair da Casa Grande e, com 28 anos, desencarna por pneumonia. Hoje, ela trabalha em nossa casa, na Falange dos Pretos Velhos, com o nome de Maria Redonda.

Quando já estava com quase 40 anos, Pai Joaquim adotou e criou como filha, uma mulatinha, filha de uma escrava com o Sinhô, que passou a morar com ele e para quem ensinou tudo que sabia sobre as ervas.
Hoje, espírito, se chama Nina e auxilia Pai Joaquim na adminsitração desta casa, intuindo a esposa de seu 'cavalo'.

Pai Joaquim era também o guia espiritual dos escravos, orientando-os sobre as verdades do espírito e passando a eles o conhecimento que recebia de seus guias.
Desencarnou naturalmente, aos 74 anos de idade, e finalmente pôde reencontrar sua companheira, com quem vive até os dias de hoje.

Quando a Umbanda surgiu, no Brasil, Pai Joaquim (após cerca de 30 anos de estudo e preparação), engajou-se à Linha dos Pretos Velhos.
E hoje, ao contar mais uma vez a sua história, revelou que seu 'cavalo' hoje, foi o seu Sinhô, da época da escravidão.

- Ontem eu o servi, hoje ele me serve! - disse ele, finalizando a história.

Saravá, Pai Joaquim de Cambinda!

Saravá a todos os Pretos Velhos!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

MENSAGEM DE UMA GUARDIÃ

  Certa vez eu estava andando pelas ruas, a altas horas da madrugada, pensando na vida e nas coisas pertinentes a ela quando, perto de uma encruzilhada, uma imagem chamou sensivelmente minha atenção: era uma mulher extremamente bela, dessas de corpo perfeito, olhos esverdeados e cabelos negros, sedosos, ondulados e que chegavam à altura da cintura.


Confesso que com estes nossos tempos de violência desenfreada fiquei, primeiramente, muito preocupado com a segurança da moça que era mesmo extremamente linda, mas depois fiquei mesmo preocupado é com a minha segurança porque, afinal, e se a bela moça, poucos metros a minha frente, fosse a isca para uma armadilha de assalto? E se a moça fosse a própria assaltante? E se nós fôssemos vítimas de alguma violência? E se......


— Moço, por favor, não tenha medo pode se aproximar.


Eu estava realmente receoso de aceitar o convite e confesso que cheguei até mesmo a pensar em dar meia volta e sair correndo com todas as forças de meu ser, mas o seu olhar ao fazer o convite fora tão enfeitiçador que não pude resistir e acabei me aproximando.


Ao chegar mais perto ela me fez um convite minimamente inusitado pedindo que eu ficasse ao seu lado e aguardasse alguns instantes, porque em pouco tempo ela começaria a receber algumas pessoas.

“ Tô lascado meu Deus do céu”, foi o que pensei já imaginando que aquela mulher era dessas de vida fácil. Mas só foi eu pensar nisso que ela virou-se para mim e deu um sorriso tão maravilhoso com seus dentes alvos e sua boca perfeita que meu corpo, assim, começou a aquecer-se e a ficar todo arrepiado!!! Pode parecer até loucura, mas eu tinha a
nítida sensação que ela podia ler os meus pensamentos.


Pensei em perguntar o seu nome não no intuito de paquerá-la já que sua imagem provocava em mim um tremendo respeito, mas sim com o intuito de iniciar algum tipo de entendimento, só que eu não conseguia por que qualquer olhar, sorriso, gesto ou fala que ela me direcionava despertava em meu emocional emoções tão reais, intensas e indescritíveis que, temendo explodir meu coração eu preferi silenciar.


— Está vendo moço, disse a bela mulher expulsando meus pensamentos, está chegando meu primeiro convidado; não se preocupe que todos aqueles que aqui vierem a ter comigo serão incapazes de lhe enxergar.


Eu balancei a cabeça assentindo que estava tudo bem, apesar de estar achando tudo muito estranho, e procurei ficar bem atento com a conversação que estava para se iniciar.


— Boa noite, moço!


— Boa noite dona....


— Você está fazendo um curso pré-vestibular, mas de algumas semanas pra cá você não tem conseguido se concentrar nos estudos, certo?

— É, é isso mesmo!


— É só você ameaçar pegar os seus livros para estudar que você começa a sentir um sono terrível, não é?


— Sim, disse o jovem rapaz que não deveria ter mais do que dezessete anos.


— Olha moço eu estou autorizada a te dizer que você está com problemas nos campos do conhecimento e necessitado de estimulação nesta área, mas também que se você quiser melhorar eu tenho permissão pra te ajudar, tudo bem?


— Sim, tudo bem!


Neste momento a bela mulher fechou os olhos como se estivesse a fazer algum tipo de oração e entrelaçou os dedos das duas mãos posicionando as palmas voltadas para o solo; então uma espécie de luz azul-claro bastante irradiante surgiu em suas mãos e ela as depositou em cima dos joelhos do jovem; este deu um suspiro profundo e, como se fosse feito de fumaça, desapareceu da minha frente.


A linda moça, então, colocou as duas mãos nos quadris e soltou uma gargalhada que arrepiou todo o meu corpo. Em breves instantes uma outra pessoa já se encontrava em frente da bela mulher, desta vez era uma pessoa do sexo feminino por volta de seus quarenta e cinco anos.

— Boa noite, moça !


— Boa noite dona.....


— Hoje você está aqui comigo em busca de um equilíbrio na sua vida por que seu ex-marido está judicialmente tentando tirar de você a guarda de seu único filho, ou seja, um problema nos campos da justiça, certo?


— É isso mesmo!


— Tenho permissão para te ajudar, peço que feche os seus olhos e se concentre, tudo bem ?


E dizendo isto a bela mulher novamente fechou os olhos e entrelaçou os dedos das duas mãos posicionando as palmas voltadas para o solo; e outra vez, após estas terem tomado uma coloração azulada, ela as colocou em cima do joelho da simpática dama. Esta também deu um suspiro e desapareceu diante de minhas vistas. Então a bela mulher soltou mais uma gargalhada e me pediu que prestasse bastante atenção porque naquela noite, por parte dela, eu só escutaria mais cinco gargalhadas. Eu assenti com a cabeça dizendo que sim e pude perceber que estava chegando mais uma pessoa, desta vez um homem com aproximadamente trinta anos.

— Boa noite, moço!


— Boa noite dona.....


— Hoje você está aqui por que está se sentindo perdido na vida, sem senso de direção, ou seja, depois de tanto bater cabeça querendo que o Divino Criador fizesse a sua vontade você percebeu que tudo foi inútil e agora deseja submeter-se à vontade dEle, assim como também deseja que Este dê um rumo à sua vida resolvendo este problema nos campos da lei, certo?


— Sim, é isso!


— Bem moço, para sua felicidade eu tenho a permissão de te ajudar, feche os olhos, tudo bem?


Dizendo isso, novamente a bela mulher concentrou suas mãos tomadas de uma coloração azulada e as depositou em cima do joelho do rapaz; depois ela deu mais uma gargalhada e se ajeitou para conversar com a próxima pessoa que, por sua vez, era uma senhora com uns cinqüenta anos de idade.


— Boa noite, moça!


— Boa noite dona.....

— Apesar dos insistentes esforços em estar lhe esclarecendo você está aqui mais uma
vez para reclamar sobre os membros da congregação religiosa a qual pertence e para, mais uma vez, dizer que a fofoca está demais e que está perdendo a fé porque não consegue entender como o Divino Criador pode permitir tanto ti-ti-ti dentro de uma Casa de Oração, certo?


— Sim!


— Este já é o décimo-primeiro templo religioso que você procurou para freqüentar em menos de doze meses, certo ?


— Certo.


— Bem moça, a ajuda que eu posso te oferecer é no sentido de estar desiludindo o seu sentido de religiosidade, de estar lhe esclarecendo o fato de que não existe a instituição religiosa perfeita porque perfeito só o é o Criador, tentando, assim,resolver este problema nos campos da fé, você aceita minha ajuda?


— Sim!!!


E a bela mulher depositou suas mãos coloridas de uma belo azul em cima do joelho da senhora com quem conversava para, logo depois de realizado este trabalho, soltar mais uma gargalhada.

Quem é Maria Quitéria?

“ A falange da Maria Quitéria congrega espíritos altamente guerreiros que em sua roupagem fluídica mostram-se combativas, muitas vezes com a apresentação de facas, lanças, adagas, punhais e tridentes. São especialistas em contra-demanda , trabalham em todos os campos de atuação das Guardiãs e em parceria com muitas falanges dos Exus Guardiões.
Executam trabalhos de libertações de espíritos, são responsáveis pela “punição” e “retorno” de magia negra aos seus mentores e executores, encarnados ou desencarnados. Destemidas e determinadas, tem participação definitiva em inúmeras batalhas espirituais.
Maria Quitéria é sinônimo de luta e força !
Ela aceita seus pedidos e oferendas nas encruzilhadas e cruzeiros... toma champanhe em taça, gosta de cigarrilhas longos, bijuterias, perfumes, velas vermelhas e toalha vermelha e preta... Suas oferendas tem que sempre estarem impecáveis... assim é esta exigente entidade.
A força energética de Maria Quitéria tem maior intensidade em trabalhos a serem executados com as Almas principalmente em Cemitérios e Montes, sendo quase sempre mensageira de Orixás como Iansã, Obá, e as vezes Ogum. “

Laroiê
Filhos da Magia  Quem é Maria Quitéria? “ A falange da Maria Quitéria congrega espíritos altamente guerreiros que em sua roupagem fluídica mostram-se combativas, muitas vezes com a apresentação de facas, lanças, adagas, punhais e tridentes. São especialistas em contra-demanda , trabalham em todos os campos de atuação das Guardiãs e em parceria com muitas falanges dos Exus Guardiões. Executam trabalhos de libertações de espíritos, são responsáveis pela “punição” e “retorno” de magia negra aos seus mentores e executores, encarnados ou desencarnados. Destemidas e determinadas, tem participação definitiva em inúmeras batalhas espirituais. Maria Quitéria é sinônimo de luta e força ! Ela aceita seus pedidos e oferendas nas encruzilhadas e cruzeiros... toma champanhe em taça, gosta de cigarrilhas longos, bijuterias, perfumes, velas vermelhas e toalha vermelha e preta... Suas oferendas tem que sempre estarem impecáveis... assim é esta exigente entidade.  A força energética de Maria Quitéria tem maior intensidade em trabalhos a serem executados com as Almas principalmente em Cemitérios e Montes, sendo quase sempre mensageira de Orixás como Iansã, Obá, e as vezes Ogum. “  Laroiê

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

CIGANA DO PANDEIRO.

Num reino da Idade Antiga havia uma jovem chamada Márcia, que curava as pessoas doentes através de seus poderes paranormais e de fórmulas mágicas. Por isto o povo apelidou a moça de bruxa.Um certo dia, o príncipe Felipe ficou muito doente. Então o rei mandou chamar Márcia. Esta garota ao colocar os olhos em Felipe se apaixonou por ele e tirou sua enfermidade através de feitiços.Uma semana depois o príncipe casou-se com sua amada Amanda. Assim, Márcia ficou enfurecida e jogou uma praga:- A partir da data deste matrimônio, nesta vila não haverá mais Sol e muito menos arco-íris. Aqui só existirão chuvas e tempo nublado para todo o sempre.
Desta maneira o tempo fechou e permaneceu assim por muitos anos.Um belo dia, uma caravana de ciganos aproximou-se daquele reino e montou acampamento lá. Logo estranharam o mau tempo, mas pensaram que se tratava de uma chuva passageira. Naquela mesma tarde eles desfilaram pelas ruas da vila trazendo muita alegria, dança, canto e harmonia.
O príncipe, que olhava tudo pela janela, convidou os ciganos para se apresentarem no castelo. Desta maneira, estes artistas deram um espetáculo no palácio durante a noite. Após o show, a cigana chamada Sol aproximou-se da princesa Amanda e comentou:
- Seu reino é muito bonito, pena que este clima nublado parece ser eterno.

Então a nobre comentou:
- O problema é que este clima é, realmente, eterno por causa de uma praga que uma feiticeira lançou. Diz a lenda que só uma mulher estrangeira e virgem pode libertar a nossa terra das tempestades eternas se ela tocar um instrumento mágico feito de um animal que é manso de dia mas que, nas Luas Cheias, pode ser feroz.
Ao escutar isto, Sol tentou tocar todos os instrumentos que o seu povo tinha: violino, gaita, lira e tambor. Porém nada fez efeito.

Assim, a moça se despediu dos nobres e voltou ao seu acampamento. Então ela orou:
- Santa Sara, por favor, me dê uma luz!
Naquele momento Michel, o avó de Sol, estava sentado numa banqueta em frente à tenda. Quando, de repente, uma cabra saiu correndo em direção ao idoso.
A jovem cigana, ao perceber isto, pegou uma lança que estava ao seu lado e lançou em direção ao animal furioso, que morreu na hora. Ao se aproximar do bicho morto, ela achou um aro de metal caído no chão. Naquele instante a moça teve uma idéia: Farei um instrumento musical com o couro desta cabra, com este aro de metal e com as platinelas que estão na minha tenda.Esta jovem passou a madrugada inteira fazendo um pandeiro com o material achado. Deste jeito, quando chegou às dez da manhã, o instrumento já estava pronto e ela resolveu tocá-lo no meio da tempestade.De repente, a chuva parou, o Sol se abriu e um enorme arco-íris surgiu no céu. Alguns minutos depois as cores do arco-íris vieram em direção ao seu pandeiro e viraram fitas dentro dos buracos deste instrumento.A princesa Amanda e o príncipe Felipe, que viram tudo pela janela, ficaram tão contentes com o fato que presentearam os ciganos com um baú cheio de tesouros.
Assim surgiu a lenda da Cigana do Pandeiro.

Autora :Luciana do Rocio Mallon


Pontos Cantados da Cigana do Pandeiro:

Oi Cigana, vai buscar o meu amor que foi embora
A Cigana do Pandeiro vai,
a Cigana do Pandeiro vem,
a Cigana do Pandeiro balança e o pandeiro não cai

gitanadealma.blogspot..

PAI JOAQUIM DE ARUANDA

Sabe aquelas noites em que você está perdido na mata fechada, sem nenhuma réstia de luz para iluminar o caminho?...

Você perdido ali, grita por socorro, mas ninguém vem. E as nuvens escuras flutuam sobre sua cabeça.

De repente, a lua cheia, bonita, formosa, espanta as nuvens escuras e carregadas. Então, a estrela brilhante e a lua formosa iluminam o caminho para você chegar em segurança.

Cada menino e menina que trabalha no Bem, com as forças da Luz, é como uma pequena lua ou uma pequena estrela, iluminando a noite escura da alma de homens sem fé e sem coragem.

Cada pessoa que vibra com as forças da Luz é um pequenino fogo aceso em nome de Nosso Senhor.

Em lugar de vela acesa, alma acesa!
Em lugar de benzer copo d'água, coração aceso!
Em lugar de ritual, alma acesa, energia limpa!

Existe, o tempo inteiro, um combate entre as forças da luz e as forças das trevas. Se vocês são sensatos, filiem-se às ordens da luz.
Não compliquem. Não enrolem. Vocês sabem o caminho certo, fazem errado porque querem!

Vocês têm que aproveitar a chance quando ela aparece. Se não aproveitarem, não há lua acesa, o caminho se fecha e as trevas aparecem.

Por favor, parem de reclamar!
Aproveitem as chances. Saibam trabalhar direito!

- Pai Joaquim de Aruanda* -
(Psicofonia de Wagner D. Borges)

Notas: * Pai Joaquim de Aruanda: preto velho ligado à egrégora espiritual da Umbanda. É um espírito luminoso e muito amoroso.

.genuinaumbanda.

HISTÓRIA DE PAI BENEDITO;

Pai Benedito de Angola é um velhinho bem simpático, de poucas falas, tem os cabelos e a barba bem branquinhos, olhos castanhos claros e bem negro. Viveu em Angola entre o ano de 1608 a 1630, logo depois foi vendido como escravo para fazendeiros brasileiros. Viveu sempre em cativeiro, trabalhando na lavoura de cana-de-açúcar. Naquele tempo já possuía o dom da cura, pois com as ervas já curava os ferimentos de seu povo, que eram feitos através das chibatas dos feitores e do trabalho árduo dos engenhos.Pai Benedito teve muitos filhos e netos, bisnetos, etc… Morreu aos 98 anos de velhice, cansado daquela vida. Mas antes de morrer tinha esperança na libertação de seu povo e de uma vida digna, em liberdade. Por serem espíritos que sofreram aqui na terra, são espíritos calmos, de muita sapiência, pois na época a única coisa que possuíam era à força de nosso Pai. Na falange dos Pretos Velhos, é benzedor, mandingueiro, usa ervas e mel em seus trabalhos. Fuma cigarro de palha, cachimbo e às vezes charutos, toma água com mel e marafo com mel. Gosta de um bom feijão com farinha e rapadura. Seu temperamento é paciente, bom conselheiro, não fala muito. Não aprecia curiosidade inútil. Trabalha na umbanda e na quimbanda junto com Omulú, quando tem mandinga para ser tirada. Não gosta de injustiça, traição e nem orgulho e soberba de filho que trabalha em cajuá e nem de consulentes.Usa uma guia de contas de Nossa Senhora com crucifixo de madeira e duas figas uma de arruda e outra de guiné preta e vermelha ou preta e branca. Trabalha com o médium há algumas encarnações. Tem como cambone espiritual Pai Tomé que assume os trabalhos quando está na Quimbanda. Pai Benedito de Angola, trabalha para o homem físico no mundo material e no mundo espiritual, com as ervas de Oxóssi. Na Umbanda e na Quimbanda seus trabalhos são feitos nas matas e no cemitério, cruzeiros das almas.
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Breve História de Pai Firmino

“É Congo, é congo, é congo, é congo, é congo Ê.
Gira na linha de congo ô lelé, trabalha que eu quero vê.
Pai Firmino é preto do congo, do congo, congo ê.
Trabalha na linha de congo, meu preto,
trabalha que eu quero vê”
Pai Firmino tem sua linhagem nos negros do Congo e Angola que vieram para o Brasil.
Viveu na Bahia, em Ilhéus, trabalhou na lavoura do café. Era negro arredio, não gostava de receber ordens. Desde muito jovem sempre tentava fugir. Sofreu muito. Andou muito, seus pés eram grandes e inchados de tanto que corria, andava e fugia pelo interior da Bahia, chegando em Itabuna. Ainda jovem foi trazido para Pernambuco, trabalhando no canavial de sol a sol. Se o tronco e a chibata do feitor não resolvesse, a palha da cana se encarregava do resto. Foi aí que negro aprendeu que não adiantava a revolta, ela piorava ainda mais as coisas. Aprendeu a usar sua energia de negro valente na defesa de seu povo que com que ele vivia no Engenho. Ensinava ao povo a servir, contendo seus impulsos e a reverenciar os Orixás através das forças da natureza. Conhecia muitas ervas durante suas andanças e magias. Gostava de garapa de cana, vinho moscatel, tutu com carne de sol. Morreu jovem, com 75 anos.

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História de VOVÓ MARIA CONGA.


Cenas de exaustivo trabalho em plantações de cana. É nisso que Vovó Maria Conga parece estar constantemente envolvida. Gosta de doces, cocada branca em especial, mas não dá demonstrações de ter sido esta sua principal ocupação na encarnação como escrava.
Sentada em um toco de madeira no terreiro contou, certa vez, alguns fatos de sua vida em terra brasileira.

Começou dizendo que só o fato de podermos conviver com nossos filhos é uma grande dádiva. Naquele tempo as negras eram destinadas, entre outras coisas, a procriar, a gerar filhos que delas eram afastados muito cedo, até mesmo antes de serem desmamados. Outras negras alimentavam sua cria, assim como tantos outros “filhotes” foram alimentados pela Mãe Conga. Quase todas as mulheres escravas se transformavam em mães; cuidavam das crianças que chegavam à fazenda, rezando para que seus próprios filhos também encontrassem alento aonde quer que estivessem.

Os orixás africanos, desempenhavam papel fundamental nesta época. Diferentes nações africanas que antes guerreavam, foram obrigadas a se unir na defesa da raça e todos os orixás passaram a trabalhar para todo o povo negro. As mães tomavam conhecimento do destino de seus filhos através das mensagens dos orixás. Eram eles que pediam oferendas em momentos difíceis e era a eles que todos recorriam para afastar a dor.

Maria Conga teve que se utilizar de algumas “mirongas” para deixar de ser uma reprodutora, e assim, pelo fato de ainda ser uma mulher forte, restou-lhe a plantação de cana. A colheita era sempre motivo para muito trabalho e uma espécie de algazarra contagiava o lugar. Enquanto as mulheres cortavam a cana, as crianças, em total rebuliço, arrumavam os fardos para que os homens os carregassem até o local indicado pelo feitor. Foi numa dessas ocasiões que Maria Conga soube que um dos seus filhos, afastado dela quando já sabia andar e falar, era homem forte, trabalhando numa fazenda próxima.

Seu coração transbordou de alegria e nada poderia dissuadi-la da idéia de revê-lo. Passou então a escapar da fazenda, correndo de sol a sol, para admirar a beleza daquele forte negro. Nas primeiras vezes não teve meios de falar com ele, mas os orixás ouviram suas súplicas e não tardou para que os dois pudessem se abraçar e derramar as lágrimas por tanto tempo contidas. Parecia a ela que eles nunca tinham se afastado, pois o amor os mantivera unidos por todo o tempo.
Certa tarde, quase chegando na senzala, a negra foi descoberta. Apanhou bastante, mas não deixou de escapar novamente para reencontrar seu filho. Mais uma vez os brancos a pegaram na fuga, e como ela ainda insistisse uma terceira vez resolveram encerrar a questão: queimaram sua perna direita, um pouco acima da canela, para que ela não mais pudesse correr.

Impossibilitada de ver o filho, com menor capacidade de trabalho, a Vó Maria Conga virou parteira da senzala, passou a cuidar das crianças negras, e de seus doentes. Seu coração se encheu de tristeza ao saber que haviam matado seu filho quando tentava fugir para vê-la.Sua vida mudou. De alegre e tagarela passou a ser muito séria, cuidando do que falava até mesmo com os outros negros. Para as crianças contava histórias de reis negros em terras negras, onde não havia outro senhor. Sábia, experiente e calada, Vovó Maria Conga desencarnou.
Com lágrimas na alma ela acabou seu conto. Disse que só entendeu a medida do amor após a sua morte. Seu filho a esperava sorrindo, guardião que fora da mãe o tempo todo em que aguardava seu retorno ao mundo dos espíritos.

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Uma História de Pai Gregório.


(Esta história é contada lá na Bahia)

Arcado, pelo sofrimento e pelo peso da idade, pois ele diz que morreu com cerca de noventa anos, chega sempre quando as coisas precisam se acalmar e tomar novos rumos. Prefere ao se incorporar em seu médiun, se apoiar em sua bengala, e receber seu pito, seu cachimbo, para relembrar os tempos de terra. Usa preferencialmente guias de lágrimas de nossa senhora a que ele chama de rosário de pai preto. Pai Gregório , gosta muito de ouvir histórias e causos ao término de seus trabalhos, mas se elas não chegam, ele mesmo as conta, como um velho vovô, conta aos seus nétinhos. Em determinada sessão o bondoso preto velho conta umas passagens de sua vida: Nasceu escravo em uma senzala nos confins bahianos, viveu a cata de cacau e cana de açucar em sua vida, e quando veio a lei Aurea ele estava velho demais para aproveitar a liberdade e conseguir seu sustento, então foi viver com os padres que o utilizavam para tirar esmolas nas saidas das missas, nem tudo foi ruim, ressalta, pois ele aprendeu muitas rezas e orações com os home de batina preta. Pai Gregório não gosta de fazer maldades, mas as desmancha como ninguém, grande rezador ele gosta de ajudar os outros”. Suas comidas preferidas: bolo de milho ou de fubá, café preto sem açúcar, vinho tinto suave, rapadura de coco, tutu com carne seca e couve e chá de cacau. Quem quizer lhe dar uma oferenda, deixe algumas destas coisas embaixo de uma árvore solitária no campo, pois o bom velhinho gosta de ficar sentado ali meditando e vendo seus filhos passarem. Pai Gregório ouve a mente de teu filho protege aqueles que estão angustiados, mostra-lhes as soluções para seus problemas e abençoa a minha família. Ao deixar a oferenda reze um pai nosso, ele acompanhará você nesta oração e você se sentira mais confortado e verá que tudo vai melhorar.

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História de Pai Preto (Pai Jeremias)


Com a implantação de fazendas de gado e cultura em Solo brasileiro, muitas vezes, ou quase sempre sacerdotes do Culto africano chegavam trazidos como escravos pelos navios de Contrabandistas que ganhavam a vida destruindo a de outros, entre Estes vindos de tão longe e com a missão dada por Oxalá de divulgar sua religião engrandecendo outras terras com sua sabedoria e bondade. Entre estes chegava, então, um jovem que estava Predestinado a ensinar amor e sabedoria. Ainda, menino foi Introduzido no trabalho árduo e sem trégua. Por sua bondade e sabedoria logo cativou a todos, até mesmo seus senhores, que, percebendo sua condição de tratar com animais feridos ou doentes, solicitavam sempre seus serviços, logo estando este Que seria um sacerdote em sua terra, curando e tratando pessoas a Pedido de seus senhores. Era ele, então, tratado diferente em Meio a tanta crueldade.Com esta oportunidade tinha, então, condição de cuidar dos seus, como predisse um escravo já velho que morrerá em suas mãos: seria ele chamado de pai pelos outros, por sua bondade de empenho em socorrer a todos, não importando se era escravo ou branco. Todos eram socorridos por Pai Preto, como era chamado pelos brancos. A fama de pai preto Correu longe em solo brasileiro, tanto que chegou, sem tardar, ao conhecimento dos missionários, vindos para catequizar os povos da nova terra. Pai Preto tinha, então, 85 anos, já velho e quase não mais conseguia andar, o que não impedia de continuar com suas curas e benzeduras. Mas chegou a ordem, e a orientação: Pai Preto era “feiticeiro” e devia morrer como todos de sua época. Os seus antigos senhores não tiveram coragem de cumprir a missão e então combinaram de esconder Pai Preto e este ficaria assim até a morte, cuidando, é claro, dos interesses de seus senhores. Mas Pai Preto, que nunca soube dizer não ou se intimidar por qualquer perigo, não se deteve e continuou com suas mirongas, suas rezas e sua caridade sem fim. Logo a notícia correu, seria um fantasma ou quem sabe ele teria ressuscitado para desafiar quem mandava? Nova ordem chegou: Então o “feiticeiro” deveria ser desenterrado e sua cabeça arrancada do corpo e enterrada em outro local, somente assim o “mal” deixaria de existir. Aqueles que tentaram esconder Pai Preto, agora com medo, decidiram matá-lo e cumprir o que lhes foi ordenado. Tendo assim, aos 86 anos, Pai Preto deixado o plano físico para trabalhar com suas mirongas em planos mais elevados. Hoje nós que aprendemos a amar a umbanda, com toda sua sabedoria, aprendemos sempre um pouco com aqueles que deixaram esta grande lição de vida e humanidade. Pai Preto É hoje para nós PAI JEREMIAS DO CRUZEIRO, que, ao lado de Omulu, traz a cura para os sofredores dos dois planos. Pai Jeremias recebeu de Oxossi o direito de trabalhar em sua vibração, o que para nós é motivo de mais felicidade, Pois como raizeiro e conhecedor das matas levou para o plano Espiritual este conhecimento para a benção dos filhos da Terra. Salve Pai Jeremias! Salve todos os Pretos Velhos! Adorei as Almas!

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História do Rei Congo.


Rei Congo é um Preto Velho amado por toda a Umbanda, pela sua humildade e serenidade.

Ele foi escravo entre o século XVI e o século XVII, e desde sua juventude era um guerreiro, que lutava em prol de seus irmãos africanos que tanto sofriam nas mão de seus Coronéis e Feitores.

A história diz que Rei Congo, que tinha seu nome de batismo como Octácilio, era um grande rezador e curador de doenças, ficando sendo conhecido entre negros e brancos pelo seus tratamentos das moléstias como a tuberculose, que na época exterminava muitas pessoas sem escolher cor nem raça.

O negro Octácilio, certa vez após uma das filhas de um Coronel fazendeiro, chamado de “Senhor do café”, ficar muito fraca com a famigerada doença assassina, a tuberculose, ficou muito conhecido em toda região pelo tratamento dado a pequena sinhá, através de seus conhecimentos de ervas utilizadas em chás e compressas, sanando assim todo mal estar sofrido por ela e curando-a de vez da tão maléfica doença. Após esse fato Octácilio começou a frequentar outras fazendas da região para, com sua sabedoria ajudar outras pessoas que sofriam além da famigerada tuberculose outros males que afligiam a tão covarde e intolerante classe branca e rica da época.
Com essas viagens de fazenda em fazenda, Octácilio começou a perceber que seus irmãos negros sofriam grandes humilhações e maus tratos dos então feitores que ordenados pelos coronéis, mandavam castigar na chibata e no tronco todos os negros sem que houvesse motivo para tal covardia.

E foi assim que o jovem Octácilio tomou para si a vontade de lutar contra essas atrocidades, e dia após dia ele tomado por seu desejo de liberdade e também pela grande vontade de livrar seus irmãos das garras covarde de feitores e coronéis, ele decidiu então tentar a fuga, com o objetivo de mais tarde tentar ajudar os outros escravos a fazerem o mesmo.

Enfim chega a noite da fuga, Octácilio e mais alguns negros, após um dia cansativo na preparação da terra para um novo plantio de café, conseguem fugir do cativeiro após dominarem o feitor e seus jagunços quando já iam acorrentar as portas do senzala.

Vários negros fugiram, muitos deles foram recapturados e outros mortos, mas Octácilio conseguindo se embrenhar nas matas escuras conseguiu enfim a sua liberdade.

A partir desse dia, Octácilio com a ideia fixa em tentar libertar seus irmãos escravizados, rogou a Pai Oxalá e a todos os Orixás que lhe mostrassem o caminho para que ele conseguisse o tal feito.
Após vários dias e noites fugindo pelas matas sagradas de Pai Oxossi, ele se depara com uma montanha, que na época era conhecida como “Monte dos Perdidos”, essa montanha tinha centenas de caminhos que interligados chegavam a lugar algum, e apenas um caminho levava ao cume da montanha.

Octácilio por algumas vezes já ouvira falar da lenda do “Monte Perdido”, e sabia que o cume dessa montanha seria o lugar ideal para se abrigar e abrigar os negros que ele desejava libertar dos açoites e dos troncos destruidores.

Em suas orações ele pediu aos Orixás Sagrados que lhe abrissem o caminho, e que ele conseguisse chegar ao cume da montanha sem se perder pelo labirinto que o levaria a morte.

Foi ai que ele começou sua caminhada rumo a tão assustadora montanha, e sem se dar conta, subia a trilha de maneira tão segura e confiante que sem esperar em poucas horas já estava diante de um grande campo florido com um grandioso lago de águas límpidas. Ele admirado por tanta beleza daquela natureza que lhe foi entregue por Oxalá, ele se ajoelha e agradece pelo presente tão belo.

E foi nesse belo e protegido lugar que Octácilio começou a sua luta de livrar da escravidão seus irmãos negros, pois ali estava nascendo o Quilombo do Congo” e também o sonho de ali ser o caminho da paz buscada pelos quilombolas.

Entrando pelas fazendas cafeeiras durante as madrugadas, Octácilio começou a resgatar os negros escravos, levando-os para o Quilombo do Congo, e ali esses negros começaram a plantar, a construir seus lares e constituir família.

Octtácilio escolhia os negros mais novos, fortes e ágeis, fazendo deles um grupo de guerreiros da mesma causa, ou seja libertar mais e mais escravos, e no primeiro grupo já preparado para ação, o negro Octácilio recebeu o nome de Rei do Quilombo do Congo, e todos a partir desse dia passaram a lhe chamar de “Rei Congo”, como é conhecido até hoje nas casas de Umbanda.

Certa vez, em mais uma das centenas de vezes que Rei Congo tentava buscar a liberdade para os negros escravizados, um certo coronel muito temido dentro da região fez com que seus feitores e centenas de jagunços ficassem de tocaia por vários dias e noites com intuito de capturar o libertador de escravos. E numa noite nebulosa no qual Rei Congo e seus guerreiros estavam prontos para mais uma ação, o velho negro Malaquias, que tinha o dom da vidência, disse ao seu Rei negro que aquela noite ele não deveria levar seus guerreiros, pois muitas mortes poderiam ocorrer, ele deveria ir só, pois apesar de ser muito perigoso seria dessa oportunidade que ele traria um grande aliado nas causas que lutavam.

Rei Congo com toda sua humildade concordou com o velho Malaquias, e saiu só para essa missão, ao chegar a fazenda em questão, Rei Congo tenta chegar a senzala onde dormiam os negros escravizados. Porém a um certo momento Rei Congo se depara com um dos feitores da fazenda com dezenas de jagunços armados. O feitor o acorrenta em um tronco próximo a senzala, a espera do dia raiar e acatar as ordens do tão famigerado coronel.

Rei Congo com olhar firme porém sereno, tenta buscar forças nas palavras do velho Malaquias, tentava entender todo o fato, toda a causa do acontecimento. Sabia ele que tudo que acontecera teria uma razão, porém até então não conseguia chegar numa resposta em que aquilo tudo poderia ajudá-lo na luta contra a escravidão.

O sol raiou, e o feitor que ora tinha acorrentado Rei Congo, tinha um semblante cansado, parecia amargurado. Ele manda um dos seus jagunços levarem a notícia da captura do libertador de escravos ao coronel, que logo vem com as ordens de açoitarem o negro libertador até a morte, e que levassem o corpo dele a té ele, para junto a outros coronéis fazendeiros comemorassem a morte do tão temido Rei Congo.

E foi dada a missão ao feitor de levar a morte a Rei Congo por meio da chibata. E ele, o feitor, já preparado para o começo da tortura daquele corpo preso ao tronco de madeira por meio de correntes de aço, quando olha nos olhos de Rei Congo e diz se ele era o tal negro curador de doenças tão conhecido dentro da região por ter curado muitas pessoas da tão medonha doença, que na época era a tuberculose. Rei Congo, ainda com olhar sereno apenas balançou a cabeça afirmativamente. Então o feitor o livra das correntes e se jogando aos pés de Rei Congo pede a ele para salvar a sua amada que se encontrava tísica, ela estava extremamente enfraquecida e sem nenhuma chance de sobreviver. Rei Congo estendendo a mão ao feitor, lhe pergunta se ele tinha fé, ele responde que sim, então Rei Congo diz que ele ia libertar sim a doce jovem dos males da tuberculose.

O feitor, sabendo que teria que entregar o corpo de Rei Congo para os coronéis, resolveu então libertá-lo e seguir com ele e sua amada para o Quilombo do Congo. E assim foi feito, nesse mesmo dia saíram fugidos da fazenda rumo ao Monte dos Perdidos, e mesmo durante a viagem Rei Congo fazia seus chás e compressas para o tratamento da jovem Rosa, que dia após dia ia recuperando sua saúde. E ao chegarem a seu destino, com cuidados mais especiais, com o tratamento vindo das ervas e compressas sagradas do velho Congo, Rosa se recuperou totalmente, e em agradecimento o feitor, que tinha o nome de Amadeu, jurou lealdade a Rei Congo, que se transformou em um dos grandes guerreiros libertadores do Quilombo de Rei Congo.

Apenas os guerreiros de Rei Congo sabiam o caminho correto para chegar ao “Monte dos Perdidos” que já estava sendo conhecido em toda a região como “Quilombo de Rei Congo”. Como a quantidade desses guerreiros ainda era baixa, não davam conta de libertarem tantos escravos como era da vontade de Rei Congo, pois as viagens de ida e volta as fazendas eram longas, cansativas e perigosas, ele decidiu então montar pequenos quilombos que servissem de esconderijo para os quilombolas próximo ao quilombo principal, tentando assim conseguir um pouco mais de tempo para aumentar as ações contra a escravidão nas fazendas. Isso infelizmente durou pouco, pois mesmo em matas fechadas esses pequenos quilombos foram descobertos pelos Feitores e seus capatazes, ou pelos Capitães do mato contratados pelos coronéis fazendeiros que estavam a busca de seus escravos.

Rei Congo então decidiu que mesmo com a demora das viagens e a dificuldade da subida ao “Monte dos Perdidos”, seria melhor que os negros libertados fossem levados diretamente para um lugar seguro ao invés de acamparem nos pequenos quilombos a espera de alcançarem um número maior de quilombolas.

E assim foi feito por longos anos, Rei Congo e seus guerreiros libertavam os seus irmãos escravizados, os levavam para o Quilombo, e lá eles plantavam, criavam animais, constituíram laços, cultuavam seus Orixás, viviam em paz e em liberdade.

Muitos coronéis por anos tentaram alcançar o tão conhecido e guardado Quilombo de Rei Congo, muitos feitores, capatazes e Capitães do mato perderam suas vidas tentando decifrar o caminho correto que levava ao cume da montanha, mas nenhum desses tiveram êxito em seus
objetivos, pois ali além de ter grandes guerreiros que protegiam a entrada e o caminho do quilombo, tinha um Rei, um Rei protegido pelos Orixás, principalmente por pai Oxalá no qual o velho Rei Congo agradeceu por toda sua vida a luz dada para que ele encontrasse o caminho para sua libertação e a de centenas de irmãos negros.

No final do século XVII, Rei Congo fez sua passagem para o mundo dos espíritos já com 90 anos de idade no corpo físico, e sendo agraciado por pai Oxalá a benção de poder vir a terra como Entidade de Luz para continuar libertando as pessoas da escravidão, porém com um trabalho ainda mais árduo, pois essa escravidão não são nas correntes de aço frio, mas da escravidão da inveja que consome a alma, da falta de humildade que magoa o espírito, do orgulho que destrói o perdão, da soberba que esmaga o ser, da falta de amor que escurece o caminho e principalmente da falta de fé que lhe desvia da evolução espiritual.

Rei Congo preto velho calmo e sereno, humilde mas soberano, tem sempre a palavra certa na hora certa, tem ensinamentos certos pros momentos certos. Com sua voz mansa e seu jeito peculiar de se sentar, ele é reconhecido por toda a Umbanda, e todos que já tiveram a oportunidade de poder ouvir seus conselhos em seu tom de voz sereno„ pode se considerar um abençoado por pai Oxalá..

Rei Congo meu mentor, meu Vovô eterno, minha luz num caminho escuro, a ti peço a benção e proteção.

Saravá Vovô Rei Congo, Adorei as Almas.

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