sexta-feira, 15 de maio de 2026

POMBA GIRA DA MATA

 POMBA GIRA DA MATA

POMBA GIRA DA MATA 🍾🍸🌹

Esta é a história de uma entidade de força, beleza e sabedoria: Pomba Gira da Mata. Antes de ser quem é hoje, ela foi uma índia de beleza rara, tão formosa que era cobiçada por todos os homens de sua aldeia. Mesmo sendo desejada por muitos, ela nunca deu atenção a nenhum deles. Era uma mulher seca, no sentido mais nobre da palavra: inteira, dona de si mesma, que se amava profundamente e não precisava de ninguém para se sentir completa. O coração dela não pertencia a ninguém, a não ser a si própria e aos seus desejos.
Ela ouvia sempre os mais velhos falarem sobre a cidade, sobre como tudo lá era diferente, cheio de coisas novas, luzes e movimentos. Aquilo mexeu com a sua imaginação. Queria conhecer, queria ver com os próprios olhos tudo o que contavam. Para realizar o seu sonho, ela usou da inteligência e de um pouco de malícia: escolheu um índio que era apaixonado por ela e lhe fez uma promessa. Disse-lhe que, se ele a levasse para conhecer a cidade, ela se casaria com ele e seria sua mulher.
O índio, cheio de alegria por ter finalmente conquistado o que tanto queria, levou-a consigo. Ao chegar lá, ela achou tudo maravilhoso, lindo e fascinante, mas não entendia quase nada do que via ou do que as pessoas diziam. Naquela época, quase ninguém na cidade gostava dos índios; eram vistos como diferentes, como estranhos. Quando o índio percebeu que o lugar não era acolhedor e que eles não eram bem-vindos, chamou-a para voltar para a floresta, para o lugar seguro onde viviam. Mas ela disse que não queria ir. Gostou do que viu e decidiu ficar. Ele, triste e sozinho, voltou para a aldeia, e ela ali permaneceu, enfrentando o desconhecido.
Tentou construir uma cabana num terreno, para ter onde morar, mas logo foi expulsa pelo governante da região. Disseram que ela só poderia ficar ali se pagasse imposto — palavra que ela não conhecia e não sabia o que significava, não entendia que até a terra precisava ser comprada ou paga para se morar nela. Sem entender as regras da cidade e sem ter onde cair morta, o destino lhe apresentou uma senhora muito elegante, dona de um bordel, que viu nela um brilho especial, uma beleza e um jeito cativante. Essa senhora a acolheu e lhe deu trabalho.
Foi ali que ela aprendeu tudo o que a cidade podia ensinar. Aprendeu todos os "macetes" da vida, aprendeu a se portar como uma dama, a se vestir bem, a falar com elegância, a usar o seu charme e a sua inteligência a seu favor. Mas, acima de tudo, aprendeu a nunca mais depender de ninguém. Ela nunca se apaixonou por ninguém durante todo esse tempo; manteve o seu coração livre e, com o seu jeito único, enriqueceu, conquistou o seu lugar, o seu dinheiro e a sua liberdade. E nunca mais voltou para a mata, para o meio dos índios, pois achou que tinha encontrado o seu mundo.
Muitos anos se passaram. Ela já tinha cerca de 50 anos, era uma mulher rica, bonita e muito bem arrumada, com costumes e modos que nada lembravam mais a índia que um dia fora. Sentiu, então, uma saudade imensa da sua terra, da sua gente, da sua mãe. Resolveu, assim, voltar à mata para visitar a sua família. Mas quando chegou perto da aldeia, ninguém a reconheceu. Ela estava tão diferente, tão transformada pela vida na cidade, que parecia ser de outro povo. Ela, com todo o amor do mundo, abraçou a sua mãe, sentindo-se em casa novamente.
Mas a alegria durou pouco. Ao vê-la aparecer daquele jeito, vestida como as pessoas da cidade, falando de forma diferente e com os costumes dos brancos, o Pajé da aldeia se revoltou. Para eles, uma índia deveria ser da floresta, viver como a natureza manda e manter a sua origem. O Pajé declarou, com toda a força das crenças deles, que ela deveria morrer. Disse que uma índia não poderia ter costumes de branco, nem misturar-se com o sangue ou os hábitos de quem não era da terra. Para eles, ela já não era mais uma deles, mas também não era aceita como outra coisa — e, por isso, era um erro, algo que devia ser eliminado.
Sem dó nem piedade, construíram uma grande fogueira. Jogaram-na dentro do fogo, enquanto ela gritava sem entender por que a sua própria gente a rejeitava tanto. E assim, aos 50 anos, ela desencarnou, vítima da intolerância e da falta de compreensão dos seus irmãos de origem.
Quando deixou o corpo, diante dos espíritos e dos mentores, abriu-se uma escolha: por toda a sua vida ligada à natureza, à mata e às origens, ela poderia muito bem ter vindo trabalhar na Umbanda como uma Cabocla, para defender e cuidar da floresta. Mas ela recusou. Disse que não queria essa linha, pois foram os índios, o seu próprio povo, que a julgaram e tiraram-lhe a vida. Ela escolheu, então, a linha de Pomba Gira, onde reina com toda a sua força, beleza e independência, livre de julgamentos e senhora de si mesma.
Hoje, Pomba Gira da Mata trabalha ao lado dos seus grandes companheiros:
✅ Exu Gira Mundo
✅ Pomba Gira da Figueira
✅ Rainha do Inferno
É uma entidade de presença forte, muito respeitada e, por vezes, difícil de se manifestar ou ser vista, pois age onde muitos não conseguem chegar. Ela é uma das melhores entidades para se pedir ajuda quando se precisa esquecer um amor que faz sofrer, pois ela conhece bem o valor de se amar a si mesma antes de tudo. Trabalha abrindo caminhos fechados, desmanchando feitiços, quebrando demandas e energias negativas que tentam atrapalhar a vida de seus filhos e filhas.
Sua vestimenta carrega as cores que representam a sua história: por baixo, veste uma saia verde, cor da mata e da natureza onde nasceu; por cima, usa a sua roupa preta, cor da força, da sabedoria, da maturidade e da justiça que conquistou com a sua jornada.
Seus gostos e oferendas são simples, mas cheios de significado: ela gosta de beber cachaça boa, de fumar charuto ou cigarro, e tudo o que lhe é oferecido — todos os presentes, as flores, as bebidas e as oferendas — devem ser entregues dentro da mata, na entrada da floresta ou debaixo de árvores frondosas, pois é lá que ela recebe com todo o seu amor e gratidão.
Salve a Rainha da Mata!
Salve Pomba Gira da Mata! 🌹🍸🍾