quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Winti é uma religião tradicional afro-surinamesa que se originou na América do Sul e se desenvolveu no Império Holandês

 Winti é uma religião tradicional afro-surinamesa que se originou na América do Sul e se desenvolveu no Império Holandês ; isso resultou na sincretização das crenças religiosas e práticas dos escravos Akan e Fon (com os deuses como Leba ou Legba, Loko e Aisa ou Ayizan) com o Cristianismo. [1]

A fundação do Winti é baseada em três princípios: a crença no criador supremo chamado Anana Kedyaman Kedyanpon ; a crença em um panteão de espíritos chamado Winti ; e a veneração dos ancestrais . Também se acredita nos Ampuku (também conhecidos como Apuku ), que são espíritos antropomórficos da floresta. Um Ampuku pode possuir pessoas (homens e mulheres) e também pode se passar por outro espírito. [1] Ampuku também podem ser espíritos da água e são conhecidos em casos como Watra Ampuku 


Winti é descrito de acordo com C. Wooding (um especialista em Winti) como:

"... uma religião afro-americana, dentro da qual a crença em seres sobrenaturais personificados ocupa uma posição central. Esses seres sobrenaturais personificados podem se apossar de uma pessoa humana, desligar sua consciência, por assim dizer, e assim revelar coisas sobre o passado , presente e futuro, bem como causar e / ou curar doenças de natureza sobrenatural. " [3]

Outro especialista em Winti (HJM Stephen, 1985) descreve Winti como:

"... principalmente uma religião, o que significa que o respeito pelo divino, a adoração e a oração são centrais. Além disso, tem um forte aspecto mágico, que muitas vezes tem sido enfatizado de forma muito unilateral e injusta. A magia envolve a influência do terreno eventos por meios sobrenaturais. "

História de Winti editar fonte ]

Durante a escravidão , membros de várias tribos da África Ocidental foram trazidos para o Suriname . Eles vieram de reinos que tinham certos aspectos religiosos em comum, como a crença em um Deus criador supremo que vive longe das pessoas, deixando o mundo para deuses ou espíritos menos poderosos que ele, e a crença em uma alma humana imortal e o culto aos ancestrais relacionado.

Após a abolição da escravidão em 1863, um período de dez anos de escravidão econômica se seguiu conhecido como 'De Periode van Staatstoezicht' (o período de Supervisão do Estado). O período de supervisão estatal terminou em 1873 e foi seguido por um período muito longo de escravidão mental e cultural. Os ex-escravos e seus descendentes foram forçados a se converter ao cristianismo e por quase 100 anos (1874–1971) praticar o winti foi proibido por lei. Eles também foram forçados a falar holandês , a educação em sua própria língua, ' Sranan Tongo ', foi proibida e as crianças não foram autorizadas a falar Sranan Tongo nas escolas.

A alma editar fonte ]

Acredita-se que um ser humano possui três aspectos espirituais, o Dyodyo , o Kra e o Yorka . Por meio desses aspectos, os seres humanos são integrados ao mundo sobrenatural. Os Dyodyo são os pais sobrenaturais que protegem seus filhos e podem ser espíritos superiores ou inferiores. Eles receberam a alma pura, o Kra , de Anana e deram a uma criança. Kra e o Dyodyo determinam a sua razão e mentalidade, enquanto os pais biológicos fornecem o sangue e o corpo físico. Yorka , a outra parte espiritual, absorve as experiências de vida. Após a morte do corpo físico, o Kravolta para o Dyodyo e o Yorka vai para o reino dos mortos.

Pantheons editar fonte ]

Existem quatro Panteões ou grupos.

  • 1. O panteão da Terra com o Goron Winti .
  • 2. O Panteão da Água com Watra Winti .
  • 3. O Panteão da Floresta com Busi Winti .
  • 4. O Panteão do Céu com Tapu Winti .

Certos grupos de quilombolas também distinguem um quinto panteão, o reino da morte.

O panteão da Terra editar fonte ]

  • Aisa
  • Loko
  • Leba
  • Fodu
  • Luangu
  • Goron-Ingi

O panteão da água editar fonte ]

  • Watra Ingi
  • Watra Kromanti

O panteão da floresta editar fonte ]

  • Busi Ingi
  • Ampuku
  • Kantasi
  • Adumankama

O panteão do céu editar fonte ]

  • Opete ou Tata Ananka Yaw
  • Sofia-Bada
  • Awese
  • Aladi
  • Gisri
  • Tando
  • Gebry
  • Adjaini

Veja também editar fonte ]

Referências editar fonte ]

  1. Vá até:b Rijksuniversiteit te Centro de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos de Utrecht (1979). Nieuwe West-Indische gids53–55. Nijhoff. p. 14
  2. ^ Wim Hoogbergen (2008). Out of Slavery: A Surinamese Roots History . LIT Verlag Berlin-Hamburg-Münster. p. 215. ISBN 9783825881122.
  3. ^ Wooding, Ch.J. (1972). Winti: een Afroamerikaanse godsdienst no Suriname; een cultureelhistorische analise van de religieuze verschijnselen in de Pará . Meppel: Krips.
  • Wooding, Ch.J. (1984) Geesten genezen. Ethnopsychiatrie als nieuwe richting binnen de Nederlandse antropologie . Groningen: Konstapel.
  • Stephen, HJM (1983). Winti, Afro-Surinaamse religie en magische rituelen in Suriname en Nederland . Amsterdã: Karnak.
  • Stephen, HJM (1986). De macht van de Fodoe-winti: Fodoe-rituelen em de winti-kultus no Suriname en Nederland . Amsterdã: Karnak.
  • Stephen, HJM (1986). Lexicon van de Winti-kultuur. Naar een beter begrip van de Winti-kultuur . Z.pl .: De West.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Vovô considera o livre arbítrio um presente de Deus. Pois é uma decisão que depende somente da vontade de vocês

Vovô considera o livre arbítrio um presente de Deus. Pois é uma decisão que depende somente da vontade de vocês

O livre arbítrio serve pra vocês decidirem tudo. Desde o que vão comer, que horas vão dormir, se vai trabalhar, e até se vai ou não ao terreiro.
Mas o livre arbítrio implica também em ter consequências.
Se filho escolhe comer algo na rua, sabe que pode passar mal.
Se filho escolheu faltar ao trabalho, sabe que será descontado, ou poderá ser demitido.
Se filho resolve trair, sabe que pode acabar o casamento.
Filho escolhe, filho tem retorno.
Muitas vezes filho está enfermo do espírito, sofridos e amargurados e esquece que a fé e a cura também depende do livre arbítrio.
Quando filho escolhe permanecer nessa frequência negativa, manifesta o desejo de permanecer, por medo e insegurança, em uma situação que já conhecemos, que já está acomodado, mesmo que não seja uma frequência ideal e boa, mesmo que nos traga sofrimentos e tristezas. Filho prefere ficar parado onde está com medo do que “está por vir”.
O livre arbítrio também implica nisso. Quando vovô fala que você pode escolher, você pode escolher. Sair aos poucos da frequência negativa da sua vida. Ir buscando sua fé e seu caminho.
Vocês acabam se acostumando e aprendendo a lidar, rejeitando mesmo sem perceber qualquer movimento de ajuda e crescimento que possa ser a base para novas escolhas de caminhos e formas de pensar.
Vovô vai dizer melhor: você está tão acomodado, que nem aceita receber ajuda, com medo de ter um problema pior.
Não ouve os conselhos dos amigos, não ouve sua intuição, e nem ouve seus guias.
Meus filhos, é claro que nada melhor que um colo de Preto Velho, que com seus conselhos podem fazer pensar e ir fazer aos poucos voltar confiança para sacudir a poeira e dar a volta por cima em direção a uma renovação e crescimento interior rumo à espiritualidade e a vida nova.
Mas você quer?
Filho, você busca?
Filho você se cuida?
Você ouve?
Você ouve o que vovô diz?
Você escuta seu zelador? Pai ou mãe de santo?
Você faz por onde mudar sua vida?
O livre arbítrio é seu.
Mas vovô vai estar sempre aqui pra ajudar a pensar. Você segue os conselhos do Vô se quiser. Mas o vô tá aqui pra te dar colo.
Mas você tá usando bem seu livre arbítrio?
Cuidando da sua fé?
Orando, pedindo, conversando com nós?
Não adianta só chegar no colo do Velho e chorar pelo leite derramado.
Vovô tá aqui pra te ajudar a pensar e ter seu livre arbítrio.
Mas o velho não prende ninguem.
Cada um sabe de si.
Cada um pode escolher acender sua vela. Lavar e encher sua quartinha. Cada um pode escolher ir ou não no terreiro.
O velho vai olhar por cada um de vocês sempre.
Mas você tá usando bem seu livre arbítrio?
Tá fazendo as escolhas certas?
São suas escolhas.
Vovô tá sempre aqui no toco te esperando.
Venha quando quiser.
Só não escolhe quando ficar pior.
A vida da caminhos. Você precisa saber caminhar.
Faça suas escolhas, caminhe livre e sem medo.
Preto velho tá aqui pra cuidar.
Vem cá no colo do vô que eu vou te acalentar.
Não esqueça suas raízes.
Ouça seu coração.
Assim é que deve ser! O Astral quer filhos independentes, seguros de si, harmoniosos e que andem com as suas próprias pernas. Que sejam conscientes de seu livre arbítrio e saibam usá-lo da melhor maneira possível.
Fé atrai firmeza, atrai calma, que atrai confiança, que dá as mãos à serenidade, proporcionando a alegria, a paz de espírito, o axé e o caminho.
Fique na luz e na paz.
Que nosso senhor abençoe a todos que tem fé e também aqueles que não tem
Pai Antônio da Bahia.
Giseli Lemos

domingo, 5 de julho de 2020

"CONSELHO DE UM VELHO CIGANO

"CONSELHO DE UM VELHO CIGANO

''Tão rápido essa vida vai passar, a minha passou num piscar de olhos, sim você terá muitas outras, mas tudo que fizeres nessa respingará na próxima. Não brigue com as pessoas, não critique tanto seu corpo. Seja justo para que Deus te abençoe...
Não reclame tanto, você tem muito mais que muitos terão.
Não deixe de beijar seu amor, você não sabe quando será o último beijo de amor nessa atual existência... Bens e patrimônios devem ser conquistados por cada um, não se dedique a acumular herança, tudo que vem fácil é perdido fácil.
Deixe os cachorros mais por perto, eles são gotas do amor de Deus...
Use os talheres novos, não economize seu perfume preferido use-o para passear com você mesmo.
Gaste seu melhor sapato, repita suas melhores roupas, quando morrer nem tua roupa do caixão você escolherá... Se não é errado, por que não ser agora? Escute o coração, ele é a voz de Deus.
Por que não dar uma fugida?
Por que não orar agora ao invés de esperar para orar antes de dormir? E Não faça rezas ensaiadas pela boca, faça orações de amor, converse com Deus ao invés de apenas repetir palavras. Não transforme sua relação com Deus num ritual frio... Por que não ligar agora?
Por que não perdoar agora?
Espera-se muito o Natal, a sexta-feira, o outro ano, quando tiver dinheiro, quando o amor chegar, quando tudo for perfeito…
Olha, não existe o tudo perfeito.
O ser humano não consegue atingir isso porque simplesmente não foi feito para se completar aqui.
Aqui é uma oportunidade de aprendizado, apenas uma sala de aula das milhares que ainda terá que passar.
Então, aproveite este ensaio de vida eterna e faça cada segundo valer a pena! O universo te espera, mas o impulso para alcançares as estrelas será feito aqui…Ame mais, perdoe mais, abrace mais, viva mais intensamente. Seja luz e a luz sempre estará contigo!!''

Que Santa Sara abençoe à todos!!

Encanto cigano
#Povodafloresta🌿🌳

sábado, 9 de maio de 2020

São raros os médiuns que aguentam a força do seu Tata caveira,por ele ser um exu muito velho que viveu a muito tempo atrás ainda vem curvado,bravo é de poucas palavras e o seu modo de agir é de um autêntico caveira.
Mais com o tempo e com o médium sabendo a doutrinar tudo evolui !!
Em seus pontos riscados geralmente usa vela preta e branca,ou preta e vermelha.
Sua guia é de cor preta,gosta de marafos fortes e de charutos bons(algumas falanges fumam o charuto do lado ao contrário).
É bem conhecido na umbanda e tbm na quimbanda, é um exu de lei !!
Mais não se assuste com esse Exu, sortudos são os que carregam ele na coroa filho do tata caveira não passa necessidade,não passa aperto e sempre ligado a tudo e a todos,sabem quem é falso só por um olhar.
Laroye compadre !💀💀
Autoria : Pablo Campos/povo da calunga.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

ORIXÁ DE FRENTE: QUAL A SUA FUNÇÃO NA MINHA VIDA?

ORIXÁ DE FRENTE: QUAL A SUA FUNÇÃO NA MINHA VIDA?

Os orixás são seres, entidades de luz, que sempre nos rodeiam e fazem parte da nossa existência, tanto a humanada, quanto a espiritual. Todos nós, sem distinção de gênero, etnia ou classe social, somos filhos de orixás. Temos nossos guias e características marcantes destas entidades.
ORIXÁ DE FRENTE, ORIXÁ ADJUNTO E ORIXÁ ANCESTRAL
Antes de entendermos mais um pouco sobre a importância e funções do Orixá de Frente, é de extrema importância que saibamos diferenciar os três principais Orixás guias. Nunca podemos nos esquecer, também, que existem milhares de outros orixás muito importantes.
O Orixá de Frente é aquele que atua sobre a nossa forma de pensar, em nosso raciocínio, ou seja, no lado racional de nossa mente. Ele está à frente de nossa cabeça e é o grande responsável por nossa vida nesta encarnação.
O Orixá Adjunto está na região complementar do Orixá de Frente e, junto com este, auxilia a nossa vida no campo emocional. Quando a nossa mente não consegue raciocinar mais sobre questões complexas ou que a situação demanda uma força irracional, é justamente o Adjunto, também conhecido como Juntó, que entra em ação. No campo dos sentimentos e das emoções.
E, por fim, temos o Orixá Ancestral. Este é aquele dificilmente encontrado e que raramente aparece em jogos de búzios. Para descobri-lo devemos proceder a uma investigação extremamente minuciosa e espiritual. É o Ancestral que irá guiar a nossa natureza enquanto procedentes de um espírito. É ele que resguarda os pensamentos e o íntimo humano.
ORIXÁ DE FRENTE: IMPORTÂNCIA E FUNÇÕES
Além de ser o principal, que mais nos mostra ao mundo como realmente somos, o Orixá de Frente forma, junto com o Ancestral, a representação do masculino e do feminino.
O de Frente é aquele que guiará os seus passos na sua encarnação atual e moldará a sua mente para as questões racionais, a maior parte de nossos pensamentos. Quando pensamos em fazer alguma coisa ou tentamos tomar a melhor decisão, é o Orixá de Frente que está agindo em nossa mente.
Além de desenvolver o nosso chakra frontal e evoluir os intermédios do pensamento, o Orixá de Frente se molda ao Adjunto para a evolução e, por que não criação, de nossa personalidade.

ACAÇÁ

ACAÇÁ

O acaçá é um alimento que desperta muita curiosidade e interesse para as pessoas que procuram o conhecimento dos fundamentos dos orixás.
É um alimento cheio de mistérios como todas as comidas de santo, mas trás em si um dos simbolismo mais profundo para a religião dos orixás.
Alimento que nunca pode faltar em fundamentos que exige sacralização animal.
É símbolo de individualização e coletividade, dentre suas múltiplas funções.
Para entendermos melhor seu fundamento, precisamos rever algumas coisas, que envolvem; Exu (Pambonijila), Nanã(Zumba) e Oxalá (Lembaranganga), que são a base da existência individualizada, e principio dinâmico da vida material.
O acaçá representa uma vida, tanto material quanto espiritual.
Para se fazer esse alimento é necessário a farinha de acaçá(canjica branca moída ou triturada), água, fogo e folha de bananeira devidamente preparada(passada no fogo para amolecer e ficar mais fácil para manuseio) eu chamo esse ato de quebra de quizila da folha de bananeira, afinal a bananeira é uma planta onde muitas entidades gostam de habitar e nem sempre são entidades positivas,a folha pode estar com alguma energia negativa, e sendo assim passada no fogo queimará essas possíveis energias e a tornará própria para a utilização.
A folha de bananeira envolta em uma porção da massa do acaçá, representa o corpo, a sua cor verde(sangue preto vegetal).
A porção da massa dentro da folha, representa a vida do corpo a força ancestral divinizada e individualizada ou se queiram parte de Olorum o ser supremo o sopro da vida.
O acaçá branco é sangue branco vegetal, é ofertado a todas os orixás femininos, a Oxalá, aos ancestrais, a Ori e a todas as Entidades e Divindades que exigem em seus fundamentos o Branco.
O acaçá vermelho, preparado com a farinha de milho vermelho ou o fubá acrescido ou não de sal grosso e dendê, tem os mesmos preceitos e fundamentos do acaçá branco, representa o axé ancestral feminino
Esse acaçá é oferta para todos os Orixás masculinos, embora hoje em dia se usa mais o acaçá branco pra todos os orixás, e reservam esse somente para Exu.
As cores e formas fazem parte do simbolismo dos fundamentos dos Orixás.
O acaçá branco geralmente é enrolado na folha de bananeira para dar o formato de uma pirâmide, com base quadrada ou retangular, simbolizando os pontos cardeais, norte/sul e leste/oeste, em outras palavras força de expansão tendendo para cima, para o alto como símbolo de elevação e crescimento.
Se modelado bem, podemos ver que são quatro triângulos que formam uma pirâmide, que voltado para cima é símbolo do masculino.
O acaçá vermelho também enrolado em folha de bananeira, em forma de uma pirâmide truncada sem ponta. É axé feminino que seu formato lembra uma vulva(mapôa).
As diferenças entre esses alimentos(acaçás) já não são mais observadas com frequência, mas deveriam ser, porque, fazem parte do rico simbolismo que esta presente e todos os fundamentos dos Santos e que deveriam ser observados.

XAXARÁ SIMBOLOGIA

XAXARÁ SIMBOLOGIA

O candomblé é uma Religião rica em simbologia, as danças, os gestos, movimentos corporais, um conjunto de coisas que servem para traduzir o que é a Divindade e os mistérios que a envolvem, a quais elementos da natureza pertence e uma serie de outros fundamentos.
Aqui quero falar sobre o Imbele/Xaxará uma simbologia que faz parte da Divindade Kavungo/Omolu/Obaluayê.
Para falar desse símbolo, o Imbele/Xaxará, precisamos entender cada peça que compõe o seu corpo.
O Imbele/Xaxará é confeccionado a base de nervuras das folhas do dendezeiro, envolvido em uma espécie de rede feita com palha da costa, búzios e miçangas.
Imbele/Xaxará, é o cetro símbolo desta Divindade, muitos o tem como uma vassourinha de Omolu, que serve para varrer as mazelas das pessoas, afastar doenças e também um instrumento de cura, mas o significado desta " ferramenta " vai muito além.
Como símbolo de representação dos antepassados este cetro carrega em si a mais complexa simbologia. Cada uma das nervuras das folhas do dendezeiro representa a estrutura óssea da folha seca utilizada para confeccioná-lo. Folha seca, e como sabemos as folhas ditas mortas ainda guardam em si suas características de cura como as folhas secas que preparamos chás.
Se observarmos uma folha qualquer, podemos ver que aqueles veios que cada folha possui são como os ossos/estrutura que recheados de vida sustentam o corpo das folhas.
Assim são as nervuras/ossos das folhas da palmeira que unidas uma a outra dão suporte a magia e poder que envolve o cetro Imbele/Xaxará, ou seja a reunião de todos os antepassados simbolizados nessas nervuras das folhas, que sustentam o poder desta Divindade.
Contam-se que quando alguém é tocado por este cetro, pode lhe ser infligida tanto a vida quanto a morte. É uma forma de salvar uma pessoa de uma doença grave ou lhe proporcionar a morte, livrando-o de seu sofrimento.
Todas esta nervuras das folhas formando um feixe são envolvidas em uma espécie de rede fina confeccionada com palha da costa, e as vezes também pedaço de couro de boi ou cabrito que simboliza a pele.
Esta especie de rede de palha é bordada com búzios em quantidades variadas, búzios estes que simbolizam ossos/antepassados. Cada losangolo que compõe a rede de palha simboliza expansão e crescimento do axé dos antepassados.
Miçangas de louça ou de cerâmica nas cores desta Divindade compõem a parte estética do cetro dando simbologia ao sangue preto, vermelho e branco sendo cerâmica ou louça sangue mineral masculino, feminino e descendência individualizada representada na cor preta.
E finalizando a composição do Cetro duas pequenas cabaças também enfeitada com pequenos búzios e miçangas, contendo em seu interior elementos como pós de; ervas, de búzios, obi/makaso e orobô/orolê, pembas, elementos dos reinos animal, vegetal e mineral e uma infinidade de outras coisas que dão poder de transformação de vida para morte e vice versa, de acordo com o axé/nguzu de cada caminho/hamba da divindade que o porta.
O Imbele/Xaxará é simbolo de vida e morte. Como símbolo de vida, pode restaurar nossa saúde e nos manter de pé e ainda traduz que mesmo quando perdemos o nosso corpo ou seja morremos nosso axé ainda vive como antepassado.
E como símbolo de morte/restituição nos dá a certeza que não estaremos só, pois esta Divindade nos mostra que somos parte de um todo e que só temos existência por causa deste todo/nossos antepassados que, sem Eles nem existiríamos.

O POVO DO ORIENTE: CIGANOS NA UMBANDA

O POVO DO ORIENTE: CIGANOS NA UMBANDA

Muito se ouve falar que a Linha de Cigano faz parte da Linha de Exú, que os Ciganos são entidades ainda em evolução tentando ingressar na Linha de Exú, que Pombo Gira Cigana ou Ciganinha foram as únicas Entidades Ciganas que evoluíram e ingressaram na Linha de Exú.
Essa falta de entendimento, que é na realidade uma simples dedução, faz com que muitos terreiros não deixem os médiuns trabalharem com essa linha. Chegam a dizer que são entidades sem luz.
Como é a Linha de Ciganos?
Os Ciganos são Entidades "livres". Não se faz "Firmezas" ou "Assentamentos" para Ciganos dentro da "Casa de Exú" ou em qualquer lugar do terreiro.
Cigano trabalha em todos os "lugares", são livres e precisam dessa liberdade para sua evolução.
Não estou dizendo que não possa ter elementos de Ciganos dentro do Terreiro, até porque muitos médiuns precisam de um ponto de fixação para poder entrar em sintonia com seus guias.
Os Ciganos não trabalham a serviço de um Orixá específico, por isso não são guardiões de um terreiro. Essa linha trabalha em paralelo e conjugada com as demais linhas, onde o seu compromisso primeiro é com a caridade e não com nenhuma outra linha específica.
Os Ciganos são protetores e não guardiões. Podem trabalhar dentro da linha de Exú, porém sem função de chefia e de guarda. Já os Exús Ciganos e Pombo Giras Ciganas são Exús e Pombo Giras como outros quaisquer, exercendo todas as funções que qualquer Exú e Pombo Gira exercem. Em resumo: Cigano é uma coisa, Exú Cigano é outra. Eles têm funções diferentes, embora a mesma origem cigana.
Os Ciganos se manifestam nos terreiros de Umbanda, justamente por “Ela” ser uma religião aberta e dar liberdade para qualquer linha de trabalho que venha fazer Caridade.
Por serem muito alegres, os médiuns começam se fascinar por essas entidades, e ter excesso de culto por essa Linha. Aí começaram as vaidades, as roupas enfeitadas, bebidas, fumos, danças, firmezas, assentamentos, jogos em casa ou até mesmo no terreiro, e assim, infelizmente, muitos espíritos que ainda estavam em "desenvolvimento" para ingressar nessa Linha se perderam junto com os médiuns, e hoje podemos ver os absurdos que são feitos usando o nome de entidades de luz.
Os Ciganos trabalham com os quatro elementos da natureza: terra, água, ar e fogo.
O Elemento Terra:
Eles distinguem cada pedra e têm o conhecimento sobre elas, e assim manipulam o elemento terra.
Cada pedra tem um porque de ser usada e uma necessidade. Quando é pedido para que passem a pedra em alguma parte do seu corpo ou para que a segurem, vocês estão se descarregando ou até mesmo se energizando, depende do trabalho que está sendo realizado.
É na terra que se encontra firmeza para enfrentar a vida, resgatar karma e continuar o caminhar.
O Elemento Água:
Podem utilizar copos ou taças com água. Através da água conseguem ver se não há maldade no que esta sendo pedido. Enxergam se há pureza no coração de cada um, pois a água serve de espelho, espelho esse que reflete o que tem dentro de cada um de vocês.
Conseguem ver com clareza o que foi feito por cada um e o porquê de estarem colhendo o que não querem colher.
Os Elementos Ar e Fogo:
Podem utilizar o cigarro e com ele estar manipulando dois elementos, o ar e o fogo. O fogo muitas vezes é usado para queimar invejas, miasmas, larvas e cascões astrais.
A fumaça quando é direcionada ao consulente serve para envolvê-lo numa cortina para que naquele momento os obsessores sejam confundidos e tenham a visão obnubilada e fiquem desorientados, procurando o consulente. Assim torna-se mais fácil ao sistema de defesa da Casa (através dos guardiões) resgatá-los e afastá-los.
Nem sempre esses elementos são usados de uma só vez, e quero deixar bem claro que não precisamos diretamente dos mesmos, podemos plasmá-los perfeitamente usando o ectoplasma do médium.
Para um Cigano poder trabalhar em prol da caridade não é necessário um baralho, uma taça de vinho, ou qualquer outro elemento. Isso é mito. Eles podem usar e usam elementos da natureza em alguns trabalhos, entretanto, quando estão incorporados nos médiuns, a energia de trabalho e o próprio corpo do médium limitam a visão e o campo de ação da entidade.
Como são e como trabalham
Os Ciganos se manifestam na Umbanda como uma Linha voltada bastante para a magia visando a prosperidade, a união familiar, o amor, a cura e a superação de preconceitos e de bloqueios emocionais.
Os Espíritos Ciganos são também, uma linha de trabalhos espirituais que busca seu espaço próprio, pela força que demonstram em termos de caridade e serviços a humanidade. Seus préstimos são valiosas contribuições no campo do bem-estar pessoal e social, saúde, equilíbrio físico, mental e espiritual, e tem seu alicerce em entidades conhecidas popularmente com "encantadas".
São entidades que há pouco tempo ganharam força dentro dos rituais da Umbanda. Erroneamente no começo eram confundidos com entidades espirituais que vinham na linha dos Exús, tal confusão se dava por algumas ciganas se apresentarem como Cigana das Almas, Cigana do Cruzeiro ou nomes semelhantes a esses utilizados por Exús e Pombas-Gira.
Ciganos na Umbanda são espíritos desencarnados homens e mulheres que pertenceram ao povo cigano. Os ciganos em geral têm seus rituais específicos e cultuam muito a natureza, os astros e ancestrais.
Dentro da Umbanda, trabalham para o progresso financeiro e para as causas amorosas. Cheios de simpatias espirituais, os ciganos trabalham para a cura de doenças espirituais.
Os ciganos, dentro da ritualística umbandista, falam a língua "portunhol", alguns poucos, falam o romanês, língua original dos ciganos.
As incorporações acontecem geralmente em linha própria, mas nada impede que eles possam a vir trabalhar na linha de Exú.
Hoje, o culto está mais difundido, se sabe e se conhece mais coisas sobre essas entidades, chegando algumas casas a terem um ou mais dias específicos para o culto aos espíritos ciganos.
Não tem na Umbanda o seu alicerce espiritual, como dissemos; se apresentam também em rituais do tipo mesa branca, Kardecistas e em outros rituais específicos de culto à natureza e todos os seus elementos, por terem herdado de seu povo, o cigano, o amor incondicional à proteção da natureza.
Na Umbanda passaram a se identificar com os toques dos atabaques, com os pontos cantados em sua homenagem e com algumas das oferendas que são entregues às outras entidades cultuadas pela Umbanda. Encontraram lá, na Umbanda, uma maneira mais rápida de se adaptarem a cultos e é por isso que hoje é onde mais se identificam e se apresentam.
São entidades oriundas de um povo muito rico de histórias e lendas, foram na maioria andarilhos que viveram nos séculos XIII, XIV, XV e XVI. Tem na sua origem o trabalho com a natureza, a subsistência através do que plantavam e o desapego às coisas materiais.
Dentro da Umbanda seus fundamentos são simples, não possuindo assentamentos ou ferramentas para centralização da força espiritual.
São cultuados em geral com imagens bem simples, com taças com vinho ou com água, doces finos e frutas solares. Trabalham também com as energias do Oriente, com cristais, incensos, pedras energéticas, com as cores, com os quatro sagrados elementos da natureza e se utilizam exclusivamente de magia branca natural, como banhos e chás elaborados exclusivamente com ervas.
Diferentemente do que pensamos e aprendemos, raramente são incorporadas, preferindo trabalhar encostadas e são entidades que devem ser cultuadas na direita, pois quando há necessidade de realizarem qualquer trabalho na esquerda, são elas que se incumbem de comandar as entidades ciganas que trabalham para este fim, por isso, não precisam de assentamentos. Por isso tudo fica evidenciado que são entidades que trabalham exclusivamente para o bem.
Santa Sarah Kali é sua orientadora para o bom andamento das missões espirituais. Não devemos confundir tal fato com sincretismos, pois Santa Sarah é tida como orientadora espiritual (PADROEIRA DO POVO CIGANO) e não como patrona ou imagem de algum sincretismo.
“É preciso que tudo na vida esteja bem equilibrado, e o equilíbrio, para nós que praticamos, tem um nome que se chama Umbanda.
Umbanda é a paz interior, é fazer caridade ao desconhecido, é o amor pela vida e pelo o próximo.
Umbanda é luz, vida e amor”.
Saravá o Povo do Oriente!
Salve os Ciganos!
Arribabô, Arriba!
Saravá a Umbanda!
Axé...