Não é fácil amar uma bruxa
❣️ Não é fácil amar uma bruxa
Talvez seja por essa razão que tantas mulheres de espírito livre, sensibilidade aguçada e conexão com algo maior passem anos sozinhas, ou atravessem relações vazias e frustradas, até finalmente encontrarem alguém que entenda: não se pode domesticar o que é feito para brilhar.
Não é fácil amar uma bruxa porque ela dificilmente aceita viver relações pela metade. Ela possui uma percepção que vai muito além do que os olhos veem: percebe o menor detalhe, sente a mudança mais sutil no tom de voz, decifra o que está escondido por trás dos silêncios e raramente consegue fingir que está bem ou confortável em algo que já deixou de fazer sentido. Sua intuição não é um dom que ela pode desligar — é parte de quem ela é.
Uma bruxa não se encaixa em vínculos baseados em controle, posse, dependência emocional ou apenas aparências. O que muita gente chama de “amor”, ela enxerga com clareza como uma prisão disfarçada: regras que limitam, exigências que diminuem, cobranças que apagam a individualidade. E isso assusta profundamente quem está acostumado com relações automáticas, rasas ou onde cada um ocupa um lugar definido sem questionar.
Ela não quer ser complemento de ninguém — quer ser parceira. Quer alguém que caminhe ao seu lado, na mesma direção, não alguém que fique para trás puxando suas asas, nem alguém que tente diminuí-la para se sentir maior ou mais seguro. Quer construir uma vida em comum, compartilhar sonhos e desafios, mas sem jamais precisar abandonar a sua essência, os seus valores, os seus rituais e a sua luz interior.
Não é fácil amar uma bruxa porque ela não se entrega por carência, nem por medo de ficar só. Ela se entrega por escolha consciente. E quando escolhe estar ao lado de alguém, espera profundidade, presença real, lealdade que vai além das palavras e maturidade para enfrentar até as conversas mais difíceis — sem fugir, sem se esconder e sem colocar o orgulho acima do vínculo.
Ela não vai fingir ser mais simples, mais silenciosa, mais calma ou menos intensa só para facilitar a permanência de alguém. Para ela, manter a sua própria identidade vale muito mais do que qualquer relação que exija que ela se apague. Se precisar se reduzir para caber no espaço de outro, ela prefere ficar inteira, mesmo que sozinha.
E talvez seja justamente essa a beleza transformadora desse encontro. Porque amar uma bruxa obriga qualquer pessoa a rever todas as ideias antigas sobre o que é o amor, sobre posse, sobre ego e sobre a verdadeira conexão entre duas almas. Ela não aceita migalhas, não se contenta com o que é “bom o suficiente” e ensina quem está com ela a olhar para a vida com mais consciência e respeito.
Nem todo mundo está preparado para esse tipo de vínculo. Muitos chegam, olham sua intensidade e sua liberdade, e preferem seguir caminhos mais fáceis e previsíveis. Mas aqueles que têm coragem de aceitá-la como ela é, descobrem uma entrega imensa, uma proteção constante e um amor que nutre, fortalece e transforma — algo que não se encontra em nenhum outro lugar.
Ela não é difícil de amar; é difícil de ser mantida, porque exige que o outro também cresça, evolua e se torne inteiro ao seu lado.
Diário de uma Bruxa Verde