quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Exú Tiriri - rei da encruzilhada

Portugal, final do século dezenove. Passam das 23 horas quando Bartolomeu Custódio bate à porta de seu primo e é atendido pelo rapaz que, visivelmente, foi acordado pelas insistentes batidas. - Primo, preciso urgente de ti! - Fernando manda-o entrar deixando claro estar contrariado com a visita repentina em tão tardio horário. - Nem me fale Bartolomeu! São réis o que deseja. Não é? - O homem baixa a cabeça e responde num fio de voz: - Perdi mais de mil no carteado do Barão senão pagar ele ameaçou acabar com minha família. - Mil?  Estás louco? Não faz um mês que paguei sua divida de quinhentos e já vens aqui pedir-me mais de mil? Onde vais parar, ou melhor, aonde vou eu parar com tantos réis que se vão ladeira abaixo? Achas que por ter tido sorte na vida tenho que carregá-lo nas costas? A ti, tua família, teu maldito vicio? - Bartolomeu ouve tudo sem levantar os olhos. - Primo, só tenho a ti para recorrer. O que será de minha mulher e meus filhos? Juro-te que nunca mais jogarei um só conto em nada! - O rapaz está descontrolado e replica aos gritos: - Já ouvi essa ladainha muitas vezes e não vou mais cair nessa conversa. Vá ao Barão e diga que não tem, não conseguiu, e ele que espere. Ainda ontem a pobre de tua mulher veio até aqui pedir-me comida. Crês nisso? Tive que dar comida a tua família. Enquanto tu espezinha-me com dívidas de jogatina. Olhe para ti! Estás em estado lamentável, além de cheirar a vinho à distância. Saia já de minha casa. - Dirige-se para a porta e a abre com violência.  Bartolomeu levanta-se lentamente, de seus olhos caem lágrimas, é duro ter que ouvir tudo que está ouvindo, apesar de ser a mais pura verdade. Faz ainda uma última tentativa. - Primo, pelos teus filhos, ajuda-me! Fernando continua parado à porta apontando a rua. - Fora daqui, vagabundo! Nunca mais me apareça, porco imundo! Sem mais nada dizer o homem retira-se lentamente ouvindo o baque violento da porta atrás de si. Caminha tropegamente enquanto as lágrimas embaçam sua visão. Sabe que fez tudo errado. Sempre! Foi mulherengo, bêbado, viciado em jogos. Tem a exata noção do péssimo pai e marido que é. Seu primo tem toda a razão em humilhá-lo. Sem perceber, depois de muito caminhar, está sobre uma ponte. Talvez seja essa a única saída. Faz uma pequena prece e atira-se nas águas profundas do rio. O espírito de Bartolomeu Custódio durante anos perambulou por sendas escuras e tortuosas. Passado um longo tempo e depois de  rever erros e acertos de vidas anteriores, foi amparado por mentores que o encaminharam para a labuta do resgate cármico. Hoje, trabalhador de nossos terreiros, é conhecido como o grande Exu Tiriri, elegante, educado e sempre com um profundo respeito para com seus consulentes, nem de longe lembra a triste figura apresentada neste texto.Laroiê Seu Tiriri!       

Exú Veludo



Homem alto, esquio, moreno, nobre, viveu no século XVI, na Inglaterra-Europa, vivia entre a
realeza onde tratava dos negócios do Rei (cobrador de impostos e jurista), foi muito rico, vestiase sempre com muito luxo e elegância, homem de finos tratos e com gosto, tinha bom trato ao
falar, com sua voz firme e aveludada, diz-se que é daí que veio seu nome de Exu.
Apresenta-se na Umbanda sempre severo e enérgico, tem grande atuação em causas judiciais,
trabalha na quimbanda em muitos caminhos tais como:
Exu Veludo da Meia Noite
Exu Veludo Cigano
Exu Veludo 7 Encruzilhadas
Exu Veludo Menino (Veludinho)
Exu Veludo dos 7 Cruzeiros
Exu Veludo das Almas
Exu Veludo dos Infernos
Exu Veludo da Kalunga
Exu Veludo da Praia
Exu Veludo do Oriente
Exu Veludo Sigatana
Exu Veludo do Lixo
É uma das entidades mais procuradas e amadas na quimbanda.
♫ PONTO ♫
Comigo ninguém pode
mas eu posso com tudo.
Lá na minha encruzilhada
eu sou Veludo.
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Este Exu, vem das costas orientais da África, era swahili (negro arabizado). Usa um turbante na
cabeça, e lindos tecidos de veludo trazidos de oriente, que lhe valeram o apelido na Kimbanda de
"veludo" Dado a sua forma luxuosa de se vestir, no estilo muçulmano, muitos que viram seu tipo
de apresentação através da mediunidade, o confundiram com um cigano e o associaram com os
mesmos. Isto não significa que não trabalhe com os ciganos, ao contrário, tem inclusive uma
passagem ou caminho que se apresenta como um.
Tem muitos conhecimentos sobre feitiços que se fazem utilizando panos, tigelas, agulhas, pembas
e outros ingredientes. Abre os caminhos e limpa trabalhos negativos feitos nos cemitérios. Gosta
de um bom whisky e grossos charutos.
Alguns de seus caminhos são:
Exu Veludo da Meia Noite
Exu Veludo Cigano
Exu Veludo 7 Encruzilhadas
Exu Veludo Menino (Veludinho)
Exu Veludo dos 7 Cruzeiros
Exu Veludo das Almas
Exu Veludo dos Infernos
Exu Veludo da Kalunga
Exu Veludo da Praia Exu Veludo do Oriente
Exu Veludo Sigatana
Exu Veludo do Lixo
Serventia de Exu Na linha de Ogum
Ogum de Lei - Exu tranca rua
Ogum Iara - Exu Tranca Gira
Ogum Beira Mar - Exu Tira toco
Ogum Matinata - Exu Tira teima
Ogum Megê - Exu Limpa trilhos
Ogum Rompe Mato - Exu Veludo
Ogum Malê - Exu Porteira
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Enviado por Ogum Xoroquê.Nasceu no ano de 1632 e faleceu no ano de 1675. Tratava-se de um homem alto,
moreno sem o dedão do pé direito. Suas cores são: vermelho, azulão e preto.
Pertence a nação de Angola, Seus símbolos são: um tridente, uma navalha e uma estrela de 7 pontas.
Suas bebidas preferidas são batida de coco e de amendoim.
Sua comida preferida é farofa de dendê,
amendoim misturada com carne de rês.
Entrega-se suas oferendas: na lomba, nas matas e nas encruzilhadas.
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É comum a lembrança sempre da última encarnação, num espírito caído e renascido das trevas. Mas seria
impossível contar esta história sem lembrar de duas últimas reencarnações... Vamos chamá-lo de Veludo,
desde já, pois não fui autorizada a revelar sua verdadeira identidade. Ocupava um dos mais altos postos entre
os soldados de Roma, tinha trinta anos quando presenciou a Paixão e Morte de Cristo. Pena? Quase nenhuma,
tinha um ódio sem razão que crescia a cada dia do povo judeu. Não se abalou com a comoção e nem com o
sofrimento do Inocente.
Durante vários anos continuou a perseguição implacável aos cristãos, matava por prazer, sentia o gosto do
sangue em sua boca e isto lhe fazia chegar ao ápice da glória. Morreu aos setenta e cinco anos, sozinho e
leproso. O corpo totalmente deformado, mas a mente sempre perversa.
Ficou por muitos séculos, pagando em outras esferas, seus débitos aqui contraídos. Sofreu muito, se redimiu e
por volta de 1900 teve a oportunidade de reencarnar na Alemanha, filho de um Oficial do Exército e de uma
dona de casa. Veludo sempre foi muito calado e tímido, extremamente inteligente, tinha uma paixão por armas
de fogo, confeccionava-as com pedaços de madeira, galhos de árvores e depois com pedaços retorcidos de
metal. Passava horas admirando as antigas armas do pai. Assim que pode se alistou no Exército, era
apaixonado por isto. Se tornou um dos mais fiéis e dedicados membros da Corporação. Seu comportamento
agressivo foi se aflorando. Matava animais com muita vontade, seus olhos brilhavam de prazer. Estoura a II
Guerra Mundial. Veludo, agraciado por seu comportamento exemplar torna-se o homem de confiança de Adolf
Hitler. Estava casado há quatro anos e tinha três filhos.
A partir deste momento, a violência e a revolta contra os judeus explodiram na mente do soldado. Cometeu
todas as espécies de barbárie.. Praticava tiro ao alvo da janela de seu quarto com crianças e mulheres judias
presas nos campos de concentração. Estourava miolos de pais na presença de filhos, mulheres na presença de
maridos e sentia o prazer de matar crescer a cada dia. Vibrava com cada vítima que chorava, esperneava e
implorava pela vida.
Até que entre as mulheres que iriam para a câmara de gás, um par de olhos muito azuis, chamaram sua
atenção. Era uma judia russa que estava prestes a morrer. Sem conseguir explicar o porque, Veludo se
apaixonou. E se odiou por isto, amava e odiava com a mesma intensidade. Ele simplesmente não conseguia
ser bom. Separou a moça nua das outras e levou-a para seus aposentos. O amor era violento, selvagem,
misturava-se com o ódio que sentia por aquela mulher ser judia. Por dez dias, alegando estar adoentado,
recolheu-se com a moça judia. Quanto mais a amava, mais seu ódio crescia. Seviciou, abusou, e fez com que a
moça sofresse toda a sorte de humilhações, até que a matou. Corroia-se de amor, de ódio e de remorso. Ficou mais violento mais amargo e mais cruel.
Com o fim da II Guerra os militares alemães foram perseguidos e capturados. Veludo conseguiu fugir, pediu
ajuda a sua esposa que o escondeu em uma velha casa da família. Informada das atrocidades praticadas pelo
marido e da traição, cega de ciúme entregou-o aos soldados inimigos. Juntamente com outros oficiais alemães,
foi colocado em um paredão e recebeu vários tiros, depois foi jogado em uma vala muito funda, porém não
morreu imediatamente, ficou muitos dias, coberto com os outros mortos, se asfixiando aos poucos, quanto mais
força fazia para respirar, mais sentia a podridão humana, o sangue fétido e o cheiro de morte.
Morreu.
A sensação que tinha era que se afogava no lodo, que cheirava forte, e quase o impedia de respirar. Bem...Este
sofrimento na esfera mais negra da existência vamos deixar para uma outra parte da história.
Passado mais de quarenta anos, Veludo foi resgatado de seu sofrimento por Sr. Ogum Rompe Mato e trazido
para trabalhar na casa do Pai Três Cachoeiras. Iria incorporar em uma médium que entraria em breve na
corrente.
Desde 1992, Exu Veludo presta serviço à Luz no Terreiro de Umbanda Caboclo Três Cachoeiras e Mestre
Jesus. Hoje totalmente transformado coloca a caridade acima de qualquer obstáculo e trabalha muito. Já
pertence a Ordem dos Cavalheiros mas não quer deixar a casa que tanto lhe ajudou e que tanto ama e a
médium a quem devota tanta admiração.
Por alguns meses sua ex-esposa, trabalhou como Exu Mulher na mesma casa, incorporando na mesma
médium, veio se desculpar por ter entregado seu marido, levada pelo ciúme. Conseguiu seu perdão e hoje está
em outra esfera astral praticando também a caridade.
Ao oficial alemão que viveu e compactuou com um dos momentos mais negros e sofridos da História Mundial
foram atribuídas mais de mil mortes. Sendo a maioria crianças, mulheres e idosos. Todos judeus.
Exú da Meia Noite


"O sábio uso do contato com o plano espiritual pode trazer-lhes a sabedoria
 para escolher a direção que tomará ao andar nos momentos de escuridão, 
os encaminhando novamente para o plano da luz, eis que então respeitem e 
 exercitem a humildade de ouvir e aprender, pois sempre que o fizerem estarão 
 dando uma chance a vocês mesmos." Sr.MN

"Respeitem o desconhecido e dê-lhe o espaço necessário para não lhes oferecer 

nenhuma ameaça, pois o fazendo terão seu espaço preservado, afastando assim 
qualquer chance de serem injustiçados ou feridos pela influência alheia, apeguem-se
 na fé sempre, e confiem nos guias que guardarem no coração, pois jamais faltarão
 com quem os montiver guardados consigo." Sr.MN

"Caridade é um exercício, não um dom, ela existe para ser praticada, e quanto 

mais dedicar-se a ela mais próximo estarás de alcançar a humildade, e quando 
esta experimentar, entendarás um pouco mais sobre vida, e aqui sim, quando 
neste ponto chegar, poderás VIVER, e provar na plenitude o que foi criado 
para você." Sr.MN

Exu da Meia Noite,pertence à linha das almas ,é chefe de falange. Pertence 

a linha negativa de Xangô ,sendo serventia de Xangô Da Pedra Preta. Bebe licor ,marafo,conhaque,uísque,Fuma charutos,cigarrilhas ,trabalha muito com as moças
 bonitas (como são chamadas as pomba-giras). Uma de suas visões astrais é de um 
homem, com uma longa capa escura em volto de si. Sua guia é preto e branco, mas 
muito trabalham com vermelho e preto também. Trabalha com velas vermelhas, 
pretas, brancas, mas principalmente com as vermelhas.

Sua história é de que em sua última encarnação ele foi um rico barão,viveu em 

 Santos. Aos 40 anos, foi a Portugal procurar uma esposa, que tinha 14 anos;
 casou-se com ela. Em sua noite de núpcias, a moça não sangrou como ele 
 esperava. Porém ele sabia que ela era virgem. Contudo, ficou furioso com isso. 
Armou uma cilada pra ela, dizendo que ela tinha o traído. Então ela fugiu com índios,
 sendo que ele para procura-la chegou a matar quase uma tribo inteira. Quando ele a 
encontrou, ela tinha um filho dele.

Voltou a ficar com ela, depois de um tempo, o filho dele morreu. Não demorando

muito tempo, tiveram outro filho, que teve o mesmo destino do outro, falecendo 
depois de alguns anos. Ele com remorso, contou a história para sua esposa do 
que ele tinha armado; ela novamente o largou. Ele, doente, foi morrendo 
aos poucos em cima de uma cama; não comia, não tinha força sequer para 
se levantar. Morreu aos poucos...

História relatada no Livro Guardião da Meia
Exú Pimenta

Exú bastante emergente no movimento atual de Umbanda, suas falanges crescem a cada dia, aumentando e solidificando seu poder de abrangência e atuação. De personalidade forte e irreverente, possui uma língua deveras afiada, sempre pronto a salpicar-nos as verdades que teimamos em esconder. Carismático e sedutor, contudo, suas palavras tem o poder de atingir-nos sem machucar, de conscientizar-nos sem nos reduzir a auto-estima. Em resumo, ele tem o dom de falar na lata o que não queremos ouvir e a gente ainda agradece.
Viveu na europa entre 1420 e 1480 mais ou menos, estabelecendo-se em Portugal, muito embora, acredito, não tenha nascido nesse país. Enriqueceu como comerciante, usando de seu raciocínio rápido e habilidades retóricas. Passou, assim, a fazer parte da nobreza, frequentando a corte, período em que constituiu carmas relativos ao uso desvirtuado do dinheiro e do poder adquiridos. Segundo ele: “Errei, penei, aprendi, compreendi, me transformei e venci. Hoje trabalho, sem reclamar, ajudando idiotas como aquele que eu fui”
Pimenta, Exu
Sr Pimenta é um Exú ligado, essencialmente, ao elemento fogo. Os outros Exús costumam chama-lo de “O Ardido”. Essa ligação com a energia ígnea, dizem, associa-o ao Orixá Xangô, mas pessoalmente desconheço se essa afirmação é procedente e ainda faço exceção, pois sou filho de Oxóssi e nós nos damos muito bem há muitos anos. Um de seus parceiros inseparáveis é o Sr Exú Pinga Fogo, a quem atribui o destino daqueles trevosos vencidos que, orgulhosos, rejeitam suas ofertas de paz. Também se associa aos demais Exús do fogo, como Sr Exú Brasa, Sr Exú Bará, entre outros.

Para realizar seu ofício de guardião, utiliza-se de armas diversas, a exemplo dos muitos e afiados punhais que carrega ocultos por trás de seu fraque bordô. Quando em demanda, apresenta-se acompanhado de enormes cães negros, nada amigáveis, semelhantes a rottweilers, mas de olhos vermelhos como o fogo.

Duas coisas irritam sobremaneira Sr Exú Pimenta: falta de respeito com os Exús por parte de nós encarnados e espíritos trevosos que utilizam o nome Exú para arriarem em terreiros. Não gosta de brincadeiras e pode se tornar verbalmente muito agressivo se defrontado com algum tipo de desrespeito. Quanto aos falsos Exús, costuma ser implacável e demonstra prazer ao derrubá-los.Exú bastante emergente no movimento atual de Umbanda, suas falanges crescem a cada dia, aumentando e solidificando seu poder de abrangência e atuação. De personalidade forte e irreverente, possui uma língua deveras afiada, sempre pronto a salpicar-nos as verdades que teimamos em esconder. Carismático e sedutor, contudo, suas palavras tem o poder de atingir-nos sem machucar, de conscientizar-nos sem nos reduzir a auto-estima. Em resumo, ele tem o dom de falar na lata o que não queremos ouvir e a gente ainda agradece.
Viveu na europa entre 1420 e 1480 mais ou menos, estabelecendo-se em Portugal, muito embora, acredito, não tenha nascido nesse país. Enriqueceu como comerciante, usando de seu raciocínio rápido e habilidades retóricas. Passou, assim, a fazer parte da nobreza, frequentando a corte, período em que constituiu carmas relativos ao uso desvirtuado do dinheiro e do poder adquiridos. Segundo ele: “Errei, penei, aprendi, compreendi, me transformei e venci. Hoje trabalho, sem reclamar, ajudando idiotas como aquele que eu fui”
Sr Pimenta é um Exú ligado, essencialmente, ao elemento fogo. Os outros Exús costumam chama-lo de “O Ardido”. Essa ligação com a energia ígnea, dizem, associa-o ao Orixá Xangô, mas pessoalmente desconheço se essa afirmação é procedente e ainda faço exceção, pois sou filho de Oxóssi e nós nos damos muito bem há muitos anos. Um de seus parceiros inseparáveis é o Sr Exú Pinga Fogo, a quem atribui o destino daqueles trevosos vencidos que, orgulhosos, rejeitam suas ofertas de paz. Também se associa aos demais Exús do fogo, como Sr Exú Brasa, Sr Exú Bará, entre outros.

Para realizar seu ofício de guardião, utiliza-se de armas diversas, a exemplo dos muitos e afiados punhais que carrega ocultos por trás de seu fraque bordô. Quando em demanda, apresenta-se acompanhado de enormes cães negros, nada amigáveis, semelhantes a rottweilers, mas de olhos vermelhos como o fogo.

Duas coisas irritam sobremaneira Sr Exú Pimenta: falta de respeito com os Exús por parte de nós encarnados e espíritos trevosos que utilizam o nome Exú para arriarem em terreiros. Não gosta de brincadeiras e pode se tornar verbalmente muito agressivo se defrontado com algum tipo de desrespeito. Quanto aos falsos Exús, costuma ser implacável e demonstra prazer ao derrubá-los.
Não obstante essa personalidade forte, e suas alterações de humor a depender do teor dos trabalhos que realiza, Sr Pimenta é, de maneira geral, um espírito muito alegre e irreverente. Tanto que quando chega no Terreiro, através da incorporação, a primeira coisa que faz é, invariavelmente, abrir um longo sorriso.
Não obstante essa personalidade forte, e suas alterações de humor a depender do teor dos trabalhos que realiza, Sr Pimenta é, de maneira geral, um espírito muito alegre e irreverente. Tanto que quando chega no Terreiro, através da incorporação, a primeira coisa que faz é, invariavelmente, abrir um longo sorriso.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

PAI ANTONIO DE ARUANDA


Espírito que se manifesta como um preto velho, Pai Antonio foi um escravo em uma de suas encarnações, sendo também ele a primeira entidade a pedir uma guia (colar) de trabalho, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamado de "Guia de Pai Antonio".
Foi também o espírito responsável pela inserção na Umbanda dos pontos cantados, enquanto esteve presente incorporando na Tenda foi o responsável por grande número dos pontos criados. O primeiro ponto de Umbanda, nasceu logo na primeira sessão quando Pai Antonio pediu o seu cachimbo. Contando a história de sua passagem pela terra, ele explicou que por ser um senhor de idade, não ia mais para o corte da lenha, mas quando foi buscar um feixe de lenha para a sua necessidade, se sentiu cansado, encostou no tronco de uma árvore e nunca mais acordou. Quando perguntando se sentia falta de alguma coisa, lembrou que o único bem pessoal que não pertencia ao senhor era o seu pito, sendo este solicitado no ponto a seguir:
“Meu cachimbo está no toco,
Manda moleque buscar.
Meu cachimbo está no toco,
Manda moleque buscar.
No alto da derrubada,
Meu cachimbo ficou lá.
No alto da derrubada,
Meu cachimbo ficou lá.
Que arruda tão bonita,
Que vovó mandou arrancar.
Que arruda tão bonita,
Que vovó mandou arrancar
Mas não chore meu netinho
Que vovó manda plantar.
Mas não chore meu netinho
Que vovó manda plantar.”

Em outra encarnação, Pai Antonio teria sido um médico respeitado na região serrana do Rio de Janeiro, vem desta encarnação o seu conhecimento da medicina.
Uma ocasião, numa pequena reunião de cinco pessoas, um protetor caboclo descarregava os maus fluidos de uma senhora, enquanto também incorporado, um preto velho, Pai Antônio, fumava um cachimbo, observando a descarga.
- Cuidado, caboclo avisou o preto. O coração dessa filha não está batendo de acordo com o pulso.
- Como é que Pai Antônio viu isso? Deixe verificar, pediu um médico presente à sessão.
Depois da verificação, confirmou o aviso do preto, que o surpreendeu de novo, emitindo um termo técnico da medicina, e explicando que o fenômeno não provinha, como acreditava o clínico, de suas causa fisiológicas, porém de ação fluídica, tanto que terminada a descarga, se restabelecia a circulação normal no organismo da dama. E assim aconteceu.
O doutor, então, quis conversar sobre a sua ciência com o espírito humilde do preto, e, antes de meia hora, confessava, com um sorriso, e sem despeito, que o negro abordara assuntos que ele ainda não tivera oportunidade de versar, e estranhava:
- Pai Antonio não pode ser o espírito de um preto da África e não se compreende que baixe para fumar cachimbo e falar língua inferior ao cassanje¹.
Foram muitas as curas praticadas por Pai Antonio, outra pequena história, contada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas em uma de suas gravações fala sobre o Pai Antonio, nos mostrando o conhecimento que esse espírito possui da plantas presentes na natureza.
Certa vez em busca da cura de sua filha, o deputado federal José Meirelles em uma consulta Pai Antonio lhe responde:
- Vai a tua casa, no último canteiro vai mexer a terra e encontrará algumas raízes, vai cozinhar essas raízes e dar a sua filha que ela estará curada.
Era a batata da angélica, porque não havia naquela ocasião flores, as batatas estavam somente de baixo da terra.
A menina ficou curada, e, após certo tempo, o deputado fundou uma das sete primeiras tendas por ordem do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Em outro ponto, Pai Antonio mostra seu conhecimento da medicina.
“Da licença Pai Antonio,
Que eu não vim lhe visitar,
Eu estou muito doente,
Vim pra você me curar.
Se a doença for feitiço,
Bulalá em seu gongá,
Se a doença for de Deus,
Ah, Pai Antonio vai curar.
Coitado de Pai Antonio,
Preto Velho curando,
Foi parar na detenção ai,
Por não ter um defensor.
Pai Antonio é quimbanda, é curandô,
Pai Antonio é quimbanda, é curandô,
É pai de mesa é curandô,
É pai de mesa é curandô,
Pai Antonio é quimbanda, é curandô,
Pai Antonio é quimbanda, é curandô."

Foto: PAI ANTONIO DE ARUANDA Espírito que se manifesta como um preto velho, Pai Antonio foi um escravo em uma de suas encarnações, sendo também ele a primeira entidade a pedir uma guia (colar) de trabalho, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamado de "Guia de Pai Antonio". Foi também o espírito responsável pela inserção na Umbanda dos pontos cantados, enquanto esteve presente incorporando na Tenda foi o responsável por grande número dos pontos criados. O primeiro ponto de Umbanda, nasceu logo na primeira sessão quando Pai Antonio pediu o seu cachimbo. Contando a história de sua passagem pela terra, ele explicou que por ser um senhor de idade, não ia mais para o corte da lenha, mas quando foi buscar um feixe de lenha para a sua necessidade, se sentiu cansado, encostou no tronco de uma árvore e nunca mais acordou. Quando perguntando se sentia falta de alguma coisa, lembrou que o único bem pessoal que não pertencia ao senhor era o seu pito, sendo este solicitado no ponto a seguir: “Meu cachimbo está no toco, Manda moleque buscar. Meu cachimbo está no toco, Manda moleque buscar. No alto da derrubada, Meu cachimbo ficou lá. No alto da derrubada, Meu cachimbo ficou lá. Que arruda tão bonita, Que vovó mandou arrancar. Que arruda tão bonita, Que vovó mandou arrancar Mas não chore meu netinho Que vovó manda plantar. Mas não chore meu netinho Que vovó manda plantar.”  Em outra encarnação, Pai Antonio teria sido um médico respeitado na região serrana do Rio de Janeiro, vem desta encarnação o seu conhecimento da medicina. Uma ocasião, numa pequena reunião de cinco pessoas, um protetor caboclo descarregava os maus fluidos de uma senhora, enquanto também incorporado, um preto velho, Pai Antônio, fumava um cachimbo, observando a descarga. - Cuidado, caboclo avisou o preto. O coração dessa filha não está batendo de acordo com o pulso. - Como é que Pai Antônio viu isso? Deixe verificar, pediu um médico presente à sessão. Depois da verificação, confirmou o aviso do preto, que o surpreendeu de novo, emitindo um termo técnico da medicina, e explicando que o fenômeno não provinha, como acreditava o clínico, de suas causa fisiológicas, porém de ação fluídica, tanto que terminada a descarga, se restabelecia a circulação normal no organismo da dama. E assim aconteceu. O doutor, então, quis conversar sobre a sua ciência com o espírito humilde do preto, e, antes de meia hora, confessava, com um sorriso, e sem despeito, que o negro abordara assuntos que ele ainda não tivera oportunidade de versar, e estranhava: - Pai Antonio não pode ser o espírito de um preto da África e não se compreende que baixe para fumar cachimbo e falar língua inferior ao cassanje¹. Foram muitas as curas praticadas por Pai Antonio, outra pequena história, contada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas em uma de suas gravações fala sobre o Pai Antonio, nos mostrando o conhecimento que esse espírito possui da plantas presentes na natureza. Certa vez em busca da cura de sua filha, o deputado federal José Meirelles em uma consulta Pai Antonio lhe responde: - Vai a tua casa, no último canteiro vai mexer a terra e encontrará algumas raízes, vai cozinhar essas raízes e dar a sua filha que ela estará curada. Era a batata da angélica, porque não havia naquela ocasião flores, as batatas estavam somente de baixo da terra. A menina ficou curada, e, após certo tempo, o deputado fundou uma das sete primeiras tendas por ordem do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Em outro ponto, Pai Antonio mostra seu conhecimento da medicina. “Da licença Pai Antonio, Que eu não vim lhe visitar, Eu estou muito doente, Vim pra você me curar. Se a doença for feitiço, Bulalá em seu gongá, Se a doença for de Deus, Ah, Pai Antonio vai curar. Coitado de Pai Antonio, Preto Velho curando, Foi parar na detenção ai, Por não ter um defensor. Pai Antonio é quimbanda, é curandô, Pai Antonio é quimbanda, é curandô, É pai de mesa é curandô, É pai de mesa é curandô, Pai Antonio é quimbanda, é curandô, Pai Antonio é quimbanda, é curandô."

PAI QUINZINHO

São muitas as lembranças da minha encarnação como escravo em uma fazenda de café no interior paulista. O som da chibata, os gritos dos feitores que saíam à caça dos escravos fugidos, as amas de leite obrigadas a amamentar os filhos da sinhá. Lembranças pungentes de muito sofrimento. Quando a princesa Izabel assinou a Lei Áurea, eu estava velho e muito doente.

A senzala era o único lugar onde o negro conseguia ser livre. Minha história de vida foi muito triste, mas aprendi muito. O sinhô era um homem muito refinado e não me tratava mal, mas a sinhá era uma mulher muito infeliz. Seu coração cheio de fel não sabia amar. Era temida e detestada. Por muito pouco mandava chicotear os escravos da senzala e o sinhô fazia todas suas vontades. Negrinhos eram afastados das suas mães, velhos escravos iam para o tronco e as escravas caseiras tremiam com as ordens da caprichosa sinhá. Eu não me queixava e jamais cultivei o ódio e a vingança. Alguns escravos odiavam os senhores com todas as forças até à morte. No plano espiritual, continuavam a perseguição perturbando os senhores com a força da magia negra e da vingança. Como é bom ser bom! Como é triste ser mau! Quantas lágrimas e sofrimentos os senhores plantaram através de suas atitudes. No entanto, todos caminharemos para a Eterna Felicidade! O caminho mais sublime é o Amor, mas alguns só evoluem através da Dor!

Eu era forte e jovem, mas quando meu grande amor foi vendido, capricho da sinhá, minha saúde nunca mais foi a mesma. Minha vida mudou bastante e o meu consolo eram as rezas. Jamais cultivei a revolta ou a vingança. Os Orixás me davam a paz e o consolo para suportar as provas daquela encarnação.

Pior que a escravidão os grilhões da maldade e do preconceito. Muito pior que nosso sofrimento era o peso dos pecados daqueles que oprimiam seus irmãos de cor.

No dia 13 de maio, a alforria! No entanto, as lembranças marcaram minha vida para sempre. Foi minha encarnação mais proveitosa. Nessa vida de martírios, cultivei a renúncia e a humildade.

Quando desencarnei, meu grande amor estava à minha espera. A linda escrava que eu amei e foi vendida já estava no Plano Espiritual ansiosa pelo meu retorno. Somos todos irmãos! Somos todos iguais!

Muito tempo se passou e agora estou novamente na Terra. Não como espírito encarnado, mas como pai velho trabalhando nos terreiros de Umbanda. Minha vestimenta astral é a de preto velho. Escolhi essa missão para estar mais perto dos meus filhos de fé. Muitos precisam de libertação, da alforria da paz e da fé. Essa é a missão dos pretos velhos! Conselho, resignação, amor e paz! Limpar com a fumaça do cachimbo os miasmas do mal e da doença.

Aceitei essa tarefa sublime por muito amar a Humanidade. Conheci o sofrimento, a humilhação e a pobreza.

Minha mensagem é de libertação! Filho de fé liberte-se dos grilhões do orgulho e do egoísmo. Se você está sofrendo, não desanime! Confie no Pai Oxalá que tudo vê e tudo sabe! Faça sua parte no aprimoramento espiritual e na reformulação das suas atitudes. Liberte-se das vibrações negativas do desânimo, da tristeza e do pessimismo. Ame a Terra! Colabore para que esse Planeta melhore cada vez mais e seja um grande Lar de Amor! Liberte-se do peso da angústia através do Amor! Perdoe seus inimigos, porque Oxalá é o exemplo de Perdão e Misericórdia!

Desejo que Oxalá o ilumine hoje e sempre! Nascemos para vencer e evoluir! Nascemos para conviver com Amor e tolerância! Somos todos irmãos! Nascemos para cumprir apenas uma passagem! A verdadeira vida é a vida espiritual!

domingo, 23 de novembro de 2014

CONTOS DE UM VELHO PAJÉ


Na mata virgem
- Venha filho, vamos caminhar.

Assim anunciou o velho Pajé, balançando um maracá, quando me dei por conta estava em meio a uma clareira em plena mata virgem, árvores frondosas e maravilhosas raramente vistas no plano físico da vida. Ele me conduziu para uma estreita trilha.

- Filho vamos para uma experiência importante, é necessário que não dê tanta importância a beleza do lugar, mas sim apure seus sentidos, visão, olfato, tato, paladar e serenidade. Perceba a textura do chão no seu pé, a leveza das folhas em suas mãos, o cheiro de ervas no ar e a brisa fresca a acarinhar sua face.

- Posso sentir o gosto de seiva na boca Pajé.

- Sinal que já está próximo do que quero filho. Respire fundo e feche os olhos.

- Pajé, posso enxergar com olhos fechados! ’¶ exclamei emocionado.

- O que vê filho?

- Vejo troncos de luz, silfos, salamandras, folhas irradiantes...

- Lentamente abra os olhos.

- Sim...

- Continua vendo?

- Nitidamente Pajé...

- O que vê filho é a vida neste reino natural, tão mal percebida pelos encarnados e infelizmente entre os próprios fiéis do culto á natureza.

- Umbanda?

- Sim.

- Apure sua visão e perceba que é possível ver a seiva circular dentro das arvores, escutar o coração bater no peito dos pássaros e experienciar a presença dos entes invisíveis ao olho material, que são eles, os duendes, gnomos, fadas, silfos, ninfas e tanto mais.

- Quanta beleza Pajé!

- Quanta vida filho, quanta vida!

- Sim, pulsante...

- Agora me acompanhe.

Nos dirigimos a outra clareira, lá tinha muitas pessoas, vestidas de branco, colares, atabaque e muitas frutas, logo notei que se tratava de um terreiro pronto a iniciar uma atividade, curioso fiquei a observar atentamente, encantado com o toque harmônico da curimba e os raios de luz que espargiam no ambiente em direção dos presentes a cada batida das mãos no couro. Alguns outros se organizavam para no meio da roda depositar as oferendas, muitas frutas, velas, incensos, bebidas. Conseguia visualizar a luminosidade áurica de cada um, em cores e tons dos mais variadas.

- Filho, este grupo de cultuadores da natureza divina, está realizando um culto de exaltação ao senhor das matas...

- Pai Oxossi!

- Sim, e para tanto é comum postar oferendas em seu louvor, na Umbanda recorremos ao uso da natureza, como frutas, pedras, bebidas, incenso etc. Dispensando qualquer uso de imolação de animais.

- Sei Pajé, compreendo e tenho pra mim que é o correto, somente que muitos que cruzam o culto de umbanda com o africano recorrem á praticas da imolação.

- Sim filho, porém não vamos acessar este assunto no momento, vamos nos ater a esta liturgia de hoje e colher as impressões pertinentes.

- Sim Senhor.

Ele calado sacudia seu maracá e eu observando tudo, vi que as frutas emitiam luzes e quando cortadas era como que se abrisse uma caixa de luz, que de dentro um clarão escapava e por alguns minutos ficavam ali a iluminar e criando um campo de luz e energia indescritível. Quando a curimba acelerou o toque vi um portal se abrir na frente da oferenda e dele dezenas de caboclos caboclas e encantados saíram, abraçaram todos os presentes, dançavam e cantavam. Realmente era uma festa, uma exaltação e finalmente entoam o ponto...
...As matas estavam escuras...e um anjo a iluminou...e no centro da mata virgem...foi Oxósse quem chegou...mas ele é o rei ele é o rei ele é o rei... As folhas no chão começaram a voar e as entidades presentes em reverência batiam a cabeça ao chão, quando como que uma explosão e uma luz cegante se fez presente um emissário do Sr. Oxossi, sua luz verde era intensa que não pude me manter com a cabeça levantada, os caboclos ajoelhados bradavam em reverência e louvor, do lado físico alguns médiuns entravam em transe energético e a curimba acelerava o toque, poucos segundos passados novamente a explosão e Oxossi se recolheu. Na oferenda a luz era mais intensa.

Com os médiuns em oração e ajoelhados, as entidades estendiam as mãos em direção a oferenda e o inusitado acontecia. Dos elementos saiam uma substância esverdeada parecido com uma massa elástica que eles moldavam e iam aplicando nos fiéis presentes, rapidamente era absorvido pelos chakras e a luminosidade do corpo aurico deles era modificado, sutilizava e irradiava mais. Por alguns minutos este procedimento ocorreu e as entidades se recolheram para o portal mencionado.

- Viu filho, nenhuma entidade comeu as frutas.

- Mas eles não precisam comer para ficar tratado?

- Não filho, compreenda que somos de uma dimensão bem mais sutil que a de vocês e se nos aventurássemos a ingerir o prâna dos vegetais do plano físico nos traria grande desarranjo energético, quando precisamos nos ’³alimentar’´ encontramos o mesmo em nossa esfera e não na de vocês.

- Entendo...

- Entenda também que fora a liturgia religiosa, a necessidade de oferendas são para vocês mesmos que quando encarnaram perderam a capacidade de extrair o prâna da natureza e recorrem a esta prática para que nós os mentores os auxilie na extração e aplicação do prâna em vocês mesmos.

- Para que?

- A fim de sutilizar vossas energizar, equilibrar os chakras, curar doenças e muito mais. Também guardamos para os médiuns usarem nos atendimentos.

- Pajé de onde tiram tantas teorias que só ajudam a complicar a compreensão?

- Talvez das observações limitadas ao próprio conhecimento, ruim é quando saem do bom senso e fundamentam suas teorias no absurdo.

- Podemos fazer sempre oferendas?

- Sim, quando e onde bem entender e lá um de nós estaremos a auxiliar na extração do prâna.

- Incrível.

- Agora vamos filho, logo em breve retomamos esta prosa para aprofundamentos práticos, aproveite e vamos ensinar estas práticas...

Acordei após estas palavras, poderia ser um sonho...quero como uma revelação.

Saravá!

EXU DA TRONQUEIRA


Da entrada do terreiro observo os trabalhos. Os médiuns ocupam seus lugares. Velas já firmadas. Pontos irradiando.
Todos integrantes começam a bater cabeça enquanto a vibração dos pontos cantados e tocados pelos atabaques diversificam-se pelo salão. O dirigente recebe as coordenadas. Os mentores e guias irmãos ficam preparados.
Na assistência esperam consulentes, pessoas que frequentam a casa assiduamente, outros vindos pela primeira vez indicados por amigos. Umas pessoas estão emocionadas, não sabem explicar. Eu sei..são seus mentores que se fazem presentes.
Outras estão suando, passando mal, agoniadas, querendo sair. Espíritos trevosos vieram com elas, mas entendendo onde estão agora, prezam para sair antes que sejam capturados e resgatados. Com certeza não poderão sugar mais energias das pessoas que acompanham no plano terreno.
O dirigente inicia os trabalhos.Na corrente um médium bambea, parece que vai cair. Observo seu caboclo ao lado.
O médium é iniciante, não está totalmente integrado ao seu guia. Com fé e paciência, com o tempo, certamente incorporará seu caboclo. Demais médiuns da corrente já incorporaram.
O caboclo chefe manifesta-se no dirigente igual a primeira vez quando trouxe as primeiras mensagens.
Na sequencia que outros caboclos chegam a energia positiva se multiplica. A egrégora é fortificada.
Estes caboclos durante os passes retiram da assistência os obcessores, eguns e kiumbas. Limpam as pessoas perturbadas.
De um jeito sério e fraterno transmitem paz e segurança. Consequentemente levando esperança a muitas pessoas que têem em mente que seria o ´´último “lugar que procurariam ajuda na sua agonia. Agora sentem-se aliviadas.
Digo por experiência que em breve algumas delas estarão manifestando seus guias.
Todavia acostumado ver esta situação sempre me emociono.
De onde estou continuo a acompanhar os trabalhos.
Na assistência uma jovem que permanecia sentada, de repente levanta-se e pôe a vociferar.
Moça de voz melodiosa e serena transforma-se totalmente. Sua voz fica grave e arrogante.
Ela tenta agredir os cambonos da casa, que são médiuns auxiliares, habitualmente conduzam os necessitados para o salão principal onde são realizados os trabalhos.
O kiumba que acompanha a jovem é perigoso e ao cruzar a entrada: grita e xinga tentando machucar a moça possuida.
Tudo isso devido ela ter se afinizado com ele, pensando negativamente, acompanhando amigas em lugares de baixas vibrações, tomar atitudes contrárias ao modo que foi bem criada, permanecer ao lado de uma pessoa que não entende a caridade, entre outras situações.
Os caboclos alertas abrem a roda. Os atabaques soam em ritmo apropriado para a descarga energética.
O caboclo chefe olha para outro irmão de luz, que entendendo rodeia a moça criando um campo de força para que ela não se machuque. O caboclo da moça também irradia com força sobre ela.
Chegou minha hora, aproximo-me tranquilamente. O kiumba desesperado tenta evitar meu olhar.
Não percebeu, mas já teve suas forças exauridas pelos elementos dos trabalhos.
Sorrindo vou em sua direção. Ele ofende, grita e esbraveja.
O caboclo ordena pelo meu apoio.
Dou um salto na qual encosto a lâmina de minha espada no pescoço do kiumba. Domino-o com facilidade. Chamo outros guardiões que o amarram e colocam no liame, á beira de um círculo de velas. Durante os estudos os médiuns chamam de Mandala Ígnea. Um portal magístico.
O kiumba se joga dentro. Preferiu ser resgatado a uma dimensão paralela, para seu próprio aprendizado e evolução.
Foi esperto… se ficasse iria perder a garganta.
Outros kiumbas menores também são capturados e levados a lugares de merecimento.
A moça volta ao estado normal. Algumas pessoas da assistência comentam que as velas em poucos minutos queimaram muito rápido, estão no fim, faltando pouco para acabarem. Os menos entendidos colocam a razão num vento que não existiu ou na parafina que poderia ser fraca.
Não sabem eles o trabalho benéfico que se faz no astral durante o tempo que permanecem sentados.
Acham muito o tempo para espera. Eu acho pouco o tempo para trabalho.
Enfim, nós mentores e guias fazemos o que podemos segundo necessidade e merecimento de cada um.
Os caboclos acabam os descarregos tirando os resíduos e agradecem meu auxílio.
Volto ao meu lugar na tronqueira e observo o fim dos trabalhos.
Minhas velas, charutos e marafos estão firmados para segurança.
Os trabalhos terminam, todos se vão felizes.
E eu na porteira estou…Sentinela.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Parábola de Jesus no terreiro


jesus

Estava começando a escurecer, quando Jesus chegou num terreiro. O pessoal que entrava, o saudava e dizia:
“Boa Noite, Jesus! Entre e participe com a gente!”
Jesus entrou. Viu o povo reunido. A maioria era pobre. Alguns, não muitos, da classe média. Todo mundo dançando, alegre. Havia muita criança no meio. Viu como todos eles se abraçavam.
Viu como os brancos eram acolhidos pelos negros como irmãos. Jesus, ele também, foi sendo acolhido e abraçado. Estranhou, pois conheciam o nome dele. Eles o chamavam de Jesus, como se fosse um irmão e amigo de longa data. Gostou de ser acolhido assim. Viu também como a Mãe-de-santo recebia o abraço de todos e como ela retribuía acolhendo a todos. Viu como invocavam os orixás e como alguns vinham distribuindo passes para ajudar os aflitos, os doentes e os necessitados.
 
Jesus também entrou na fila e foi até a mãe-de-santo. Quando chegou a vez dele, abraçou-a e ela disse:
“A paz esteja com você, Jesus!”
Jesus respondeu:
“Com a senhora também!”
E acrescentou: “Posso fazer uma pergunta?”
E ela disse: “Pois não, Jesus!”
E ele: “Como é que a senhora me conhece? Como é que o pessoal sabe o meu nome?”
E ela falou: “Mas Jesus, aqui todo mundo conhece você. Você é muito amigo da gente. Sinta-se em casa no meio de nós!”
Jesus olhou para ela e disse: “Muito obrigado!”
E continuou: “Mãe, estou gostando! O Reino de Deus já está aqui no meio de vocês!”
Ela olhou para ele e disse: “Muito obrigado, Jesus!
Mas isto a gente já sabia. Ou melhor, já adivinhava! Obrigado por confirmar a gente. Você deve ter um orixá muito bom. Vamos dançar, para que ele venha nos ajudar!”
E Jesus entrou na dança. Dentro dele o coração pulava de alegria. Sentia uma felicidade imensa e dizia baixinho:
“Pai, eu te agradeço, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste ao povo humilde aqui do terreiro.
Sim, Pai, assim foi do teu agrado!”.
Dançou um tempão. No fim, comeu pipoca, cocada e batata assada com óleo de dendê, que o pessoal partilhava com ele.
E dentro dele, o coração repetia sem cessar:
“Sim, o Reino de Deus chegou! Pai, eu te agradeço! Assim foi do teu agrado!”

domingo, 2 de novembro de 2014

História Contada Por Sr. Exu Da Capa Preta

Salve Sr. Exu da Capa Preta - Por Cásso Ribeiro
O ônibus estava lotado, eu não conseguia vê-la, mas sabia que estava lá.
Podia senti-la, captava sua angustia, sua indecisão, e acima de tudo seu
medo. Ela não estava só, alem de mim, vi outros que a acompanhavam. Eram
de outra faixa vibratória, pertenciam ao passado.Tentavam envolvê-la com
uma energia densa e pegajosa. Sempre que faziam isso ela ficava mais
nervosa e também mais decidida. Eu os via, mas eles não me notavam. À
medida que o ônibus avançava pelas ruas centrais mais e mais pessoas
entravam. Todos apressados para chegar em casa. O coletivo corria em
direção a periferia da cidade. Ela esta lá, meio deslocada, olhava com
insistência um pedaço de papel. Ali em suas mãos o endereço que segundo
ela mudaria seu destino. Ato continuo ela toca a campainha, o ônibus
para, descemos... Aqueles que a acompanham, vibram, ela esta na
iminência de servir como instrumento na vingança que planejam há muito
tempo. Vibram com tanto ódio que ela enfureceu-se consigo mesma. Como se
deixara envolver por aquele rapaz? Tinha que resolver isso imediatamente
e tratar de seguir sua vida, sem que seus pais soubessem. Ela verifica o
número anotado, esta perto. Chega a uma casa humilde, como todas as
outras ali no bairro. Toca a campainha é atendida por uma senhora que
executara o serviço. A mulher a analisa rapidamente, já vira muitas
iguais a ela, não tem tempo para conversa fiada.Pede-lhe o dinheiro e
manda que espere, pois existem duas mulheres na frente dela. Ela
senta-se e aguarda. Eu tenho que agir rápido. Vibro minha espada no ar,
e os seres trevosos que a acompanham estarrecem ante minha presença.
Fatalmente eles me notam,agora ou correm ou me enfrentam. Decidem
sabiamente pela primeira opção, saem da casa, mas ficam do lado de fora,
tentando contatar outros que podem vir ajudá-los. Aproveito para me
aproximar dela. Envolvo-a com minha capa, ela se acalma, por um
instante, sugestionada por mim e titubeia. Já não tem certeza se deve
continuar. Eu vibro em seu mental para que saia dali vá tomar um ar
fresco lá fora. Ela me atende. Quando chega , ainda envolvida por minha
capa, torna-se invisível para os que a acompanham. Tenho que me
materializar. Ela assusta-se ao me ver, tenta gritar não consegue, tenta
voltar para dentro da casa, mas eu a impeço. Chamo-a pelo nome, digo-lhe
que não deve me temer, falo que venho em paz. Tenho uma missão: Evitar
que ela faça o aborto. Não deve impedir aquele espírito de vir ao mundo.
Pouco importa se a concepção fora fruto de uma aventura. Deve deixá-lo
vir. Será um menino, veio do passado para cumprir uma missão, ela não
deve abortá-lo. Sei que seus pais não aprovarão a gravidez, mas me
comprometo a acalmá-los e fazê-los aceitar. Ela chora, não entende como
pode estar ouvindo aquilo. Falo com tanta firmeza que ela quer saber
quem sou. Digo-lhe que me chamam de Exu Capa Preta, sou um guardião,
protegerei o menino que ela carrega no ventre. Estarei ao lado dele a
vida toda, acompanhando-o, guiando-o e protegendo-o. Portanto ele não
deve temer. Chorando ela consente, avança para a rua, toma um ônibus e
retorna para casa. Protejo-a durante a gravidez, o menino nasce forte e
saudável, cresce sem sobressaltos como prometi. Sempre que acho
conveniente deixo-o que me veja, aos poucos vou me apresentando. Hoje
ele esta feliz, acabara de completar 18 anos.Seus amigos comemoram a
data festiva. Movido pela curiosidade o rapaz resolve conhecer um
terreiro de Umbanda. Estou ansioso, chegou meu grande dia! Ele chega,
senta na assistência. Lá dentro uma gira de Exu. Eu já me entendi com o
Exu chefe da casa, somos bem vindos. Quando ele entra para tomar um
passe com linda Pomba Gira eu tomo-lhe à frente e incorporo. Abraço a
moça com carinho, já nos conhecemos de longa data, fumo, bebo, canto.
Daqui para frente haverei de incorporar sempre que necessário. E assim
foi. Ele desenvolveu, abriu seu próprio terreiro, cumpre com amor e
carinho sua missão. De minha parte não o abandono nunca. Estou sempre
disposto e feliz.




Dando início a uma destas reuniões mediúnica num centro espírita orientado pela doutrina de Allan Kardec, foi feita a prece de abertura por um dos presentes. Iniciando-se as manifestações, pequenas mensagens de consolo e apoio, foram dadas pelos desencarnados aos membros da reunião.

Quando se abriu o espaço destinado à comunicação de Espíritos necessitados, ocorreu o inesperado: a médium Letícia fica sob a influência de um Espírito

O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática espírita, deu-lhe as boas-vindas, em nome de Jesus.

- Seja bem-vindo, meu irmão, nesta casa de caridade, disse-lhe Dr. Anestor.

O espírito respondeu:

- Boa noite, Fio. Suncê me dá licença prá eu me aproximá de seus trabalhos, Fio?".

- Claro, meu companheiro, nosso centro espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor da mesa.

Todos os presentes perceberam que a entidade comunicante era um preto-velho, a entidade continuou:

-"Vósmecê não tem aí uma cachacinha prá eu bebê, Fio?".

- Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. Você precisa se libertar destes costumes que traz dos terreiros, que é o de ingerir bebidas alcoólicas.

O Espírito precisa evoluir, completou o dirigente.

- Vósmecê num tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, Fio.

- Ora, meu irmão, você deve deixar o mais breve possível este hábito adquirido nas práticas de terreiro, se é que queres progredir. Que benefícios traria isso a você?

O preto-velho respondeu:

- Preto-véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos médiuns não faz uso do cigarro, Fio? Suncê mesmo num toma suas bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que tem o seu Espírito que beberica `whisky' lá fora, do meu Espírito que quer beber aqui dentro? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncês fuma na rua, daquele que eu quero pitar aqui dentro, Fio?

Dr. Anestor não pôde explicar, mas resolveu arriscar: - Ora, meu amigo, nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar os trabalhos de Jesus. O preto-velho retrucou, agora já não mais falando como caipira:

- Caro dirigente, na escola espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais centro espírita.

Para nós, estudiosos da alma, o templo da verdade é o do Espírito. E é ele que está sendo profanado com o uso do álcool e do fumo, como vêm procedendo os senhores. Vosso exemplo na sociedade, perante os estranhos e mesmo seus familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. A lição do próprio comportamento é fundamental na vida de quem quer ensinar.

Houve grande silêncio diante de tal argumentação segura. Pouco depois, o Espírito continuou:

- Suncê me adescurpa a visitação que fiz hoje, e o tempo que tomei do seu trabalho. Vou-me embora para donde vim, mas antes, Fio, queria deixar a suncês um conselho: que tomem cuidado com suas obras, pois, como diria Nosso Sinhô', tem gente coando mosquito e engolindo camelos.

- Cuidado, irmãos, muito cuidado. Preto-véio deixa a todos um pouco da paz que vem de Deus. Ficam meus sinceros votos de progresso a todos os que militam nesta respeitável Seara".

Dado o conselho, afastou-se para o mundo invisível. Dr. Anestor ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar "daquela forma", mas não houve resposta. No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma importante lição para todos meditarem.

Autor Desconhecido

Preto_Velho1

Mensagem de Preto Velho
Pai Jerônimo

“Um certo dia, ele atendeu de uma senhora que lhe veio consultar sobre um tumor nos seios, diagnosticado por uma mamografia.
Passes daqui, trabalhos dali, enfim, uma consulta normal…vela, erva, água…
Disse o preto:
- É mizim fia… Tá feito…mas num deixa de procurá o Homi de branco, dispois vem contá pro nego…nego vai ficá no toco esperando zunce vortá…
E saiu a consulente.
Numa próxima gira, estava lá o preto no toco e chegou a sua consulente, já na segunda parte do trabalho.
- Podi entrá mi zim fia, tava le esperano….
- É meu Velho, fui no médico sim… ele disse que o tumor sumiu, vai ver foi engano, o que a mamografia mostrou foi uma sombra de um queloide, que eu já tinha de cirurgia anterior. mas vim lhe agradecer, pois sei que o Senhor me curou..
Diga, meu Pai, o que o Senhor quer de presente, quero lhe agradecer…
Em nossa casa, as entidades as vezes ganham presentes, charutos, bebidas, mas não que peçam, porque as pessoas trazem em agradecimento mesmo, como deve ser em todo lugar.
Mas naquele dia o preto pediu…
- Me traga um bolo de chocolate, mi zi fia, suncê pode faze isso…?? Mais tem qui ser na próxima gira… eu num vô tá aqui, mas fala com o caboclo chefe que ele manda mi chamá….
Todos estranharam, e eu mais ainda, passei a semana pensando naquele pedido, eu que amo bolo de chocolate, pensava comigo, Meu Velho… porque um bolo, Meu Pai… Até os filhos da casa acharam estranho e houve uma brincadeira ou outra… do tipo achando que iam comer o bolo….Alguém arriscou dizer que era a comemoração pela cura da mulher… Enfim… esperei ansiosa… Afinal… confio neles.
Em verdade torci para a mulher nem aparecer com aquele bolo…
Mas ela apareceu, e sentou na primeira fila, como tal bolo, todo confeitado de confetes coloridos.
Chegou o preto, com autorização do chefe do terreiro, que é Seu Serra Negra….
- Trouxe meu bolo, mi zim fia…
- Trouxe meu velho…
Então o preto levantou e disse que na assistência tinha uma menina, de cor morena, que estava fazendo aniversario, 14 anos, e chamou-a.
Disse à menina:
- Mi zim fia, esse é presente que sunce pediu ao seu anjo da guarda, ele não pode vir, mandou o nego te entregar…
A criança marejou os olhos e saiu com o bolo na mão, sentar ao lado da mãe, que chorava muito na assistência. Em 14 anos, nunca havia ganhado um bolo de chocolate….Nunca mais voltou, nunca mais vimos. E nunca esquecemos esta história.”
Autor desconhecido

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Lições de um Preto Velho


LIÇÕES DE UM PRETO VELHO

Observe esta breve história. Uma história verídica que infelizmente ocorre com grande freqüência nas reuniões espíritas com os então ainda espectadores encarnados, incrédulos que necessitam da ilusão dos “nomes afamados e títulos memoráveis” para se dar a credibilidade ao espírito mensageiro iluminado.
Cenário: reunião mediúnica num Centro Espírita. A reunião na sua fase teórica desenrola-se sob a explanação do Evangelho Segundo o Espiritismo. Os membros da seleta assistência ouvem a lição atentamente. Sobre a mesa, a água a ser fluidificada e o Evangelho aberto na lição nona do capítulo dez: “O Argueiro e a trave no olho”.

Dr. Anestor, o dirigente dos trabalhos, tecia as últimas considerações a respeito da lição daquela noite. O ambiente estava impregnado das fortes impressões deixadas pelas palavras do Mestre: “Por que vês tu o argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu?”. Findos os esclarecimentos, apagaram-se as luzes principais, para que se desse abertura à comunicação dos Espíritos.

Um dos presentes fez a prece e deu-se início às manifestações mediúnicas. Pequenas mensagens, de consolo e de apoio, foram dadas aos presentes. Quando se abriu o espaço destinado à comunicação das entidades não habituais e para os Espíritos necessitados, ocorreu o inesperado: a médium Letícia, moça de educação esmerada, traços delicados, de quase trinta anos de idade, dez dos quais dedicados à educação da mediunidade, sentiu profundo arrepio percorrendo-lhe o corpo. Nunca, nas suas experiências de intercâmbio, tinha sentido coisa parecida. Tomada por uma sacudidela incontrolável, suspirou profundamente e, de forma instantânea, foi “dominada” por um Espírito. Letícia nunca tinha visto tal coisa: estava consciente, mas seus pensamentos mantinham-se sob o controle da entidade, que tinha completo domínio da sua psiquê.

O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática espírita, deu-lhe as boas vindas, em nome de Jesus:

- Seja bem vindo, irmão, nesta Casa de Caridade, disse-lhe Dr. Anestor.
 
O Espírito respondeu:
 

“Zi-boa noite, zi-fio. Suncê me dá licença pra eu me aproximá de seus trabaios, fio?”.

- Claro, meu companheiro, nosso Centro Espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor dos trabalhos.

Os presentes perceberam que a entidade comunicante era um preto-velho, Espírito que habitualmente comunica-se em terreiros de Umbanda. A entidade comunicante continuou:

“Vós mecê não tem aí alguma coisa pra eu bebê, Zi-Fio ?”.

- Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. Você precisa se libertar destes costumes que traz de terreiros, o de beber bebidas alcoólicas e café. O Espírito precisa evoluir, continuou o dirigente.

“Vós mecê não tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, Zi-fio”.

- Ora, irmão, você deve deixar o hábito adquirido nas sessões de Umbanda, se queres progredir. Que benefícios traria isso a você?

O preto-velho respondeu:

“Zi-preto véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos que aqui estão, não faz uso do cigarro lá fora, Zi-fio? Suncê mesmo, não toma suas bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que tem o seu Espírito que bebe whisky, no fim de sumana, do meu Espírito que quer beber aqui? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncê queima na rua, daquele que eu quero pitá aqui dentro?”.

O dirigente não pôde explicar, mas ainda tentou arriscar:

- Ora, meu irmão, nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar o trabalho de Jesus.

O Espírito do preto-velho retrucou, agora já não mais falando como caipira:

“Caro dirigente, na Escola Espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais Centro Espírita. Para nós, estudiosos da alma, o verdadeiro templo é o templo do Espírito, e é ele que não deve ser profanado com o uso do álcool e fumo, como vem sendo feito pelos senhores. O exemplo que tens dado à sociedade, perante estranhos e mesmo seus familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. A lição do próprio comportamento é que é fundamental na vida de quem quer ensinar”.
 
Houve profundo silêncio diante de argumentos tão seguros. Pouco depois, o Espírito continuou:

“Desculpem a visita que fiz hoje e o tempo que tomei do seu trabalho. Vou-me embora para o lugar de onde vim, mas antes queria deixar a vocês um conselho: que tomassem cuidado com suas obras, pois, como diria Nosso Senhor, tem gente “coando mosquito e engolindo camelo”. Cuidado, irmãos, muito cuidado. Deixo a todos um pouco da paz que vem de Deus, com meus sinceros votos de progresso a todos que militam nesta respeitável Seara”.

Deu uma sacudida na médium, como nas manifestações de Umbanda, e afastou-se para o mundo invisível. O dirigente ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar “daquela forma”. Não houve resposta.

 

No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma importante lição: lição para os confrades meditarem sobre aquilo que creem ou que necessitam ter para crer!!!!
 
Saravá Yofá! Saravá os Preto-Velhos!!!
Saravá todo o povo do cativeiro!
Adorei as Almas!!!!!!
 
QUEM DECIDE COLOCAR-SE COMO JUIZ DA VERDADE E DO CONHECIMENTO É NAUFRAGADO PELA GARGALHADA DOS DEUSES.
PENSE NISSO!