MARIA PADILHA DO PORTÃO DO CEMITÉRIO
MARIA PADILHA DO PORTÃO DO CEMITÉRIO
Ela foi uma mulher que marcou a sua história: muito linda, muito desejada e dona de si mesma. Tinha tudo o que queria, pois sua beleza e sua força chamavam atenção por onde passava, mas no fundo, era uma jovem sozinha no mundo.
Vivia como uma mulher livre, que não abaixava a cabeça para ninguém, não se curvava a regras que não aceitava e fazia o que bem entendia da sua vida. Por causa dessa liberdade e da sua forma de viver, muitos a julgavam, falavam mal, criticavam e diziam que ela era uma mulher perdida, que iria direto para o inferno. Mas Maria Padilha não ligava para o que os outros pensavam ou falavam; ela sabia quem era e seguia o seu caminho com altivez.
Ela tinha um bar bem no portão do cemitério, lugar que ela gostava muito e onde costumava ficar, conversar, beber e se divertir. Era ali, naquele espaço entre a vida e a morte, que ela se sentia em casa, reinando como uma rainha.
Um dia, chegou ao bar um homem chamado Zé Caveira. Logo de primeira, ele se encantou perdidamente pela beleza daquela mulher e ficou obcecado por ela. Querendo se aproximar e impressioná-la, ele teve uma ideia macabra: entrou sorrateiramente no cemitério, tirou uma rosa de um túmulo, de um defunto ali enterrado, e foi entregá-la para a bela Maria Padilha.
Ela recebeu a flor, olhou firme nos olhos dele e disse com toda a sua frieza e sabedoria:— Muito obrigada, mas eu não vou morrer agora. Não gosto de rosa, e muito menos de você.
Zé Caveira não desistiu. Dias se passaram e ele voltou a frequentar o bar, sempre rondando a jovem. Desta vez, chegou trazendo um lindo cordão de ouro como presente. Maria, que gostava de coisas bonitas, de brilho e de se enfeitar, aceitou o cordão, ficou muito feliz com o presente e, naquele dia, resolveu se entregar a ele.
Zé Caveira se apaixonou de uma forma doentia e possessiva. Ele só queria agradá-la, dar-lhe tudo, estar sempre ao seu lado e achava que, com isso, ela seria só dele. Mas Maria era livre por natureza, não pertencia a ninguém, e logo se saturou da presença dele, que já lhe era incômoda. Ela mandou que ele parasse de segui-la, deixasse de procurá-la e disse com todas as letras:— Eu não quero mais homem nenhum atrás de mim. Eu sou livre e não nasci para ficar na cozinha, nem para servir ou obedecer a homem nenhum!
Pouco tempo depois, Maria conheceu outro homem, por quem se apaixonou de verdade. Ela se entregou a esse novo amor, ficou muito feliz e realizada ao lado do seu amado, e ele também era muito feliz com ela. Mas Zé Caveira ficou sabendo da história e foi tomado pelo ciúme e pela raiva. Ele passou a ameaçar o casal, dizendo:— Não brinquem comigo! O que é meu, não é de mais ninguém!
Maria, destemida e valente, respondia sempre com altivez:— Eu não tenho medo de você. Viva a sua vida e me deixe em paz.
O destino deu mais uma volta: Maria descobriu que estava grávida do seu amado. Cheia de alegria, ela contou a novidade para todos, espalhando a felicidade que sentia. A notícia chegou aos ouvidos de Zé Caveira, e a sua fúria não teve limites.
Ele foi até o bar, viu os dois felizes, festejando a chegada do filho, e chamou os dois para uma conversa ali mesmo, no portão do cemitério. Disse que iria se despedir, que iria embora e deixá-los em paz. Mas foi uma armadilha.
Ao chegarem perto, Zé Caveira tirou duas facas que trazia escondidas e, num ato de pura maldade e vingança, desferiu diversas facadas nos dois amados, gritando:— Você não vai ser minha e nem de mais ninguém! Eu avisei para não brincar comigo! Me chamo Zé Caveira!
Assim, jovem Maria Padilha morreu, ali mesmo, no portão do cemitério onde reinara em vida, levando consigo a sua liberdade, a sua beleza, o seu amor e o filho que esperava.
HOJE NA UMBANDA
Hoje, Maria Padilha do Portão do Cemitério é uma das entidades mais queridas, respeitadas e presentes nos terreiros de Umbanda. Ela vem com toda a sua alegria, o seu brilho e a sua força para animar as nossas giras, ajudar os seus filhos e mostrar que, mesmo após a morte, a sua luz continua brilhando.
Ela é muito boa no que faz, sábia, conhece profundamente o coração humano e todas as armadilhas da vida. É uma Pomba Gira forte, que defende os seus, que cuida das mulheres, que ensina sobre amor próprio, liberdade e dignidade.
✨ Seus gostos e símbolos:
- Adora champanhe, bebidas que brilham e festas.
- É muito chegada a um cigarro, que usa com elegância.
- Ama joias, bijuterias, brilhos, maquiagens e tudo o que é bonito e vistoso.
- Usa todas as cores, pois representa a beleza em toda a sua forma e a liberdade de ser o que se é.
Ela veio para ensinar: mulher que é Maria Padilha não abaixa a cabeça, não tem medo e é feliz sendo dona do seu próprio destino!
Saluba Maria Padilha! 🌹🔥