quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Pomba Gira por Maria Quitéria

 

Pomba Gira por Maria Quitéria



Bom dia moça... Que o amor esteja sempre a abrir os teus caminhos.

Hoje tenho um motivo especial para estar aqui. Quero que você escreva um pouco sobre nós, as Pombas Giras... Tão mal interpretadas e sempre tão requisitadas em trabalhos relacionados ao amor... Ou falsos "amores".

Diariamente tentamos ajudar humanos que se dizem sem forças porque foram traídos, abandonados e esgotados, que perderam seu amor, perderam seu rumo e estímulo e se perdem em abismos por viverem em função de sentimentos egoístas e vaidosos, quando o difícil é fazê-los perceber que este falso amor nunca lhes pertenceu, e sim o amor próprio que mora em cada um de nós, esse sim soma com outros amores, o que nos dá a sensação de termos encontrado um grande e único amor, o que realmente são, tão individuais como cada ser e sua natureza.

Nós, Pomba Giras, somos o verdadeiro e puro estímulo, onde atuamos na capacidade da mulher se auto sustentar, se auto afirmar em suas forças e belezas, estimulamos todos os sentidos obscuros que existe dentro de uma mulher e de um homem para que eles possam seguir suas caminhadas em busca de sonhos e ideais, ou pensas que só vocês mulheres precisam de estímulos?
Estimulamos todos os sentidos que façam com que humanos enxerguem e coloquem em práticas todas as virtudes existentes em sua natureza.

Por muito tempo fomos comparadas com mulheres de vida fácil, liberais, quando o incômodo está em nosso magnetismo de encantar, de conquistar e estimular todos os sentidos da vida, com uma gargalhada, com uma dança, com uma lição de amor... Mas não se encantes com tantos encantos. Sabemos e somos donas do sentido estimulador e podemos paralizá-lo quando assim for necessário e de belas e encantadoras mulheres, passamos a valentes guerreiras e guardiãs de nossos protegidos, ou quem possa vir a nos evocar na Lei Divina da Luz.

Se quiserem nos humanizar, tenham nós como as guerreiras, como as mulheres de frente que sempre se destacaram e lutaram por seus ideais, tenham a certeza de que estivemos a ampará-las, apenas para ativar seus sentidos e protegê-las para que pudessem realizar suas missões, única e exclusiva de desabrochar e chamar atenção de mulheres que já haviam se esquecido do que existe dentro de cada uma, seus sonhos e ideais, já as mulheres de vida fácil como dizem parecermos, essas sim são carentes de amor próprio, movidas por falsas ilusões e falsos amores, esse motivo maior de sermos procuradas e tão mais perto da realidade presente hoje entre vocês humanos.

Porque citar essas duas classes de mulheres que por tempo viraram uma e que são de um magnetismo contrário?

Porque são guerreira em descobrir sua própria natureza e não de querer descobrir a do próximo, são felizes com o que tem e o que são e isso se chama amor próprio.

Quando citamos as que vocês classificam de mulheres da vida fácil, é porque buscam incansavelmente por um amor fora de si. E o que buscamos, é fazer com que vocês possam enxergar que o amor não se busca em outros corpos, não se busca em grandes empregos ou em grandes amizades, tudo se soma para fazer do amor próprio ainda mais belo e fortificado, mas não traz e nem cria ele, nunca poderão ter um grande amor, enquanto não aprenderem a se amar, não serão bem sucedidos em grandes ou pequenos empregos enquanto não amarem o que fazem, vivam a amar o que fazem, o que buscam e o que são, vivam intensamente e atrairão o próprio magnetismo puro do amor até vocês e entenderão ou começarão a entender as mensagens que nós Pomba Giras buscamos passar...

Para nos evocar basta perceber e buscar o amor que mora dentro de si e para perceber o que sou e onde estou, basta olhar para as estrelas, verá sua luz e beleza, todo seu encanto e delicadeza, mas perceberá que ao seu lado mora um grande escuro imponente, basta observar uma rosa, seu cheiro, textura e encanto, mas não se esqueça, que se muito dela querer, desta linda flor se machucará com seu próprio espinho...

Pomba Gira Maria Quitéria


Salve tu moça!

Salve o Amor e a Lei!

Salve a Magia!

Salve as Pombas Giras de Umbanda!

Que a Divina Luz esteja entre nós...

         Por Emidio de Ogum

Pomba Gira Maria Sete Saias

 

Pomba Gira Maria Sete Saias

Na primeira vez em que o Pai de Santo Nenê de Oxumare, sentiu a energia da Sra. Sete Saias, foi aos seis anos de idade. Por causa da tenra idade, a incorporação foi suspensa durante os dois anos subseqüentes.

A partir de então, o Pai de Santo deu inicio às in­corporações com a energia Sete Saias, mentora esta que traz um brilho especial para sua jornada.

É difícil concluir, resumir e descrever Maria Sete Saias: para os adeptos da Umbanda e o do Candomblé, é fácil! Ela é uma Pomba-Gira que alegra os terreiros, fumando, cantando, dançan­do e trabalhando pelos seus. Mas é exatamente aí, que a Sete Saias desse Sa­cerdote, quebra qualquer pro­tocolo, rótulo ou paradigma, fugindo à todas as regras.

Diz o próprio Pai Nenê que hoje, após conhecer um pouco sobre a vida passada dessa entidade, suas missões e resgates e sobre o objetivo que a mantém aqui junto dele e todos que a cercam, ele entende claramente suas ati­tudes. Para os filhos, que ela trata com absoluto respeito, amor e carinho, Sete Saias é, Mãe! Acreditem! É a mais doce das mães carnais, que qualquer filho poderia ter, se comparado a uma.

Conselheira, terapeuta, psi­cóloga, amiga e mãe. Estas descrições talvez consigam permear o todo, chamado Sete Saias. Os hábitos co­muns de uma Pombo-Gira em terra, são ultrapassados por ela. O que se sente quando ela está no plano terreno é paz! Uma segurança incomensurável, uma doçura de­bochada como a de uma me­nina mulher.

Ela é absolutamente fiel ao que cumpre, ao que acredita, e a tudo aquilo que busca na Terra. Fala o que precisa ser dito! É objetiva nos conselhos que dá e goza de uma paixão pela vida que nos ensina o quanto vale a pena viver como humanos, a cada encontro.

Sete Saias não se faz maior ou menor, não rebaixa ninguém, nem valoriza além do que nos cabe. Ela é ver­dadeira no que faz, no que sente e na forma como se relaciona com seus filhos e clientes. Para todos é sempre a mesma. Não há distinção, partidarismo ou preconceito. É mestra por natureza e hu­milde, sobretudo quando é questionada e não tem res­posta certa, vai buscar. Alu­na incessante da faculdade da vida, um espelho para refletirmos sobre nosso cres­cimento espiritual, sobre quem somos e o que estamos fazendo de nossas vidas. É impossível não se apaixonar por ela, porque no fundo, to­dos nós seres humanos bus­camos a seriedade e a verdade nas nossas relações interpessoais e isto ela esbanja. Perspicaz, audaci­osa e espontânea, ela é ela, mesmo que isto desagrade às convenções. Seu olhar fir­me, energia que transborda alegria e amor, um contato que todos deveriam fazer, pelo menos uma vez na vida.

Conhecer Sete Saias é descobrir-se um pouco mais, afinal, seu trabalho é este!

Fortalecer cada ser huma­no para que ele próprio possa ser dono de si e trilhar sua pró­pria história Este é um dos fatores determinantes para se admirar muito esta energia, num mundo onde todos que­rem ser submissos a si. 


DEPOIMENTO ROBERTA DE MORAES SOBRE SETE SAIAS!

Doce poesia, num “reconhecimento” total de mim. Meu porto, colo e força, um paradoxo! Energia que me faz transmutar, vencer meus próprios limites, percorrer os espaços que eu mesma desconhecia em mim. O encontro com a “velha amiga”, é a sensação mais gostosa, íntima e plena que posso sentir, no que tange o plano espiritual.

Ela é a certeza de que a vida trans­põe espaços físicos e do quanto sou apenas uma partícula da grande obra divina; mas é, também, o espelho que reflete a mim mesma, o quanto sou única, capaz e infinita. Doce limiar entre este e o mundo que não vejo; a resposta coerente para as tantas dúvidas que soavam descon­tentes em mim. Minha metade que brinca de ser menina, que pisa as poças d’água fazendo festa e o olhar certeiro de mulher guerreira que não hesita ao perceber o alvo. Tradução da espiritualidade que sou e busco; brilho de luz em noite sem Lua; o sopro do vento de Oyá e a deliciosa meiguice do colo farto de Osum, mãe de nós.

Ela é o gosto promissor da nova era, a chama da evolução que acredito para os homens; um elo entre aquilo que fui, o que sou e todas as minhas aspirações.

Sagrada legenda da minha ideologia; coragem e bravura a luz dos meus dias. Sete saias é a possibilidade! Um conjunto infinito de razões para se compreender a “nova espiritualidade”. Ela é a ponte entre todos os povos, raças e cores; a verdadeira face de todos os amores; o desafio certo para quem, como eu, exerce o ofício de viver, além dos rótulos, além dos credos, além dos mitos.

Maria é a percepção, a revelação, a sensibilidade e o entendimento. Um terno balanço de barco a ninar um rebento; acalanto de sol, dourando a pele; reflexo do meu próprio rosto nas águas infinitas dos rios de Osum.


Fonte: Fonte: Revista Orixás, Candomblé e Umbanda – Ano I – Nº 04

Maga da Encruzilhada – Pomba Gira, Guardiã, Protetora e Guia

 

Maga da Encruzilhada – Pomba Gira, Guardiã, Protetora e Guia



A SENHORA DA ENCRUZA.

Na Umbanda, a entidade espiritual que se manifesta incorporada em médiuns está fundamentada num arquétipo desenvolvido à partir da entidade Bombogira, originária do culto Angola. Mas ela não se manifesta apenas em mulheres como também nos homens. Nos cultos tradicionais oriundos da Nigéria não havia a entidade Pomba Gira ou um Orixá que a fundamentasse. Ela era apenas a parte feminina da personalidade de Exu. Mas, quando da vinda dos nigerianos para o Brasil (isto por volta de 1800 ou um pouco antes), estes aqui se encontram com outros povos e culturas religiosas e assimilam a poderosa Bombogira angolana que, muito rapidamente, conquistou o respeito dos adoradores dos Orixás. Porque sabemos da dualidade contida na natureza e ela está presente também em Exu.
E com o passar do tempo às formosas e provocativas Bombogira conquistou um grau análogo ao de Exu e muitos passaram a chamá-la de Exu Feminino ou de mulher dele. Na minha visão de Umbanda-Astrológica eu a vejo como a companheira de Exu, a Lilith, a Lua em sua fase negra, mas, de certa forma a outra metade de Exu ou sua natureza feminina é também aceitável. Porque sabemos que todos os seres muito provavelmente se dividiram, mas eram no principio hermafrodita.

No entanto mesmo se dividindo resta ainda em cada ser uma parte do outro sexo.

No entanto, Bombogira marota e astuta como só ela é, foi logo dizendo que era mulher de sete exus, uma para cada dia da semana, e, com isso, garantiu sua condição de superioridade e de independência. E não é possível se encontrar poderosas Pombas Giras comandando vários exus com toda força de comando e inteligência magísticas. Na verdade, num tempo em que as mulheres eram tratadas como inferiores aos homens e eram vítimas de maus tratos por parte dos seus companheiros, que só as queriam para lavar, passar, cozinhar, dar prazer na cama e cuidar dos filhos, eis que uma entidade feminina baixava e extravasava o “eu interior” feminino reprimido à força e dava vazão à sensualidade e à feminilidade subjugadoras do machismo, até dos mais inveterados machistas. Mas sua força, além de complexa, trouxe confusões a muita gente. Aumentando assim fortemente a homossexualidade e comportamentos libidinosos nas pessoas. Sendo que o período mais pesado ocorreu com a passagem de Plutão pelo signo de Escorpião, a qual amplificou muito a liberdade sexual, mas também trazendo ao mundo o surgimento da AIDS com muita força destrutiva, a qual vem tirando o sossego da humanidade até hoje.

Pomba Gira foi logo no início de sua incorporação dizendo ao que viera e construiu um arquétipo forte, poderoso e subjugador do machismo ostentado por Exu e por todos os homens, vaidosos de sua força e poder sobre as mulheres. Enganam-se quem pensa que esta entidade só atua no Brasil. Ela trabalha em todos os continentes sob variadas formas e com diversos nomes.

Pomba Gira construiu o arquétipo da mulher livre das convenções sociais, liberal e liberada; exibicionista e provocante; insinuante e desbocada; sensual e libidinosa, quebrando todas as convenções que ensinavam que todos os espíritos tinham que ser certinhos e incorporarem de forma sisuda, respeitável e aceitável pelas pessoas e por membros de uma sociedade repressora da feminilidade. Mas isso não é nem de longe benéfico a humanidade, não foi daí que surgiram o adultério, prostituição infantil, trafico de mulheres ou de drogas, mas foram amplificados, pela incompreensão das pessoas ao lhe dar com a verdadeira energia oculta da natureza de Bombogira. Essa é sim uma força muito perigosa. Conheço vários Pais-de-santo que pagaram caro por usaram exageradamente essa energia.

Ela foi logo se apresentando como a “moça” da rua, apreciadora de um bom champagne e de uma saborosa cigarrilha, de batom e de lenços vermelhos provocantes. Mas esse não é nem de longe seu perfil verdadeiro. Essa é sim a Senhora ainda em evolução, que está em busca da luz espiritual. Ela é enxergada assim, porque assim se apresentam as que trabalham mais próximas do terra/terra. Mas na verdade a Bombogira já elevada ao posto de Senhora das Encruzas ou Rainha, não deseja nem necessita desse tipo de oferenda, ele e já um orixá e trabalha pelo equilíbrio da sexualidade humana.

“O batom realça os meus lábios, o rouge e os pós ressaltam minha condição de mulher livre e liberada de convenções sociais”. Vejam nessa afirmação, que se trata de arquétipo ainda em evolução; que está em luta constante com as regras e que por isso requer também uma intervenção direta dos médiuns, pois a Umbanda e Quimbanda se entrelaçam em seus triângulos, sendo que a ajuda precisa ser mutua.
Escrachada e provocativa, ela mexeu com o imaginário popular e muitos a associaram à mulher da rua, à rameira oferecida, e ela não só não foi contra essa associação como até confirmou: “É isso mesmo”! Mas não se enganem, pois há um segredo oculto por traz de tudo isso que só os verdadeiros buscadores vai compreender. E todos se quedaram diante dela, de sua beleza, feminilidade e liberalidade, e como que encantados por sua força, conseguiram abrir-lhe o íntimo e confessarem-lhe que eram infelizes porque não tinham coragem de ser como elas. No entanto muitos exageram nessa busca pela tal “liberdade”, pois o homem tem a ilusão de que pode fazer o que quiser, mas ele vive debaixo de Leis.

Daí coloca para fora seus recalques, suas frustrações, suas mágoas, tristezas e ressentimentos com os do sexo oposto. No entanto nem todos conseguem entender qual realmente é a verdadeira mensagem que essa Senhora nos quer passar. Mas, a todos eles ela ouviu com compreensão e a ninguém negou seus conselhos e sua ajuda num campo que domina como ninguém mais é capaz. Sua desenvoltura e seu poder fascinam até os mais introvertidos que, diante dela, se abrem e confessam suas necessidades. Mas em meio a tudo isso muitos só conseguem confusão, por que a vêem como uma simples escrava, que recebe pagamentos nas encruzilhadas e que usara sua magia para realizar pedidos. Um outro erro notado em quase todas as casas de culto é o limitado numero de Pombas Giras. Muitos chefes de terreiro só identificam Pomba Gira com poucos nomes sendo que a mais conhecida é Maria Padilha. Não sabendo que temos Pombas Giras, do fogo, da água, do vento, das flores etc., e que cada uma tem uma afinidade, missão e atua num plano de ação muito bem definido.

Passou-se a admirar e amar esse fantástico arquétipo tão humano e tão liberalizado de sentimentos reprimidos à custa de muito sofrimento. Pois grande parte da humanidade se identifica facilmente com ele. Pomba Gira é isto. É um dos mistérios do nosso divino criador que rege sobre a sexualidade feminina. Critiquem-na os que se sentirem ofendidos com seu poderoso charme e poder de fascinação. Ela é a Kundalini Sagrada e em seu estado mais elevado quando se encontra repleta de Luz, pertence à Corrente Astral de Afrodite, atuando até mesmo como Eros.

Amem-na e respeitem-na os que entendem que o arquétipo é liberador da feminilidade tão reprimida na nossa sociedade patriarcal onde a mulher é vista e tida para a cama e a mesa. Saibam que assim como a mulher não é só para estes afazeres, a Pomba Gira também não se presta apenas a atender pedidos e realizar desejos. Antes ela é um desafio que requer de nós compreensão e ajuda-nos a evoluir nossa espiritualidade por meio de nossos sentimentos.

Com isso feito, críticas contrárias à parte, o fato é que o arquétipo se impôs e muita gente já foi auxiliada pelas “Moças da Rua”, as companheiras de Exu. E quem compreendeu seu verdadeiro sentido e auxilio conseguiu sim evoluir e aliviar o carma.

A espiritualidade superior que arquitetou a Umbanda-Astrológica sinalizou à todos que não estava fechada para ninguém e que, como Cristo havia feito, também acolheria a mulher infiel, mal amada, frustrada e decepcionada com o sexo oposto e não encobriria com uma suposta religiosidade a hipocrisia das pessoas que, “por baixo dos panos”, o que gostam mesmo é de tudo o que a Pomba Gira representa com seu poderoso arquétipo. Mas, a maioria das pessoas não consegue admitir que tenha uma natureza cheia de defeitos que precisa ser remodelada e amoldada conforme suas necessidades carmicas.

Aos hipócritas e aos falsos puritanos, Pomba Gira mostra-lhes que, no íntimo, ela é a mulher de seus sonhos, mais profundos, intensos e desafiadores, mas também seus pesadelos; provocando-o e desmascarando seu falso moralismo, seu pudor e seu constrangimento diante de algo que o assusta e o ameaça em sua posição de dominador. Por isso muitos se achando melhor que os demais passam a andar com uma Bíblia debaixo do braço dizendo que somente o Cristo é que importa. E só porque não trabalha nos sábados, paga o dizimo e vão à igreja todos os dias tem muita luz no espírito, se tornando uma pessoa sem pecados.

Esse arquétipo forte e poderoso já pôs por terra muito falso moralismo, libertando muitas pessoas. E não adianta ficar o tempo todo com a Bíblia na mão achando que se livrou dessa companhia, pois ele é parte de cada ser humano e se manifesta no sexo, nos desejos, como também no subconsciente. Certamente se Freud tivesse conhecido essa força desafiadora ele não teria sido tão atormentado com suas descobertas sobre a personalidade oculta dos seres humanos. Mas para azar dele e sorte nossa, a Umbanda tem nas suas Pombas Giras, ótimas psicólogas que, logo de cara, vão dando o diagnóstico e receitando os procedimentos para a cura das repressões e depressões íntimas. No entanto, temos infelizmente muitas “Pombas Giras” involuidas que trabalham em terreiros mal conduzidos que só fazem levar ao povo muitas confusões e desequilíbrios, muitas vezes irreversíveis. Afinal, em se tratando de coisas íntimas e de intimidades, nesse campo ela é mestra e tem muito a nos ensinar, mas quando o ensinamento vem de mãos erradas induzindo a erros, como tomar o parceiro do próximo, ou jogar maldições, só o que se encontra é desarmonia.

Seus nomes, quando se apresentam, são simbólicos ou alusivos. E o pior é que a maioria dos templos só conhece e trabalha com um numero limitado de personificações. Na verdade existe uma quantidade quase inumerável de Pombas Giras que trabalham na Linha de todos os Orixás. E tenham por certo que cada uma delas tem a afinidade perfeita com a energia cósmica de seu médium. Uma Pomba Gira das Sete Encruzilhadas para uma pessoa atua diferente para outra conforme o elemento, o signo e o seu poder ou grau na Hierarquia. Também como os orixás, existem as definições por ciclos, sendo que umas trabalham na linha vibratória dos Guias, outras com os Protetores e as mais fortes com os Orixás Menores. Para ter uma noção mais profundo sobre isso é que eu crie a UMBANDA-ASTROLÓGICA, um método inovador que estuda com precisão o mapa natal do individuo e tem uma visão mais profunda do que uma consulta por incorporações.

Que a Senhora Pomba Gira das Almas, traga luz ao caminho de todos os brasileiros na caminhada e na busca espiritual, trazendo amor para todos. E o mais necessário prudência!

O simbolismo dos nomes é típico da Umbanda porque na África, ele não existia e o seu arquétipo anterior era o de uma entidade feminina que iludia as pessoas e as levavam à perdição. Já na Umbanda e agora mais aprofundado aos astros na UMBANDA-ASTROLOGICA, é a configuração astrológica que vale, sendo que a própria posição das forças astrais apresentadas na hora do nascimento é que contem a visão da força que representa o lado oculto dos nativos. Assim orienta e ajuda a todos os que as respeitam e as amam, confiando-lhes seus segredos e suas necessidades, porque elas podem buscá-la com muito mais precisão e firmeza. Elas são ótimas psicólogas e podem orientar também nas giras de bons terreiros, mas nem todos estão aptos a entender seus ensinamentos. Sabemos que são muito boas psicólogas e se a procurarmos seus conselhos com a mente aberta e o coração limpo vamos sim encontrar uma resposta. E que psicólogas! “Salve as Moças da Rua”! No tarô poderemos identificá-la nos arcanos, assim como na Umbanda-Astrológica, através não de uma só força ou ponto, mas de uma leitura completa de toda configuração revelada.

Por Carlinhos Lima – Astrólogo, Tarólogo e Pesquisador.

“Saiba como superar o sofirmento que nos atinge, diante dos dissabores da vida, de acordo com Buda e Jesus, mas com a ótica da doutrina espírita.”

 “Saiba como superar o sofirmento que nos atinge, diante dos dissabores da vida, de acordo com Buda e Jesus, mas com a ótica da doutrina espírita.”



“Saiba como superar o sofirmento que nos atinge, diante dos dissabores da vida, de acordo com Buda e Jesus, mas com a ótica da doutrina espírita.”

Por Helaine Ciqueto

Siddhartha Gautama, o Buda, nasceu no século VI a.C., no sopé do Himalaia, hoje o território do atual Nepal. Era filho do rei, e logo após seu nascimento, os sacerdotes do Templo identificaram em seu corpo os sinais de um grande homem, que libertaria a humanidade dos sofrimentos.

Aos dezesseis anos casou-se e teve apenas um filho. Em torno dos trinta anos resolveu empreender passeios sucessivos fora do Palácio onde vivia. E foi surpreendido por uma realidade que não conhecia.

Seus olhos se detiveram na figura de um velho trêmulo e enrugado, e assustado perguntou ao cocheiro o que era aquilo. O cocheiro lhe respondeu que era a vida, que todos passariam pela velhice, se não morressem jovens. Não sabia ele nada sobre a morte e nem sobre a doença, e sofreu um grande abalo ao constatar que o homem está invariavelmente sujeito a essas misérias.

Ao encontrar um monge mendicante, magérrimo e em farrapos, observou, que apesar da miséria e fome, tinha um olhar sereno, e conclui que há uma saída que conduz à libertação de todo o sofrimento humano.

Regressou, então, ao palácio e informou a seu pai sobre sua disposição de abandonar tudo e seguir um grupo de eremitas brâmanes, em busca da certeza e do absoluto que dessem um sentido à vida.

Tornou-se um asceta, uma seita religiosa severa e extremista. Passa então, vivendo seis anos, entregando-se a jejuns e penitências mortificadoras. A lenda conta que, nessa época, alimentava-se com apenas um grão de arroz por dia.

Ao fim desse período, já totalmente esquelético, no limite de suas forças, compreendeu que o enfraquecimento do corpo e das faculdades espirituais não o levariam à libertação e à compreensão da Vida e que tanto as privações, bem como a satisfação dos prazeres mundanos não elevariam ninguém.

Renunciou o ascetismo e reequilibrou seus hábitos. Aos 35 anos teve um momento de Iluminação ao reconhecer no mal, a causa de todos os sofrimentos e vislumbrou os meios pelos quais poderia triunfar sobre eles, como por exemplo: o refreamento das tendências egoísticas e dos desejos que perturbam a mente de todo ser humano.

Seguiram-se 40 anos de intermináveis peregrinações e pregações de Buda e de seus discípulos, que foram se espalhando pela Índia.

Morreu aos 80 anos e não deixou nada escrito.

Tanto antes de Buda, como após ele, a humanidade foi alavancada (ou premiada) por inúmeros “Avatares”, que através dos tempos foram ensinando a humanidade, principalmente através de seus exemplos de vida, a progredir e superar as dificuldades e sofrimentos, em uma ascendente, mas lenta, evolução.

O sofrimento humano é inevitável pela própria condição planetária. Ex.: a velhice, que implica no desgaste orgânico, energético; a viuvez, a porcentagem do casal desencarnar junto é mínima, às vezes se separa bem antes de enviuvar.

Aquele que não aceita a condição do planeta de provas e expiações, sofrerá dobrado: sofre pelo sofrimento.

É sobre a falta de resignação que trata o Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo citado. O estudo da Doutrina Espírita e de seus princípios nos auxilia a conquistar essa virtude, através do conhecimento de quem somos de onde viemos e para onde vamos.

A humanidade em geral, sofre também, pela impermanência e pelos condicionamentos.

Esse tipo de sofrimento se baseia no fato do ser humano estar sempre ávido pela fruição de prazeres transitórios e se esquece que, tudo que se refere à matéria e ao corpo, passará.

As pessoas não se contêm na satisfação de seus desejos, se desesperam em conquistar bens transitórios. Há uma ânsia generalizada que as impulsiona a desejar mais e mais, para satisfazer a necessidades nem sempre explicáveis. São desejos materiais que não são permanentes, variam e crescem a cada dia. Ex.: Quem casa quer casa , depois quer casa maior, depois quer sítio, depois casa na praia, carro, dois carros...

Vê-se pessoas queixando-se constantemente dos preços ao invés de adaptarem seus gastos e suas necessidades aos seus proventos. Apegam-se a coisas que vão passar, que não são permanentes e sofrem pelos condicionamentos a que se sujeitam, como títulos, beleza, posição, e até sexo ( pessoas que não aceitam ser homem ou mulher, pai ou mãe, etc.)

É a falta de ajuste, adequação ao novo momento reencarnatório, o problema de ser e o de estar: não sou homem, estou homem, na verdade sou um espírito.

Outros se empenham compulsivamente na satisfação de prazeres efêmeros e se comprometem por várias existências por não conseguirem abdicar dessa dependência. Ex.: cigarro, álcool, Posteriormente, começamos a culpar o nosso semelhante mais próximo por nossas ”dores e desgraças”. Ex.: Bebo por causa de minha mulher, ela é perfeita demais, estou nas drogas por causa de meus pais, eles são quadrados e não me entendem, etc..

É fundamental detectar a causa de nossos sofrimento dentro de nós mesmos. Enquanto continuarmos acusando o próximo por nossa infelicidade, não cresceremos, não amadureceremos.

DEUS é tão bom, que colocou a solução para nossos problemas em nós mesmos, assim temos alcance para solucionarmos todos eles. Se a culpa fosse dos outros, não teríamos todas essas possibilidades de solução, pois estaríamos na dependência do outro, querer ou não nos ajudar.

Depois de conscientizados de que a causa de nossas aflições está em nós mesmos, precisamos entender que elas se originam de duas fontes: umas têm causa na vida presente e outras, fora dela.

maioria dos males terrestres são conseqüência natural do caráter e da conduta daqueles que os suportam. A maior parte são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!

A falta de ordem, de perseverança, de limite em seus desejos, a má conduta arruinam qualquer pessoa. (Evangelho/Item 4 - Cap. V)

Muitas vezes há males que parecem nos atingir por fatalidade, sem causa aparente, mas não podemos nos esquecer da lei divina da Causa e do Efeito, e se esses males não têm um motivo atual, com certeza a causa está em uma existência anterior, pois Deus é Justo e Bom e não permitiria sofrimentos a quem não os merecesse.

Como então, encontrar a felicidade, ao menos relativa, neste mundo de provas e expiações?

Simplificando a vida, renunciando o que é supérfluo, adequando-se às suas condições financeiras, familiares, profissionais, físicas, intelectuais, etc.

É preciso diferenciar as necessidades materiais em essenciais e interessantes ou supérfluas. Seremos infelizes se não possuirmos o necessário, roupa, alimento, emprego, e para isso é preciso lutar para tê-los.

Trabalhemos, portanto.

O trabalho para o bem transforma-se em felicidade, ocupa a mente.

As aflições têm por objetivo trabalhar nossos potenciais, desenvolver nossa plenitude. Como saber se temos capacidades, se não passamos por testes e avaliações?

Podemos vencer as aflições possíveis de serem vencidas e exercitarmos a resignação para aceitar o inevitável.

Portanto as aflições não são castigo Divino, e sim testes e aprendizado.

Diante de uma aflição é preciso evitar queixumes, lamentações. No Evangelho, Cap. V, 18, há ensinamentos sobre a postura diante do sofrimento. É instrução sobre o bem e o mal sofrer.

De nada vale sofrer revoltado ou em forma de vítima. Muitos nem mesmo reclamam, mas possuem uma postura mental de derrotados, vítimas sofredoras, que atraem cada vez mais vibrações negativas para si.

Diante de um sofrimento, coragem, confiemos em Deus, esperemos mais de Deus, sejamos pacientes e perseverantes.

Artigo RCE nº 04

Em uma visão holística, a doença, seja ela física ou mental, é apenas um sinal de que alguma coisa não vai bem com a pessoa...

 Em uma visão holística, a doença, seja ela física ou mental, é apenas um sinal de que alguma coisa não vai bem com a pessoa...



Em uma visão holística, a doença, seja ela física ou mental, é apenas um sinal de que alguma coisa não vai bem com a pessoa...


Em nossa cultura vivemos quase sempre buscando combater a doença, haja vista o número de remédios, farmácias, hospitais, etc. que as pessoas buscam no sentido de se libertarem dos seus males, e, no entanto elas continuam doentes e mais ansiosas por se verem livres das doenças, num círculo vicioso. Saem de uma doença e surge outra e assim sucessivamente. Novas doenças aparecem a cada dia, doenças milenares ressurgem com toda força. Tudo isso acontece num momento em que a medicina conta com recursos avançadíssimos de diagnóstico e tratamento.

Por que isso acontece?
Talvez este seja um momento para que comecemos a refletir sobre qual é o verdadeiro significado da doença em nossa vida. Em uma visão holística, a doença, seja ela física ou mental, é apenas um sinal de que alguma coisa não vai bem com a pessoa. Normalmente o organismo nos sinaliza através das disfunções em determinados órgãos que são mais frágeis, órgãos estes que variam de pessoa para pessoa. Essa disfunção pode acontecer no fígado, no coração, nos rins, etc. Outras vezes as disfunções acontecem na mente, como é o caso de doenças como a depressão, a síndrome do pânico, a esquizofrenia, etc. A doença é um processo de bloqueio nas energias que compõem o ser humano. Estes bloqueios são causados por fatores psíquicos e emocionais. Todos nós possuímos determinados conflitos psicológicos que, normalmente, não são tratados adequadamente pelo indivíduo. Como se diz popularmente, "problemas, a gente empurra com a barriga". Resultado, esses conflitos vão se acumulando como se fossem uma panela de pressão da qual tapamos a válvula de escape do vapor. Chega um momento em que a pressão é tanta que estoura. Isso vai acontecer no corpo físico, onde o conflito é somatizado, na forma de doenças físicas as mais diversas, ou na mente, onde o conflito acumulado, se transforma em uma neurose (depressão, ansiedade, etc.) ou pior ainda numa psicose (esquizofrenia, psicose maníaco-depressiva, etc.).
Torna-se fundamental, portanto, desenvolver uma nova postura em relação às doenças que possuímos. Em uma visão holística, querer se livrar da doença não significa a mesma coisa que buscar a saúde. Podemos utilizar remédios, cirurgias, e outros métodos para conseguir saúde, mas qualquer método que venha de fora para dentro, por mais valioso que seja este recurso, vai apenas aliviar a doença, mas, jamais nos poderá dar a saúde. Desenvolver a saúde requer todo um movimento do indivíduo em direção a ela. Não é possível se livrar da doença, através de uma atitude doentia de ansiedade, inquietação no sentido de arrancá-la de nós, através de recursos que venham de fora para dentro, pura e simplesmente. Isso pode nos trazer um alívio temporário para que, posteriormente, possamos agir de uma outra maneira. E necessário desenvolver uma postura saudável, onde com serenidade, vamos buscar a causa da doença, e, assim, com base nesta causa, poder transformá-la e, com isso, conquistar a saúde.
Existe um novo gênero de médico/terapeuta, atualmente em expansão, que busca entender o funcionamento dos seres humanos a partir de uma revolucionária perspectiva de acordo com a qual a matéria é uma forma de energia. Esses cientistas espiritualistas, encaram o corpo humano como um modelo instrucional graças ao qual poderemos começar a entender, não apenas a nós mesmos, mas também o funcionamento interno da natureza e os segredos do universo. Através da percepção de que os seres humanos são constituídos de energia, podemos começar a compreender novos pontos de vista a respeito da saúde e da doença. Essa nova visão quântica deve proporcionar aos médicos e terapeutas do futuro, não apenas uma perspectiva única a respeito das causas das doenças, como também, métodos mais eficazes de curar as enfermidades que afligem os seres humanos. O ramo da ciência - atualmente em grande desenvolvimento - levará a humanidade a esse novo nível de compreensão à medicina holística juntamente com a psicologia transpessoal
Ela busca curar as doenças e transformar a consciência humana atuando sobre os padrões energéticos que dirigem a expressão física da vida. Acabaremos descobrindo que a própria consciência é uma espécie de energia que está integralmente relacionada com a expressão celular do corpo físico. Assim, a consciência participa da continua criação da saúde ou da doença. A ciência holística, na condição de ciência do futuro, talvez nos proporcione indicações que ajudem os médicos a descobrirem por que algumas pessoas permanecem sadias enquanto outras estão o tempo todo doentes.
Só haverá uma medicina verdadeiramente holística quando os médicos vierem a adquirir uma melhor compreensão a respeito dos profundos inter-relacionamentos entre o corpo, a mente e o espírito, e a respeito das leis naturais que regem suas manifestações no nosso planeta. Nós somos, na verdade, um microcosmo dentro de um macrocosmo, como os filósofos orientais há muito compreenderam. Os princípios observados no microcosmo, freqüentemente refletem os princípios mais amplos que governam o comportamento do macrocosmo. Os padrões de organização da natureza repetem-se em muitos níveis hierárquicos. Se uma pessoa puder compreender as leis universais, tal como elas se manifestam na matéria no nível do microcosmo; ela também terá mais facilidade para compreender o Universo como um todo. Quando os seres humanos compreenderem realmente as estruturas físicas e energéticas de suas mentes e corpos, estarão muito mais perto de compreenderem a natureza do Universo e das forças criativas que os ligam a Deus.


por Alírio de Cerqueira Filho
Texto extraído do Jornal Corpo Mente-Feira de Santana – outubro de 2002

A doutrina espírita é clara: Deus não pune! Somos responsáveis por nossas ações e recebemos de volta o resultado delas...

 A doutrina espírita é clara: Deus não pune! Somos responsáveis por nossas ações e recebemos de volta o resultado delas...



A doutrina espírita é clara: Deus não pune! Somos responsáveis por nossas ações e recebemos de volta o resultado delas...


Algumas vezes, ficamos refletindo quando vemos uma ação como um assassinato brutal, tentando compreender o porquê daquele acontecimento. E muitas vezes não encontramos uma linha de raciocínio lógico dentro dos padrões da sociedade e buscamos no Espiritismo a explicação. Porém, cada caso é um caso, e sendo assim, ficamos ainda com um ponto de interrogação na mente, já que não existe uma resposta para tudo e sim uma linha de raciocínio na doutrina espírita onde buscamos o entendimento dos motivos que levam a determinada atrocidade. Por outro lado, quando vemos uma ação benéfica, ficamos comovidos e motivados a trabalhar na Seara do Bem.
Quando tive a pretensão de pensar já ter visto de tudo um pouco neste planeta, cheguei à conclusão de que ainda há muito para aprender sobre expiações e provas. Digo isto porque chegou-me, por e-mail, o jornal virtual da BBC Brasil com o seguinte título: “Bebê com dois rostos é tratado como “deusa” na Índia”. O subtítulo concluía: “Um bebê de um mês que nasceu com duas faces devido a um problema raro, virou alvo de devoção dos vizinhos em um vilarejo perto de Délhi, na Índia”.
A primeira impressão que tive é que se tratava de gêmeos siameses, mas ao ler a matéria entendi que o problema da criança é um caso raro, conhecido na Medicina como duplicação craniofacial. Apesar do problema, os médicos diagnosticaram que a menina, de nome Lali, encontra-se saudável. Outra curiosidade neste caso é que ela consegue beber leite por qualquer uma das bocas e também respira normalmente.
Ao ler a matéria, pude refletir que o mundo está mudando, realmente, pois em tempos remotos ou em outras culturas, uma criança que nascesse com esta anomalia seria considerada obra do “demônio” e provavelmente sacrificada. Porém, Lali, transformou-se em objeto de fascinação e reverência, com os moradores fazendo fila para ver a criança. Eles trazem oferendas em dinheiro, acreditando que ela tem poderes especiais.
O pai de Lali, Vinod Singh, um lavrador muito pobre, disse que “A primeira vez que a vi fiquei com medo, é natural. Mas agora me sinto abençoado”. Jatinder Nagar, vizinho que assumiu o papel de guia das visitas à criança, comentou que “Quando se vê algo que não é natural, só pode ser algo de Deus. É tão mágico que acreditamos que ela seja uma deusa”. A população desse vilarejo acredita que Lali seja a reencarnação de uma deusa hindu e estão pensando em construir um templo em sua homenagem.
Apesar dos médicos insistirem em fazer novos exames para saberem da possibilidade de separar a cabeça de Lali, obtendo a certeza que seus órgãos internos são normais, encontram a resistência dos pais, que não concordam que a menina se submeta a novos exames. Vinod Singh é taxativo e questiona: “Qual a necessidade dos exames? Até onde sabemos, ela é como qualquer criança. Só queremos aproveitar o tempo que temos com nossa primeira filha”.
Entretanto, os pais de Lali estão se sentindo desconfortáveis com a situação e já mostram sinais de cansaço, com tanta adoração do povoado do vilarejo, afinal, a família está perdendo a privacidade.
Intrigado com o assunto, perguntei ao conceituado palestrante e escritor espírita, Richard Simonetti, sobre como o Espiritismo explica esta expiação desse espírito encarnado. Ele gentilmente respondeu, dizendo: “Problema curioso! Nunca tinha visto. Situações dessa natureza sempre configuram uma provação para o reencarnante e para os pais ou expiação para o grupo (algo imposto pela lei de ação e reação)”. E acrescentou, escrevendo que “Quanto à natureza do crime ou crimes que tenham cometido para se verem numa situação dessa natureza, é algo que não sabemos. O fato é que não se trata de mero acidente biológico”.
Realmente, um fato como este não acontece por acaso e tem uma explicação, mesmo não sendo de nosso conhecimento no mundo físico. Para fundamentar essa opinião, encerro com O Livro dos Espíritos:

“964. Mas, será necessário que Deus atente em cada um dos nossos atos, para nos recompensar ou punir? Esses atos não são, na sua maioria, insignificantes para Ele?
Deus tem Suas leis a regerem todas as vossas ações. Se as violais, vossa é a culpa.
Indubitavelmente, quando um homem comete um excesso qualquer, Deus não profere contra ele um julgamento, dizendo-lhe, por exemplo: Foste guloso, vou punir-te. Ele traçou um limite; as enfermidades e muitas vezes a morte são a conseqüência dos excessos. Eis aí a punição; é o resultado da infração da lei. Assim em tudo.”.
E Kardec complementa: “Todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofremos as conseqüências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos, que desse modo nos fazemos os causadores da nossa felicidade, ou da nossa infelicidade futuras. [...]”.


Revista Cristã de Espiritismo, edição 58.