quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Preto Velho





Saiba o que é caridade clique na imagem abaixo:


Faz caridade fio, faz caridade fio!


Assim era as fala do negro Ambrósio através do 

aparelho mediúnico que lhe servia de canal para fazer proseador.

 

Não era a primeira que aquele consulente ouvia esse

conselho do Pai Velho, já havia se passados oito meses desde o

primeiro dia que aquele senhor tinha adentrado ao terreiro, passando a

fazer parte da assistência, sempre voltando ao negro Ambrósio para

tirar suas duvidas.

 

Naquele dia ele estava decidido. Iria perguntar ao Velho

porque toda vez que falava com ele escutava o mesmo conselho? Será

que como espírito não estava vendo que ele já estava fazendo

sua parte?

 

cachimboEsperou ansioso a sua vez. Aquela noite seria especial,

seria diferente das outras, aquele encontro marcaria uma nova etapa no

caminhar daquele senhor.

 

Como sempre fazia, mais por repetição do que mesmo por

convicção, se ajoelhou diante do negro Ambrósio e foi dizendo:

 

- Benção vô Ambrósio, hoje venho lhe pedir uma

explicação para melhor entender o que o senhor me diz.

 

- Oxalá te abençoe meu fio! Negro Ambrósio fica feliz

com sua presença e gosta de fazer proseador com todos os fios que

aqui vem.

 

- Meu vô, como o senhor mesmo sabe já faz algum tempo que

venho a essa casa e falo com o senhor. Como já lhe disse não tenho

uma situação financeira ruim, ao contrário, nunca tive problemas

dessa ordem o que sempre me facilitou uma vida com fartura e bem-estar

desde a infância.

 

- Certo meu fio, negro Ambrósio já tem cunhecimento de

tudo isso que suncê falou.

 rosario25

- É meu vô, por essa razão gostaria de lhe perguntar

porque o senhor toda vez que fala comigo me aconselha a fazer a

caridade? O senhor não já sabe que faço isso todo mês

entregando gêneros alimentícios aos que estão carentes? Além

do que, na minha empresa mantenho uma creche para os filhos dos meus

empregados para que assim possam trabalhar com mais tranqüilidade.

Por isso gostaria que me explicasse o porquê desse conselho, dentro

da minha consciência cumpro com meu compromisso.

 

- É verdade meu fio, tudo isso que suncê falou pra negro

veio, faz parte de seu compromisso e fio cumpre direitinho sua parte.

Porém fio esse compromisso faz parte de seu social. Suncê alimenta

o corpo material que precisa de sustentação pra ficar de pé, pois

se não for assim fio tem prejuízo, só que o fio também

precisa distribuir o pão espiritual e assim fazer a caridade.

 

- Não entendi meu vô seja mais claro? Que caridade

espiritual é essa?

 

- É a mesma que esse meu aparelhinho faz aqui no terreiro.

Suncê precisa assumir sua condição de médium.

 

cachimbo1Espantado, disse o senhor: como é que é vô Ambrósio

o senhor está me dizendo que tenho compromisso com a mediunidade na

Umbanda é isso?

- É isso sim, meu fio. Suncê tem compromisso com essa banda. 

Ante as muitas verdades que ele já tinha ouvido, nunca uma

afirmação estava tanto a lhe remoer a alma. Como seria possível?

Achava bonito a Umbanda, gostava do cheiro das ervas e do cachimbo dos

vôs, mais daí então a ser médium era demais para ele.

Mesmo de forma acanhada buscando aparentar tranqüilidade

aquele senhor disse ao vô:

- Meu vô acho que há um equívoco, pois nunca senti nada

a respeito da mediunidade. 

- Num sentiu porque se prende e que não quer dizer ou suncê

acha que nego veio não vê o companheiro de Aruanda que lhe

acompanha e que hoje está dando autorização pra fazer esse

conversado? Meu fio diz que gosta do cheiro das ervas e desse terreiro

- o que é uma verdade – mas o que fio não se vê é dobrando

o corpo para prestar a caridade, deixando assim que seu Pai Preto

também lhe traga lições para seu caminhar. Então meu fio,

enquanto suncê não entender, nego veio vai continuar repetindo o

conselho: faz caridade fio, faz caridade fio! Mesmo que tenha que

arrepetir isso por muitas veis, pois água mole em pedra dura fio,

tanto bate inté que fura. Olha fio! Eu tenho um compromisso moral

com esse companheiro de Aruanda que te acompanha e te agaranto que

não será de minha parte que não será cumprido. Pensa no que

esse veio te falou e dispôs vem prosear novamente, pois o passo de

veio é miudinho e devagarzinho, só tem uma coisa fio: o tempo

corre e espero que suncê queira aproveitar enquanto tá desse lado

de cá!

 

Aquele senhor se levantou da frente de negro Ambrósio sem

dizer mais nenhuma palavra, seria preciso tempo para digerir tudo que

ele tinha ouvido.

 

Oito meses se passaram depois daquela prosa, ninguém no

terreiro tinha visto novamente aquele senhor na assistência.

 

Era 13 de maio, gira festiva de preto velho, os trabalhos tinham

se iniciado. Negro Ambrósio olhava para a porteira do terreiro como

se estivesse a esperar por alguém e assim cantarolava "acorda

cedo meu fio, se com velho quer caminhar, olha que a estrada é longa

e velho caminha devagar, é devagar, é devagarinho quem anda com

preto velho nunca ficou no caminho". Acostumados com a curimba os

filhos da corrente repetiam os versos sem perceber que naquele dia a

entonação estava mais dolente. Mais um filho de Zambi venceria uma

etapa, mais um seria libertado.

E foi olhando para a porteira que negro Ambrósio viu aquele

senhor adentrar no terreiro, com os olhos rasos d'água e de joelhos

se postar assim dizendo: Vô Ambrósio se é verdade que tenho

essa tal mediunidade aqui estou para aprender a fazer caridade, nesses 8

meses minha vida perdeu a alegria, relutei muito para chegar aqui

novamente e não nego que fugi por vergonha se ainda houver tempo…


Aquele senhor nem chegou a ouvir a resposta do negro

Ambrósio. Do seu lado já se encontrava um negro que de forma doce

e amorosa assim falou: Meu fio a quanto tempo espero por esse momento,

por esse reencontro. Vamos trabaiá meu fio nas bênçãos de Zambi

e na fé de Oxalá! 

Diante dos filhos daquela corrente, aquele homem branco, de

olhos claros, quase translúcidos, alto, dava passagem nesse momento a

mais um preto velho e foi curvando aquele corpo que se ouviu a voz da

entidade assim dizer: Bendito e louvado sejam o nome de nosso Pai

Oxalá! Saravá negro Ambrósio! Pai Joaquim das Almas se faz

presente nesse Gongá!

 

- Saravá Pai Joaquim!

E daquele dia em diante mais um filho começava a sua

caminhada. Mais um chegava a corrente da casa. Mais uma estrela passou a

brilhar nos céus de Aruanda!

 

Saravá Preto!!!

 

A.D. Mensagem recebida por email.

Mensagens de Preto Velho Pai Jeronimo




Trabalho na linha de pretos velhos com esta maravilhosa entidade.

Um certo dia, ele atendeu de uma senhora que lhe veio consultar sobre um tumor nos seios, diagnosticado por uma mamografia.

cachimboPasses daqui, trabalhos dali, enfim, uma consulta normal…vela, erva, água…

Disse o preto:

- É mizim fia… Tá feito…mas num deixa de procurá o Homi de branco, dispois vem contá pro nego…nego vai ficá no toco esperando zunce vortá…

E saiu a consulente.



Numa próxima gira, estava lá o preto no toco e chegou a sua consulente, já na segunda parte do trabalho.

- Podi entrá mi zim fia, tava le esperano….
- É meu Velho, fui no médico sim…ele disse que o tumor sumiu, vai ver foi engano, o que a mamografia mostrou foi uma sombra de um queloide, que eu já tinha de cirurgia anterior. mas vim lhe agradecer, pois sei que o Senhor me curou..

Diga, meu Pai, o que o Senhor quer de presente, quero lhe agradecer…

Em nossa casa, as entidades as vezes ganham presentes, charutos, bebidas, mas não que peçam, porque as pessoas trazem em agradecimento mesmo, como deve ser em todo lugar.

cachimbo1Mas naquele dia o preto pediu…

- Me traga um bolo de chocolate, mi zi fia, suncê pode faze isso…?? Mais tem qui ser na proxima gira…eu num vô tá aqui, mas fala co caboclo chefe que ele manda mi chamá….


Todos estranharam, e eu mais ainda, passei a semana pensando naquele pedido, eu que amo bolo de chocolate, pensava comigo, Meu Velho…porque um bolo, Meu Pai…Até os filhos da casa acharam estranho e houve uma brincadeira ou outra…do tipo achando que iam comer o bolo….Alguém arriscou dizer que era a comemoração pela cura da mulher… Enfim…esperei ansiosa…Afinal…confio neles.

Em verdade torci para a mulher nem aparecer com aquele bolo…

Mas ela apareceu, e sentou na primeira fila, como tal bolo, todo confeitado de confetes coloridos.



Chegou o preto, com autorização do chefe do terreiro, que é Seu Serra Negra….

- Trouxe meu bolo, mi zim fia…

- Trouxe meu velho…

Então o preto levantou e disse que na assistencia tinha uma menina, de cor morena, que estava fazendo aniversario, 14 anos, e chamou-a.

Disse à menina: 

- Mi zim fia, esse é presente que sunce pediu ao seu anjo da guarda, ele não pode vir, mandou o nego te entregar…


A criança marejou os olhos e saiu com o bolo na mão, sentar ao lado da mãe, que chorava muito na assitência. Em 14 anos, nunca havia ganhado um bolo de chocolate….Nunca mais voltou, nunca mais vimos. E nunca esquecemos esta história.

Autor Desconhecido – Mensagem enviada por e-mail

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

MENSAGEM DO EXU GUARDIÃO MEIA NOITE




Resumo: Mensagem ditada mediunicamente a medium Angela Gonçalves na Ordem Espiritualista da Magia Divina

QUANDO SE VAI EM ALGUM LUGAR, SE DEVE LEVAR ALGUMA COISA BOA...
O QUE SE RECEBE EM QUALQUER LUGAR CORRESPONDE AO QUE VOCÊ LEVA
A ELE...
GOSTO DO TRABALHO AQUI...HEHE SÓ CHEGAM PERTO DE MIM SANTINHOS...UHAUAUAHUAHUA!
DIZENDO PARA MINHA BANDA QUE NADA FIZERAM PARA MERECER DA VIDA O QUE TEM VIVIDO E QUE EXU DÊ JEITO DE ABRIR CAMINHO...
PARA ESSES DOU A MINHA MELHOR GARGALHADA!
SÃO SERES DE DUPLA MEDIDA...UMA PARA SI OUTRA PARA AS COISAS QUE OS CONTRARIAM
SÃO SERES MEDROSOS QUE ESQUECEM QUE DELES MESMOS DEPENDE AS DECISÕES
E CONSEQUÊNCIAS..
MUITOS VEM ATÉ A MINHA BANDA QUERENDO ISSO OU AQUILO E NADA DE REALMENTE BOM E PERENE NOS TRAZEM...
TRAZEM LAMURIAS... TRAZEM QUEIXAS...TRAZEM PEDIDOS...
MAS DIFICILMENTE NOS TRAZEM ACEITAÇÃO...RENOVAÇÃO...DEDICAÇÃO OU GRATIDÃO VERDADEIRAS.
MUITOS NOS OFERECEM COISAS PERECÍVEIS E PASSAGEIRAS PARA QUE POSSAMOS DAR JEITO DE AJEITAR SUAS VIDAS, CAMUFLAR AS FALHAS QUE COMETERAM OU PARA SATISFAZER CAPRICHOS...TRATANDO A BANDA COMO MERCENÁRIOS A SEU SERVIÇO.
PENSAM QUE O CÉU É PARA ELES...E PARA EXU SÓ AS PODRIDÕES...

DIZEM RESPEITAR A BANDA PORQUE QUEREM NOSSOS FAVORES...
DIZEM RESPEITAR A BANDA APENAS PORQUE TEM MEDO DO QUE A BANDA POSSA FAZER...
DIZEM RESPEITAR A BANDA, MAS AO MENOR EMBARAÇO COMEÇAM A DEBANDAR E CAÇAR OUTROS QUE FAÇAM POR ELES O QUE ELES MESMOS NÃO TEM A OUSADIA DE FAZER...
DIZEM RESPEITAR A BANDA E NOS TRATAM COM EMPREGADOS A SOLDO DE MARAFA E SANGUE
SÃO SERES QUE NÃO SABEM BEM O QUE QUEREM E EXIGEM QUE EXU SAIBA...
EXU SABE E POR ISSO EXU FAZ!
PORQUE QUEM SABE FAZ
E O QUE NÃO SABE FAZER, PEDE...

TROCAMOS SIM...PORQUE SÃO INGRATOS E PETULANTES E PENSAM QUE O QUE VALE NADA, NADA VALE!
SÃO SERES QUE QUEREM POR MÁGICA QUE A BANDA RESOLVA SEUS ASSUNTOS EM MINUTOS SENDO QUE LEVARAM ANOS PARA GERAR SEUS PROBLEMAS
QUEREM QUE A BANDA DÊ JEITO DE MELHORAR SUAS VIDAS
SEM QUE NADA TENHAM QUE MELHORAR EM SI MESMOS...
QUEREM RESGUARDO, PEDEM GUARIDA PARA SE MANTER
POMPOSOS E ORGULHOSOS NOS CAMINHOS TORTOS QUE GOSTAM DE ANDAR...
CHEIOS DE IMPÁFIA E SEM A MENOR VONTADE DE FAZER ALGO POR ALGUÉM
E NEM TEM VERGONHA DE VIR PEDIR PARA A BANDA FAZER O QUE ELES MESMOS NÃO FAZEM!
SÃO SERES QUE ACREDITAM QUE PODEM COMPRAR EXU COM UMAS PORCARIAS QUE PARA NÓS NEM TEM MUITO VALOR...
POR SEREM OVELHAS QUE SÓ QUEREM O SUSTENTO DE SUAS VONTADES
SEGUEM AO PRIMEIRO QUE SANAR QUALQUER NECESSIDADE
ACHANDO MESMO QUE COMO SÃO ASSIM, EXU TAMBÉM TEM DE SER.
SEM NEM PESTANEJAR ENTREGAM QUALQUER COISA QUE A BANDA QUISER
DESDE QUE CONSIGAM O QUE DESEJAM SEM PARA ISSO TER QUE SE ESFORÇAR.
POR ISSO TEM MUITO RABO DE ENCRUZA POR AI A SE FARTAR...
ACHANDO QUE O CÉU É PERTO, NENHUM NEM O OUTRO QUER SE CONSERTAR.
SÃO SERES QUE DIZEM LAROIÊ SEM FÉ E SEM RAZÃO
E MOJUBÁ SEM DISSO TER QUALQUER CONVICÇÃO.
PARA ESSES MEUS GANCHOS ESTÃO AFIADOS...
PEDEM A PROTEÇÃO DA BANDA PARA CONTINUAR OS DESMANDOS
E COM ISSO PENSAM PODER CONTINUAR SEM RUMO OU COMANDO
ABUSANDO DA LIBERDADE QUE TEM...
ACHANDO QUE COBRIR UM ERRO COM OUTRO VAI FAZER O ACERTO...

E QUEREM QUE EXU SEMPRE FORTALEÇA AQUILO QUE NÃO É CONQUISTA DELES
BATEM NO CHÃO E NO PEITO DIZENDO: EU TENHO EXU!
SERÁ QUE NOS TÊM MESMO OU SOMOS NÓS QUE OS TEMOS?
ENTÃO JÁ QUE VEM VISITAR MINHA BANDA TRATE DE TRAZER O MELHOR QUE TIVER...NÃO É MARAFO,NÃO É CHARUTO E MUITO MENOS SANGUE DE PIÁ!
É AO MENOS A VERGONHA NA CARA, DE VIR PARA SE MELHORAR
SE VIER PEDIR DEMANDA, DEMANDA VAI LEVAR
NÃO AQUELA QUE PEDIR MAS AQUELA QUE EU MANDAR
PORQUE SE SEU CORAÇÃO É NEGRO NÃO SOU EU QUE VOU TE CLAREAR.

UHAUHAUHAUAH!
GANHEI UMA NOVA ESTRELA E UM POTENTE CAJADO...E GARANTO QUE NÃO FOI POR TER CORRIDO DAS LUTAS OU ABANDONADO MEU COMANDO.
ENTÃO SE VEM ATÉ A MINHA BANDA, TRAGA ALGO QUE PRESTE, PORQUE POSSO
ATÉ FACILITAR ALGUNS TRAJETOS, MAS, NÃO VOU DESONRAR MINHA JURA A QUEM EM MIM CONFIOU, PARA MANTER O EQUILÍBRIO DA MINHA BANDA ...
BOA NOITE QUE JÁ VOU ME RETIRAR...E NO MEU REINO VOU TE ESPERAR
PENSE BEM QUANDO VIER AQUI ME PROCURAR , TENHO PRESSA E ANDO RÁPIDO
E POSSO MUITAS COISAS ESTAR FAZENDO, ENTÃO NÃO GASTE MEU TEMPO
COM BOBAGENS QUE VOCÊ MESMO PODE RESOLVER.
AJO RÁPIDO E ANDO LONGE MAS NÃO GOSTO FALAÇÃO...GUARDA BEM O MEU CONSELHO...RESPEITE A SI PRÓPRIO E NUM VAI TER DO QUE RECLAMAR ...
SE QUER O RESPEITO DA MINHA BANDA...SEJA VOCE O PRIMEIRO A SE RESPEITAR

SALVE O GRANDE! PORQUE É O GRANDE QUEM MAIS PODE!
SALVE A MINHA BANDA!
BOA NOITE!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Contos de Caboclos


Foi convidado para trabalhar numa filial da TUSB (Templo Umbandista Senhor do Bonfim) localizada em Viana, Espirito Santo.
A mãe de santo de lá solicitou a presença dele para poder ajudar uma enfermeira que precisava de ajuda espiritual pois tinha um obsessor atrapalhando sua vida e
a filial da TUSB. Como era com urgência, foi marcado numa quarta feira pois ele iria resolver este problema, mediar com o obsessor. A história é o seguinte:
Ele incorporou o Cabloco 7 Flechas e deu consulta a várias pessoas, chegou a lotar o terreiro, pois ele é muito querido naquele terreiro, e deixou a enfermeira
por ultimo. Após as outras consultas, ele finalmente atendeu a mulher obsediada, ele falou para ela: Tu não tem nada em casa né? Tudo o que você tem
some, certo? Ela confirmou. Ele disse: Você pagou R$1500 e mais as madeiras de construção que eram para completar a laje da sua casa para um
pai de santo, certo? Ela confirmou novamente, ele disse: O pai de santo te enganou e não resolveu o problema. Sabe quem é o obsessor?
Ela disse que não sabia. Ele prosseguiu, dizendo o seguinte: Então vou falar para você quem é. Você lembra quando você foi na Bahia há muitos anos atrás?
Pagou à um terreiro para matar seu marido com fogo de polvóra que acertou o coração do próprio? A medicina e a policia você conseguiu enganar, mas ao
mundo espiritual você não engana, você está sofrendo agora as consequências do seus atos, seu marido quer ver você na miséria e você já está, não tem nada
dentro de casa, vendeu tudo na macumba para se livrar do obsessor e nada disto resolveu. Vou te ajudar, espero que daqui pra frente você não busque esta alternati-
va de tirar uma vida, seja quem for, existe a lei do retorno: pague aqui ou pague lá. Vou marcar o trabalho de desobsessão para sabádo na sua casa com a presença
da mãe de santo aqui do terreiro, sua filha, a cambona. Como você não tem nada, compre apenas uma dose de marafá e duas folhas de pimenta malagueta verde e 
fresca, que o resto o meu aparelho trás. Nisto, acabou a consulta e mãe de santo perguntou por quê os guias dela não sabiam disto, então o 7 Flechas disse:
Saber eles sabem, mas você não tem firmeza para este trabalho, como não teve e chamou meu aparelho para resolver, respondido a sua pergunta? Ela ficou
sem graça e apenas balançou a cabeça, pois sabia que era a verdade, ela tinha medo de egum.
Chegando no sabádo, 7 Flechas risca o mesmo ponto que foi usado em Laranja da Terra (contado na história anterior) dando duas opções pro obsessor,
chamou ele, deu doutrina espiritual e ele não concordou, queria sua vingança a todo custo, então 7 Flechas falou: Vou subir e você vai conversar com
São Cipriano, que ele vai resolver isto com você. Então, incorporou o São Cipriano, famosamente conhecido como Pedro, então o mesmo acendeu um
charuto e pediu as duas folhas de pimenta malagueta e disse que ia levar o egum para umbral e ser preso até esta pessoa desencarnar e depois
ficaria a justiça divina de julgar o caso. Ele pediu o copo de marafá, mas não tinha, pois a mulher não tinha nenhum centavo em casa, nem ao mesmo
para comprar uma dose, que custava R$0,30 na época. Ai entra o Mago Cipriano fazendo sua magia, e pediu para mulher: Tem sal e açucar na sua casa
ao menos? Ela disse que sim, ele então pediu para ela trazer para ele um copo de água com açucar e outro copo com água com sal. Após ela trazer, ele
deu o fogo de polvora rasante que entrou pela casa adentro, foi para todos os comodos da casa e em seguida ele jogou os dois copos no ponto riscado, e
ai então aconteceu a magia.. A casa fedeu toda a cachaça, parecia um alambique, estava tão impestiado que ninguém aguentava ficar lá dentro,
ele estava com o olho azul que brilhava sendo que o Paulo tem o olho castanho mel. Então Pedro disse o seguinte: A caridade espiritural está feita! O que
aconteceu da cachaça foi a confirmação do feito, houve transporte espiritual que foi de um alambique para esta sua casa pois nem uma dose você
tinha para descarregar o trabalho, assim que funciona a caridade. Todos ficaram abismados pois não tinha nenhum bar perto da residência da mulher
e como então ele tinha transportado para a casa? Até o aparelho ficou de boca aberta. O egum foi levado por 7 Flechas e preso, pois incorporado
o 7 Flechas não poderia prender o egum, então por isto ele desencorporou para finalizar o trabalho.
Moral da história: A mulher se arrependeu do que fez, ela trabalha agora pela prefeitura de Viana, seu salário aumentou e está começando a prospera.
Conseguiu reformar sua casa e hoje em dia nada falta em sua casa, vive confortavelmente com sua filha. Trabalha como medium da filial da
TUSB e tem excelentes guias na caridade, pois recebeu e agora dá. Sua evolução espiritual está crescendo, a do seu marido não está pois
ele preferiu a vingança do que a luz, pois esta cego de ódio. Fiquei sabendo que ele reencarnou de novo em uma das netas dela, só que
não foi revelado isto a mulher. Seja o que Deus quiser para o futuro!

Saudações Fraternas


Autoria Física: Paulo Norbim
Autoria Espiritual: 7 Flechas e Pedro (São Cipriano)
Digitação: Cigana Esmeralda
Direitos autorais: umbandacaridade@yahoo.com.br
Sem fins lucrativos. Podem repassar sem nenhum problema, contanto que tenha os devidos créditos e sem alteração

Salve os Caboclos




Um senhor muito simpático e com vasta cabeleira branca aguardava o meu desprendimento do corpo físico no momento do sono para que eu viesse a aprender algumas preciosas lições àquela noite.
Não consigo recordar-me de haver conhecido uma pessoa que irradiasse uma energia de simpatia tão grande quanto aquele senhor. Fiquei olhando impressionado em sua direção até quando ele me disse:
— Preparado esta noite?
— O senhor me desculpe, mas preparado para que exatamente?
— Para mais um aprendizado.
— Ah, sim senhor!!!
Foi o que sinceramente respondi, mesmo sem ter ainda a mínima noção de que aprendizado seria aquele.
— Você não está com medo, está?
— Não senhor, pois à medida que o tempo vai passando e eu tenho a divina oportunidade de aprender com os senhores, eu vou adquirindo confiança ainda maior em Deus e nos vossos trabalhos.
— Então, vamos juremar?
— Juremar?
— Sim, entender um pouco sobre o nosso trabalho.
— O senhor está me dizendo que é um juremeiro, é isso?
— Não seria melhor você aprender com os próprios olhos?
— Se o senhor acha que é melhor assim seguirei vossa determinação à risca.
— Então vamos!!!
Aceitei o convite prontamente e assustei-me quando percebi que, ao invés de estarmos nos dirigindo para alguma região de mata, adentrávamos um hospital situado no plano físico; penso que este meu estranhamento deve ter se manifestado em minha face, pois foi quando eu o ouvi dizer:
— Não estranhe companheiro, pois seu aprendizado se dará aqui mesmo dentro deste hospital.
Estávamos em um grande hospital onde, obviamente, pessoas com os mais variados problemas encontravam-se internadas e eu, apesar de não entender qual tipo de aprendizado eu poderia obter com um juremereiro naquele ambiente, respondi:
— Sim senhor, estou as suas ordens!
— Então me diga: se pudesse escolher, quais pacientes você desejaria curar?
Pensei um pouquinho e respondi:
— Pacientes com problemas no aparelho circulatório!
— Pois bem. Então passemos para a ala onde estão os internos cardiopatas!
Havia quarenta quartos neste setor e nós entramos em um deles quando o juremeiro disse a mim:
— Observe!
O juremeiro, primeiramente, aproximou-se do enfermo e passou um olhar perscrutador ao longo de todo o corpo deste, depois ele abriu uma espécie de pequena sacola que estava pendurada em seu ombro e, de dentro dela, retirou com a mão direita uma espécie de gel transparente que ele usou em beneficio do chacra cardíaco do paciente; então, instantes depois, o inacreditável ocorreu: a acompanhante do enfermo foi chamar a enfermeira as pressas por que o seu esposo estava melhorando.
Eu olhei espantado para o juremeiro que, sem pestanejar, levou-me a outro quarto.
Desta vez o juremeiro escolhera uma paciente do sexo feminino só que utilizou um pouco do gel na região da fronte ao invés do coração e o médico que neste mesmo instante, no plano físico, tirava a pulsação da enferma impressionou-se pelo fato de ela ter saído do coma após sete anos.
Saímos do quarto e acho que meu olhar suplicante de esclarecimento deve ter contribuído para o juremeiro dizer-me:
— Pode falar filho!
— Meu Deus, o que o senhor fez com estes dois pacientes?
— Eu não fiz nada!!! Esta paciente que acabamos de assistir só saiu do coma por que já estava na hora dela despertar e o mesmo eu posso dizer do paciente do outro quarto que visitamos anteriormente, ou você se esquece do fato de que não cai uma única folha de uma árvore se não for da vontade de Tupã?
— O senhor tem razão, mas e este gel? O que há neste gel?
— Deus!
— Perdão?
— Quem criou o prana dos vegetais?
— Deus!
— Então penso que você me entendeu.
— Entendi sim senhor, mas que erva tão poderosa é essa que acorda até uma pessoa do coma?
— Já lhe disse que nenhum poder é maior que a vontade de Tupã e que foi Ele quem despertou a paciente do coma.
— Sim senhor, perdão!
— Não há o que perdoar, há o que se entender!!!
— Sim senhor!
— Quanto ao gel desta bolsa, o prana, ele é formado de cada energia que o paciente estiver necessitado de receber.
— Como? O senhor está me dizendo que existem pranas das mais diferentes ervas ai dentro desta pequena sacola que o senhor carrega consigo?
— Não só de plantas, mas também frutas, frutos e legumes.
— Mas então, como eu só vejo o senhor retirar sempre o mesmo gel? Como esta sacola pode conter tantos pranas diferentes se ela me parece tão pequena?
— Filho, antes de ir lhe buscar esta noite eu colhi o prana que fosse suficiente para auxiliar na cura de trinta e cinco pacientes deste hospital e que meus superiores determinaram.
— Trinta e cinco! Mas...
— ...Antes de lhe buscar eu estive neste hospital junto com outros companheiros e auxiliamos trinta e dois enfermos.
— Se o senhor tem a ordem para curar trinta e cinco enfermos, curou trinta e dois deles antes de ir me buscar e mais dois desde que aqui estou com o senhor, isto quer dizer que ainda resta mais um enfermo a ser curado!
— Exatamente!
— Será que antes de auxiliar na cura deste irmão que está faltando o senhor poderia esclarecer-me uma dúvida?
— Bem, não serei eu quem auxiliará a este irmão, mas eu posso lhe esclarecer a dúvida, pergunte!
— É que o primeiro paciente com problemas circulatórios que o senhor auxiliou eu percebi e penso que entendi porque o senhor aplicou o prana na região do chacra cardíaco, mas eu não compreendi por que na paciente que encontrava-se comatosa o senhor passou o gel no chacra frontal, ao invés de aplica-lo no cardíaco.
— Veja bem. Não é por que uma pessoa está com problemas cardíacos que o chacra cardíaco será o único a encontrar-se debilitado.
— Ah é?
— Perfeitamente. Veja o caso da paciente que se encontrava comatosa, por exemplo: descobriu que fora traída pelo marido, mas não estava querendo analisar a situação com clareza para decidir qual a melhor atitude a ser tomada. Ao contrário, colocou toda culpa dentro de si e passou a desejar secretamente a morte. Veio para este hospital realizar uma cirurgia cardíaca onde o corpo dela não reagiu bem e a forma pensamento do desejo de morte auxiliou-a a tornar-se comatosa. Após sete anos sem assumir o corpo físico e tendo a prendido muitas lições faltava o último passo para que ela saísse do coma que é uma expansão na visão sobre a vida espiritual e foi por isso que eu apliquei o prana no chacra frontal.
— Deus, é extraordinário!!! Mas...
— ...Sim?
— O senhor disse que falta o auxilio fraterno para a cura de mais um irmão enfermo e que não será o senhor quem o auxiliará; então, quem será???
— Você!
— Como?Eu?Mas eu não poderia!!!
— Por quê?
— Por que não sei fazer, posso fazer errado!
— Você já amou?
— Já! Já amei e ainda amo muito!
— Pois o teu amor irá lhe guiar, tendo em vista que uma parte do conhecimento de como proceder encontra-se dentro de ti, é só você se permitir o despertar.
— O amor vai me guiar, mas como?
— A pessoa que já se foi do plano físico e que você mais amou no mundo foi o seu pai, não é verdade?
— É sim senhor!
— Quando você era criança o seu pai teve um princípio de enfarte e décadas depois veio a desencarnar por um problema circulatório, não é verdade?
— É sim, meu Deus o senhor sabe!
— Sim e também sei que foi por isso que você escolheu, quando perguntado, o setor de pacientes com problemas circulatórios para praticar a caridade esta noite, não é verdade?
— É sim senhor!
— Diga-me: qual foi uma das lições mais importantes que você aprendeu com o seu pai?
— A dar sempre o meu melhor na realização das tarefas.
— Então, você entende como o amor lhe guiará na tarefa que lhe cabe?
Ao invés de responder deixei que minhas lágrimas falassem por mim. O juremeiro foi extremamente respeitoso e aguardou que eu serenasse as emoções. Instantes depois foi que ele disse a mim:
— Você sabe para onde devemos nos dirigir, correto?
Assenti com a cabeça que sim e caminhei com passos resolutos para o quarto de número vinte e três. Fiquei de pé ao lado direito do paciente e perguntei ao juremeiro:
— E agora, como devo proceder?
— Feche os olhos e faça uma prece a Tupã.
Rezei e, estranhamente, ao abrir os olhos eu entendia claramente o que fazer: como aprendera naquela noite que apesar de um paciente estar com problemas cardíacos o auxilio não deveria ser aplicado necessariamente ou unicamente no chacra cardíaco, então eu deveria ter uma fé muito grande para sentir onde estava o problema no paciente, tendo em vista que eu não possuo a mediunidade de ver com os olhos espirituais.
Cerrei novamente os meus olhos e passei as duas mãos, sem tocar, ao longo do corpo do paciente e comecei a sentir uma energia muito forte na região do plexo solar do irmão enfermo então, involuntariamente, veio a minha mente a imagem de saião e boldo e eu estiquei a mão direita em direção ao juremeiro que, sorrindo, abriu a sacola e despejou um pouco do prana na minha mão.
Após ter ministrado o prana no paciente nós saímos de dentro do hospital e ele me disse:
— Fale meu filho, é importante que eu lhe responda uma última pergunta antes de ir embora.
— Quando o senhor colocou o prana na minha mão eu senti o odor de saião e boldo, quando o senhor ministrou o prana nos outros dois pacientes eu senti o cheiro de outras ervas como pode ser isto?
— Eu já não lhe disse que colhi o prana de certos vegetais antes de vir lhe buscar no sono físico?
— Sim senhor, mas como estes pranas diferentes podem ficar todos misturados dentro desta sacola e serem tirados de forma específica, e não tudo misturado, quando ele vai ser ministrado a alguém em especifico? Esta sacola do senhor é mágica?
— Sim!
— Verdade?
— Sim, este embornal tem a magia do divino mistério de Jurema, a força divina contida no astral vegetal.
— Meu Deus!!!
— Filho, o amor lhe guiou pelos caminhos da fé e este juremeiro fica feliz em pedir a Tupã por todos vocês, os filhos de fé, que encham as vossas vidas do amor excelso Dele, pois só o amor perdoa e só o perdão pode fazer vocês se amarem ainda mais e clarearem os vossos caminhos na estrada que leva em direção ao Pai Criador de todas as coisas. Muitas vezes o que os olhos não vêem só o coração pode sentir, nunca se esqueça disso meu filho!!!

MENSAGEM DO CABOCLO SETE MONTANHAS



Era dia quando acordei, tremendo de frio e com muita febre; o pajé ao meu
lado fazendo suas orações e convidando nossos antepassados com a autorização
de Tupã; eu não podia ver direito o seu rosto pois a luz de uns poucos raios
que invadiam a oca e amerê (fumaça) emanada pelo seu cachimbo faziam-me
confundir com várias pessoas que habitavam a aldeia e outros que já haviam
partido.

Ouvi alguns murmúrios:

_ Abaçai! Abaçai! Abaçai! (Espírito maligno)

Então o pajé me perguntou se eu tinha fé; prontamente respondi que sim; mas
intimamente não sabia exatamente o que era fé; talvez fosse simplesmente
crer.

Como se lesse meus pensamentos, o pajé me disse que não era simplesmente
crer; tampouco necessitava ver para crer; havia um meio termo que minha
pouca sabedoria de dez anos de idade haveria de assimilar; então ele me
disse para fechar os olhos e imaginar tudo ao meu redor; então eu pude ver
toda a aldeia; as crianças no rio, as mulheres cozinhando o beijú, as
aracemas batendo em revoada e os homens saindo à caça; então ele me
perguntou sobre o que eu via; relatei detalhadamente; foi quando ele me
disse que fé era sentir para crer e que, quanto mais evoluido se tornesse o
meu espírito, mais possibilidade eu teria de sentir e ter fé.

No momento que pude entender o que é a fé, abaçai se afastou
instantaneamente e o pajé encerrou a pajelança dizendo que eu já era um
baquara (sabedor de coisas).

O que lhes posso passar com o meu aprendizado é que a fé é essencialmente
"sentir para crer".

A crença pura e simples deixa a criatura vulnerável a todas afirmativas, nem
sempre verdadeiras e muitas vezes capazes de levar ao fanatismo.

Por outro lado, o indivíduo que se posta numa posição irredutível de
acreditar somente naquilo que lhe é provado, deixa de viver experiências
verdadeiras que a todo momento conspiram para sua evolução.

Por essa razão deve-se "ouvir o coração"; abrir o canal da percepção
liberando a nossa razão para buscar argumentos também em nossa
sensibilidade.

Há inúmeras formas do universo contribuir para nossa evolução; para
percebê-las temos que sintonizar nossa vibração a essas energias; para se
beneficiar dos "bons fluídos energéticos" temos que vibrar nessa busca; esse
exercício constante nos leva paulatinamente ao encontro das respostas.

A fé me trouxe a segurança de que existe algo mais além de nossa limitada
visão de encarnado e de espírito em evolução.

*Caboclo Sete Montanhas
Maio/2010
http://br.groups.yahoo.com/group/umbandamor

Pra Fazer a Caridade!


Uma breve lição sobre a relação
Médium x Mediunidade praticada

Épraxe! Semanalmente abarcam centenas de pessoas nos terreiros com a intenção de desenvolver a mediunidade.

Dia destes um indivíduo em consulta perguntou ao Caboclo que lhe atendia:

- “Caboclo, preciso desenvolver a mediunidade, posso fazer isso aqui?”

Orapaz não conhecia o terreiro, era sua primeira visita, o Sr. Caboclo retrucou:

- Sim filho, pode sim, antes nos responda algumas perguntas simples e saberemos quando e onde iniciará seu desenvolvimento mediúnico.

- Pois sim Caboclo, qual a dúvida?

- Filho, sabe o que é mediunidade?

O rapaz esboçou surpresa em suas feições, pensou rapidamente e prosseguiu:

- Sei Caboclo, é a capacidade de incorporar os guias espirituais.

- Ah sim meu filho, entendo, mas devo dizer que isso não é mediunidade, ao menosnão é bem isso que o Caboclo está perguntando, vou tentar ser mais claro. Você sabe para que serve a mediunidade?

- Sei sim, para fazer a caridade!

- Hum, e o filho quer desenvolver a mediunidade pra quê?

- Para fazer a caridade, ajudar as pessoas.

- Sei, sei… E porque o filho quer ajudar as pessoas?

O rapaz ficou pálido e sem graça arriscou:

- Para evoluir meu pai, porque esse é o caminho da luz.

- Que luz meu filho?

- Oras meu pai! A luz espiritual, como a vossa!

- Hum, como o filho imagina que seja o desenvolvimento mediúnico?

- Bem, já vi algumas vezes, vou vir de branco e vou girar até incorporar, mas já aproveitando, quero dizer que tenho receio de girar, não vou conseguir meconcentrar, então prefiro que me deixem concentrando, assim será mais fácil.

O rapaz já falava como se fosse parte do grupo. O Caboclo interrompeu e disparou:

- Meu filho, que tipo de problemas você imagina que pode ter ao desenvolver a mediunidade?

- Acho que nenhum!? Por quê? Terei problemas?

- Depende.

- Como assim?

- Depende do que o filho escolher.

- Não estou entendendo.

O Caboclo silenciou, olhou para o Congá, baforou do seu charuto no corpo do rapaz, fechou os olhos, parecia estar orando, respirou fundo, olhou fundo nosolhos do rapaz e ensinou:

- Meu filho, você é mais um dentre milhares que se utilizam de discursos prontos, respostas decoradas, ambições estranhas e ansiedade para sentir-se melhor queos outros, o que é pior, via mediunidade.

Chegaráo inevitável dia do seu desenvolvimento mediúnico, e Caboclo deseja que chegue ,onde quer que seja.

Mas este Caboclo deseja mais ainda: que o filho tenha respostas verdadeiras, que encontre de uma forma pessoal o motivo real para o exercício mediúnico.

O filho precisa saber que mediunidade não é entretenimento, não é uma atividade que preenche apenas um espaço vazio da sua agenda.

O primeiro passo para o desenvolvimento mediúnico é o compromisso em buscar o auto conhecimento, é meditar muito, orar mais um tanto e ter a certeza de quequer assumir um compromisso do qual todos os demais compromissos na vida sejam secundários diante seus compromissos espirituais.

É preciso que saiba muito bem o que significa comprometimento, dedicação e respeito á tudo e a todos.

Estude bastante sobre esta religião que quer seguir, pois se não a compreender, jamais sentir-se-á compreendido pelos diferentes.

Considere que caridade não é dar passe, descarregar ou qualquer coisa que seja feito incorporado, saiba que esta é a nossa caridade, não sua, você médium e religioso tem nas incorporações e o que acontece a partir dela apenas uma consequência da fé e da mediunidade. Sua caridade deverá ser outras iniciativa-se não ocultas em nossas incorporações.

Também lembre-se que ninguém ajuda ninguém se ao menos não esteja preocupado em se ajudar primeiro, em lapidar-se e aprimorar-se, antes de pretender ser fonte épreciso ser abastecido.

Você terá preceitos a seguir, então sua rotina de hoje já não será a mesma, o quevocê comeu hoje, se estivesse do lado de cá já não seria permitido.

Observe seus vícios e aceite que se ensina e ajuda mais pelo exemplo do que por boa vontade, se és um indivíduo rendido aos vícios da matéria, mesmo tendo plenaconsciência dos males, então busque livrar-se destes grilhões antes depretender ser alguém que vá libertar os outros.

Ter mediunidade prática não te faz melhor do que ninguém, apenas reforça que você tem mais responsabilidade com o mundo, então não será por meio da mediunidade que poderá extravasar questões de carências mal resolvidas na infância.

Este caboclo poderia prosseguir com muitas outras considerações, mas vejo que o filho já entendeu, então Caboclo pergunta:

- O filho quer começar o desenvolvimento quando mesmo?!

Desconcertado, pensativo e visivelmente desapontado o rapaz responde:

- Meu Pai, desenvolverei quando ao menos conseguir praticar uma de suas ponderações, desculpe-me pelo tempo que lhe tomei, vou pensar sobre isso tudo.

- Não se desculpe meu filho, isso é o que o Caboclo veio fazer, amamos isso que fazemos, esta é a nossa oportunidade de fazer a caridade, se consigo te ajudar, isso me alegra. Mas meu médium não, ele apenas está no transe aprendendo com isso tudo e exercitando sua religiosidade, entendeu?

- Sim meu pai, acho que entendi!

- Então fique em paz e na luz meu filho, se for da sua vontade e dos Orixás, nos veremos mais adiante.

O rapaz agradeceu o Caboclo e emocionado retirou-se do terreiro, voltaria nas próximas semanas e talvez em alguns meses ou anos, ele sentiria o chamado, pela vontade Maior e não pessoal.

Este breve relato, é um fato e nos traz um alerta importante sobre a maneira que nos relacionamos com a mediunidade, então responda: qual é a sua maneira???

Grande abraço,

Rodrigo Queiroz –www.rodrigoqueiroz.blog.br